- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

VENDA DO QG DA PMERJ (III). ORDEM DE DESPEJO?

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A Polícia Militar está procurando um local para abrigar provisoriamente o Comando e os órgãos de Direção Geral e de Estado Maior. Provisoriamente por pelo menos dois anos, a contar do início das obras do futuro QG, que se cogita construir na área do atual Regimento Marechal Caetano de Farias (onde se situa o BPChoque, no Estácio), cujas edificações atuais, com exceção da fachada, seriam demolidas. Isto se o atual QG da Corporação, na Rua Evaristo da Veiga, no Centro, for efetivamente vendido à Petrobrás, como anunciou o governo do Estado. A complicação decorre do fato de a empresa ter imposto como condição para fechar o negócio que o prédio esteja desocupado e demolido antes, o que o governo se compromete a fazer em 30 dias, como mencionado nas duas postagens anteriores, abaixo.

Ter que sair do atual QG de forma tão repentina não estava nas cogitações do alto comando da PM, que contava mudar-se somente quando o novo QG estivesse pronto. Despropositada a condição imposta pela Petrobrás. Razoável seria que, ao contrário, o governo condicionasse a desocupação do prédio, mesmo formalizada a venda, à transferência do Comando e da Administração da PM para o futuro QG num prazo determinado. É sempre assim nas transações imobiliárias.

Não me aferro aos aspectos histórico-culturais ligados ao vetusto prédio, embora entenda que esses aspectos não estão sendo levados em conta. Preferia que o atual QG fosse reformado e modernizado com recursos orçamentários, mas parece que a sorte está lançada.

Meu ponto é outro. Tem a ver com a localização estratégica do QG, a menos de 100 metros da Cinelândia, palco preferido para manifestações coletivas, inclusive de nível nacional, algumas das quais já descambaram para perturbações violentas da ordem, exigindo a pronta intervenção da Polícia Militar, instituição incumbida constitucionalmente da preservação da ordem pública em sentido estrito. Mais: por que o açodamento em questão tão delicada? Ninguém ofereceria mais vantagens ao Estado e à PM? Que benefícios a medida traz à sociedade?

Uma lógica perversa. Sair em 30 dias soa como uma ordem de despejo. A situação em que se encontra a PM faz lembrar a lógica das remoções de “comunidades”. Primeiro derrubam-se as casas e casebres e removem-se os moradores, sem que estes tenham para onde ir, mas com a promessa de que, posteriormente, serão construídas moradias condignas em algum lugar, jamais construídas. Ironia. No caso da venda do QG da PMERJ e da prometida construção do futuro QG, corre-se o risco de o provisório ser definitivo. Acho que ninguém quer isso.

Bem, para onde vai o QG, provisoriamente?