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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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ENTRE “RACIALISTAS” E RACISTAS

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(Nota prévia.  Texto mandado por Carlos Alberto Medeiros, que o enviara para a seção “Dos Leitores” do jornal O Globo a propósito do editorial daquele jornal publicado no dia 9 ago. Medeiros mandou o comentário para o jornal, mas achava que não iam publicar. De fato, o jornal publicou vários comentários sobre o assunto, mas só os que concordavam com o editorial. Embora para um número restrito de leitores, publico abaixo o seu texto. O título é meu).

Para quem quiser entender as fragorosas derrotas que os autodenominados “antirracialistas” vêm acumulando no Supremo e no Congresso, basta ler o editorial de ontem do jornal O Globo, um resumo das contradições e incoerências que caracterizam sua argumentação. Exemplos: o Brasil não se sustenta na raça, mas na miscigenação (que é a mistura do que mesmo?); a culpa pela escravidão deve ser igualmente dividida entre a regra (os senhores brancos) e a exceção (os raros proprietários negros); e os brancos pobres estão sendo terrivelmente prejudicados, apesar de o sistema recentemente aprovado no Senado reservar 50% vagas para candidatos oriundos da escola pública – qualquer que seja sua identificação etnorracial –, favorecendo os mais pobres, sendo a cota para negros apenas uma parcela desse total. Na verdade, os brancos pobres deveriam ser gratos ao Movimento Negro e seus aliados, já que, graças a eles, estão tendo inéditas oportunidades de acesso ao ensino superior. Com argumentos dessa natureza, pode-se convencer apenas quem já está convencido. Mas não dá para enganar quem dedique um mínimo de seriedade à questão.

 

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2 comenários to “ENTRE “RACIALISTAS” E RACISTAS”

  1. paulo roberto disse:

    Concordo plenamente com o amigo Carlos Alberto Medeiros. São argumentos completamente incoerentes, contrafactuais, e extremamente hipócritas, os que são utilizados nesse editorial do Globo. E o pior de todos é o de querer diluir a vergonha da escravidão entre todos igualmente, senhores e escravos, por que alguns destes, quando libertos, também poderiam querer ter ou tivessem tido escravos.
    É de se perguntar: quem foi mesmo que estabeleceu essa ordem escravocrata no Brasil? Foram os africanos que atravessaram o Atlântico e se ofereceram para, literalmente, morrerem de tanto trabalhar? A escravidão é sinônimo de genocídio: até 1830 o índice de crescimento da população escrava no Brasil era negativo. Ou seja, havia mais mortes que nascimentos. Somente o tráfico de africanos sustentava a economia nacional, eu disse, NACIONAL. Não se trata de discutir responsabilidades individuais ou de grupos, é uma dívida do Brasil com seu próprio povo.

    Sobre a não publicação do comentário, já tive várias experiências semelhantes com o Globo e desisti de coonestar uma seção de leitores que, praticamente, só pública o que está de acordo com o pensamento do jornal.

    Abs, Paulo Roberto

  2. jorge disse:

    Caro Paulo Roberto,
    Os argumentos do Globo guardam coerência com os interesses defendidos pelo jornal e a maioria dos seus leitores. Não se trata de convicção e sim de mercado e discriminação estrutural. Já imaginou o que aconteceria com as receitas do jornal se o mesmo apoiasse programas de ação afirmativa e cotas, na contramão do establishment? A seção de dos Leitores estaria cheia de protestos e ameaças de cortar assinaturas. Eles não elaboram mais os argumentos porque não é preciso. Apenas reverberam os lugares-comuns dos seus leitores, reacionários em maioria). E nós, ingenuamente, cobrando imparcialidade. É querer muito.

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