- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

ARMAS E DROGAS. “SI VIS PACEM, PARA BELLUM”

.

Saiu em O Globo (28/08): EUA batem seu recorde de exportação de armas  / O país arrecadou US$ 66,3 bilhões com a venda de armas ao exterior em 2011, o que equivale a 78% do comércio global do setor.

Esse recorde corresponde ao triplo do registrado no ano anterior, como se lê na matéria. Um “resultado excepcional”, comemora o relatório do Serviço de Pesquisas do Congresso daquele país. O resultado é creditado em grande parte aos conflitos ligados à chamada Primavera Árabe e a parcerias dos Estados Unidos com países da Região, aos quais fornecem jatos de caça, helicópteros, blindados, sistemas de radares antimísseis etc.

Embora o relatório não faça referência a armas leves (fuzis, metralhadoras, pistolas, revólveres), tais armas também contribuem para a pujança da indústria mundial de armas, e não só dos Estados Unidos. Vários outros países produtores, como é o caso do Brasil, disputam esse mercado.

Da leitura do relatório pode-se concluir que o aquecimento da indústria bélica guarda relação de causa e efeito com a demanda por armas, seja da parte de países em guerra, seja de grupos em disputa pelo poder dentro de determinado país, seja da parte do crime organizado e da criminalidade geral. Quanto ao crime organizado em particular, há que se refletir sobre o  modelo de “guerras às drogas” implantado no mundo no final da década de 1960 a partir dos Estados Unidos.

“GUERRA ÀS DROGAS”. Se for correto o raciocínio de que as guerras e os conflitos armados servem para aquecer o mercado de armas (legal, ilegal, local, internacional), por que seria diferente com a “guerra às drogas”? Por que há setores tão empenhados em que se mantenha esse modelo de guerra militarizada, sem fazer caso dos milhares de mortes de traficantes, policiais e de pessoas inocentes em cidades de países como México, Colômbia ou Brasil? Tudo com o “consumo” de toneladas de “armas leves” e farta munição, apreciadas pelos dois lados. Para uns faz sentido, pois é bom para a economia; para outros, pura insanidade. A paz, como alguém já disse, é a paz dos cemitérios. “Si vis pacem, para bellum”.