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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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BRASIL AUMENTA COTA PARA NEGROS NOS CAMPOS SANTOS

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Os programas de cotas raciais têm provocado muita polêmica. Percebe-se agora que o Brasil vem aumentando sem maior alarde a cota de negros nos campos santos. Lê-se, por exemplo, no Portal da Empresa Brasil de Comunicação – EBC / Agência Brasil (29/11/2012), reportando dados do ‘Mapa da Violência 2012: A Cor dos Homicídios no Brasil’, o seguinte: 

“Taxa de homicídios entre negros cresce 5,6% em oito anos, enquanto a de brancos cai 24,8%”

Brasília – Enquanto a taxa de homicídios entre brancos no país caiu 24,8% de 2002 a 2010, entre a população negra cresceu 5,6% no mesmo período. Em 2002, morriam assassinados, proporcionalmente, 65,4% mais negros do que brancos. Oito anos depois, foram vítimas de homicídio no Brasil 132,3% mais negros do que brancos.

De acordo com o estudo, morreram assassinados no país 272.422 negros entre 2002 e 2010, com uma média anual de 30.269 mortes. Somente em 2010, foram 34.983 registros.  

Para Fazer o levantamento, foram considerados os dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.”   

E agora, José? Você diz que no Brasil não existem negros nem brancos, pois seríamos todos misturados (incolores, José?). Diz também que o Brasil é uma democracia racial (como pode, José, se você também diz que não existem raças, e que, portanto, falar em racismo é besteira?). Acho que estão provocando você, José. Não vi ninguém chamar o ministro Joaquim Barbosa de moreninho. E ainda me vêem esses pesquisadores falar em negros e brancos. E aquela história que você conta, que você tem pele clara, cabelos loiros e olhos azuis, mas que você não é branco, pois contaram a você que a avó do seu avô era, parece, negra ou índia? Lembra-se? E ainda por cima, veja só, inventaram que matam mais negros do que brancos. Não pode ser, José, o Brasil é um país pacífico, como você cansa de dizer.

Bem, José, acho que você tem que tomar uma atitude. O que você tem a dizer dessas cotas de negros nos campos santos, comparadas às outras cotas. Deve ser invenção, você não acha?

PS. Acho que Drummond me perdoaria.

 

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14 comenários to “BRASIL AUMENTA COTA PARA NEGROS NOS CAMPOS SANTOS”

  1. emir disse:

    Complicado!… Mas como o negócio é polemizar, como ficam os pardos (categorização do IBGE) nessa contagem? Foram contados como mortos de que lado da moeda racial?… Hum… Como faço com meus dois primos de segundo grau inegavelmente negros? São netos da irmã de minha mãe, da minha falecida tia Gilda, branca como a neve e casada com “pardo”… Nego-lhes o parentesco ou o tenho por eles negado por ser eu um branquelo? Assusta-me o radicalismo de que se reveste o tema, e até hoje não sei se é bom o Brasil ter instituído cotas para negros em universidades (não sou contra nem a favor, só não sei se é bom, repito) se a categorização brasileira não é por raça, mas por cor da pele e também por raça, misturando tudo, salvo erro meu. Afinal, se houver uma vaga em disputa entre um preto e um pardo, quem será o vencedor?… Ah, falta-me talvez mais conhecimento de causa e não falar do assunto, como sugere o ator norte-americano Morgan Freeman, me parece interessante, embora eu respeite quem pensa diferente, em especial quem é negro. Por outro lado, a segregação racial existe, mesmo, e estou certo disso!

  2. jorge disse:

    Caro compadre,
    A pergunta que fiz não foi a Joões, e sim a Josés, que insistem em afirmar que o Brasil é uma democracia racial e que racismo é coisa de americano. Uma característica da sociedade brasileira, como se sabe, é que ser branco, preto, pardo ou o que for depende de como a pessoa se vê. Se uma pessoa de pele escura se apresenta ao recenseador do IBGE como branca, ela será contada como branca; se se apresenta como parda, será contada como tal. Se uma pessoa de pele clara se apresenta como parda, ela será contada assim. Se um tição se apresenta como pardo, idem. Surpreendi-me como fato de você ter-se classificado como branquelo. Não o vejo assim, mas isso é uma questão de foro íntimo. Nós dois temos amigos comuns realmente branquelos, a meu juízo (pele alva, cabelos lisos e olhos azuis). Bem, mas essa é outra questão. Na verdade, perguntei sobre um tipo de cotas e você me respondeu sobre outro. Repito a pergunta: “O que você tem a dizer dessas cotas de negros nos campos santos, comparadas às outras cotas?”
    Caro compadre e irmão, leia de novo a postagem…

  3. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Gostaria(se for possível) de saber nesse universo somente a quantidade de pessoas que morrem em “confronto” com a polícia e nesse segmento qual o percentual de negros que integram os “autos de resistência”. Um número significativo de guarnições da polícia sempre portam “velas” para colocar junto ao corpo do falecido, na hipótese de estar desarmado. Quando o morto é negro, ao se adicionar uma arma dá o resultado almejado: bandido. Dessa forma, ninguém se preocupa com essa morte, o que representa uma coisa “natural” para a sociedade a polícia matar bandidos armados( negros). Apesar de não ter conhecimento dessa estatística, tenho a certeza que o número de negros mortos pela polícia também é alarmante. Relembro o episódio dos policiais no helicóptero “caçando” dois negros fugindo em desabalada carreira no alto do morro, os quais foram abatidos, fato aceito pacificamente pelas autoridades competentes para apuração de crimes e aplaudido pela sociedade.

  4. jorge disse:

    Adilson,
    Eu também gostaria de saber, mas acho difícil.

  5. emir disse:

    Caro compadre

    Li com atenção a postagem e sei qual é o seu método de provocação. De tudo, e pelo que li do IBGE (organismo bastante confuso, por sinal) a população que se declarou branca em 2010 diminuiu. Mesmo assim, cotejando cada percetual em separado (brancos, pretos, pardos, índígenas e amarelos), a população que se diz branca é maioria. Portanto, a classificação dos mortos pode ter relação com o nartural aumento da população negra e, claro, com o acirramento do crime de sangue em meio à pobreza. Uma coisa puxa a outra, e como os crimes de sangue ocorrem entre as camadas mais baixas da sociedade (onde se encontra a maioria dos negros) a tendência é a do aumento do número de mortes entre negros, que deve ser somatório de pretos e pardos. Claro que apenas especulo e sei que nenhuma explicação justifica o tenebroso fato denunciado (aumento de negros nos campos santos). Que fazer para mudar isto, José?…

  6. jorge disse:

    Compadre,
    OK. Só um detalhe. A população que se diz branca, pelo Censo 2010, não é maioria (47,7%), enquanto a dos que se declaram pretos e pardos é de 50,7% (7,6% de pretos + 41,3% de pardos).

  7. emir disse:

    Os dados do IBGE são propositadamente confusos. Variam e tresvariam conforme a conveniência do poder dominante.

  8. emir disse:

    Já que o outro compadre falou em “autos de resistência”, não seria interessante saber que tipo de guarnição produz mais “autos de resistência”? Eu me arriscaria em afirmar que são os “grupos psicológicos” formados por guarnições de PATAMO ou equivalentes. A AJMERJ poderia ser um bom início da pesquisa. Quem mais senta lá como réu? É componente de PATAMO ou de RP?

  9. emir disse:

    E das guarnições que sentam lá na AJMERJ, quantos seriam os brancos e os não-brancos?

  10. jorge disse:

    Compadre,
    Teria que perguntar a cada integrante da guarnição. Considerar-se negro, branco ou o que for é muito mais questão de foro íntimo. Porém não há dúvida: no Brasil, o poder é branco, herança do colonialismo europeu e da escravidão. Aliás, é o que pode explicar o fato de muitos policiais negões ficarem mais à vontade para exercitar a sua truculência em cima de outros negões e neguinhos, de preferência na periferia. Já pensou se ele fizer isso na Lagoa, com um rapaz alvo da chamada “classe média”?

  11. jorge disse:

    Acho que é a mesma coisa do poder.

  12. jorge disse:

    Caro compadre,
    Para evitar a confusão eu costumo ir direto à publicação oficial do Censo.

  13. Claudio José Valentim disse:

    Petrópolis, 10 de janeiro de 2013.

    O Brasil é o país do bolsa isto, do bolsa isso, do bolsa aquilo e do que sei lá mais que possa desestimular os cidadãos quanto ao trabalho, a pegar duro no batente, a estudar mais, até porque todos esses benefícios não pesam no bolso de quem os criou, mas de quem realmente paga imposto; e, se quem os criou paga algum imposto, não lhe pesa tanto, pois o gordo subsídio que recebe compensa com volumosas sobras.
    É, ainda, o nosso Brasil, o país das cotas: para negros, índios, alunos de escolas públicas (isto aqui, afinal de contas, não é nenhuma Finlândia) e sei lá quem mais. Acho, contudo, muita injustiça (muita mesmo) não haverem criado as cotas para louras nas Universidades Públicas (em percentual, quiçá, bem mais elevado). E eu estarei, como sempre, do lado delas, dando o maior apoio.
    Um fraterno abraço.

    Claudio Valentim

  14. jorge disse:

    Caro Valentim,
    Concordo. Vamos pedir cotas para as louras. Estamos juntos nessa. Abraço.

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