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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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ZORRA TOTAL E RACISMO EXPLÍCITO

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(Nota: Texto enviado por Carlos Alberto Medeiros).

Um quadro do programa Zorra total, da Rede Globo, tem provocado indignação no público sensível aos problemas do racismo e da discriminação racial no Brasil. Tem como protagonista uma mulher chamada Adelaide – interpretada pelo ator – em que se concentram todos os estereótipos negativos atribuídos às mulheres negras: é feia, desdentada, ignorante, e costuma fazer referências pejorativas, por exemplo, ao cabelo dos negros. Um combustível perfeito para o bullying que aflige as crianças negras, especialmente as meninas, na escola e nos círculos de convivência, contribuindo para manter baixa a autoestima de um segmento da população quotidianamente adestrado a se sentir e comportar como inferior.

Infelizmente, o humor baseado em estereótipos raciais tem uma longa tradição em nosso país. Não é preciso muito esforço para nos lembrarmos de nomes como Grande Otelo (a despeito de seu reconhecido talento), Gasolina, Muçum, Tião Macalé, que sempre representaram personagens associados ao alcoolismo, à preguiça, à falta de cultura e de inteligência. Sem contar os brancos pintados de preto, até hoje presentes nos programas humorísticos da TV.

Nos Estados Unidos, o uso de atores brancos – ou mulatos – com a cara pintada de preto, ou “blackfaced”, em papeis que ridicularizavam os negros foi prática comum nos tempos da segregação racial. Personagens como Aunt Jemima, Jim Crow (que poderíamos traduzir como Zé Urubu), Zip Coon, Buck, Jezebel, Pickaninny, Uncle Tom, Amos ‘n’ Andy e outros, que refletiam os mais grosseiros estereótipos a respeito dos afro-americanos e de sua cultura, eram, não obstante – ou talvez por isso mesmo -, altamente populares entre as plateias brancas. Na década de 1960, com o Movimento de Direitos Civis, incluindo boicotes organizados por entidades como a NAACP, o uso desses personagens se reduziu enormemente, embora continue presente, de forma bastante atenuada, em algumas produções mais atuais. Em Bamboozled (2000), que no Brasil ganhou o título de A Hora do Show, Spike Lee faz uma crítica à tradição dos minstrel shows e do vaudeville, gêneros baseados nessa estereotipia. Aos interessados, vale a pena dar uma olhada no site black-face.com.

 

 

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32 comenários to “ZORRA TOTAL E RACISMO EXPLÍCITO”

  1. AURELIO disse:

    O que seria do humor,da cultura sem o gordo,loura burra.do ceguinho e outros estereótipos,a vida seria mais seca; não acredito que meu mestre,grande estudioso em segurança não tenha se deleitado com a escolinha do professor Raimundo; mais racismo que estabelecer cotas não existe,digo preconceito acirrado;só serve para o governo populista jogar a culpa da nossa incompetencia; queria que esse patruhamento encontrasse eco para os aposentados (estereotipado) desampararados, considerados o maior peso do déficit interno, graças a DEUS não é nosso caso; homens cultos de peso na mídia deviam fazer”barulho”, mas não dá”ibope”,igual a corrupção. O dia que for feito um movimento em prol dos inativos desprovidos,uma passeata maior do que a”gay”, “Respeitaram quem pode chegar a onde eles chegaram”; mal ou bem o que temos hoje parte do alicerce deixado pelos “mais antigos”. Meus respeitos.

  2. jorge disse:

    Caro Aurélio,
    O amigo tem razão. São muitos os problemas. E é por isso que devemos nos manifestar, cobrando providências que atendam à maioria.

  3. Paulo Fontes disse:

    Caro amigo e companheiro de muitas jornadas,
    Eu não poderia esperar outra coisa do meu particular amigo e brilhante profissional das Ciências Sociais Professor Carlos Alberto Medeiros.
    O seu texto é perfeito e sua crítica é contundente e para respondê-la seria necessário em primeiro lugar que o escritor do programa da Globo possuisse conhecimento do problema, coisa que não tem, e em segundo lugar sua argumentação teria que ser calcadas em fatos verdadeiros, mas que na minha opinião são mentirosos.
    Mas então o que podemos esperar de um veículo da mídia que vive mamando nas tetas do patrocíínio oficial cujos valore atingem a fantástica soma de mais de um bilhão de reais?
    Nada!
    Um forte abraço do
    Paulo Fontes

  4. jorge disse:

    Caro Fontes,
    Acho que o Maurício Shermann, produtor do Zorra, surtou.

  5. adilson da costa azevedo disse:

    Caro Jorge,

    A liberdade de expressão é garantia constitucional. O programa é de humor. Os diálogos ocorrem no transporte de trem, onde estão representados quase todos os segmentos sociais. A personagem é esteriotipada e totalmente caricata não tendo nenhum compromisso com a realidade. O que pode ser discutido é se aquela forma de humor é “politicamente correta”. No entanto, qual será a instância dessa discussão? Como nós não temos censura nem qualquer outra forma de controle nas informações, no cinema, na televisão, cinema, imprensa etc. isso fica restrito aos seus autores. Na publicidade existe uma forma de controle através da autorregulamentação. Parece que a grande dificuldade é identificar quando o humor ultrapassa o “politicamente incorreto” chegando a agressão. Uma coisa é certa, o quadro é de mau gosto e não tem graça nenhuma. Por esses motivos é que deveria sair imediatamente do ar.

  6. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Um programa do Chico Anísio (Café Bola Branca) foi retirado do ar, e o Chico processado, pelo mesmo motivo. Esse é um dano coletivo. Tanto o MP quanto organizações coletivas da sociedade civil podem acionar os produtores do programa, inclusive reivindicando danos morais. Isso já aconteceu algumas vezes. Pedi ao CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas) que entrasse com ação contra os produtores do programa.
    Interessante que o produtor do Zorra, Maurício Sherman Nizenbaum, loiríssimo, jamais, em sua longa carreira no humor televisivo, bolou um quadro em que os judeus fossem ridicularizados com os grosseiros estereótipos ainda existentes em nossa sociedade contra esse grupo igualmente alvo de piadas discriminatórias.

  7. paulo roberto disse:

    Concordo com a avaliação sobre o quadro, mas, confesso que tenho dificuldades em aceitar qualquer tipo de censura, sobretudo, num programa humorístico. O humor vive dos esteriótipos. Qualquer piada, por mais simples e despretensiosa, tem um potencial ofensivo inevitável. É claro que os limites existem, mas, me parece que a melhor providência para quem se sente ofendido é simplesmente trocar de canal. Não assistir ao programa pelo seu péssimo nível. É assim que funciona nos EUA, por exemplo. A pressão da sociedade – único juiz legítimo do que deve ou não ser posto no ar – é o que vai determinar a continuidade ou não de qualquer atração televisiva. Televisão é negócio, e seu órgão mais sensível é o índice de audiência.

    Abs, Paulo Roberto

  8. jorge disse:

    Caro Paulo Roberto,
    Você tem razão duplamente: quanto à abominação da cesura e quanto ao fato de o humor viver de estereótipos. Minha implicância é com o cinismo. Como já mencionei em comentário anterior, o diretor e produtor do programa, Maurício Sherman Nizembaum, descrito por ele mesmo como loiro de olhos, já produziu e dirigiu dezenas de humorísticos na TV ao longo de décadas. Jamais lhe ocorreu a ideia de colocar no ar um quadro em que os judeus, grupo igualmente alvo de piadas de mau gosto, fossem representados com os grosseiros estereótipos que ainda circulam entre nós. Os negros são o seu prato predileto, assim como os homossexuais e determinadas crenças religiosas. Fiz o que você recomenda: mudei de canal. Mas entendo que há clara ofensa às mulheres negras com grupo social, o que, salvo melhor juízo, afronta o disposto no Art. 20 da Lei 7.716/89 (Lei Caó, “anti-racismo”), o qual, aliás, também se destina à proteção dos judeus como coletividade étnica, e não este ou aquele judeu, este ou aquele negro. O § 2º do citado Artigo prevê o agravamento da pena se o crime “é cometido por intermédio dos meios de comunicação ou publicação de qualquer natureza”. Mudar de canal é preciso, mas por que não usar também a lei contra a produção do programa?

  9. Cel Wilton disse:

    Caro amigo Jorge, concordo com vossa colocação, tanto com a legal e legitima indignação que o levou a colocar o texto no blog, como
    na candente exposição constante nos comentários até o momento.Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Abraço, Cel Wilton.

  10. paulo roberto disse:

    Sem dúvida Professor, o senhor tem razão acerca do cinismo que impera nesse tipo de ambiente. Existem alvos mais aceitáveis e outros mais preservados, cuja reação, mais poderosa economicamente, ou mais influente na sociedade, é levada em consideração mais fortemente.

    O problema é que quando se leva o caso à Justiça estamos colocando na mão de um terceiro ator – mesmo que juiz de direito – o poder de dizer o que é ou não racista, o que é ou não ofensivo. Vamos imaginar por um minuto que o Judicário – sempre tão imparcial e muito pouco sensível as pressões de grandes empresas como a Rede Globo de televisão – diga que o quadro não constitui ofensa racial alguma e pode continuar indo ao ar. Aqueles que se sentem, muito justamente, ofendidos deixariam de se sentir assim? E no caso contrário, se o Judiciário tirar o quadro do ar, os produtores do programa e aqueles que gostam desse tipo de humor vão se sentir de alguma forma constrangidos? Ou vão apenas entender que se trata de mais uma decisão judicial absurda, mais um ato truculento de censura motivado por meia dúzia de gente mal humorada?

    Me parece que somente a força de maioria ofendida dá legitimidade a retirada desse tipo de piada grosseira do ar. É ofensivo aquilo que a maioria das pessoas considera ofensivo. Indiscutivelmente. Quem não entender assim, vai ter que aceitar que está na contramão do senso comum. E vale lembrar que não há um corte racial na construção dessa maioria, pois, certamente, existirão pessoas “brancas” que entendem o quadro ofensivo e pessoas “negras” que não verão ofensa alguma.

    De todo modo, o recurso a lei é válido. Só não sei se é o mais eficaz nesse tipo de situação.

    Abs, PAulo Roberto

  11. Eron disse:

    Ótimo texto. Me sinto muito lesado em ter a imagem do negro associado a este tipo de personagem.

  12. jorge disse:

    Caro Paulo,
    O que eu quis dizer é que uma coisa não invalida a outra. Concordo que o boicote talvez fosse mais eficaz, mas por que descartar a lei? Não com o objetivo de tirar o quadro do ar (meu ponto não é esse), e sim para punir os autores da ofensa, inclusive por danos morais? Isso já aconteceu em outros casos. Na verdade, a lei não obriga os cidadãos a gostarem dos integrantes deste ou daquele grupo social; só exige o respeito.

  13. jorge disse:

    Caro Wilton,
    É isso. Meus olhos, no caso, são os olhos “dos outros”. É por isso que me ardem tanto.

  14. jorge disse:

    Carfo Eron,
    Ainda não encontrei um negro ou negra que não demonstrasse indignação com a ofensa do quadro. O problema é que há muitos “escurinhos” que se olham no espelho e se vêem brancos. O que fazer?

  15. Paulo Sergio pereira novais disse:

    A ordem e Segurança pública não se faz somente com repreensão, devemos ter em mente que a participação efetiva e aplicada de todos os outros órgãos e entidades da administração pública é fundamental neste avanço paulatino, vemos em alguns conteúdos expostos a vaidade e orgulho, quase imperceptível e invisivel aos meramente observadores casuais e curiosos Rixas e Ranços Institucionais.
    Somos Saldados não políticos!

  16. paulo roberto disse:

    Só para mantermos o clima telelvisivo direi: Amado mestre, captei vossa mensagem!

    Não tinha pensado no aspecto punitivo da situação. Realmente, o dano moral é uma forma interessante de abordar a questão. Preserva-se a liberdade de expressão, mas, contempla-se, igualmente, eventuais prejuízos causados. De fato, liberdade não é sinônimo de irresponsabilidade. Ao direito inalienável de dizer o que se quer corresponde o dever inevitável de assumir as possíveis consequências.

    Quanto aos “escurinhos” que o senhor mencionou, me lembrou um dos professores do nosso curso de segurança pública na UFF que somente se referia à alguém como “pessoa historicamente e sociologicamente considerada branca” em oposição aquela “historicamente e sociologicamente considerada negra”.

    Abs, Paulo

  17. jorge disse:

    Caro Paulo,
    Uma coisa é ser considerado branco ou negro pelos outros; outra, é o próprio indivíduo considerar-se branco ou negro, por conveniência. Sim, há “escurinhos” que se apresentam como brancos, mas há muitos louros (conheço vários e várias) que se dizem “misturados”, o que equivaleria a dizer que não são brancos. Caras de pau. Falam até de algum “tatatataravô” negro ou índio (de preferência índio), para serem politicamente corretos. Cínicos.
    Paulo, já imaginou o que não pode acontecer nas escolas, com as meninas e meninos brancos praticando bullying contra as meninas negras, chamando-as de Adelaide?

  18. Caro coronel Jorge da Silva,

    PIMENTORUM IN ANUS OUTREM REFRESCUS EST

    “Caro amigo Jorge, concordo com vossa colocação, tanto com a legal e legitima indignação que o levou a colocar o texto no blog, como
    na candente exposição constante nos comentários até o momento.Pimenta nos olhos dos outros é refresco!. (Abraço, Cel Wilton.)

    Ta ai gostei do comentário do ilustre ex- comandante da PMERJ Cel Wilton.
    Se não vejamos. Quando se fala em questões raciais, muitos ficam MUDOS E SURDOS.
    Quando o senhor coloca em seus posts, a violência no Brasil e na cidade do Rio de Janeiro aparecem aqui no seu Blog uma série de “comentaristas”.
    Há mais de meio século, áreas como Antropologia, História e Sociologia desenvolvem estudos sobre questões correlatas, com a atenção voltada, quase que exclusivamente, para a nossa memória histórica. Existem poucos escritos tendo por base estudos que apontem o impacto de tais representações em um universo restrito da sociedade brasileira, porém significativo.
    E ainda; amiúde caro coronel Jorge. Ao tocar nessa ferida, claro que não é de bom alvitre para uma boa camada da sociedade. A não ser de militantes como Paulo Roberto, Medeiros e outros CAMARADAS abnegados na luta contra a discriminação.
    Por tais motivos tenho eu uma página em uma rede social com 2 200 participantes onde colocamos perguntas tais como:

    ONDE MORA SEU RACISMO ? Onde Mora teu preconceito?
    https://www.facebook.com/groups/183373555048931/

    Até onde mora na verdade também o seu preconceito?
    Preconceito intelectual ?
    Preconceito literário ?
    Preconceito conta obesos ?
    Preconceito religioso ?
    Preconceito Étnico ?
    Preconceito contra portadores de necessidades especiais?
    Preconceito de opção sexual?
    Rumo à PAZ !

  19. jorge disse:

    Caro Antunes,
    O pior é ver os racistas, elitistas, homofóbicos, machistas e intolerantes de todo gênero esgolerarem-se para dizer que são democratas e que no Brasil não existe discriminação. Os racistas agora cunharam uma palavra para desqualificar a luta dos que lutam contra a discriminação racial: “racialismo”. É molé?

  20. Desde o primeiro dia em que, vi esse personagem no Zorra Total que, o achei dentro de contexto racista!
    Mania de ligarem o negro ao pobre!
    Ao mendigo “sabido”!
    Não mudam nunca!
    Não sou negra, nem “escura”. Sou uma mulher cidadã acima de tudo que, vejo qualquer mulher desse planeta com tal!
    Um cidadã negra, branca, índia, tribal, oriental..
    Dentro de toda essa complexidade de cidadãs diversas, apenas o negro é estereotipado?
    Apenas ele é o mendigo e malandro na sua maioria?
    Imagina essa personagem HORROROSA, branca, de olhos verdes…Quem a colocaria dentro dessa realidade do quadro?
    Só mulheres negras se encaixam PERFEITAMENTE?
    Se “encaixam” perfeitamente, nas MENTES RACISTAS DE QUEM CRIA ESSAS ABERRAÇÕES CÔMICAS!
    Parabéns amigo, pela excelente explanação do assunto!
    Meu total apoio e repúdio a essa personagem!

  21. jorge disse:

    Cara Rquel,
    É isso mesmo: “MENTES RACISTAS DE QUEM CRIA ESSAS ABERRAÇÕES CÔMICAS!” E eu acrescento: impunemente.

  22. O projeto de Lei aprovado pelo Senado que criou cotas sócio-raciais e que deverá ser sancionado pela Presidente Dilma Rousseff, representa um enorme retrocesso ao dividir a comunidade negra após o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do país, reconhecer que “não precisa dividir” porque ser negro no Brasil representa, por si só, uma desvantagem.

    A opinião é do professor José Jorge de Carvalho, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília e pesquisador do CNPq, autor, juntamente com a professora Rita Segatto, do Programa de Ações Afirmativas da UnB) instituído em 2004 e que recentemente foi julgado constitucional pelo Supremo.

    Cotas Sócio-Raciais

    O projeto aprovado pelo Senado cria as chamadas cotas sócio-raciais, ao reservar 50% das vagas para estudantes oriundos da escola pública; destes 50% devem ser reservadas aos estudantes de famílias com renda per capita de 1,5 salários mínios; e os outros 50% entre negros e indígenas proporcionalmente à presença de cada um desses segmentos em cada Estado da Federação, de acordo com o Censo do IBGE 2010.

    “A Lei é anacrônica. A estória vai responsabilizar as lideranças negras que participaram desse retrocesso. Como é que o senador Paim, que tem assessores parlamentares afinados com esse tema, não lutou para desvincular as cotas sociais? Sarney virou paladino dos negros brasileiros? A elite branca racista brasileira entregou o anel para não entregar os dedos”, ironizou.

    Medida de contenção

    Segundo ele, a principal função da Lei “é conter a parte mais poderosa, a vanguarda do Movimento Negro”. “Simplesmente, a Lei conteve a parte mais poderosa do Movimento, decapitou a comunidade negra. Os filhos dos empresários da Fiesp estudam na USP (Universidade de S. Paulo), na Universidade de Campinas (Unicamp)

  23. jorge disse:

    Caro Antunes,
    O importante nesse processo todo é que o assunto deixou de ser tabu. Há alguns anos, quem ousasse falar que havia discriminação racial no Brasil era considerado subversivo. E ai do negro que não concordasse com a teoria da democracia racial. Quanto â dividir ou não, vejo que alguns estão adotando a mesma posição de que quem não quer dividir o bolo com os negros. A sabedoria popular pode ajudar: “Afobado come cru”; “Quem quer tudo não recebe nada”.Zorra Total!

  24. HARI disse:

    nadaaaaaaaaa verrrrrrrrrrr…esses pessoalzinho tão vendoo que o programa ta tendo audiencia por causa desse novo quadro ..aii eles ja começam a criticar sfffffffffffff pqp em fala serioooooo…….

  25. Roseli disse:

    Carlos Alberto Medeiros como sempre, brilhante! Parabéns Dr. Jorge da Silva pelos comentários críticos e criação de espaços como este para reflexões sobre o racismo e suas múltiplas expressões no Brasil. Vê-se que este fenômeno (racismo) é tão marcante e presente nas relações sociais brasileiras que até em pequenos comentários, como o de Hari, ele se expressa de forma explícita, o que dizer da expressão “pessoalzinho”?! Até para emitir um comentário contrário ao dos que de fato sofrem na pele com as “piadinhas” racistas, foi preciso usar o recurso (histórico) de desqualificar o outro. Lembro-me dos “funcionários do Sistema Globo” (os “intelectuais renomados” a serviço da globo ) que não aceitaram as críticas de que Monteiro Lobato era racista (a obra deste autor é publicada pela editora Globo). Chegaram ao absurdo de se referirem aos militantes do movimento negro, que fizerem protesto contra a imagem de Monteiro Lobato agarrado a uma mulher negra (charge criada pelo Ziraldo, o autor do “racismo sem ódio”), como ignorantes, que certamente nunca tinham lido uma obra do clássico escritor. Eles disseram isso, mesmo sabendo que os tais ativistas presentes no protesto eram pessoas com nível universitário! O que fez eles acreditarem que sociólogos, assistentes sociais, doutores universitários não conheciam a obra de Monteiro Lobato?! A resposta é simples: todos os participantes do tal protesto eram negros. Logo os tais intelectuais “funcionários do Sistema Globo” (todos brancos, ressalta-se) se sentiram autorizados a desqualificar o discurso e o protesto dos intelectuais de pele preta. Assim como podemos ver aqui no Blog quando pessoas qualificadas e com títulos de doutor são chamadas de “pessoalzinho”.

  26. Roseli disse:

    (finalizando…) Aqui no Brasil se você é negro ou ativista (de qualquer cor/etnia/raça) contra o racismo (principalmente contra o racismo dirigido à população negra) será considerado “cidadão ou cidadã de segunda categoria” ou “politicamente correto de galinheiro” ou ignorante ou ainda “pessoalzinho”, ou seja, gente que não se deve dar importância. Ainda dizem que o racismo aqui é sutil…verdade?! Sutil pra quem? Bem, nos meus olhos a pimenta arde todo dia!

  27. jorge disse:

    Cara Roseli,
    Não é fácil ser negr@ no Brasil. O tempo todo tem que fingir que é incolor e sem origem.

  28. jorge disse:

    Cara Roseli,
    Os que defendem Monteiro Lobato não têm sua procuração. O grande escritor, se estivesse vivo, talvez condenasse a defesa que pessoas como Ziraldo fazem dele, sem consultá-lo. Declaradamente, Lobato lamentava a presença maciça de negros no Brasil. Achava que o Brasil não tinha futuro por isso. Disse e escreveu isso muitas vezes. Claro que se Ziraldo soubesse disso, não teria assumido a posição que assumiu. Aliás, esse pessoalzinho ignorante é muito desinibido quando se trata de atacar os negros. Como alguém já disse, “ignorância desinibida”.Ziraldo ignora.

  29. Luiz Henrique de Andrade Baeta disse:

    Sou negro e sou a favor dos movimentos por inclusão social, de maneira ponderada.
    Com 37 anos de idade já fui alvo de racismo várias vezes, inclusive muitos desses atos racistas que sofri; foram praticados por pessoas negras, porém não fiquei à margem da sociedade por causa de nenhum deles, muito pelo contrario, me deram forças para lutar pelos meus objetivos e fazer a diferença.
    Sinceramente, não me sinto ofendido com os personagens da TV, na verdade eu acho que a intenção é trazer um pouco de alegria. Inclusive no programa Zorra Total tem outros personagens engraçados como: gordo, gay, anão, prostituta, políticos e etc.
    Se formos aplicar a intervenção, deixaremos de lado o direito de liberdade de expressão, previsto pela Constituição.
    Seja branco, negro, ou de qualquer outra raça, todos gostam de diversão e entretenimento.
    Muitos movimentos contra o racismo, acabam fomentando os atos racistas, levando a sociedade brasileira a entender que somos diferentes e por isso não merecemos o devido respeito.
    O sol nasceu para todos, e que cada um lute pelo seu lugar embaixo dele, pois não é a cor da pele de uma pessoa, ou o humor sobre sua raça, que vai definir sua verdadeira identidade e ou sua importância social, obstáculos existem para ser superados, e cabe a nós ensinar isso para as nossas crianças.
    Tenho pra mim que conquistamos o respeito quando somos bem resolvidos em nosso interior, e a equiparação social vem naturalmente e não por imposição, atualmente a sociedade esta bem mais evoluída neste aspecto; não acho necessário tanta confusão por causa de uma brincadeira.

  30. jorge disse:

    Caro Luiz Henrique,
    Essa é a vantagem da democracia: cada um ter a sua opinião. Você não acha que o quadro em questão menospreza as mulheres negras; há outras pessoas que pensam o contrário. As que pensam o contrário não estão certas nem erradas; pensam de forma diferente. E só.

  31. joao da silva disse:

    nao brinquem com a palavra de Deus ele nao tera piedade dos injustos

  32. jorge disse:

    Caro João,
    Verdade.

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