- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

DESAGRAVO AO DEPUTADO JOÃO PAULO CUNHA

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O deputado João Paulo Cunha, após ter sido condenado por 9 dos 11 ministros do STF, foi alvo de manifestação de desagravo em Osasco, município onde era candidato a prefeito. Pensei que se tratava de um gesto de compaixão para com uma pessoa querida, mas que fora colhida pelo infortúnio em função de seus próprios atos. Afinal, o julgamento do chamado “Mensalão” tem sido transmitido ao vivo pela TV.

Enganei-me. O desagravo era, na verdade, uma exaltação às supostas qualidades do deputado, descrito pelos companheiros como pessoa correta e preocupada com os problemas do povo. Uma manifestação indignada, e mesmo raivosa, com palavras de ordem e até agressão a repórteres e fotógrafos, como noticiou O Globo (31 ago). Para os que o apóiam, o deputado é inocente, inobstante saberem dos atos que praticou.

Indignação seletiva. Grande parte dos brasileiros, talvez a maioria, alivia-se com a condenação dos primeiros réus. Imagina que o julgamento será um lenitivo para a sua indignação; um divisor de águas nos temas da impunidade e da corrupção no Brasil. Acho que não. O deputado João Cunha não parece envergonhado, como se poderia esperar. Ao contrário, continua ativo e mostra-se, ele sim, indignado. (Aliás, o jingle de sua campanha era “João coragem, João valente”). Indicou o vice da nova chapa à prefeitura de Osasco e faz campanha para o candidato que o substituiu. E empenha-se em articulações para manter o mandato de deputado federal.

Na verdade, estamos diante do fato de que a indignação entre nós depende dos protagonistas em questão, pois obedece à seguinte lógica: corrupção só é ato abominável e imoral se praticada pelos “outros”; se praticada por nós ou por pessoas com as quais nos identificamos por alguma razão, não seria ato criminoso. Às favas com os escrúpulos! Em suma, o nosso problema é cultural, resumido numa única palavra: vergonha. Isso não dá para mudar com leis ou tribunais.