- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

(Cont …) VENDA DO QG DA PMERJ (V)

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A FALÁCIA DO “OLHA O AVIÃO”

Em manchete do jornal O Globo de hoje, 14/06, lê-se: “Muito além do QG”.

Certamente, o título alude à polêmica suscitada pelo anúncio da intenção do governo do Estado de vender o QG da PMERJ para a Petrobrás. No interior da matéria, a notícia de que o governo pretende vender 27 imóveis.

Faz meses, no entanto, como mencionado nas postagens abaixo, que a venda do QG da PM foi anunciada, sob a alegação de que o conceito de aquartelamento seria inadequado à função da PM (“polícia ostensiva e de preservação da ordem pública”); depois, talvez em razão da dificuldade de sustentar o argumento – os QGs das polícias de Nova Iorque e Paris, por exemplo, são quartéis maiores do que o QG da PMERJ –, alegou-se que a manutenção do velho prédio era muito dispendiosa; agora, segundo a matéria acima referida, a motivação para a venda, não só do QG como de outros 26 imóveis, inclui-se no declarado propósito de “cortar gastos com espaços mal aproveitados”. Nessa rubrica, foram listadas áreas do Estado utilizadas como “restaurante, igreja, estacionamento e até entidades de classe”.

Não há como discordar de que propriedades do Estado sejam utilizadas dessa forma, ou que estejam abandonadas, como muitas estão. No entanto, como diz o espírito popular, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ora, o que tem a ver um imóvel público usado como estacionamento ou restaurante com um edifício que abriga o histórico QG da Polícia Militar do Estado? Ou com outras instalações policiais, da PM e da PC, citadas como também estando à venda?

No mundo inteiro, a segurança pública é setor dos mais onerosos. E as complexidades da sociedade contemporânea estão a exigir a alocação cada vez maior de recursos em pessoal, instalações, atualização tecnológica etc. Não se vá imaginar, por exemplo, o governo francês, para economizar, vendendo o histórico QG da polícia parisiense, no coração da Cidade da Luz, nem os quartéis das unidades de preservação da ordem, das forças de choque e de operações especiais; ou Nova Iorque vendendo o headquarters do NYPD, no coração de Manhattan.

Incluir na discussão da venda do QG da PMERJ a venda de estacionamentos, igrejas e restaurantes em terreno do Estado constitui exemplo acabado da chamada falácia do “olha o avião”, usada para desviar o foco do assunto principal. Por que o jornal faz isso?…