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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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JÔ SOARES E POLÍCIA PACIFICADORA

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No programa do último dia 8 de março, Jô Soares entrevistava um brasileiro, Alexandre Danielli, que servira no Marine Corps (Corpo de Fuzileiros Navais) dos Estados Unidos. O ex-“marine” tinha atuado em combate no Afeganistão, onde chegou a ser ferido em ação. Em dado momento da entrevista, Jô toca num ponto delicado: “Eu… eu ia fazer uma pergunta, mas acho tão terrível…Você não tomou consciência que estava lá para matar gente?” Pego de surpresa, o entrevistado se atrapalha: “Sim… a gente é treinado… pra se defender…” Jô o atalha com uma gargalhada, e ele tenta contornar a contradição: “… você vai lá se defender dos terroristas…” E Jô, irônico, ainda rindo: “É como a polícia pacificadora. Tá lá pra pacificar… a bala, claro, mas vai… vai pacificando… [risos da plateia] Outro dia eu ouvi o depoimento de um senhor, comovente; um pai que a filha morreu de um tiro, e ele falou: ‘Como é que é possível uma bala que veio para pacificar?’… Eu acho essa terminologia de polícia pacificadora… eu acho um absurdo. É a mesma coisa desse negócio de ‘Não, não somos… fomos pra lá mas não é pra conquistar, é pra restabelecer… pra colocar a democracia’. Nunca vi democracia imposta, já deixa de ser”.

 

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6 comenários to “JÔ SOARES E POLÍCIA PACIFICADORA”

  1. Marcos disse:

    Essa tal politica de pacificação está dando sinais claros de desgaste com casos de ataques a unidades, inclusive com policiais mortos e corrupção envolvendo alguns agentes. Acho que é uma política para “inglês ver” literalmente, já que visam a copa e as olimpíadas dando aos turistas a imagem de que o RJ é seguro. É um bom projeto, agora dizer que está “pacificado” acho pretensão, o território está “ocupado” e os marginais continuam lá.

  2. jorge disse:

    Caro Marcos,
    Parece que Jô Soares é contra as UPPs.

  3. lucia pinheiro frores disse:

    As favelas, fazem parte da história brasileira. Surgiram em 1900, aproximadamente, na época da Guerra dos Canudos, na qual os soldados, que retornaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber o seu salário e, sem condições de adquirirem propriedades na cidade, acabaram se instalando em morros da capital. Desde então, houve políticas pontuais do governo em relação às favelas, no entanto tais ações eram marcadas pelo preconceito e não visavam a integração econômica e social das comunidades à cidade do Rio de Janeiro. Diferenciava-se o “morro” do “asfalto”, ao invés de tentar integrá-los.
    As favelas, em particular as da cidade do Rio de Janeiro, consistiam em aglomerados dentro da cidade, normalmente situadas em morros ou áreas de risco, que abrigavam uma população mais pobre e marginalizada. Eram caracterizadas por habitações precárias, pouca ou nenhuma segurança pública, falta de serviços sociais básicos, e predominância do comércio informal e o ilegal, domínio de poderes criminosos armados.

  4. jorge disse:

    Cara Lucia,
    Isso mesmo. Perfeito.

  5. Emir Larangeira disse:

    Nós, PMs cascudos, decoradores de manuais de emprego tático de tropa fardada e armada, sabemos existir uma tal “seletividade do uso da força”. Trocada em miúdos, significa que a estrutura de prevenção/repressão (a forma segue a função) deve ser de tal monta que intimide o adversário e o faça recuar, já que não se cuida de “eliminação do inimigo”. Então, tudo que vemos, seja ou não UPP, se resume ao “fluxo” e ao “refluxo” a que o Cel Jorge tão bem se reporta. E todo o resto é abobrinha!

  6. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    É isso. Agora chegou a vez do refluxo das vans para os braços das milícias.

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