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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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NITERÓI, A FUSÃO E A SEGURANÇA. GLOBO NITERÓI

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(Abaixo, mensagem enviada ao jornalista Gilson Monteiro (Coluna do Gilson) a
propósito de matéria de capa de domingo, 2 de agosto, no Globo Niterói. Pedi ao
mencionado jornalista que, de alguma forma, repercutisse a mensagem.)

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Caro Gilson,

O Globo Niterói publicou este domingo importante matéria sobre o aumento da criminalidade no Município. Como em outras ocasiões, a população reclama da falta de policiamento, e as autoridades prometem melhorá-lo. E fica combinado assim. Na verdade, depois da fusão, Niterói passou a ser tratada pelos governantes e pela elite política e intelectual da capital do Estado como uma cidade sem maior importância. O que acontece aqui seria importante apenas para os niteroienses, se tanto. Até no Rio de Janeiro parece que importante mesmo (para toda a Cidade e para o Estado…) seria o que acontece no eixo Copacabana-Ipanema-Leblon-Barra. Os que vivem nesse eixo (nada contra), parecem adotar o lema popular: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Caro Gilson, somos niteroienses que vimos as “violências” sofridas pela Cidade nos anos que se seguiram à fusão. De lá para cá, enquanto a população aumentava, e aumenta (de estimados 376.033 habitantes em 1975 para 477.919 em 2008), a estrutura de segurança foi sendo desmontada de forma deliberada, e os efetivos policiais deslocados para a Capital e outros lugares. Como demonstro abaixo:

– Ao iniciar-se a fusão, em 1975, o efetivo do 12º Batalhão era de mais de mil componentes. Três décadas depois, foi reduzido para 822. Além do 12º Batalhão, existiam:
– a Ala de Cavalaria, no Fonseca, que executava patrulhamento a cavalo na Cidade, que foi extinta;
– a Companhia de Choque, autônoma, que foi extinta;
– a Companhia de Trânsito, autônoma, que foi extinta;
– a Companhia Escola (no Fonseca, onde se situa hoje o Batalhão de Polícia Rodoviária), que formava os PMs, os quais complementavam o policiamento na fase de treinamento. Extinta.
– o 11º Batalhão, em Neves, o qual era importante para Niterói, pois era limítrofe e executava a segurança dos presídios. Transferido para Friburgo;
– o Batalhão de Serviços Auxiliares (policiais burocratas, empregados nos fins de semana e em eventos extraordinários), também extinto;

Além de tudo isso, não bastasse o esvaziamento do 12º Batalhão, este recebeu posteriormente a incumbência adicional de policiar o município de Maricá (sic).

Como se vê, quando leio que parlamentares se reúnem com o comandante do Batalhão para pedir providências, não consigo entender. O que pode fazer o comandante do batalhão? Lembro-me, a propósito, de que em 1990, na condição de comandante do 15º Batalhão, Duque de Caxias, recebi ordem (recebida por outros comandantes de batalhões da “periferia”) para, diariamente, preparar uma guarnição de Patamo (melhor viatura e melhores homens) e mandá-la para o batalhão do Leblon. Mandei, mas pedi exoneração do cargo, menos de dois meses após assumir o comando.

Penso que a solução é a classe política, intelectual e empresarial de Niterói (refiro-me aos que moram aqui) levar o pleito às autoridades máximas do Estado. Do contrário, é chover no molhado.

Jorge da Silva (cel Jorge)

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3 comenários to “NITERÓI, A FUSÃO E A SEGURANÇA. GLOBO NITERÓI”

  1. GEZIEL OTÁVIO RABELLO disse:

    Caro Coronel Jorge da Silva

    Ontem, 03/08/2009, o que ocorreu no Senado, merece uma palhinha no seu Blog ?

    Pedro Simon X Renan Calheiros – o faz de contas para as câmaras.

    A cara do Collor foi imperdível.

    O Sarney é um coronel muito poderoso.
    Todo mundo tem medo dele. E sua tropa de choque, é pior ainda (Renan, Collor)
    Só depois que ele saiu que começaram as críticas.
    Já quase não existem mais reservas morais no Senado.
    Cena extremamente desagradável, ameaças, troca de acusações.
    Poucos que ainda livro, é o Paulo Paim e a Marina Silva.

    Recordo-me do último discurso do JOSÉ RIMABAR IMORTAL SARNEY:

    Vociferou ele para os holofotes -“A injustiça só pode ser combatida com três ações: o silêncio, a paciência e o tempo.”

    Só que, como lembrou Arnaldo Bloch em seu blog, Sêneca propunha a renúncia aos bens materiais e a busca da tranqüilidade da alma mediante o conhecimento e a contemplação.

    Como falar de violência, se o povo brasileiro sofre diuturnamente das violências impostas por seus representantes no Senado Federal, que a meu ver mais parece com o senado de Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus-também conhecido como Caio César ou Calígula.

    Geziel Otávio Rabello
    Cel R/1, Eng., IME Dr. ENSAE, França, 2001-Doutor em Eletromagnetismo Aplicado, Comunicações Digitais e Processamento de Sinais.

    BOM DIA !

  2. Caro Coronel Geziel Otávio Rabello,

    Realmente, o senhor tem razão. Não pode haver violência maior. Em meus escritos sempre relaciono esses maus exemplos (essas “violências” à dignidade dos brasileirso) como fatores da violência criminal.
    Jorge da Silva

  3. jose antunes disse:

    Marcado pela violência urbana nos últimos 40 anos, o Rio de Janeiro vai ganhar um ponto de encontro onde as pessoas pela primeira vez poderão se manifestar e trocar ideias sobre uma das questões que mais ameaçam a vida de seus habitantes, de todas as classe sociais – a insegurança e a criminalidade. A ONG Rio de Paz conseguiu da prefeitura do Rio autorização para instalar na Praia de Copacabana, em frente à Avenida Princesa Isabel, o Placar da Violência – um cartaz fixo com as estatísticas oficiais de mortes violentas no Estado do Rio. O placar será instalado no dia 15 de agosto.

    O Placar da Violência vai funcionar mais ou menos como aqueles cartazes em porta de fábrica, onde se lê “Estamos há tantos dias sem acidentes”. Só que no caso do placar, a informação será mais ou menos assim: “Em tantos dias já temos tantos mortos”.

    O principal objetivo do movimento Rio de Paz é mobilizar a sociedade fluminense contra uma epidemia que tomou conta do Estado do Rio e as vítimas já somam seis mil por ano. A ideia do Placar da Violência é dar ainda mais visibilidade aos números dessa tragédia, que tem várias causas e atinge indistintamente pessoas de todas as classes sociais, embora a grande maioria das vítimas seja formada por pobres, jovens e moradores de favelas e da periferia, na Região Metropolitana do Rio. As estatísticas são divulgadas mensalmente pelo Instituto de Segurança Pública, apesar de atraso de dois meses na computação dos dados.

    Os números da criminalidade são publicados na imprensa. Com o cartaz na Praia de Copacabana, esses números vão ganhar nomes e rostos das vítimas que se encontrarão ali para relatar os casos e, com a ajuda do movimento Rio de Paz, cobrar das autoridades a prisão e o julgamento dos assassinos. O Rio de Paz está convidando a estarem lá todos os parentes das vítimas.

    – Encaro essa conquista do Rio de Paz como uma sinalização de esperança da sociedade. Acreditamos que um dia não vamos mais precisar colocar um cartaz como esse. A nossa geração vai vencer a luta contra a morte. E quando esse dia chegar celebraremos a festa mais bela da história da Praia de Copacabana. O dia em que a vida terá vencido a morte – afirma o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa.

    Antônio Carlos diz que o cartaz será removido quando o governo do estado atingir a meta de redução de homicídios dolosos (intencionais), fixada em 11% do total. Isso equivale hoje a menos cerca de 500 homicídios por ano.

    – Acreditamos que o anúncio das metas, feito pelo governo do estado, foi uma vitória da sociedade organizada e da nossa pressão nas ruas. A meta é exequível, mas lamentamos que o estado admita que não pode salvar 5.500 pessoas, que serão assassinadas, dentro da previsão anual desse tipo de crime.

    O líder do Rio de Paz afirmou que pretende transformar aquele trecho da praia num espaço de solidariedade às vítimas e de debate sobre a questão da segurança pública.

    – A sociedade civil não deveria assistir passivamente a essa tragédia dos homicídios, mas participar ativamente para que a meta do governo seja alcançada.

    Nesse sentido, creio que um dos passos importantes seria a busca de uma consciência cidadã para o problema da violência. A sociedade tem muito a contribuir, se decidir sair do imobilismo em que a maioria se encontra. Nesse contexto, uma das formas de se reduzir a violência depende também do combate à impunidade, que cresce diante da ineficácia da polícia no esclarecimento de crimes e no medo da população de denunciá-los.

    Enquanto esse dia não chega, o Placar da Violência é um sinal de que a sociedade pode virar o jogo. O fato de cidadãos de bem saírem sem medo de suas casas para levar às ruas seu alerta significa que a sociedade civil marcou um golaço contra o crime.

    FONTE: NG Rio de Paz
    Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca

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