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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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A ESTRANHA PRISÃO DO CORONEL DJALMA BELTRAMI

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Qualquer policial recruta, civil ou militar, sabe que, na barganha com bandidos, os policiais corruptos quase sempre alegam, com o objetivo de aumentar o butim, que precisam levar a parte dos de cima. Na maioria dos casos, não é verdade, como já se comprovou em outras ocasiões. O tenente-coronel Djalma Beltrami foi acusado e preso porque, numa escuta telefônica, um dos policiais envolvidos pede aumento da propina para si, os colegas de equipe e para o “Zero 1”, insistindo, ante a incredulidade do bandido, que era intermediário daquele.

O delegado encarregado da apuração afirma à imprensa que a escuta é suficiente para incriminar o tenente-coronel; que ele não tem dúvida do seu envolvimento, porém não apresenta nada mais do que a referida escuta. Bem, não vou entrar no mérito, mas se o delegado não possui outros elementos, além dos que foram repassados à mídia por alguém (…); se baseou a sua convicção apenas na gravação, estamos diante, no mínimo, de uma precipitação, dele e de quem ordenou a prisão, o que, na hipótese, seria uma temeridade.

Independentemente de se discutir a culpa ou não do coronel Beltrami, no entanto, convido os leitores do blog a discutirem outros aspectos da questão:

1 РPor que, por mera suspeita, prender o coronel? Para qu̻?

2 РPor que prend̻-lo na chegada ao batalḥo que comandava, e ṇo ao sair de casa, antes de ir para o quartel?

3 – Como foi que a mídia adivinhou que ele seria preso ao chegar ao quartel?

4 – A quem interessa a execração pública, por mera suspeita, de um comandante de batalhão da PM e da instituição Polícia Militar?

Muito estranho…

 

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7 comenários to “A ESTRANHA PRISÃO DO CORONEL DJALMA BELTRAMI”

  1. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    A prisão temporária é um atentado contra a constituição, contra a democracia, contra a cidadania etc. A prisão é decretada para que seja produzida prova contra o investigado. Trata-se de uma inversão. Primeiro, prende para investigar e não investigar para depois prender. No caso presente, ao que tudo indica os investigadores aproveitaram da comoção generalizada pelo bárbaro homicíidio contra a juíza Patrícia Acioli, para conseguir na Justiça esse mandado de prisão. A pirotecnia da operação, a diligência efetuada dentro do quartel, a convocação da imprensa faz parte do jogo de poder entre as polícias buscando demonstrar a superioridade de uma sobre a outra. No entanto, isso parece uma consequência do tratamento recebido pelo Ten Cel Cláudio, ex-comandante do 7º BPM, sendo tratado como culpado, sem respeito as suas prerrogativas, não valendo para ele a presunção constitucional da inocência. Foi mandado para um presídio federal em Regime Disciplinar Diferenciado, o mesmo de Fernandinho Beira-Mar. Os coronéis permaneceram silenciosos com a violação dos direitos do seu par. Ontem, foi oTen Cel Cláudio, hoje o Cel Beltrame, amanhã um outro e mais outro coronel omisso na defesa de sua garantia constitucional e das prerrogativas do posto. Gostaria de parabenizar os valorosos Coronéis Ubiratan Ângelo, Mário Sérgio e Fernando Belo com os seus protestos e solidariedade ao Cel Beltrami. Onde estão os outros?

  2. Meu caro coronel Jorge da Silva,

    O defensor do Tcel Djalma Beltrami, advogado Marcos Barros Espínola, foi enfático ao alertar para a possibilidade de ‘uma guerra entre as polícias Civil e Militar’. Acredito que a prisão apressada e arbitrária tenha partido mais do desejo doentio de aparecer: os chamados 15 minutos de glória. Tenha um Alegre Natal e um Ano Novo pleno de paz, saúde e felicidades, juntamente com os que lhe são caros. Abraços, Maurício Cruz

  3. jorge disse:

    Caro Maurício
    A quem interessa a divisão das policias?

  4. JORGE ALVES disse:

    Prezado Comandante e Professor,

    Sou Praça a 23 anos na PMERJ, fico pensando o que seria se tal arbitratiedade, ocorrida com o TCEL Beltrami que tem visibilidade por sua conduta correta e junto a midia atraves de seu desempenho no futebol, estivesse um praça ou mesmo um oficial de menor patente???

    Uma noite de Natal com Paz e Harmonia.
    Jorge Alves

  5. jorge disse:

    Claro Jorge,
    Nosso pais, lamentavelmente, e assim.
    Você tem razão. Quantos policiais, militares e civis, já não foram injusticados apenas por meras suspeitas e pelo disse-que-disse? Sem defesa.
    Que os de cima reflitam…

  6. Caro irmão
    Aos seus comentários sempre bem fundamentados, acrescento\;
    O que acontece com aqueles que levaram um Oficial da PM à execração púbica sem flagrante ou qualquer elemento probatório que justificasse a prisão. Fica por isso mesmo? Qualquer autoridade que cometa erros no exercício de suas funções, responde por eles, tanto no cível quanto no criminal. Com a palavra o ofendido.

  7. jorge disse:

    Caro Marcos,
    O ponto que você levanta é importantíssimo. Porém, do jeito que a as coisas aconteceram, tendo ou não culpa o cel Beltrami, pareceu-me que ele foi usado como atalho para se atingir outro objetivo: a instituição Polícia Militar. Este é o meu ponto.

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