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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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ABOLIÇÃO E ESCRAVIDÃO NUMA SOCIEDADE PACÍFICA EM ARMAS

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Comemoram nesta semana a Abolição da escravatura, sancionada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888 no Rio de Janeiro, cidade que fora um dos centros do Brasil Colônia, capital do Império português (Reino Unido ao de Portugal e Algarves), e capital do Império do Brasil desde a Independência, em 1822, até a proclamação da República, em 1889. Ou seja, uma cidade que respirou o escravismo brasileiro por mais de 350 anos. Cidade que, no início da República, tinha uma ampla área do centro (Zona Portuária, Gamboa, Saúde, Santo Cristo e adjacências) chamada de Pequena África.

Ainda que não se levem a sério as explicações românticas dando conta de que a escravidão brasileira foi uma espécie de servidão consentida e amistosa, em contraste com a escravidão “maligna” norte-americana; e de que o senhor de escravos brasileiro era bondoso, diferente do “malvado” senhor daquele país, ninguém discordará de que, aqui, o chicote, os grilhões, as calcetas,  o ferro em brasa, o tronco, o pelourinho, os capitães-do-mato, e principalmente as forças de segurança foram meios eficazes de manter os negros em obediência e disciplina.

Além disso, a unidade nacional, que responde pelo tamanho do Brasil (o território não se fragmentou em pequenos países, como aconteceu na América espanhola) deveu-se principalmente ao que se costumou chamar de pacificação, vale dizer, repressão armada. No início, esta consistiu na autorizada “Guerra Justa” contra os índios que se opunham à dominação, resultando na sua (dos índios) matança. Depois, consistiu na caçada aos escravos negros que se rebelavam e fugiam, resultando na sua (dos escravos) matança. Hoje, o Brasil ostenta uma das maiores taxas de mortes por homicídio do mundo. E há que perguntar: A matança atual é contra quem? E onde? E quem a patrocina?

Alguém poderá dizer: o que tem a ver uma coisa com a outra? Talvez nada tenha a ver mesmo, mas numa sociedade que afirma ter-se formado pacificamente (!…), é sintomática a manchete que o jornal O Globo (12/05/2013) traz em primeira página, coincidentemente nos 125 anos da Abolição: “Venda de armas volta a bater recorde no Brasil”: Registros na Polícia Federal crescem 378% em cinco anos e já superam níveis de 2003.

Viva a Abolição! E salve-se quem puder!…

 

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4 comenários to “ABOLIÇÃO E ESCRAVIDÃO NUMA SOCIEDADE PACÍFICA EM ARMAS”

  1. Emir Larangeira disse:

    Bom momento para o brasileiro ler o conto machadiano “PAI CONTRA MÃE” e refletir sobre a “bondade” do senhor de escravo pátrio.

  2. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    Ainda não tinha lido esse conto. Emocionante.
    Tudo a ver.

  3. Capitão Marinho disse:

    Salve-se quem puder. Triste realidade brasileira que “fazemos” questão de mantê-la ao custo de muito sangue e “gastança de gente”!
    Forte abraço, meu Guru!

  4. jorge disse:

    Caro Marinho,
    O mais estranho é que, no Brasil, não se contam os mortos. Para a sociedade brasileira, só há matança alhures.

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