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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS PMs (IV)

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Recebo cópia de “post” do blog Casos de Polícia, do jornal Extra, sobre mortes de policiais, postado por Ana Paula Miranda, que transcrevo mais abaixo. Antes, teço um comentário.

Em três “posts” anteriores, DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS PMS (I), (II) e (III), publicados em 18 mai, 15 jul e 29 jul (abaixo), tratei de uma questão que costuma passar ao largo das discussões sobre a segurança pública e os direitos humanos: a vitimização dos policiais.

A sociedade deve exigir, como tem exigido, a punição exemplar daqueles policiais que tenham praticado atos de violência gratuita, sobretudo quando vitimizam pessoas inocentes. Mas também deveria exigir a responsabilização dos orquestradores da violência policial no atacado, fato corriqueiro entre nós. Basta lembrar dos discursos raivosos e das bravatas de autoridades, falando em “atira primeiro e pergunta depois”; em “bandido bom é bandido morto”; em “comigo não tem conversa”, e por aí afora. É preciso reconhecer que muitos dos atos de violência gratuita que condenamos decorrem desse atiçamento irresponsável, o que deveria ser objeto da ação dos setores que lutam pelos direitos da coletividade, como é o caso, por exemplo, do Ministério Público.
Caso contrário, estaremos contribuindo para retroalimentar a hipocrisia, fazendo dos policiais uma espécie de “algozes-vítimas”. Algozes por executarem as “sentenças” a eles atribuídas de forma subliminar pelo establishment; e triplamente vitimas: primeiro, por serem transformados em bodes expiatórios; segundo, vítimas dos bandidos; e terceiro, vítimas de políticas e das autoridades que os empregam como camicases urbanos.

O post de Ana Paula não deixa duvida da insensatez:

02 /09/ 2009
Policiais mortos em serviço
Os dados relativos ao primeiro semestre apresentaram resultados preocupantes, mas que já eram imaginados no que se refere ao crescimento de roubos e de mortes no Estado.
De todos os dados o que me pareceu mais assustador foi a comparação de policiais mortos em serviço no primeiro semestre deste ano em comparação com 2008. Foram 23 neste ano e 10 no ano passado. Isso dá uma média mensal de 4 policiais mortos em serviço por mês.
Do total de policiais 16 eram militares e 7 civis.

Sem mais comentários.

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5 comenários to “DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS PMs (IV)”

  1. Eron disse:

    É preciso, sim, ser imparcial como os policiais que usam a corporação como instrumento “legal” para acobertar seus crimes e fazer dela um escudo impenetrável para que seus atos ilícitos continuem sendo praticados livremente. Infelizmente estes são uma minoria, mas que por conta disto passa a jogar uma corporação inteira na cova dos leões, já que a sociedade passa a generalizar todos os policiais, os maus e os bons, como sendo um só, e ela tem razão pelo fato de o policial está tão perto do cidadão. Entretanto é preciso entender o outro lado da moeda,isto é, por que fatos de desvio de conduta contecem. Como estou cursando o curso de técnico de segurança do trabalho estou entendendo que em tudo há um motivo, isto é, uma causa para que acidentes aconteçam, neste caso, desvios aconteçam, problemas familiares, más condições de trabalho, baixos salários que influenciam diretamente no rendimento do trabalhador, neste caso, do policial militar. Logo penso que é preciso que se crie mecanismos em favor de proporcionar saúde e qualidade de vida ao policial e estes devem prover do Estado. Que os maus sejam erradicados, mas que os restantes, comprometidos, venham a ter ferramentas para trabalhar com dignidade e que sejam respeitados, acima de tudo, como cidadãos.

  2. Caro Eron,
    Obrigado pelo seu comentário. Que bom que você ‘não tenha uma idéia preconceituosa em relação aos policiais.
    Abraço,
    Jorge

  3. f. Cristina disse:

    Aparentemente os direitos humanos valem primeiro para a sociedade, depois para os os bandidos e por último para os PMs. Só vejo o governo mandar mais e mais policiais para as ruas,quero acreditar que eles estão preparados., caso contráio estaríamos contribuindo para o aumento do policiais vitimizados.

  4. F. Cristina disse:

    Li seu comentário no Jornal Extra do dia 7 de setembro e estou de pleno acordo com sua opinião. Não adianta ter quantidade de policiais nas ruas se muitos não estão aptos ao trabalho externo.

  5. Como sempre, em todos os assuntos que aborda, vai no âmago do problema. Nas entrelinhas lê-se a hipocrisia dos nossos governantes, que tiram o foco de si mesmos jogando em cima da pobre polícia a responsabilidade sôbre a violência que está intimamente ligada a falta de investimentos em infraestrutura, educação, saúde, etc. voltada para a população mais pobre do nosso Estado. Entra governo e sai governo e a segregação continua. Até quando?

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