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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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ZORRA TOTAL E RACISMO EXPL√ćCITO

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(Nota: Texto enviado por Carlos Alberto Medeiros).

Um quadro do programa Zorra total, da Rede Globo, tem provocado indigna√ß√£o no p√ļblico sens√≠vel aos problemas do racismo e da discrimina√ß√£o racial no Brasil. Tem como protagonista uma mulher chamada Adelaide ‚Äď interpretada pelo ator ‚Äď em que se concentram todos os estere√≥tipos negativos atribu√≠dos √†s mulheres negras: √© feia, desdentada, ignorante, e costuma fazer refer√™ncias pejorativas, por exemplo, ao cabelo dos negros. Um combust√≠vel perfeito para o bullying que aflige as crian√ßas negras, especialmente as meninas, na escola e nos c√≠rculos de conviv√™ncia, contribuindo para manter baixa a autoestima de um segmento da popula√ß√£o quotidianamente adestrado a se sentir e comportar como inferior.

Infelizmente, o humor baseado em estereótipos raciais tem uma longa tradição em nosso país. Não é preciso muito esforço para nos lembrarmos de nomes como Grande Otelo (a despeito de seu reconhecido talento), Gasolina, Muçum, Tião Macalé, que sempre representaram personagens associados ao alcoolismo, à preguiça, à falta de cultura e de inteligência. Sem contar os brancos pintados de preto, até hoje presentes nos programas humorísticos da TV.

Nos Estados Unidos, o uso de atores brancos ‚Äď ou mulatos ‚Äď com a cara pintada de preto, ou “blackfaced”, em papeis que ridicularizavam os negros foi pr√°tica comum nos tempos da segrega√ß√£o racial. Personagens como Aunt Jemima, Jim Crow (que poder√≠amos traduzir como Z√© Urubu), Zip Coon, Buck, Jezebel, Pickaninny, Uncle Tom, Amos ‘n’ Andy e outros, que refletiam os mais grosseiros estere√≥tipos a respeito dos afro-americanos e de sua cultura, eram, n√£o obstante – ou talvez por isso mesmo -, altamente populares entre as plateias brancas. Na d√©cada de 1960, com o Movimento de Direitos Civis, incluindo boicotes organizados por entidades como a NAACP, o uso desses personagens se reduziu enormemente, embora continue presente, de forma bastante atenuada, em algumas produ√ß√Ķes mais atuais. Em Bamboozled (2000), que no Brasil ganhou o t√≠tulo de A Hora do Show, Spike Lee faz uma cr√≠tica √† tradi√ß√£o dos minstrel shows e do vaudeville, g√™neros baseados nessa estereotipia. Aos interessados, vale a pena dar uma olhada no site black-face.com.

 

 

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32 comenários to “ZORRA TOTAL E RACISMO EXPL√ćCITO”

  1. AURELIO disse:

    O que seria do humor,da cultura sem o gordo,loura burra.do ceguinho e outros estere√≥tipos,a vida seria mais seca; n√£o acredito que meu mestre,grande estudioso em seguran√ßa n√£o tenha se deleitado com a escolinha do professor Raimundo; mais racismo que estabelecer cotas n√£o existe,digo preconceito acirrado;s√≥ serve para o governo populista jogar a culpa da nossa incompetencia; queria que esse patruhamento encontrasse eco para os aposentados (estereotipado) desampararados, considerados o maior peso do d√©ficit interno, gra√ßas a DEUS n√£o √© nosso caso; homens cultos de peso na m√≠dia deviam fazer”barulho”, mas n√£o d√°”ibope”,igual a corrup√ß√£o. O dia que for feito um movimento em prol dos inativos desprovidos,uma passeata maior do que a”gay”, “Respeitaram quem pode chegar a onde eles chegaram”; mal ou bem o que temos hoje parte do alicerce deixado pelos “mais antigos”. Meus respeitos.

  2. jorge disse:

    Caro Aurélio,
    O amigo tem razão. São muitos os problemas. E é por isso que devemos nos manifestar, cobrando providências que atendam à maioria.

  3. Paulo Fontes disse:

    Caro amigo e companheiro de muitas jornadas,
    Eu não poderia esperar outra coisa do meu particular amigo e brilhante profissional das Ciências Sociais Professor Carlos Alberto Medeiros.
    O seu texto é perfeito e sua crítica é contundente e para respondê-la seria necessário em primeiro lugar que o escritor do programa da Globo possuisse conhecimento do problema, coisa que não tem, e em segundo lugar sua argumentação teria que ser calcadas em fatos verdadeiros, mas que na minha opinião são mentirosos.
    Mas então o que podemos esperar de um veículo da mídia que vive mamando nas tetas do patrocíínio oficial cujos valore atingem a fantástica soma de mais de um bilhão de reais?
    Nada!
    Um forte abraço do
    Paulo Fontes

  4. jorge disse:

    Caro Fontes,
    Acho que o Maurício Shermann, produtor do Zorra, surtou.

  5. adilson da costa azevedo disse:

    Caro Jorge,

    A liberdade de express√£o √© garantia constitucional. O programa √© de humor. Os di√°logos ocorrem no transporte de trem, onde est√£o representados quase todos os segmentos sociais. A personagem √© esteriotipada e totalmente caricata n√£o tendo nenhum compromisso com a realidade. O que pode ser discutido √© se aquela forma de humor √© “politicamente correta”. No entanto, qual ser√° a inst√Ęncia dessa discuss√£o? Como n√≥s n√£o temos censura nem qualquer outra forma de controle nas informa√ß√Ķes, no cinema, na televis√£o, cinema, imprensa etc. isso fica restrito aos seus autores. Na publicidade existe uma forma de controle atrav√©s da autorregulamenta√ß√£o. Parece que a grande dificuldade √© identificar quando o humor ultrapassa o “politicamente incorreto” chegando a agress√£o. Uma coisa √© certa, o quadro √© de mau gosto e n√£o tem gra√ßa nenhuma. Por esses motivos √© que deveria sair imediatamente do ar.

  6. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Um programa do Chico An√≠sio (Caf√© Bola Branca) foi retirado do ar, e o Chico processado, pelo mesmo motivo. Esse √© um dano coletivo. Tanto o MP quanto organiza√ß√Ķes coletivas da sociedade civil podem acionar os produtores do programa, inclusive reivindicando danos morais. Isso j√° aconteceu algumas vezes. Pedi ao CEAP (Centro de Articula√ß√£o de Popula√ß√Ķes Marginalizadas) que entrasse com a√ß√£o contra os produtores do programa.
    Interessante que o produtor do Zorra, Maurício Sherman Nizenbaum, loiríssimo, jamais, em sua longa carreira no humor televisivo, bolou um quadro em que os judeus fossem ridicularizados com os grosseiros estereótipos ainda existentes em nossa sociedade contra esse grupo igualmente alvo de piadas discriminatórias.

  7. paulo roberto disse:

    Concordo com a avalia√ß√£o sobre o quadro, mas, confesso que tenho dificuldades em aceitar qualquer tipo de censura, sobretudo, num programa humor√≠stico. O humor vive dos esteri√≥tipos. Qualquer piada, por mais simples e despretensiosa, tem um potencial ofensivo inevit√°vel. √Č claro que os limites existem, mas, me parece que a melhor provid√™ncia para quem se sente ofendido √© simplesmente trocar de canal. N√£o assistir ao programa pelo seu p√©ssimo n√≠vel. √Č assim que funciona nos EUA, por exemplo. A press√£o da sociedade – √ļnico juiz leg√≠timo do que deve ou n√£o ser posto no ar – √© o que vai determinar a continuidade ou n√£o de qualquer atra√ß√£o televisiva. Televis√£o √© neg√≥cio, e seu √≥rg√£o mais sens√≠vel √© o √≠ndice de audi√™ncia.

    Abs, Paulo Roberto

  8. jorge disse:

    Caro Paulo Roberto,
    Voc√™ tem raz√£o duplamente: quanto √† abomina√ß√£o da cesura e quanto ao fato de o humor viver de estere√≥tipos. Minha implic√Ęncia √© com o cinismo. Como j√° mencionei em coment√°rio anterior, o diretor e produtor do programa, Maur√≠cio Sherman Nizembaum, descrito por ele mesmo como loiro de olhos, j√° produziu e dirigiu dezenas de humor√≠sticos na TV ao longo de d√©cadas. Jamais lhe ocorreu a ideia de colocar no ar um quadro em que os judeus, grupo igualmente alvo de piadas de mau gosto, fossem representados com os grosseiros estere√≥tipos que ainda circulam entre n√≥s. Os negros s√£o o seu prato predileto, assim como os homossexuais e determinadas cren√ßas religiosas. Fiz o que voc√™ recomenda: mudei de canal. Mas entendo que h√° clara ofensa √†s mulheres negras com grupo social, o que, salvo melhor ju√≠zo, afronta o disposto no Art. 20 da Lei 7.716/89 (Lei Ca√≥, ‚Äúanti-racismo‚ÄĚ), o qual, ali√°s, tamb√©m se destina √† prote√ß√£o dos judeus como coletividade √©tnica, e n√£o este ou aquele judeu, este ou aquele negro. O ¬ß 2¬ļ do citado Artigo prev√™ o agravamento da pena se o crime ‚Äú√© cometido por interm√©dio dos meios de comunica√ß√£o ou publica√ß√£o de qualquer natureza‚ÄĚ. Mudar de canal √© preciso, mas por que n√£o usar tamb√©m a lei contra a produ√ß√£o do programa?

  9. Cel Wilton disse:

    Caro amigo Jorge, concordo com vossa colocação, tanto com a legal e legitima indignação que o levou a colocar o texto no blog, como
    na candente exposição constante nos comentários até o momento.Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Abraço, Cel Wilton.

  10. paulo roberto disse:

    Sem d√ļvida Professor, o senhor tem raz√£o acerca do cinismo que impera nesse tipo de ambiente. Existem alvos mais aceit√°veis e outros mais preservados, cuja rea√ß√£o, mais poderosa economicamente, ou mais influente na sociedade, √© levada em considera√ß√£o mais fortemente.

    O problema √© que quando se leva o caso √† Justi√ßa estamos colocando na m√£o de um terceiro ator – mesmo que juiz de direito – o poder de dizer o que √© ou n√£o racista, o que √© ou n√£o ofensivo. Vamos imaginar por um minuto que o Judic√°rio – sempre t√£o imparcial e muito pouco sens√≠vel as press√Ķes de grandes empresas como a Rede Globo de televis√£o – diga que o quadro n√£o constitui ofensa racial alguma e pode continuar indo ao ar. Aqueles que se sentem, muito justamente, ofendidos deixariam de se sentir assim? E no caso contr√°rio, se o Judici√°rio tirar o quadro do ar, os produtores do programa e aqueles que gostam desse tipo de humor v√£o se sentir de alguma forma constrangidos? Ou v√£o apenas entender que se trata de mais uma decis√£o judicial absurda, mais um ato truculento de censura motivado por meia d√ļzia de gente mal humorada?

    Me parece que somente a for√ßa de maioria ofendida d√° legitimidade a retirada desse tipo de piada grosseira do ar. √Č ofensivo aquilo que a maioria das pessoas considera ofensivo. Indiscutivelmente. Quem n√£o entender assim, vai ter que aceitar que est√° na contram√£o do senso comum. E vale lembrar que n√£o h√° um corte racial na constru√ß√£o dessa maioria, pois, certamente, existir√£o pessoas “brancas” que entendem o quadro ofensivo e pessoas “negras” que n√£o ver√£o ofensa alguma.

    De todo modo, o recurso a lei é válido. Só não sei se é o mais eficaz nesse tipo de situação.

    Abs, PAulo Roberto

  11. Eron disse:

    √ďtimo texto. Me sinto muito lesado em ter a imagem do negro associado a este tipo de personagem.

  12. jorge disse:

    Caro Paulo,
    O que eu quis dizer é que uma coisa não invalida a outra. Concordo que o boicote talvez fosse mais eficaz, mas por que descartar a lei? Não com o objetivo de tirar o quadro do ar (meu ponto não é esse), e sim para punir os autores da ofensa, inclusive por danos morais? Isso já aconteceu em outros casos. Na verdade, a lei não obriga os cidadãos a gostarem dos integrantes deste ou daquele grupo social; só exige o respeito.

  13. jorge disse:

    Caro Wilton,
    √Č isso. Meus olhos, no caso, s√£o os olhos “dos outros”. √Č por isso que me ardem tanto.

  14. jorge disse:

    Carfo Eron,
    Ainda n√£o encontrei um negro ou negra que n√£o demonstrasse indigna√ß√£o com a ofensa do quadro. O problema √© que h√° muitos “escurinhos” que se olham no espelho e se v√™em brancos. O que fazer?

  15. Paulo Sergio pereira novais disse:

    A ordem e Seguran√ßa p√ļblica n√£o se faz somente com repreens√£o, devemos ter em mente que a participa√ß√£o efetiva e aplicada de todos os outros √≥rg√£os e entidades da administra√ß√£o p√ļblica √© fundamental neste avan√ßo paulatino, vemos em alguns conte√ļdos expostos a vaidade e orgulho, quase impercept√≠vel e invisivel aos meramente observadores casuais e curiosos Rixas e Ran√ßos Institucionais.
    Somos Saldados não políticos!

  16. paulo roberto disse:

    Só para mantermos o clima telelvisivo direi: Amado mestre, captei vossa mensagem!

    N√£o tinha pensado no aspecto punitivo da situa√ß√£o. Realmente, o dano moral √© uma forma interessante de abordar a quest√£o. Preserva-se a liberdade de express√£o, mas, contempla-se, igualmente, eventuais preju√≠zos causados. De fato, liberdade n√£o √© sin√īnimo de irresponsabilidade. Ao direito inalien√°vel de dizer o que se quer corresponde o dever inevit√°vel de assumir as poss√≠veis consequ√™ncias.

    Quanto aos “escurinhos” que o senhor mencionou, me lembrou um dos professores do nosso curso de seguran√ßa p√ļblica na UFF que somente se referia √† algu√©m como “pessoa historicamente e sociologicamente considerada branca” em oposi√ß√£o aquela “historicamente e sociologicamente considerada negra”.

    Abs, Paulo

  17. jorge disse:

    Caro Paulo,
    Uma coisa √© ser considerado branco ou negro pelos outros; outra, √© o pr√≥prio indiv√≠duo considerar-se branco ou negro, por conveni√™ncia. Sim, h√° “escurinhos” que se apresentam como brancos, mas h√° muitos louros (conhe√ßo v√°rios e v√°rias) que se dizem “misturados”, o que equivaleria a dizer que n√£o s√£o brancos. Caras de pau. Falam at√© de algum “tatatatarav√ī” negro ou √≠ndio (de prefer√™ncia √≠ndio), para serem politicamente corretos. C√≠nicos.
    Paulo, j√° imaginou o que n√£o pode acontecer nas escolas, com as meninas e meninos brancos praticando bullying contra as meninas negras, chamando-as de Adelaide?

  18. Caro coronel Jorge da Silva,

    PIMENTORUM IN ANUS OUTREM REFRESCUS EST

    “Caro amigo Jorge, concordo com vossa colocação, tanto com a legal e legitima indignação que o levou a colocar o texto no blog, como
    na candente exposição constante nos comentários até o momento.Pimenta nos olhos dos outros é refresco!. (Abraço, Cel Wilton.)

    Ta ai gostei do coment√°rio do ilustre ex- comandante da PMERJ Cel Wilton.
    Se n√£o vejamos. Quando se fala em quest√Ķes raciais, muitos ficam MUDOS E SURDOS.
    Quando o senhor coloca em seus posts, a viol√™ncia no Brasil e na cidade do Rio de Janeiro aparecem aqui no seu Blog uma s√©rie de ‚Äúcomentaristas‚ÄĚ.
    H√° mais de meio s√©culo, √°reas como Antropologia, Hist√≥ria e Sociologia desenvolvem estudos sobre quest√Ķes correlatas, com a aten√ß√£o voltada, quase que exclusivamente, para a nossa mem√≥ria hist√≥rica. Existem poucos escritos tendo por base estudos que apontem o impacto de tais representa√ß√Ķes em um universo restrito da sociedade brasileira, por√©m significativo.
    E ainda; ami√ļde caro coronel Jorge. Ao tocar nessa ferida, claro que n√£o √© de bom alvitre para uma boa camada da sociedade. A n√£o ser de militantes como Paulo Roberto, Medeiros e outros CAMARADAS abnegados na luta contra a discrimina√ß√£o.
    Por tais motivos tenho eu uma p√°gina em uma rede social com 2 200 participantes onde colocamos perguntas tais como:

    ONDE MORA SEU RACISMO ? Onde Mora teu preconceito?
    https://www.facebook.com/groups/183373555048931/

    Até onde mora na verdade também o seu preconceito?
    Preconceito intelectual ?
    Preconceito liter√°rio ?
    Preconceito conta obesos ?
    Preconceito religioso ?
    Preconceito √Čtnico ?
    Preconceito contra portadores de necessidades especiais?
    Preconceito de opção sexual?
    Rumo à PAZ !

  19. jorge disse:

    Caro Antunes,
    O pior √© ver os racistas, elitistas, homof√≥bicos, machistas e intolerantes de todo g√™nero esgolerarem-se para dizer que s√£o democratas e que no Brasil n√£o existe discrimina√ß√£o. Os racistas agora cunharam uma palavra para desqualificar a luta dos que lutam contra a discrimina√ß√£o racial: ‚Äúracialismo‚ÄĚ. √Č mol√©?

  20. Desde o primeiro dia em que, vi esse personagem no Zorra Total que, o achei dentro de contexto racista!
    Mania de ligarem o negro ao pobre!
    Ao mendigo “sabido”!
    N√£o mudam nunca!
    N√£o sou negra, nem “escura”. Sou uma mulher cidad√£ acima de tudo que, vejo qualquer mulher desse planeta com tal!
    Um cidadã negra, branca, índia, tribal, oriental..
    Dentro de toda essa complexidade de cidadãs diversas, apenas o negro é estereotipado?
    Apenas ele é o mendigo e malandro na sua maioria?
    Imagina essa personagem HORROROSA, branca, de olhos verdes…Quem a colocaria dentro dessa realidade do quadro?
    Só mulheres negras se encaixam PERFEITAMENTE?
    Se “encaixam” perfeitamente, nas MENTES RACISTAS DE QUEM CRIA ESSAS ABERRA√á√ēES C√ĒMICAS!
    Parabéns amigo, pela excelente explanação do assunto!
    Meu total apoio e rep√ļdio a essa personagem!

  21. jorge disse:

    Cara Rquel,
    √Č isso mesmo: “MENTES RACISTAS DE QUEM CRIA ESSAS ABERRA√á√ēES C√ĒMICAS!” E eu acrescento: impunemente.

  22. O projeto de Lei aprovado pelo Senado que criou cotas s√≥cio-raciais e que dever√° ser sancionado pela Presidente Dilma Rousseff, representa um enorme retrocesso ao dividir a comunidade negra ap√≥s o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do pa√≠s, reconhecer que ‚Äún√£o precisa dividir‚ÄĚ porque ser negro no Brasil representa, por si s√≥, uma desvantagem.

    A opini√£o √© do professor Jos√© Jorge de Carvalho, do Departamento de Antropologia da Universidade de Bras√≠lia e pesquisador do CNPq, autor, juntamente com a professora Rita Segatto, do Programa de A√ß√Ķes Afirmativas da UnB) institu√≠do em 2004 e que recentemente foi julgado constitucional pelo Supremo.

    Cotas Sócio-Raciais

    O projeto aprovado pelo Senado cria as chamadas cotas s√≥cio-raciais, ao reservar 50% das vagas para estudantes oriundos da escola p√ļblica; destes 50% devem ser reservadas aos estudantes de fam√≠lias com renda per capita de 1,5 sal√°rios m√≠nios; e os outros 50% entre negros e ind√≠genas proporcionalmente √† presen√ßa de cada um desses segmentos em cada Estado da Federa√ß√£o, de acordo com o Censo do IBGE 2010.

    ‚ÄúA Lei √© anacr√īnica. A est√≥ria vai responsabilizar as lideran√ßas negras que participaram desse retrocesso. Como √© que o senador Paim, que tem assessores parlamentares afinados com esse tema, n√£o lutou para desvincular as cotas sociais? Sarney virou paladino dos negros brasileiros? A elite branca racista brasileira entregou o anel para n√£o entregar os dedos‚ÄĚ, ironizou.

    Medida de contenção

    Segundo ele, a principal fun√ß√£o da Lei ‚Äú√© conter a parte mais poderosa, a vanguarda do Movimento Negro‚ÄĚ. ‚ÄúSimplesmente, a Lei conteve a parte mais poderosa do Movimento, decapitou a comunidade negra. Os filhos dos empres√°rios da Fiesp estudam na USP (Universidade de S. Paulo), na Universidade de Campinas (Unicamp)

  23. jorge disse:

    Caro Antunes,
    O importante nesse processo todo √© que o assunto deixou de ser tabu. H√° alguns anos, quem ousasse falar que havia discrimina√ß√£o racial no Brasil era considerado subversivo. E ai do negro que n√£o concordasse com a teoria da democracia racial. Quanto √Ę dividir ou n√£o, vejo que alguns est√£o adotando a mesma posi√ß√£o de que quem n√£o quer dividir o bolo com os negros. A sabedoria popular pode ajudar: “Afobado come cru”; “Quem quer tudo n√£o recebe nada”.Zorra Total!

  24. HARI disse:

    nadaaaaaaaaa verrrrrrrrrrr…esses pessoalzinho t√£o vendoo que o programa ta tendo audiencia por causa desse novo quadro ..aii eles ja come√ßam a criticar sfffffffffffff pqp em fala serioooooo…….

  25. Roseli disse:

    Carlos Alberto Medeiros como sempre, brilhante! Parab√©ns Dr. Jorge da Silva pelos coment√°rios cr√≠ticos e cria√ß√£o de espa√ßos como este para reflex√Ķes sobre o racismo e suas m√ļltiplas express√Ķes no Brasil. V√™-se que este fen√īmeno (racismo) √© t√£o marcante e presente nas rela√ß√Ķes sociais brasileiras que at√© em pequenos coment√°rios, como o de Hari, ele se expressa de forma expl√≠cita, o que dizer da express√£o ‚Äúpessoalzinho‚ÄĚ?! At√© para emitir um coment√°rio contr√°rio ao dos que de fato sofrem na pele com as ‚Äúpiadinhas‚ÄĚ racistas, foi preciso usar o recurso (hist√≥rico) de desqualificar o outro. Lembro-me dos ‚Äúfuncion√°rios do Sistema Globo‚ÄĚ (os ‚Äúintelectuais renomados‚ÄĚ a servi√ßo da globo ) que n√£o aceitaram as cr√≠ticas de que Monteiro Lobato era racista (a obra deste autor √© publicada pela editora Globo). Chegaram ao absurdo de se referirem aos militantes do movimento negro, que fizerem protesto contra a imagem de Monteiro Lobato agarrado a uma mulher negra (charge criada pelo Ziraldo, o autor do ‚Äúracismo sem √≥dio‚ÄĚ), como ignorantes, que certamente nunca tinham lido uma obra do cl√°ssico escritor. Eles disseram isso, mesmo sabendo que os tais ativistas presentes no protesto eram pessoas com n√≠vel universit√°rio! O que fez eles acreditarem que soci√≥logos, assistentes sociais, doutores universit√°rios n√£o conheciam a obra de Monteiro Lobato?! A resposta √© simples: todos os participantes do tal protesto eram negros. Logo os tais intelectuais ‚Äúfuncion√°rios do Sistema Globo‚ÄĚ (todos brancos, ressalta-se) se sentiram autorizados a desqualificar o discurso e o protesto dos intelectuais de pele preta. Assim como podemos ver aqui no Blog quando pessoas qualificadas e com t√≠tulos de doutor s√£o chamadas de ‚Äúpessoalzinho‚ÄĚ.

  26. Roseli disse:

    (finalizando…) Aqui no Brasil se voc√™ √© negro ou ativista (de qualquer cor/etnia/ra√ßa) contra o racismo (principalmente contra o racismo dirigido √† popula√ß√£o negra) ser√° considerado ‚Äúcidad√£o ou cidad√£ de segunda categoria‚ÄĚ ou ‚Äúpoliticamente correto de galinheiro‚ÄĚ ou ignorante ou ainda ‚Äúpessoalzinho‚ÄĚ, ou seja, gente que n√£o se deve dar import√Ęncia. Ainda dizem que o racismo aqui √© sutil…verdade?! Sutil pra quem? Bem, nos meus olhos a pimenta arde todo dia!

  27. jorge disse:

    Cara Roseli,
    Não é fácil ser negr@ no Brasil. O tempo todo tem que fingir que é incolor e sem origem.

  28. jorge disse:

    Cara Roseli,
    Os que defendem Monteiro Lobato n√£o t√™m sua procura√ß√£o. O grande escritor, se estivesse vivo, talvez condenasse a defesa que pessoas como Ziraldo fazem dele, sem consult√°-lo. Declaradamente, Lobato lamentava a presen√ßa maci√ßa de negros no Brasil. Achava que o Brasil n√£o tinha futuro por isso. Disse e escreveu isso muitas vezes. Claro que se Ziraldo soubesse disso, n√£o teria assumido a posi√ß√£o que assumiu. Ali√°s, esse pessoalzinho ignorante √© muito desinibido quando se trata de atacar os negros. Como algu√©m j√° disse, “ignor√Ęncia desinibida”.Ziraldo ignora.

  29. Luiz Henrique de Andrade Baeta disse:

    Sou negro e sou a favor dos movimentos por inclus√£o social, de maneira ponderada.
    Com 37 anos de idade já fui alvo de racismo várias vezes, inclusive muitos desses atos racistas que sofri; foram praticados por pessoas negras, porém não fiquei à margem da sociedade por causa de nenhum deles, muito pelo contrario, me deram forças para lutar pelos meus objetivos e fazer a diferença.
    Sinceramente, não me sinto ofendido com os personagens da TV, na verdade eu acho que a intenção é trazer um pouco de alegria. Inclusive no programa Zorra Total tem outros personagens engraçados como: gordo, gay, anão, prostituta, políticos e etc.
    Se formos aplicar a intervenção, deixaremos de lado o direito de liberdade de expressão, previsto pela Constituição.
    Seja branco, negro, ou de qualquer outra raça, todos gostam de diversão e entretenimento.
    Muitos movimentos contra o racismo, acabam fomentando os atos racistas, levando a sociedade brasileira a entender que somos diferentes e por isso n√£o merecemos o devido respeito.
    O sol nasceu para todos, e que cada um lute pelo seu lugar embaixo dele, pois n√£o √© a cor da pele de uma pessoa, ou o humor sobre sua ra√ßa, que vai definir sua verdadeira identidade e ou sua import√Ęncia social, obst√°culos existem para ser superados, e cabe a n√≥s ensinar isso para as nossas crian√ßas.
    Tenho pra mim que conquistamos o respeito quando somos bem resolvidos em nosso interior, e a equiparação social vem naturalmente e não por imposição, atualmente a sociedade esta bem mais evoluída neste aspecto; não acho necessário tanta confusão por causa de uma brincadeira.

  30. jorge disse:

    Caro Luiz Henrique,
    Essa é a vantagem da democracia: cada um ter a sua opinião. Você não acha que o quadro em questão menospreza as mulheres negras; há outras pessoas que pensam o contrário. As que pensam o contrário não estão certas nem erradas; pensam de forma diferente. E só.

  31. joao da silva disse:

    nao brinquem com a palavra de Deus ele nao tera piedade dos injustos

  32. jorge disse:

    Caro Jo√£o,
    Verdade.

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