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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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√Č PRECISO ACABAR COM OS TRAFICANTES!

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J√° l√° se v√£o mais de 30 anos em que, todos os dias, jornais e TVs do Pa√≠s divulgam not√≠cias sobre a a√ß√£o dos traficantes de drogas e sobre a mobiliza√ß√£o das pol√≠cias ‚Äď e mesmo das For√ßas Armadas ‚Äď contra os mesmos. S√£o milhares e milhares de mat√©rias, as quais, no geral, apresentam o mesmo padr√£o guerreiro. Num breve apanhado √© poss√≠vel montar um mosaico ilustrativo desse padr√£o, a partir de t√≠tulos de mat√©rias colhidas em alguns dos principais ve√≠culos de comunica√ß√£o nos √ļltimos anos, como segue:

‚ÄúMorte¬†de¬†traficante¬†motivou ataques a¬†PMs em S√£o Paulo‚ÄĚ /¬†‚ÄúEm todo o pa√≠s, no ano de¬†1999, a PF conseguiu evitar a distribui√ß√£o de 5,83 toneladas da droga‚ÄĚ /¬†“RJ: confronto entre policiais de UPP e traficantes deixa dois mortos” /¬†‚ÄúTraficantes da Mangueira incendeiam √īnibus em protesto pela morte de Pit Bull‚ÄĚ /¬†“Policiais gravam a√ß√£o de traficantes em Ceil√Ęndia, no DF‚ÄĚ /¬†‚ÄúPM feminina¬†morre com um tiro de fuzil 7,62, o tiro teria ultrapassado o¬†colete¬†a prova de bala!‚ÄĚ /¬†“Crian√ßa morre atingida por bala perdida durante opera√ß√£o do Bope” /¬†‚ÄúPM de UPP do Morro da Coroa perde as duas pernas ap√≥s ataque de bandidos com granada‚ÄĚ /¬†‚ÄúOpera√ß√£o do Bope no Juramento termina com cinco suspeitos mortos‚Ä̬†/‚ÄúPoliciais mortos pelo PCC levaram, em m√©dia, 7 tiros‚ÄĚ /¬†‚ÄúPM¬†teme repres√°lias ap√≥s¬†morte¬†do¬†traficante¬†Matem√°tico no Rio‚ÄĚ / ‚ÄúROTA¬†prende¬†homem apontado como um dos maiores traficantes¬†da Zona Leste‚ÄĚ / “Pol√≠cia mata traficante apontado como s√≥cio de Beira-Mar” /¬†“Pol√≠cia j√° apreendeu mais de meia tonelada de drogas na Para√≠ba” / ‚ÄúDroga apreendida na BR-386 seria distribu√≠da em Novo Hamburgo‚ÄĚ /¬†“Pol√≠cia prende traficantes¬†em Caruaru‚ÄĚ /¬†“Pol√≠cia prende traficante sucessor de Nem na Rocinha” /¬†‚ÄúMuni√ß√£o para fuzil e 40 quilos de coca√≠na s√£o apreendidos em a√ß√£o da PM na Zona Oeste‚ÄĚ /¬†“Pol√≠cia apreende oito quilos de coca√≠na em Mato Grosso” /¬†‚ÄúColombiano e venezuelana flagrados com 7,5¬†quilos de coca√≠na¬†no¬†Aeroporto de Guararapes‚ÄĚ / “Pol√≠cia apreende 22 kg de coca√≠na no aeroporto de Rio Branco” / “Pol√≠cia Rodovi√°ria Federal apreende cem quilos de coca√≠na em caminhonete que ia para o Rio” /¬†‚Äú√Ēnibus incendiados na Grande BH tiveram ordem de pres√≠dios, diz pol√≠cia” / ‚ÄúTraficantes do Alem√£o tinham plano para assassinar general que comandava ocupa√ß√£o‚ÄĚ / “Ex√©rcito: Traficantes entraram no Alem√£o para desmoralizar For√ßa de Pacifica√ß√£o‚ÄĚ /¬†‚ÄúTraficantes fazem 31 ref√©ns em hotel de luxo no Rio‚ÄĚ /¬†‚ÄúTraficantes que agem no interior da Bahia est√£o no baralho da SSP‚ÄĚ /¬†‚ÄúEm cinco anos, 50 mil pessoas assassinadas pelos cart√©is de drogas no M√©xico‚ÄĚ /¬†‚ÄúOEA: Brasil, Col√īmbia e M√©xico s√£o os pa√≠ses com mais homic√≠dios no continente‚Ä̬†

E por aí vai.

Bem, a pergunta a fazer √© a seguinte: E da√≠? Mais: Qual √© o objetivo de toda essa mobiliza√ß√£o e dessa matan√ßa? Seria vencer os traficantes ou acabar com eles? Ora, vencer os traficantes √© uma pretens√£o rid√≠cula; acabar com eles usando as for√ßas de seguran√ßa, idem. √Č o mesmo que imagin√°-los constituindo uma ‚Äúcorpora√ß√£o‚ÄĚ fechada, com n√ļmero certo, identific√°vel e finito.

Nada obstante, h√° um meio infal√≠vel de acabar com os traficantes. Basta acabar com o tr√°fico. E para acabar com o tr√°fico basta fazer mais ou menos o que os norte-americanos fizeram quando resolveram acabar com o tr√°fico de √°lcool. Puseram fim √† proibi√ß√£o penal do mesmo. Sem tr√°fico, deixou de haver traficantes de √°lcool. Sem fac√ß√Ķes em guerra pelo controle do ‚Äúmercado‚ÄĚ do √°lcool, deixou de haver os antigos tiroteios entre elas, nem entre elas e a pol√≠cia. No nosso caso, sem tr√°fico de drogas, n√£o ser√° mais necess√°rio manter equipes de prontid√£o para prestar honras f√ļnebres aos policiais mortos (guardas de honra, bandeira nacional, corneteiros, capel√£es etc.). E a pol√≠cia teria mais o que fazer.

 

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12 comenários to “√Č PRECISO ACABAR COM OS TRAFICANTES!”

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Em recente publica√ß√£o do jornal “O Globo” foram relacionadas as 100 cidades mais violentas do Brasil em n√ļmero de homic√≠dios. O munic√≠pio de Arma√ß√£o dos B√ļzios ficou em 47¬ļ e Cabo Frio em 63¬ļ. Como morador da Regi√£o dos Lagos e atuante na √°rea criminal, posso te afirmar que mais de 90% dessas mortes s√£o consequ√™ncias do tr√°fico de entorpecentes. No entanto, esses homic√≠dios ocorrem nas periferias onde se alojam as fac√ß√Ķes criminosas. Os mortos, em regra, s√£o afrodescendentes (e)ou pobres, e na maioria das vezes, a popula√ß√£o n√£o toma conhecimento desses crimes, pois n√£o √© not√≠cia na imprensa nacional e a local √© incipiente. Da√≠, a surpresa para os pr√≥prios mun√≠cipes, desses dois munic√≠pios tur√≠sticos estarem inclu√≠dos nesse rol de viol√™ncia. Ao que tudo indica, essa situa√ß√£o n√£o √© diferente no restante do pa√≠s. Portanto, a rela√ß√£o de tr√°fico de entorpecentes e uma grande parcela de homic√≠dios √© uma quest√£o objetiva. Assim, acabar com o tr√°fico seria regularizar o com√©rcio de entorpecentes de forma l√≠cita com recolhimento de tributos etc. considerando a droga uma mercadoria qualquer? Como fazer isso em um pa√≠s com dimens√Ķes continentais e culturas d√≠spares? Como isso seria fiscalizado? S√£o essas e outras indaga√ß√Ķes a serem dirigidas aos t√©cnicos que seriam encarregados de elaborar essa nova pol√≠tica.

  2. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Essas tamb√©m eram preocupa√ß√Ķes quando se cogitava acabar com a “Prohibition” do √°lcool nos Estados Unidos. Eles partiram para uma outra forma de controle, ou seja, a regulamenta√ß√£o. Hoje, em vez dos antigos traficantes, quem controla o mercado (produ√ß√£o, circula√ß√£o, distribui√ß√£o, venda, importa√ß√£o, exporta√ß√£o, qualidade etc.) √© o governo. E √© tamb√©m o governo que fica com boa parte dos lucros, via impostos. Como √© sabido, mesmo em metr√≥poles como Nova Iorque e Los Angeles s√≥ se pode adquirir bebidas fortes nos chamados “liquors”. Nesses locais, voc√™ compra a bebida e a leva embrulhada para casa (n√£o se pode beber no local nem na rua). Aqui no Brasil, voc√™ pode comprar whisky ou cacha√ßa em qualquer mercado, venda ou tendinha. E tomar cacha√ßa at√© em beira de estrada, a qualquer hora do dia ou da noite. N√£o esquecer de que os Estados Unidos tamb√©m possuem dimens√Ķes continentais, maiores do que as dos Brasil.

  3. Emir Larangeira disse:

    Sabemos que para existir fogo √© necess√°rio o concurso de combust√≠vel, comburente e calor em propor√ß√£o ideal. Para n√£o haver fogo ou para extingui-lo basta eliminar um dos seus ingredientes. Enfim, o fogo controlado √© √ļtil; descontrolado √© danoso. No caso do tr√°fico criminalizado h√°, curiosamente, tr√™s componentes principais: a droga, o traficante e o usu√°rio. Mas a droga n√£o est√° pronta para uso na natureza. No caso das duas mais corriqueiras (coca√≠na e maconha), ambas s√£o vegetais plantados e colhidos; enfim, um manancial que faz jorrar essas duas drogas mundo fora. No caso espec√≠fico da coca, o mundo inteiro sabe de seus mananciais, mas o princ√≠pio universal da soberania das na√ß√Ķes n√£o permite que esses pa√≠ses ‚Äúcocaleiros‚ÄĚ sejam admoestados e muito menos atacados para destruir os imensos plantios da coca. Vale a assertiva para a maconha (planta-se muito no Brasil), podendo-se considerar que a ci√™ncia talvez fosse capaz de inventar algum mecanismo letal a essas plantas entorpecentes. Mas decerto surgir√£o no mercado clandestino outras plantas ou novas drogas artificiais. Conclus√£o: n√£o adianta eliminar mananciais, pois outros surgir√£o, n√£o adianta eliminar traficantes, pois o mercado consumidor √© t√£o √°vido que torna o com√©rcio de drogas um dos melhores neg√≥cios do mundo. Ali√°s, foi o com√©rcio ilegal de bebidas nos EUA, durante a famosa ‚Äúlei seca‚ÄĚ, que enricou assustadoramente a m√°fia e fez aumentar deveras os crimes de sangue, demais de a p√©ssima qualidade das bebidas clandestinas produzirem muitos √≥bitos. Demais disso tudo, h√° o com√©rcio clandestino de armas de fogo que depende do com√©rcio de drogas e de outras formas de viol√™ncia para prosperar e sustentar a poderosa ind√ļstria de material b√©lico durante todo o tempo, e n√£o apenas em tempos de guerra. Enfim, tudo se re

  4. Emir Larangeira disse:

    Sabemos que para existir fogo √© necess√°rio o concurso de combust√≠vel, comburente e calor em propor√ß√£o ideal. Para n√£o haver fogo ou para extingui-lo basta eliminar um dos seus ingredientes. Enfim, o fogo controlado √© √ļtil; descontrolado √© danoso. No caso do tr√°fico criminalizado h√°, curiosamente, tr√™s componentes principais: a droga, o traficante e o usu√°rio. Mas a droga n√£o est√° pronta para uso na natureza. No caso das duas mais corriqueiras (coca√≠na e maconha), ambas s√£o vegetais plantados e colhidos; enfim, um manancial que faz jorrar essas duas drogas mundo fora. No caso espec√≠fico da coca, o mundo inteiro sabe de seus mananciais, mas o princ√≠pio universal da soberania das na√ß√Ķes n√£o permite que esses pa√≠ses ‚Äúcocaleiros‚ÄĚ sejam admoestados e muito menos atacados para destruir os imensos plantios da coca. Vale a assertiva para a maconha (planta-se muito no Brasil), podendo-se considerar que a ci√™ncia talvez fosse capaz de inventar algum mecanismo letal a essas plantas entorpecentes. Mas decerto surgir√£o no mercado clandestino outras plantas ou novas drogas artificiais. Conclus√£o: n√£o adianta eliminar mananciais, pois outros surgir√£o, n√£o adianta eliminar traficantes, pois o mercado consumidor √© t√£o √°vido que torna o com√©rcio de drogas um dos melhores neg√≥cios do mundo. Ali√°s, foi o com√©rcio ilegal de bebidas nos EUA, durante a famosa ‚Äúlei seca‚ÄĚ, que enricou assustadoramente a m√°fia e fez aumentar deveras os crimes de sangue, demais de a p√©ssima qualidade das bebidas clandestinas produzirem muitos √≥bitos. Demais disso tudo, h√° o com√©rcio clandestino de armas de fogo que depende do com√©rcio de drogas e de outras formas de viol√™ncia para prosperar e sustentar a poderosa ind√ļstria de material b√©lico durante todo o tempo, e n√£o apenas em tempos de guerra.

  5. Emir Larangeira disse:

    (Continuação)
    Enfim, tudo se reporta ao homem e seus v√≠cios… Creio, portanto, que somente Deus enviando raios e incinerando a um s√≥ tempo os respons√°veis por esses crimes (com√©rcio ilegal de armas e drogas) poderia resolver parcialmente o problema. Parcialmente, sim, porque mesmo assim haveria de haver o aumento de outros crimes (fraude e sangue) a abastecer o estupendo mercado de ilegalidades. Bem, indo l√° no velho livro de Manuel L√≥pez-Rey (O Crime) encontramo-lo dizendo que o crime √© inerente ao ser humano tal como o amor e o √≥dio. E que tamb√©m √© um fen√īmeno sociopol√≠tico, ou seja, √© a sociedade, por meio de suas leis, quem determina o que seja crime, e, ao que parece, o seu insaci√°vel ‚Äúfilho‚ÄĚ (Estado) adora rotular comportamentos humanos como criminosos, a tal ponto que temos aqui uma reedi√ß√£o piorada da falida ‚Äúlei seca‚ÄĚ norte-americana. H√° uma impressionante avidez do Estado, criado pela sociedade para proteg√™-la, por puni√ß√£o, muita puni√ß√£o. Que ‚ÄúEstado‚ÄĚ √© esse?… Deixo a indaga√ß√£o em complemento √†s indaga√ß√Ķes do Adilson, de modo que possa o nosso mestre igualmente indagador, em ‚Äúcompadrio‚ÄĚ, pelo menos trace uma f√≥rmula como a do Albert Einstein, cuja comprova√ß√£o, por√©m, n√£o permitiu ao ser humano dominar o Universo al√©m do seu pequen√≠ssimo nariz. Enfim, concluo que n√£o h√° f√≥rmula poss√≠vel a n√£o ser, repito, a interfer√™ncia divina a fazer valer o dito de Erich Fromm: ‚ÄúA calamidade √© ruim para o povo, mas boa para a sociedade.‚ÄĚ A corroborar Erich Fromm, ter√≠amos o soerguimento da Alemanha ap√≥s a II Grande Guerra e a reconstru√ß√£o de Hiroshima e Nagasaki ap√≥s as bombas at√īmicas. Com efeito, assim os povos alem√£o e japon√™s o fizeram, mas n√£o apagar√£o jamais da lembran√ßa suas cat√°strofes, que n√£o querem ver renascidas em nenhuma hip√≥tese. Enfim, para o tr√°fico de

  6. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    √Č isso mesmo. Se a “guerra √†s drogas” acabar, como ficar√° o mercado de armas (nacional, internacional, legal, ilegal, clandestino)?

  7. jorge disse:

    Caro Larangeira,

    Os “Senhores da Guerra” saber√£o inventar outras guerras. O que n√£o podem √© parar de vender armas.

  8. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    De repente me lembrei da chamada Lei de Murphy. “Se alguma coisa pode dar errado, com certeza vai dar”. Ma vai dar errado dependendo do ponto de vista de quem avalia o certo e o erraado.

  9. Capit√£o Marinho disse:

    Magistral!!! S√≥ lamento que a imprensa est√° preocupada em vender seu produto, sem demonstrar nenhuma inten√ß√£o em ajudar a equacionar a quest√£o do il√≠cito. Eu me questiono: ser√° que com a legaliza√ß√£o esses jornais venderiam tanto? E por que as empresas de comunica√ß√£o n√£o investem para que seus jornalista tenham um conhecimento m√≠nimo de como funciona a retroalimenta√ß√£o desse sistema? Quem sabe assim, a “opini√£o p√ļblica” n√£o acabaria com o preconceito em rela√ß√£o a legaliza√ß√£o das drogas???

  10. Caro amigo Jorge.
    Como sempre, a colocação está correta. Resta saber como acabar com a vasta rede de corrupção que se beneficia com este submundo. Em primeiro lugar, precisava acabar com o Congresso Nacional atual. Tentar um novinho em folha. Aí, com um pouco de sorte, esta ideia poderia ser implantada

  11. jorge disse:

    Caro Pereira, Se a proibição penal acabasse, os corruptos teriam que procurar outras fontes.

  12. jorge disse:

    Caro Marinho,
    Tamb√©m estranho que a m√≠dia ache tudo natural…

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