- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS PMs (III)

PMs CONDENADOS / PMs ABSOLVIDOS

Em pauta este mês, julho de 2009, o caso em que dois PMs do Rio de Janeiro, há um ano, atiraram no veículo em que uma mãe conduzia os filhos pequenos, e em que um deles, o menino João Roberto, de três anos, foi morto em conseqüência da ação dos PMs. Estes teriam confundido o carro da senhora com o carro de bandidos. No calor dos acontecimentos, as autoridades e o público em geral atribuíram a tragédia ao despreparo dos policiais. O próprio governador do Estado chegou a chamá-los de “débeis mentais”. Eis que o jornalista Fernando Molica, do “Informe” do jornal O Dia, ligou-me e, também indignado com a desastrada ação, pediu-me para comentá-la. Hesitei em fazê-lo, pois não queria que a minha opinião parecesse uma crítica à política do Governo. Ante a insistência de Molica, concordei em fazer um comentário genérico, que foi retratado fielmente por ele. Não era o caso de justificar a injustificável ação dos policiais, mas de chamar a atenção para a responsabilidade solidária dos dirigentes quando estes investem no que alguém já chamou de política do “atira primeiro e pergunta depois”. Transcrevo abaixo a matéria que foi então publicada.

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9/7/2008 03:27:00 Informe do DIA:

PARA CORONEL, A TROPA INTERPRETOU COMO ‘LIBEROU GERAL’

TRÊS PERGUNTAS PARA JORGE DA SILVA
Rio – Cientista social, professor da UERJ, coronel da reserva da PM e ex-secretário de Direitos Humanos, Jorge da Silva afirma que os PMs que mataram o menino João Roberto Soares viraram “bodes expiatórios da sociedade”.

1. A que o sr. atribui um crime como esse?
– Dizer que foi despreparo dos policiais resolve o problema de todo mundo, inclusive de quem bate tambor para o policial ir para a guerra. No ano passado, nossa sociedade comemorou as mortes de 43 pessoas no Complexo do Alemão. Lá também houve crianças e inocentes entre as vítimas. Cartas nos jornais e editoriais defenderam as operações. O secretário de Segurança foi aplaudido numa casa noturna da Zona Sul e afirmou que não se faz omelete sem quebrar ovos.

2. Como esse tipo de reação é recebida na PM?
– Para a tropa, isso equivale a um “liberou geral”. Os policiais desse caso da Tijuca acharam que seriam heróis por matar bandidos e agora toda a sociedade cai em cima deles. Atos como esse são praticados todos os dias e todo mundo acha certo. A hipocrisia me impressiona.

3. Mas houve um erro claro dos policiais, não?
– Os policiais têm que ser punidos pelo erro, mas execrá-los para purgar as culpas da sociedade é uma crueldade e uma covardia.