foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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TRAFICANTES NA LUTA CONTRA O CRACK

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A coluna do Ancelmo Gois de ontem (O Globo, 19/06) publicou a foto de um cartaz que traficantes de drogas espalharam nas “comunidades” do Jacarezinho, Mandela e Manguinhos, na Zona Norte da cidade, locais onde se situam conhecidas e grandes “cracolândias”. (ver foto abaixo).

A foto circulou e circula em outros meios, e o assunto vem sendo comentado amplamente.  Em geral, os comentários vão na direção de que os traficantes decidiram fazer isso temendo que as autoridades usem a Força Nacional de Segurança (que já ocupa o Morro Santo Amaro, no Catete), para também ocupar o seu reduto, o que prejudicaria os negócios em torno de outros produtos, em especial a cocaína e a maconha.

Algo que ainda não vi comentado tem a ver com os destinatários do aviso. Só alguém muito ingênuo para acreditar que o aviso se destina aos “crackeiros”. É, na verdade, uma clara mensagem às autoridades. Não nos esqueçamos de que o Governo Federal resolveu desencadear verdadeira cruzada nacional contra o crack. Lançou o “Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas”, e anunciou um investimento de 4 bilhões de reais para ações nas  áreas da recuperação, da repressão e da prevenção.

Mais que tudo, o que importa mesmo é analisar o subtexto da mensagem e do gesto. Pergunte-se: A mensagem faz sentido? Corresponde a algum contexto? Por que os traficantes resolveram fazer o que fizeram?

No fundo, independentemente de outros propósitos, é como se os traficantes dissessem: “Somos solidários; prometemos não mais vender crack!”

Esta foto é emblemática. Traz consigo incontáveis discursos, e possibilidade de múltiplas interpretações. A partir dela é possível penetrar no âmago da nossa sociedade. E indagar sobre aspectos sociológicos da questão das drogas das quais costumamos fugir.

 

A polêmica foto publicada na coluna do Ancelmo Gois.

 

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13 comenários to “TRAFICANTES NA LUTA CONTRA O CRACK”

  1. Cel wilton disse:

    Caro amigo,já imaginou em outras épocas a reação da imprensa,articulistas, policiologos,politicos,segmentos vivos da sociedade,diversos niveis de poder, etc, a uma noticia como essa????????

  2. jorge disse:

    Caro Wilton,
    É isso mesmo. O fato foi tido como normal. Estão fazendo piada com esse absurdo.

  3. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Concordo com a sua análise e os seus questionamentos. O “Eremildo” Observou com acuidade a placa e não viu nenhuma referência a tráfico ou a traficantes. Ele pergunta: Não será um recado aos dirigentes dos clubes para que não vendam os “cracks” da comunidade como o Adriano, Wagner Love, Bruno etc.? “Olha o avião”.

  4. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Querem que a gente olhe para o outro lado. “Olha o avião!”

  5. William disse:

    Pra mim os traficantes acordaram e viram que na verdade estão matando seus clientes e logicamente tendo prejuízos. Resolveram fazer uma campanha contra o Crack.
    Evidente que há um interesse financeiro. “Crakudo” morto nao compra mais crack.
    Mas parando para pensar torna-se válido. Agora o crack acaba no Rio.
    O que a sociedade não conseguiu junto com o poder público, o poder paralelo consegue. Não estou exaltando os traficantes.
    Mas se eles vão acabar com o crack… Estão nos fazendo um favor.
    Hipocrisia é acreditar que eles estão fazendo campanha apenas por serem bonzinhos. Quantos na mídia fazem campanhas contra as drogas e as usam?

  6. jorge disse:

    É verdade. Também acho que essa pode ser uma das motivações, mas não nos esqueçamos de que o Morro Santo Amaro está ocupado com a Força Nacional de Segurança, “contra o crack”, e o governo já anunciou que vai ocupar, também com a Força Nacional, outras “comunidades” em que existam “cracolândias”. Minha conclusão: se os traficantes só venderem cocaína e maconha não correrão o risco de ter as “comunidades” onde atuam ocupadas. As motivações se somam.

  7. Luiz Monnerat disse:

    Mestre Jorge,
    Não podemos esquecer que o crack chegou primeiro em São Paulo e custou bastante para chegar ao Rio. A bandidagem civil organizada (diferente da bandidagem política organizada!) em São Paulo difere bastante da bandidagem civil organizada do Rio (já a outra é igual). No Rio há um compromisso da bandidagem com o território de homizío, daí aqui essa questão de ‘comunidade’ ser valorizada pelo pessoal do tráfico do Rio, diferentemente do que ocorre em São Paulo. Assim, imagino que têm razão aqueles que encontram motivo plausível para os traficantes das nossas bandas agirem assim, pois o crack – acho que devíamos grafar craque – é amaldiçoado por todos, diferentemente da maconha e até da cocaína. Abraços, Monnerat.

  8. jorge disse:

    Caro Monnerat,
    Gostei dessa: “bandidagem política organizada”.

  9. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O perspicaz Monnerat nos trouxe uma questão ética e operacional da bandidagem. A denominada por ele de “bandidagem política organizada” está uniforme em todo o país com os mesmos métodos e as vezes com personagens interestaduais. A outra tem divergências, com as facções utilizando de estratégias diferentes de acordo com a região, algumas não aceitando a comercialização do crack e repelindo(punindo)determinados crimes como estupro, roubos nas proximidades da comunidade etc. de acordo com a sua “ética”.
    O tema da bandidagem política organizada está tendo avaliações em duas searas. Qual deve ser a nossa expectativa em relação a “CPI do Cachoeira” e ao julgamento da turma do “Mensalão”?

  10. jorge disse:

    Adilson,
    A “bandidagem política organizada” é imbatível. Daí, a expectativa com relação à CPI do Cachoeira e ao Mensalão é sombria. Como diz aquela música: “Está tudo dominado! Está tudo dominado! Está tudo dominado”. Norte, Sul, Leste, Oeste. Executivo, Legislativo, Judiciário. Federal, Estadual, Municipal.

  11. Lucia regina disse:

    Boa noite,estou contando os dias pra ver o fim desta droga maldita que destruiu minha filha.

  12. jorge disse:

    Cara Lucia,
    Minha solidariedade. Que esse pesadelo tenha fim.

  13. EDRIGEL disse:

    LIVRO LIVRO LIVRO LIVRO LIVRO

    POR FAVOR NOS AJUDE A DIVULGAR !!

    *** CRACK – Como Prevenir e Combater? ***

    Face o alastramento do consumo das drogas lícitas e ilícitas, e o agravamento do conjunto das consequências inerentes,
    a exemplo de miserabilização e violência, várias entidades civis e governamentais vem apresentando e desenvolvendo programas especiais. Entre o conjunto de drogas a disposição e uso, a pedra de crack tem merecido destaque, haja vista a natureza e amplitude dos danos que causa em todas as pessoas e seu entorno.

    É no sentido de esclarecer não só o usuário de drogas e na busca de meios de como prevenir e combater que este livro foi lançado !

    contato (51)3226-8668
    rigel@editorarigel.com.br

    Livro: Crack e o Labirinto das Drogas
    Autora : Alexandra de Souza

    assista o video da autora:

    http://www.youtube.com/watch?v=zyrlZKLV4sQ

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