- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

UPPs E A PACIFICAÇÃO DE SÃO PAULO

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Certa feita, acompanhei o então governador Garotinho numa reunião com a direção das Organizações Globo. O Governador queria mostrar, com base nos números, que os índices de criminalidade violenta em São Paulo eram mais elevados do que os do Rio, e que as facções criminosas paulistas eram tão ou mais insidiosas. Ele sustentava que os meios de comunicação de São Paulo e do Rio abordavam o tema de forma diferente, com a consequente invisibilidade da violência paulistana e a grande visibilidade da carioca, e que isso prejudicava a imagem do Rio.

Um dos diretores contra-argumentou. Se o motivo da aparente invisibilidade da violência de São Paulo tivesse realmente a ver com a diferença de abordagem, o problema se situava na mídia de São Paulo, e esta é que deveria mudar, se fosse o caso, e não a do Rio, que apenas cumpria a obrigação de informar e mostrar a realidade.

Ontem, dia 3 de março, curiosa e coincidentemente no dia da ocupação policial do conjunto de favelas do Caju e a Barreira do Vasco com vistas à implantação da 31ª UPP; e justo quando a mídia do Rio enaltecia o processo, o jornal Folha de São Paulo trazia matéria com o seguinte título:

Em Crise, UPPs sofrem com insegurançaMoradores dizem que tiros de fuzil durante a noite voltaram a ser comuns; clima é tenso em áreas pacificadas”

Temos aí um exemplo clássico da diferença entre os conceitos de (in)segurança objetiva e (in) segurança subjetiva, diferença essa, como afirmam os estudiosos da segurança, que guarda dependência crucial da mídia, dentre outros fatores.