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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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(Cont…) “JORNALISMO DE GUERRA” vs. “JORNALISMO DE PAZ” NO RIO DE JANEIRO (II)

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                   (Nota prévia. Esta postagem dá continuidade à anterior, abaixo).

 

Lê-se no jornal O Globo (03/07), em chamada de primeira página: Contra milícia, Rio pede Exército na campanha”. E internamente (p. 3): “Contra milícias, TRE do Rio pede Exército” / “Áreas de UPP podem ter tropas já na campanha; mais quatro estados pediram o mesmo ao TSE”

Ninguém discordará de que, em razão das pressões exercidas sobre os moradores por milícias ou por traficantes nas eleições, o apoio do Exército se faça necessário. O que causa estranheza na matéria é a afirmação, atribuída ao presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter, de que “as favelas pacificadas também precisam de apoio das forças militares”. Ora, não deve ter sido exatamente isso que o desembargador falou, pois as não-pacificadas, só no Grande Rio (para não falar no Estado inteiro, responsabilidade do desembargador), ultrapassam a casa das centenas, o que demandaria efetivos imensos do Exército. Não seria mais lógico que aquela Força ajudasse o Estado do Rio nos lugares onde não há UPPs e há controle de traficantes e/ou milícias? Penso que a PM deveria se manifestar a respeito, se é que não foi ouvida.

Bem, por que me ocupo desse tema? É que fiz um alerta em postagem do dia 31 de março de 2012, no sentido de que o governo não pode sucumbir à tentação de transformar o Exército em polícia, no que setores influentes da sociedade do Rio de Janeiro (e da mídia) investem, nem deixar que se desqualifique a PM. O alerta está contido em postagem publicada em 31/03/2012, de título EXÉRCITO SAI DO ALEMÃO E PM ENTRA. UM ALERTA, em que mostrei que o Exército não acabou com o tráfico, e foi hostilizado e atacado dezenas de vezes.  Por que seria diferente com a PM?   Confiram:  (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=2887).

 

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8 comenários to “(Cont…) “JORNALISMO DE GUERRA” vs. “JORNALISMO DE PAZ” NO RIO DE JANEIRO (II)”

  1. Cel Wilton disse:

    Caro amigo, se foi realmente isso que o Sr Desembargador falou, estamos diante de um caso gravissimo de, ou tentativa de desmoralização, ou real falencia, ambas institucionais, qual seja, se ele estiver errado,que é o que espero,o projeto GEPAE/UPP. na pratica, terá que melhorar seus métodos de convencimento na area de comunicação social e com outros órgãos(TRE), se ele estiver certo, será a hecatombe operacional do projeto GEPAE/UPP, o que torço para que não esteja acontecendo, pois me orgulho muito de ter criado este projeto no ano de 2000.
    Abraço, Cel Wilton.

  2. jorge disse:

    Caro Wilton,
    Insisto: se as “comunidades” consideradas pacificadas (com UPPs) precisam da presença do Exército antes mesmo das eleições, como, parece, é o desejo do presidente do TRE, essa equação não fecha na minha cabeça. O problema, meu caro, é que todo mundo quer surfar na onda da visibilidade das UPPs. Outro ponto: o Estado do Rio de Janeiro virou “Comunidades com UPP”.

  3. Luiz Monnerat disse:

    Caro Mestre Jorge,

    Não fosse a Lei de Murphy – “Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la” – bastante para explicar o que ocorre com as chamadas UPPs, teríamos ainda a famosa Navalha de Occam, ou Navalha de Ockham, a afirmar que a explicação para qualquer fenómeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do fenómeno e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predições da hipótese ou teoria. O princípio é frequentemente designado pela expressão latina ‘Lex Parcimoniae’ (Lei da Parcimônia) enunciada como:”entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem” (“as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade”). Esta formulação é muitas vezes parafraseada como “Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor”.
    O princípio recomenda, assim, que se escolha a teoria explicativa que implique o menor número de premissas assumidas e o menor número de entidades.
    Originalmente um princípio da filosofia reducionista do nominalismo, é hoje tido como uma das máximas heurísticas (regra geral) que aconselham economia, parcimônia e simplicidade, especialmente nas teorias científicas, como de resto em tudo o mais.
    É isso aí, e mais nada se dirá de novo sobre este assunto, a não ser a Lei de Clark:”Murphy era otimista.” Ora, parece que desperdiçamos tempo com assunto já tão claro. Por isso, terminaria citando a também conhecida Navalha de Hanlon, com o seguinte enunciado: “Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez”. Abs. Monnerat

  4. jorge disse:

    Caro Monnerat,
    O pior, me parece, é que estamos diante da combinação de malícia e estupidez.

  5. Luiz Monnerat disse:

    Caro Mestre Jorge,
    É mesmo, e ainda por cima a gente fica sem saber o que é feito da atividade chamada ‘inteligência’ que parece ter se resumido à escuta telefônica, sempre com o indefectível ‘com autorização judicial’!

  6. jorge disse:

    CARO Monnerat,
    A palavra inteligência perdeu o sentido dos dicionários. O verbete tem que incorporar o seu antônimo. Como técnica policial em particular, a inteligência vem-se desfigurando no Brasil, reduzida a escutas telefônicas. Assim, sem outros meios de prova, basta que qualquer advogado questione a legalidade das mesmas ou alegue que elas teriam sido editadas para que um Judiciário suscetível a tecnicalidades as invalide.

  7. Lúcia Gueiros barata disse:

    Juro que não entendi o post ?
    O mesmo é uma crítica ?
    Qual o problema do TRE solicitar o Exército Brasileiro ?
    deveria solicitar a Marinha do brasil e a força Aérea ! Pois está tudo um caos . Ou melhor “Tá tudo dominado” .
    Quero estar viva para ver tudo isso após 2016. Os políticos, ou melhor os poderes são “todos farinha do mesmo saco” caro coronel e professor Jorge da Silva.

  8. jorge disse:

    Cara Lúcia,
    Acho que, realmente, não me fiz entender. O TRE está correto em solicitar o Exército, principalmente para locais dominados por milícias e traficantes. O que estranhei foi o presidente afirmar que a solicitação era também para comunidades pacificadas com UPPs, as quais, como se apregoa, estão livres do jugo do tráfico e das milícias.

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