- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

CHATUBA DE MESQUITA

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Chacina. Seis adolescentes torturados e mortos por traficantes; dois outros jovens encontrados mortos dias depois, além dos assassinatos do cadete PM Jorge Augusto e do pastor Alexandre Lima pelos mesmos algozes. Tudo na mesma semana e no mesmo local, a “comunidade” da Chatuba e adjacências, na Baixada Fluminense.

Inobstante a pronta resposta da polícia, com a ocupação da área pelo Bope e o Batalhão de Choque, apoiados por blindados do Corpo de Fuzileiros Navais – e a rápida identificação e prisão dos primeiros suspeitos –, os moradores continuam a clamar por justiça e queixar-se do abandono da região e da falta de policiamento.

Não é problema novo. Mesmo antes da fusão dos Estados da Guanabara e Rio de Janeiro em 1975, a Baixada Fluminense já era considerada por muitos cariocas e fluminenses uma espécie de dormitório da cidade do Rio de Janeiro. Com certeza, até a chacina, a maioria sequer tinha ouvido falar no topônimo Chatuba. Pela TV, toma-se conhecimento de uma realidade tão próxima quanto distante. Um padrão, e não exceção: uma região deixada à própria sorte, dirigida por régulos ad hoc: traficantes e milicianos.

OS NÚMEROS. A secretaria de Segurança decidiu que a ocupação da Chatuba será permanente, medida que, por óbvio, não poderá ser estendida a outras “comunidades” da Baixada e de periferias da capital e de outras cidades do estado, igualmente oprimidas pelo tráfico. O cobertor é curto. A área da Baixada Fluminense é de 2.798 km2, ou seja, mais que o dobro da área do município do Rio de Janeiro, com uma população de 3.652.147 hab. (o município do Rio possui área de 1.224 km2 e população de 6.323.037 hab.), sem contar que a Região Metropolitana (Grande Rio + Grande Niterói) possui área em torno de 5.200 km2 e população superior a 12.000.000 hab.; e que o Estado possui área de 43.696 km2 e população de 15.989.929 hab. É só fazer as contas.

Como se vê, ademais da subjugação ao poder do tráfico e da precariedade de infraestrutura, saneamento e serviços, os problemas que afligem os moradores ultrapassam de longe as possibilidades de solução por meio de ocupações policiais, o que, para muitos, seria o bastante. Ora, ainda que se triplicassem os efetivos da polícia estadual, os problemas de fundo não seriam enfrentados. O que dizer, por exemplo, da aparente irracionalidade de se pretender resolver a grave questão social das drogas com a polícia e o sistema penal? Igualmente, o que dizer da naturalização da situação precária em que vivem os moradores de comunidades esquecidas como a Chatuba? Seria falta de recursos ou a distribuição particularista dos mesmos?…