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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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POL√ćCIA E CHACINAS

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Deu na Folha de São Paulo (07/01/2013):

‚ÄúPol√≠cia s√≥ esclarece 1 das 24 chacinas do ano passado em SP‚ÄĚ

N√£o se trata apenas de S√£o Paulo, pois √© um padr√£o nacional. A tradi√ß√£o brasileira sempre foi usar as for√ßas de seguran√ßa para lidar com quest√Ķes sociais (‚Äúmenores‚ÄĚ nas ruas, sem-terra, sem-teto, ambulantes, mendigos, favelas, drogas etc.) Da√≠ que, em se tratando da criminalidade e da viol√™ncia urbana especificamente, s√≥ se fala em combate, opera√ß√Ķes, blitze, tropas de elite, de choque, blindados; e na quantidade de maconha ou coca√≠na apreendida nas opera√ß√Ķes, com direito a fotos e tudo mais. Quanto √† investiga√ß√£o dos crimes, basta ver as taxas de elucida√ß√£o dos mesmos no Brasil, em compara√ß√£o com as de outros pa√≠ses. No caso dos homic√≠dios, as taxas s√£o rid√≠culas. Claro, como desenvolver as atividades de investiga√ß√£o criminal a contento se boa parte dos policiais incumbidos dessa fun√ß√£o √© direcionada para outras tarefas, somado ao fato de muitos deles preferirem o aparato e o fuzil √† lupa? Na verdade, s√≥ se exige empenho investigativo da pol√≠cia quando a v√≠tima √© pessoa ‚Äúde qualidade‚ÄĚ. A√≠, e s√≥ a√≠, as autoridades v√™m a p√ļblico para prometer uma apura√ß√£o rigorosa, um inqu√©rito ‚Äúrigoroso‚ÄĚ. Se, no entanto, as v√≠timas e os algozes das chacinas proveem do mesmo estrato social dos “chacin√°veis”, para que investigar? A conclus√£o a que se chega √© √≥bvia: √© assim porque √© para ser assim mesmo. Bem, quem sabe, daqui a umas duas ou tr√™s d√©cadas n√£o se proclame a rep√ļblica no Brasil!

PS. Link da matéria da Folha: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/87433-policia-so-esclarece-1-das-24-chacinas-do-ano-passado.shtml

 

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8 comenários to “POL√ćCIA E CHACINAS”

  1. A C Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Sobre o tema √© importante relembrar o epis√≥dio da chacina praticada por policiais que estavam dentro de um helic√≥ptero contra dois homens negros correndo feito ant√≠lopes. Essa chacina foi filmada e foi vista por todas as Institui√ß√Ķes encarregadas de repress√£o √† criminalidade, bem como as Organiza√ß√Ķes Governamentais e N√£o Governamentais de Direitos Humanos, as quais fizeram um sil√™ncio ensurdecedor. Ora, se a chacina que foi testemunhada n√£o teve rea√ß√£o, com maior l√≥gica essas chacinas que n√£o foram vistas por esses √ďrg√£os merecem tamb√©m a omiss√£o. No entanto, outros tipos de chacinas s√£o praticadas nos hospitais p√ļblicos, onde milhares de pessoas morrem por falta de m√©dico, medicamentos, equipamentos e outros, cujos recursos s√£o desviados para a vala da corrup√ß√£o. A chacina das pessoas que morrem de inani√ß√£o. A chacina nas trag√©dias ocasionadas pelas intemp√©ries, cujas obras s√£o programadas e os recursos desviados. A chacina na educa√ß√£o de base etc. Em todas essas chacinas a “clientela” √© a mesma. Daqui a duas ou tr√™s d√©cadas, nada mudar√° porque os filhos da elite substituir√£o os pais. “A conclus√£o a que se chega √© √≥bvia: √© assim porque √© para ser assim mesmo”.

  2. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Na verdade, se nos preocupamos em discutir essas coisas é porque temos esperança de que as coisas mudem. Pelo menos um pouco.

  3. emir disse:

    O mestre Jorge da Silva nos instiga com a sabedoria de sempre e o mestre Adilson tem raz√£o, a discuss√£o reducionista sobre as chacinas nos faz esquecer das demais por ele citadas e de outras n√£o lembradas. H√° mais uma observa√ß√£o: no Brasil s√≥ se considera chacina quando morrem pessoas ao mesmo tempo e num mesmo espa√ßo. Mas se houvesse contagem das que morrem no mesmo hor√°rio, ou mesmo dia, por motivos semelhantes (se √© que motiva√ß√£o √© importante ao caso), e igual modus operandi, em locais variados, quase que em comori√™ncia espacial e temporal, n√£o seria tamb√©m chacina? E se cont√°ssemos as mortes por falta de atendimento ou erro m√©dico em todos os hospitais nacionais (p√ļblicos e particulares) num s√≥ dia? N√£o seria chacina? Ou chacina √© conceito fechado que se prende √† suspei√ß√£o de que teria sido praticada por policiais?… √Č o que parece interessar aos controladores da opini√£o p√ļblica governamentais e particulares…

  4. Atalla disse:

    Dois grandes e graves entraves na diminui√ß√£o dos √≠ndices de criminalidade, sem contar com outros fatores diversos concorrentes, foram agora apontados pelo ilustre autor. O que me causa espanto √© que se d√° mais import√Ęncia a espet√°culos pirot√©cnicos midi√°ticos, a catapultar objetivos pol√≠ticos mal dissimulados, do que colimar objetivos maiores, que venham, verdadeiramente, ao encontro do anseio de paz e tranquilidade, leg√≠timos, da sociedade.

  5. jorge disse:

    Caro Atalla,
    Isso mesmo, ‚Äúespet√°culos pirot√©cnicos‚ÄĚ, patrocinados por certa m√≠dia; encenados por policiais ‚Äúfod√Ķes‚ÄĚ; e aproveitados por pol√≠ticos (quando a m√≠dia aplaude). Quanto √† popula√ß√£o, esta gosta de espet√°culo. Se houvesse um pouquinho de responsabilidade…

  6. jorge disse:

    Caro Emir,
    Poderíamos chamar também de genocídio. Não é outra coisa o que acontece neste nosso País decantado como pacífico, cordial e sem preconceitos.

  7. Cel Wilton disse:

    Caro amigo Jorge. Sinceramente n√£o creio que ” √© assim porque √© para ser assim mesmo”, prefiro acreditar que a demanda cresceu tanto que os mecanismos institucionais de investiga√ß√£o e persecu√ß√£o criminal
    criados a √©poca, tornaram-se completamente ou quase completamente obsoletos . A√≠ sim, a necessiidade , sempre protelada de implantar novos mecanismos, atrav√©s de novos desenhos de competencia., mas para isso s√≥ atrav√©s de decis√£o “MACHA”. O engra√ßado e triste ao mesmo tempo √© que a solu√ß√£o j√° est√° no seu s√°bio livro, desde a d√©cada de 90. Abra√ßo.

  8. jorge disse:

    Caro Wilton,
    Quando digo que, parece, é assim porque é para ser assim mesmo, estou tentando mostrar a hipocrisia dos que fingem indignar-se com a matança da periferia.Na realidade, também tenho esperança de que as coisas mudem.

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