- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

PRESOS. MISTURAR OU NÃO MISTURAR, EIS A QUESTÃO (II)

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Eu só queria entender. Como mencionei na postagem de mesmo título, adiante, mal alguns réus na AP 470 foram condenados a penas de prisão pelo Supremo, começou a grita. “Não pode misturar ‘desiguais’ em prisões comuns.” Acontece que, até então, sempre que o instituto da prisão especial era questionado como uma aberração da brasileiríssima e histórica hierarquia social, vinham os seus defensores a alegar que era assim enquanto a sentença não transitasse em julgado. O ministro da Justiça, na defesa dos réus, conclui que as prisões brasileiras são “medievais” e que pessoas “especiais” como os réus, “não-perigosas”, não podem ser misturadas com os “perigosos”, no que é seguido pelo ministro Dias Toffoli.

Eu só queria entender. O ministro da Justiça, cuja pasta é responsável pelo setor, descreve as prisões brasileiras como medievais, mas a solução que apresenta deixa transparecer que o problema não é com ele. A solução parece ser simples: é só não misturar pessoas “de qualidade” com a plebe.

Bem, o ministro pode alegar que a situação dos presídios é herança de outros governos, desde os tempos da escravidão…