- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

(Continuação…) MIGRAÇÃO DE BANDIDOS DO RIO PARA NITERÓI

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Esta postagem, como a anterior, foi motivada por importantes matérias publicadas no jornal O Globo, assinadas pelo jornalista Antônio Werneck. Na manchete de ontem, 8 mar, lê-se: 

TRÁFICO DO RIO DIVIDE MORROS DE NITERÓI

Bandidos saídos de favelas cariocas comandam onda de violência 

Com dados, as matérias de Werneck confirmam o que era sabido pelos moradores de Niterói e de outros lugares ditos periféricos.

Resolvi escrever este texto com dois objetivos: primeiro, para atualizar os dados que apresentei em agosto de 2009, repetidos anteontem; segundo, para reiterar o que, a meu juízo, se impõe à comunidade de Niterói (poder público, políticos, sociedade civil, empresariado, intelectuais e cidadãos em geral).

Na postagem anterior, abaixo, mostrei que, na fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975, a população de Niterói era de 376.033 habitantes, e o efetivo do 12º Batalhão, de “mais de mil componentes”, e que, três décadas depois, a população aumentara para 477.919 (dados de 2008) e o efetivo do Batalhão encolhera para 820 componentes (dados de 2009). Mostrei ainda que, além do 12º Batalhão, a PM contava em Niterói com:

– a Ala de Cavalaria, no Fonseca, que executava patrulhamento a cavalo na Cidade. Extinta;
– a Companhia de Choque, autônoma. Extinta;
– a Companhia de Trânsito, autônoma. Extinta;
– a Companhia Escola (no Fonseca) que formava os PMs, os quais complementavam o policiamento na fase de treinamento. Extinta.
– o 11º Batalhão, em Neves, o qual era importante para Niterói, pois era limítrofe e executava a segurança dos presídios. Transferido para Friburgo;
– o Batalhão de Serviços Auxiliares – BSA (policiais burocratas, empregados nos fins de semana e em eventos extraordinários). Extinto.

Tudo sem contar que o 12º Batalhão, não bastasse o seu esvaziamento, recebeu a incumbência adicional de policiar o município de Maricá.

Agora, Werneck mostra que a situação é pior ainda: a população aumentou para 500 mil habitantes, e o efetivo “passou de cerca de 1200 homens, na década de 80, para 700 atualmente”.  Ora, como explicar tamanho esvaziamento se, no período, o efetivo da PM do estado pulou de aproximadamente 25 mil para em torno de 40 mil?

Bem, atualizados os dados, e independentemente do problema da migração de bandidos para Niterói, incumbe à comunidade niteroiense, não buscar paliativos, e sim tentar sensibilizar o governo do Estado no sentido de, no mínimo, recompor a situação de 1975.