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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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(Continuação… ) PMs, BMs E AS GREVES. ATÉ QUANDO?

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(Nota prévia: reprodução de artigo publicado nesta terça-feira, 14 de fevereiro de 2012, no jornal Folha de São Paulo, cotidiano, C3)

 

ANÁLISE

POR QUE A “GREVE” NO RIO NÃO FOI ADIANTE COMO NA BAHIA

JORGE  DA  SILVA
ESPECIAL PARA A FOLHA

A greve é um direito na busca de melhores condições salariais e de trabalho. Tal direito é vedado pela Constituição aos militares, aí incluídos os PMs e bombeiros militares.

Acontece que eles não têm os mesmos direitos dos trabalhadores em geral. Estão proibidos de exercer outra atividade para complementar a renda, não têm direito a hora extra, podem ser convocados para prontidão por tempo indeterminado e por aí vai.

Daí que, se o Estado não compensa essas restrições com condições condignas (mas lhes dá mandato de autoridade pública, com autorização para usar a força e armas de fogo); e se os altos escalões não conseguem sensibilizar o poder político quanto às necessidades da tropa, cria-se uma situação que, em parte, explica o quadro atual.

O que houve na Bahia não foi greve. Paralisação com arma em punho, sabotagem, queima de veículos e insubordinação não pode ter esse nome. Mas é preciso não esquecer como o governo se comportou; esticou a corda até o limite, sem admitir negociar.

Por que no Rio não se repetiu a Bahia? Porque PMs e bombeiros devem ter-se chocado com o que que viram pela TV e porque o governo não esticou tanto a corda. Enviou mensagem à Assembleia atendendo, em parte, aos pleitos, o que desencorajou a maioria.

O que precisa ficar claro é que o problema persiste. Note-se que esses movimentos são sempre liderados por cabos e soldados. Por quê? Cabos e soldados não são conscritos, e sim profissionais. Mantê-los em obediência confiando só nos códigos militares é pouco.

JORGE DA SILVA é cientista político e professor da Uerj; foi chefe do Estado Maior Geral da PM do Rio

 

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3 comenários to “(Continuação… ) PMs, BMs E AS GREVES. ATÉ QUANDO?”

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Fazendo uma reflexão sobre a formação militar de um modo geral, exponho a presente opinião, aceitando e desejando outras, se possível de especialistas. A recepção nos Cursos de Formação de Oficiais é feita por “veteranos” que com a permissividade da cúpula aplicam o “trote” nos novatos denominados de “bichos”. Aí vem a lição fundamental: “o direito do bicho é não ter direitos”. Assim começa o tratamento que vai de forma sutil ou grosseira desconstruindo os valores trazidos para serem implantados os novos paradigmas “militares”de obediência cega, cumprimento dos deveres, ser superior ao tempo e outros, culminando com o morrer pela pátria etc., mas, sobretudo, implantando o medo da punição. Ao que parece esse medo acompanha a maioria por toda a sua vida profissional. Assim, ao atingirem os mais altos postos, tem medo de perdê-los e os que estão de fora, aguardam uma oportunidade de assumir uma função de relevo, parecendo reservas de times de futebol aguardando a contusão do titular para entrar em campo. Esse problema foi agravado com as promoções sem as correspondentes funções, existindo muitos “caciques” para poucas “tribos.” Dessa forma, há filas de pretendentes para todas as funções de Comando ou Chefia. Os que estão nos cargos não querem “se expor” e os que estão fora se omitem, aguardando a sua oportunidade. Creio que esses são os principais motivos que impedem um movimento dos mais altos postos por melhoria salarial. O pioneiro episódio dos “Barbonos” permanece único. Aliás, alguns tiraram as “barbas de molho” e segundo os informes correntes foram presos. Quanto a greve do Rio não ter ido adiante, foi fruto do poder dos nossos principais órgãos de comunicação com interesses diretos no carnaval que manipularam as informações esvaziando o movimento.

  2. jorge disse:

    Adilson,
    Concordo

  3. Ana Tereza disse:

    Eu concordo com o Adilson. Os meios de comunicação esvaziaram o movimento antes mesmo deste começar. O Jornal da Globo, mesmo após já ter sido decretada a greve no Rio, só noticiava a greve da Bahia, dizendo que no Rio ainda ia ser decidido, mas que a tendência era não haver paralisação. A todo o momento os jornais, o Governador e o Secretário de Segurança garantiam que o policiamento ia continuar normalmente, inclusive (e principalmente) no Carnaval.

    Ana Tereza

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