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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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CAIXA PRETA SALARIAL (I) – ENTRE O MÁXIMO E O MÍNIMO

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Não quero saber quanto ganham por mês os meus vizinhos João, Francisco ou Epaminondas na Prefeitura, no Exército, na Petrobrás ou no Tribunal de Contas. É assunto que não me interessa, da mesma forma que não me sinto obrigado a exibir-lhes o meu contracheque. Isto é uma coisa. Outra bem diferente é o mistério em torno da publicização dos salários que percebem, em média, não João, Francisco ou Epaminondas, mas os trabalhadores brasileiros em geral, nos diferentes setores de atividade, públicos e privados. Ora, se em diversos países essa informação é disponibilizada à população, por que no Brasil é uma caixa-preta, com a exceção do Município de São Paulo? (Ver, a propósito, os sites Contas Abertas (http://contasabertas.uol.com.br) e Transparência Brasil (www.transparencia.org.br)). Óbvio que isto reflete a tradição desigualitária da sociedade brasileira, onde ainda é forte a presença de valores culturais oligárquicos. Tudo escondido para perpetuar privilégios, arranjos duvidosos e mesmo falcatruas.

Ora, por que não podemos saber quanto ganha, em média, um trabalhador brasileiro? Pergunto: quanto ganha um professor ou professora do ensino básico da rede pública? E do ensino universitário? E um médico? E um atendente de saúde? Quanto ganha um motorista de ônibus? E um motorista do Congresso, da Assembléia Legislativa ou do Tribunal de Contas? Quanto ganha um procurador, ou um desembargador, juiz ou promotor? E um contínuo do Tribunal de Justiça ou do Congresso? Ou da Câmara de Vereadores? E um oficial de justiça? E um delegado da Polícia Federal? E da Polícia Civil? E um oficial das Forças Armadas? E um general? E um soldado ou coronel PM? E um detetive? E um técnico da área da educação ou da saúde? E do Congresso Nacional ou do Tribunal de Justiça?

O problema para os apaniguados é que, se houver transparência, os descalabros vão ser desvendados, como começam a ser, implicando a necessidade de promover maior equilíbrio, não com o aumento salarial de todos – uma espécie de farra geral –, mas com a distribuição mais equânime das remunerações. Como entender, por exemplo, que um servidor técnico perceba salário superior ao teto nacional (fixado com base no subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal) enquanto um médico ou professor-doutor de uma universidade pública receba cinco, seis ou sete vezes menos? Só no Brasil.

Com relação aos ganhos dos parlamentares, e também ao teto e à remuneração do presidente da República e dos governadores (que, na verdade são simbólicos, e que acabaram servindo de teto para os servidores do Executivo), isto é assunto do CAIXA PRETA SALARIAL (II), na próxima semana.

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3 comenários to “CAIXA PRETA SALARIAL (I) – ENTRE O MÁXIMO E O MÍNIMO”

  1. Luciana Brasil disse:

    Coronel Jorge,
    Será que o governo do Rio de Janeiro vai ter coragem de divulgar os salários pagos aos professores e médicos, como São Paulo já faz?
    Abraços.

  2. Cara Luciana,
    Não há por que não divulgar. É assim em vários lugares do mundo, como vou mostrar no Caixa Preta Salarial II.
    Abraço

  3. josé antunes disse:

    Jorge,

    Não vamos generalizar. Mas 50% dos políticos se candidatam para a grande vaca que é o Governo, onde são as muitas as tetas para serem mamadas. Fico observando a falta de preparo, o cinismo, a petulância, a utopia. E penso no pobre “Zé Povinho”, com seu cartão bolsa-família, sem trabalho, sem dinheiro, com 8 filhos na sala e mais um na barriga da mulher. Dados do IBGE, que ainda apontam 14 milhões de analfabetos em pleno século 21. 14 milhões de votos em branco, que não lêem, não acompanham o mundo. Só fazem leitura do que ganham, do que vêem. São 14 milhões de votos, turbinados por outras dezenas de milhões, de pessoas que colocam no governo gente sem condição.

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