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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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“OLHA O AVIÃO!…”

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Votei na presidente Dilma, e torço pelo sucesso do seu governo. A sua reação aos protestos, em pronunciamento pela TV, pareceu-me coerente. Disse que reconhecia a legitimidade das manifestações e afirmou textualmente: “a voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada”. Acontece que a voz das ruas bradava (e brada) contra a desbragada corrupção política, as agruras da população nos péssimos serviços de transporte, saúde e educação; contra a insegurança e o medo, e contra a prioridade dada pelo poder público a obras sem qualquer interesse da população, como no caso dos inflados gastos em estádios de futebol, e os anunciados gastos em trem bala etc. Ato contínuo, no entanto, a presidente anuncia a proposta de um plebiscito para uma Constituinte exclusiva com vistas à reforma política, o que me pareceu, para usar expressão surgida nas últimas semanas, “um ponto fora da curva”. Aliás, cinco pontos “fora da curva”, a saber: financiamento de campanhas; sistema eleitoral; suplência do senado; coligações partidárias; fim do voto secreto.

Não se discute que essas são questões importantes. Mas o que elas têm a ver com os protestos e com o reconhecimento de que a voz das ruas precisa ser ouvida?  Plebiscito a toque de caixa, para não acontecer? Na verdade, orientada ou não por assessores e políticos, a presidente optou pela falácia do “olha o avião!”, aquela em que, quando todos estão com a atenção voltada para algo importante porém incômodo, alguém grita, para desviar a atenção: “Olha o avião!” Será que a nossa presidente fez isso? Talvez não dê certo. Como resposta, a voz das ruas pode ter o volume aumentado. E manifestantes pacíficos podem achar que os “vândalos” é que estão com a razão…

 

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2 comenários to ““OLHA O AVIÃO!…””

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Todos nós que defendemos a ordem somos contra os atos de vandalismo. No entanto, as mudanças políticas não ocorrem com passeatas pacíficas. Estas são tratadas pelo poder político como procissão de quermesse. O que dá repercussão nacional e internacional são os atos de vandalismo. Nenhum jornal internacional publica notícia sobre passeatas pacíficas em país de terceiro mundo, salvo, pouquíssimas exceções. O interesse jornalístico está nos atos de vandalismo, no Congresso invadido, nos ônibus queimados, no confronto com a polícia, no uso de violência para a repressão dos vândalos. Isso é que assusta os políticos. As medidas já tomadas pelas autoridades, revogando aumentos de passagem, busca de diálogo com manifestantes e outras em andamento como o passe-livre para estudantes etc., foram conseguidas com a colaboração direta dos vândalos que os amedrontaram. A divulgação em tempo real desses fatos para o mundo inteiro via internet pressiona os políticos a rever as suas condutas. Essa é a minha visão, a qual submeto a você e aos ilustres visitantes de seu blog.

  2. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Concordo plenamente. Acrescento: um dos problemas da nossa sociedade em particular, é que a “ordem” sempre teve como referenciais a hierarquia social e o porrete. O povo parece que está assimilando a pedagogia do porrete também, para que a ordem tenha referenciais realmente democráticos.Nada contra.

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