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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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TOM JOBIM E A VIOLÊNCIA

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Corre a lenda: o maestro Tom Jobim teria afirmado certa feita que só haveria justiça social no Rio de Janeiro quando todos morassem em Ipanema. Só mesmo alguém com a sensibilidade apurada dos poetas, que também era, seria capaz de fazer tão bom uso da ironia para denunciar o egoísmo e o cinismo de setores elitistas da sociedade carioca. Estes se apresentam como democratas preocupados com o bem-estar da população em geral, mas só advogam políticas governamentais que os favoreçam de forma particularista e desmesurada.

Troquemos “justiça social” (discurso) por “segurança” (realidade). A real diminuição da violência na Ipanema de Tom e adjacências depois da implantação das UPPs – em contraste com o aumento em paralelo da mesma nas periferias do Rio – confirma a tese do genial maestro.

Os protestos e manifestações dos moradores dos subúrbios, da Baixada Fluminense e de Niterói e São Gonçalo não surtem os mesmos efeitos da pressão exercida sobre os poderes públicos pelos mencionados setores exclusivistas. Estes não medem esforços para monopolizar os meios de comunicação em seu proveito e para fazer com que a sua opinião particular, publicada repetitivamente à exaustão (lembrei-me de Goebbels), seja a opinião de todos.

Se vivo estivesse é possível que Tom Jobim afirmasse que só haveria “segurança” no Rio de Janeiro quando todos morassem em Ipanema. Como nem todos podem ou querem se mudar para Ipanema, ou Leblon, ou Lagoa…

 

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2 comenários to “TOM JOBIM E A VIOLÊNCIA”

  1. Maurício disse:

    Verdade, vemos claramente um reforço do policiamento justamente em locais pontuais, onde a renda e o padrão social é mais elevado.
    Enquanto isso, do outro lado da cidade, onde as miras dos holofotes são menores, observamos o contrário, isto é, o aumento gradual dos quadros de violência. Quem sai perdendo com tudo isso é a população carioca que fica no meio deste jogo de vaidades, uma pena…

  2. jorge disse:

    Caro Maurício,
    Acho que a solução seria mudar a capital do Estado para a Baixada Fluminense, ou Magé. Como fez Juscelino, ao mudar a capital da República do Rio para o Planalto Central.

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