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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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A MORTE DA JUÍZA E O CONCEITO DE POLICIAL “OPERACIONAL”

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Desde o dia 25 de setembro que não publico um “post”. Embora venha sendo cobrado para me manifestar sobre o fato de o assassinato da juíza Patrícia Acioli ter sido praticado por PMs, fiquei entalado, sem ter o que dizer, na vã esperança de que um fato novo me mostrasse que não vivia um pesadelo.

Hoje, além de insistir em que, numa corporação de dezenas de milhares de integrantes, este episódio não deve ser debitado à instituição como um todo, entendo ser crucial chamar a atenção para um aspecto que, embora óbvio, não tem sido levado em conta. Refiro-me ao fato de que, na cultura policial do Rio de Janeiro, cristalizou-se um conceito de “policial operacional” totalmente enviesado.

Os PMs acusados da morte da juíza eram considerados “operacionais”, como saiu na mídia. Pergunto: segundo que critérios eles eram assim considerados? Não nos esqueçamos, por exemplo, de que em 1995 um ato do governador instituiu gratificações e promoções “por bravura”, as chamadas gratificações “faroeste”, concedidas aos tidos por “operacionais”, ou seja, aos que participassem de confrontos armados, às vezes com mortes, registradas em “autos de resistência”.

A preocupação com esse problema me acompanha há décadas. Em 1990, escrevi em livro:

“E então o jargão policial consagra dois tipos de policiais: os “bundões” e os “fodões” (perdoe o leitor, mas estas são as expressões usadas); aqueles são os que querem trabalhar dentro da lei; estes os que querem trabalhar a despeito da lei. O conceito de eficiência passa a ligar-se às condutas espalhafatosas e truculentas e a atuações repressivas indiscriminadas. A partir daí nasce a figura do policial dito “operacional”, o que, quando se trata de policial uniformizado, chega a ser cômico”. (Cf. Controle da criminalidade e segurança pública. Rio de Janeiro: Forense, 2ª ed., 1990, p. 165)

Está reaberta a questão: com que conceito de “operacional” a PM do Rio tem trabalhado? O que um policial militar, oficial ou praça, precisa fazer e que comportamento deve exibir para ser considerado “operacional”? E um policial civil, delegado ou agente? E um juiz ou promotor?

Uma coisa é certa: se a PM como instituição trabalhasse com um conceito de operacionalidade técnico-científico, com foco na proteção dos cidadãos e não no combate indiscriminado a “inimigos”, a juíza estaria viva. Tudo sem considerar que truculência policial e corrupção policial são irmãs siamesas, sendo ingenuidade ou má fé incentivar a primeira e querer conter a segunda. Sem erro: a adequada delimitação do conceito de “operacional” reduzirá enormemente tanto uma coisa quanto a outra. Sem isso, o trabalho das corregedorias se reduzirá a enxugar gelo. Ou não?

 

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25 comenários to “A MORTE DA JUÍZA E O CONCEITO DE POLICIAL “OPERACIONAL””

  1. Paulo Xavier (ex- PM) disse:

    Certa vez ouvi do saudoso radialista Haroldo de Andade a seguinte expressão: “A única violência tolerável é a violência usada no combate à violência”. Foi no final da década de 80 e na época concordei com aquela colocação. Hoje os tempos são outros e como a sociedade vai se transformando, uma ideologia hoje pode não ser a mesma de amanhã.
    Cel Jorge da Silva, conheci excelentes policiais, verdadeiramente operacionais sem contudo serem truculentos ou venais. Alguns são meus amigos até os dias de hoje, sempre houve um respeito mútuo a ponto de frequentar suas casas. Quem nunca ouviu falar do Sgt Brito do 12° BPM, hoje Sub Ten Reformado (não saiu capitão porque não quiz…) Operacional, incorruptível, amigo de todos e outras virtudes mais. Creio que ainda existam milhares de sgts Britos espalhados por aí, mas essses não se trnsformam em notícia de jornal.
    É sabido que muita coisa mudou, para pior, mas como disse o Martin Luther King: O que incomoda não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.

  2. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O jornalista Ancelmo Goes publicou recentemente em sua coluna que o TJRJ iria substituir a PM pela CORE na segurança do Tribunal e dos juízes. O CORE é a tropa de choque da polícia civil similar ao BOPE. Essas tropas, segundo os conceitos operacionais, são integradas por “fodões”. Serão eles melhores que os “bundões” para efetuar a segurança do Tribunal e dos juízes? Ou, isso é um equívoco e deve continuar como está?

  3. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Qual seria a diferença?

  4. Paulo Xavier (ex- PM) disse:

    A diferença Cel Jorge, é que aí entra em cena a “Lei de causa e efeito”. Um ser humano por mais austero, honesto e justo que seja, não consegue evitar que um resquício de paixão penetre por uma pequena fresta, quem sabe chamada de ego. Como andará a cabeça de um PM que está com um julgamento marcado para os próximos dias ou meses, mesmo consciente da sua inocência e do dever cumprido?
    O sr tem bastante conhecimento sobre o assunto, com certeza bem mais que eu. Que tal uma aula do professor Jorge da Silva sobre o tema?

  5. Emir Larangeira disse:

    A morte da Juíza Patrícia Acioli tornar-se-á mais absurda se se resumir à identificação e à punição dos autores e culpados, ignorando todas as variáveis que produziram o terrível efeito. Porque, se essas variáveis permanecerem debaixo do tapete, iguais tragédias se repetirão. Dentre essas variáveis às quais me refiro, destaco: a descontrolada explosão demográfica a partir da inauguração da Ponte Rio-Niterói; a diminuição brusca dos efetivos policiais no Município a partir da mesma data (Fusão do RJ com a GB); o crescimento assustador do tráfico de drogas, com o fortalecimento da facção criminosa Comando Vermelho; a diversificação das atividades contravencionais geradoras de corrupção policial; a proliferação de atividades clandestinas como nova fonte de ganho de grupos paramilitares (milícias e/ou grupos de extermínio) formados por policiais, ex-policiais e marginais comuns com fachada de “empresários”: transporte alternativo, gatonet, venda clandestina de gás de cozinha, camelotagem de pirataria chinesa etc.
    Todas essas ilicitudes não seriam causas do recrudescimento dos crimes de sangue em São Gonçalo? Ou seria tudo culpa da impunidade, que é característica da sociedade brasileira? A juíza teria sido assassinada se o Município tivesse recebido a devida atenção do Estado inventor da fusão e da ponte? Por que uma só juíza a cuidar de criminalidade tão violenta quanto visível, tendo de punir criminosos, de um lado, e policiais matadores de criminosos estimulados em épocas anteriores em que se premiava a matança com promoções, medalhas de bravura e pecúnia? Quem enfiou a cultura da matança premiada na cabeça do rebanho não teria sua parcela de culpa, ou até toda a culpa? Só que antes todos aplaudiam o modelo que hoje fingem condenar em indignação diante da tragédia particular do assassinato da juíza.
    Cá entre nós, não basta trocar o comando do batalhão como resposta ao grave incidente, assim como é insuficiente restringir a responsabilidade da morte dela aos que a materializaram em violência animalesca. É preciso ir além do espanador que só transfere de lugar a poeira acumulada, esta, que o vento do descaso trará de volta. Em outras palavras, e já que é moda, o hoje socialmente desordenado Município de São Gonçalo, que antes da fusão do RJ com a GB era uma província tranquila e bem policiada, necessita de um “choque de ordem”; necessita de “invasão militar-policial e reconquista” tal como se fez no Complexo do Alemão; enfim, necessita de muitas UPPs e “UPPs Sociais”, para que episódio semelhante ao da morte da Juíza Patrícia Acioli não se repita nem com um pé de poeira, que tem o mesmo direito à vida. Ou não?…

  6. jorge disse:

    Caro Larangeira,
    É isso mesmo.

  7. paulo roberto disse:

    Caro Prof. Jorge, o senhor como sempre tocou num ponto essencial. A hipocrisia da sociedade brasileira que cria e usa eufemismos para mascarar a verdade daquilo que ela realmente quer. “Operacional”, no jargão atual, não é o policial que sabe onde, como e porque se utilizar da violência para proteger a terceiros e a si mesmo. “Operacional” significa aquele que mata. E quanto mais matar, mais “operacional” será. Triste reflexo de uma sociedade que sempre quis imbecis assassinos para prover sua segurança. O problema é que uma força armada e sem nenhum controle não demora muito a perceber que, afinal de contas, por que ela iria se limitar a fazer o trabalho sujo da sociedade? Por que não fazer bom proveito da sua condição? É mais ou menos como aquela história – e não vai aqui nenhum desrespeito, por favor – do sujeito que arruma um cão de guarda e ao invés de adestrá-lo para sua proteção, de tratá-lo adequadamente, de lhe dar um mínimo de carinho e atenção, o trata como um animal selvagem, não lhe dá alimentação nem cuidados, maltrata o bicho ao extremo e o insufla contra a vizinhança. Resultado: criou um cachorro louco. Cachorro louco que, mais dia menos dia, vai atacá-lo ou a alguém da sua família. E a pergunta é: como se coloca a coleira de volta nesse cachorro louco? Sei que existem muitos Policiais Militares honestos, pessoas de bem, homens honrados. Tenho amigos Policiais Militares. Mas, tenho certeza, que esses homens de bem vivem acuados. Têm medo. O BEP é um bom exemplo. Será possível que a Polícia Militar não consiga ter um presídio minimamente organizado? Não existe ninguém capaz de colocar ordem no BEP!? Bom, acredito que exista, mas tenho a convicção pessoal de que aqueles honestos o bastante para realizar tal tarefa têm medo. Medo de morrer como morreu a Dra. Patrícia Acioli, ou como poderia ter morrido qualquer um de nós que trabalhávamos com ela em São Gonçalo. Acredito que fenômenos como as milícias, como a chacina da baixada, como o assassinato brutal de Patrícia, são sintomas de que o “cão de guarda” se tornou um “cachorro louco”. E aí, só resta àqueles que amam a PM, que são policiais honestos e conscientes do seu dever, unirem-se e pensar como combater o câncer de violência e corrupção que está corroendo esta instituição bicentenária, sem a qual não pode haver democracia nem liberdade. De fato, a crise gravíssima pela qual passa a Polícia Militar – e que não será resolvida como uma questão de mudança de imagem – é a crise do Estado Democrático de Direito, é a crise das instituições, é a crise de um país onde a impunidade e o crime se tornaram regra, e não exceção.

    abs, Paulo Roberto

  8. Freire disse:

    Prezado amigo Larangeira.Provavelmente muitos me condenarão pe
    lo que vou dizer.Em princípio, qualquer morte para mim, seja lá quem for,é consequência da dualidade existencial:vida/morte. Mas
    no caso da Juíza Patrícia era uma morte anunciada. Se todo marginal condenado matasse o Juíz que o condenou, não haveria
    nenhum Juíz para proferir qualquer sentença.O que matou a Juíza
    foi sua arrogância, prepotência e parcialidade. O que matou a Juíza
    foi a promiscuidade no seu relacionamento pessoal e as suas andan-
    ças por lugares incompatíveis com a sua posição de Magistrada.O
    que matou a Juíza era o fato dela se dirigir ao Juri, mesmo antes
    de serem apresentadas as provas contra o acusado, dizendo para ele (Juri) que o réu teria que ser condenado.O que matou a Juíza
    foi o fato de nos sumários tentar mudar os depoimentos e previamente condenar o réu por antecipação. O que matou a Juíza
    foi o fato dela generalizar como se todo mundo fosse um criminoso
    em potencial.Na verdade ela criou uma aurea de ódio em torno de sua pessoa e aí deu no que deu.Não podem
    os esquecer também a qualidade de nossos atuais PM. Abraços do
    amigoFreire

  9. jorge disse:

    Caro Freire,
    Deixa ver se entendi. Para você, a juíza cometeu suicídio. E os que a mataram não são assassinos, e sim vítimas dela. É isso?

  10. jorge disse:

    Caro Paulo Roberto,
    Os PMs que verdadeiramente amam a Corporação (a esmagadora maioria dos cerca de 40 mil) hão de compreender que o amigo fala com o coração, e que quer o bem da PM. Hão de dar um desconto à sua comparação.

  11. Martha Veras de Castro Mello disse:

    Caro Professor Jorge da Silva,
    Na qualidade de leitora do seu blog e cidadã do Estado do Rio de Janeiro, venho aqui colocar meus protestos das palavras ecristas pelo também leitor Freire.
    Juro que não entendi nada. Escreve ele no último parágrafo: “Não podemos esquecer também a qualidade de nossos atuais PM. Abraços do amigoFreire”
    No entanto o mesmo Sr. Freire Sataniza a nobre Juíza Patrícia Acioli .“E então o jargão policial consagra dois tipos de policiais: os “bundões” e os “fodões” (perdoe o leitor, mas estas são as expressões usadas); aqueles são os que querem trabalhar dentro da lei; estes os que querem trabalhar a despeito da lei. O conceito de eficiência passa a ligar-se às condutas espalhafatosas e truculentas e a atuações repressivas indiscriminadas. A partir daí nasce a figura do policial dito “operacional”, o que, quando se trata de policial uniformizado, chega a ser cômico”. (Cf. Controle da criminalidade e segurança pública. Rio de Janeiro: Forense, 2ª ed., 1990, p. 165) ” Ora, ora, ora, ora; Sr. Freire só faltou chamar a Juiza de Maria Madalena; O Cara atirou a primeira pedra ? Isso ? Mandou soltar Barrabas ? PIREI ! Lamentável ! Deve ser um CAVEIRA postanto. Acertei ?
    O Sr. Freire se enquadra no seu post.

  12. Freire disse:

    Caro Jorge. Claro que não. Nem ela cometeu suicídio e nem os que a mataram são vítimas.O que eu disse são fatos do domínio público.
    Quanto aos assassinos a PM está cheio deles, como está cheia de ladrões,achacadores, etc…Matar não justifica, mas pesquise e você
    entenderá o que eu disse.Freire

  13. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Apesar da metáfora usada pelo nosso amigo Paulo Roberto não ter sido das melhores, em tese, contém muitas verdades. A sociedade sempre aprova as execuções de negros ou cidadãos das favelas ou periferias com a seguinte leitura; “A polícia matou bandidos”. Assim, são criados e desenvolvidos os “monstros”. Um caso emblemático foi o da execução de dois negros desarmados e correndo como antílopes terem sido mortos por tiros disparados por policiais que estavam no helicópteros da polícia. Esse fato foi filmado e veiculado em diversos canais de televisão. Ninguém teve dúvida que foram execuções. No entanto, foi lavrado o “auto de resistência” e corroborado pelas autoridades competentes na repressão penal. Do mesmo modo, nenhuma entidade civil, nenhuma liderança política, nenhuma liderança social protestou contra aquelas execuções. Isso significa que foi colocado o carimbo fictício “APROVADO PELA SOCIEDADE”. Os mortos da favela têm direito a serem notícias um dia nos jornais. Depois, o silêncio eterno, pois somente aparecerão em gráficos estatísticos. Esses crimes ficarão impunes. Enquanto não for apurado os crimes das periferias com a responsabilização penal dos autores, independentemente da condição étnica ou econômica, das vítimas, aumentará a probabilidade de execução de mais juízes, deputados, promotores, coronéis, empresários etc. Até lá, os “matadores” continuarão a ser os policiais mais valorizados nos “bicos” de segurança particular.

  14. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Corrigenda – Onde se lê: ” Enquanto não for apurado etc. leia-se: Enquanto não forem apurados etc.

  15. Martha Veras de Castro Mello disse:

    Caro Professor Jorge da Silva,

    Uma análise da opinião do leitor Freire

    “Caro Jorge. Claro que não. Nem ela cometeu suicídio e nem os que a mataram são vítimas. O que eu disse são fatos do domínio público.”

    Tais desastrosas afirmações MACHISTAS e, alopradas, são frutos da mesma sociedade elitizada que conclama O POVO, no caso, o pobre trabalhador fardado PM que recebem tais mensagens subliminares!

    “Joga pedra na Geni
    Joga bosta na Geni
    Ela é feita pra apanhar
    Ela é boa de cuspir
    Ela dá pra qualquer um
    “Maldita Geni”
    Chico Buarque

    Geni: É uma canção extremamente crítica de Chico Buarque e sua crítica à hipocrisia social e ao falso-moralismo religioso dos moralistas da época de sua criação ocorre por meio da ironia. Assim, a ironia é o elemento subversivo que relativiza os sujeitos, os mundos e os poderes existentes na canção. A crítica feita pela ironia quase cínica da canção a retira do tempo cronológico datado e a eleva à condição atemporal própria do discurso estético. Para tratar desse aspecto é que analisaremos como a construção estética da canção revela a discriminação e o comportamento hipócrita da sociedade, que clama e aclama Geni ao precisar de seus serviços ou, sem estar em suas mãos, a apedrejam. Da mesma maneira, trataremos das vozes sociais representadas pelas figuras do comandante, do prefeito, do governador, do bispo, dos banqueiros, dos ministros dos STF, STJ, STM, STE e STT, também os conselheiros de todos os Tribunais de Conta estaduais e municipais, sem contar e da cidade e da coerção sobre Geni. Imagens de sujeitos no tempo e no espaço da canção e do mundo, deixando em suspenso e em aberto, para reflexão, a sanção delegada a Geni pela cidade, que representa todos nós.
    Boa noite !

  16. Freire disse:

    Sra. Martha Veras. Não sou nenhum caveira. Ao contrário, admiro muito mais os policias que diuturnamente enfrentam os marginais
    em suas simples viaturas, com armamento limitado, do que o pessoal
    do Bope que normalmente age em grupos numerosos, com ar-
    mas pesadas e armamento mais sofisticado.Sou apenas um PM que
    durante 32 anos jamais compactuou com a violência desnecessária
    e com a corrupção , hoje tão arraigada nos quadros da polícia.Aprendi a fazer polícia não somente na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, mas vendo tratando e pelejando.O que mudou em nossa
    sociedade não foram os bandidos, mas a polícia, Por
    isso eu disse que não podemos esquecer a qualidade de nossos po-
    liciais hoje em dia. Quanto a Juiza Patrícia Acioli, não desejei chamá-la
    de Maria Madalena, mas mostrar que ela era odiada pelos maus policiais e temida pelos bons, pela sua intolerância, arrogância e parcialidade. Na verdade no caso em tela não podemos ser cretinos e nem cabotinos.Quanto a Pm, apezar de tudo, no Estado é o único órgão que realmente presta serviço à população. Ruim com ela, pior sem ela.

  17. Freire disse:

    Corrigenda: onde se lê apezar, leia-se apesar.

  18. paulo roberto disse:

    Caro senhor Freire, vamos deixar uma coisa muito clara. TUDO que o senhor irresponsavelmente declarou no seu post de do dia 26 de outubro não passa de deslavada MENTIRA. Eu, como Promotor de Justiça que atuou ao lado da Dra. Patrícia Acioli durante oito anos, desafio o senhor a provar qualquer destas alegações mentirosas e covardes. Pessoas como o senhor, senhor Freire, que levianamente falam sobre coisas e pessoas sobre as quais não tem o menor conhecimento, são também responsáveis pela morte de Patrícia. Pessoas como o senhor, senhor Freire, que desconhecem o que é um processo judicial ou um julgamento pelo Tribunal do Júri, é que criaram a fama de que Patrícia era a responsável por tudo o que acontecia na 4ª Vara Criminal. Com ela trabalhavam, no mínimo, 4 Promotores de Justiça, 2 Defensores Públicos, além de inúmeros advogados. Todas as decisões e sentenças foram submetidas ao crivo do Tribunal de Justiça em inúmeros recursos e Habeas Corpus. Eu mesmo fiz as mais de 70 Denúncias envolvendo Autos de Resistência Fraudados. Aqueles que foram condenados no Júri de São Gonçalo o foram por que eram MARGINAIS ASSASSINOS, que desonravam a farda que vestiam. Não é admissível que FOFOCAS ridículas e sem nenhuma base na realidade continuem a ser espalhadas por pessoas sem ética, sem consciência, que não respeitam nem a memória de uma pessoa morta por um bando de imbecis covardes que, travestidos de policiais, macularam a Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Mas quero deixar duas coisas claras para o senhor Freire: 1) o trabalho continua do mesmo modo e todos os ASSASSINOS FARDADOS serão presos, processados e condenados (vamos ver agora quem pessoas como o senhor, senhor Freire, irão culpar); e 2) declaro e aviso que vou comunicar a família da magistrada para que tome as devidas providências legais e o senhor Freire tenha a oportunidade de PROVAR JUDICIALMENTE tudo o que declarou aqui com tamanha ligeireza. Lamento que comentários pedestres e irresponsáveis como os do Senhor Freire sejam admitidos neste blog que, até hoje, sempre primou pelo alto nível das discussões.

  19. jorge disse:

    Caro Paulo Roberto,
    Hesitei em postar o comentário do Sr. Freire, pois é norma do blog não admitir ofensas pessoais e acusações no vazio. Mais ainda em se tratando de alguém que não pode se defender. Porém, minha perplexidade foi tamanha com o comentário que resolvi postá-lo, o que me possibilitava a oportunidade de dar uma resposta que mostrasse o que, para mim, se constituía em gritante absurdo.
    Na verdade, esqueci-me do mérito do comentário. Grave. Concordo: não devia ter publicado.

  20. paulo roberto disse:

    Professor, minha estima, admiração e respeito pelo senhor só crescem. Me acostumei a ver no seu blog um local de debate no mais alto nível, sendo sempre um prazer acompanhá-lo e participar. Sem dúvida, isso continuará assim.

    Forte Abs, Paulo Roberto

  21. Rita Maria Nicola disse:

    Caro prof. Jorge da Silva,
    Respondo ao Sr. Freire: a juíza Patrícia Acioli era odiada pelos maus policiais porque sabiam que ela não tinha medo deles. Infelizmente, ‘pagou’ o preço da ‘não impunidade’ com sua própria vida, pois praticamente todos que a assassinaram já possuíam em suas fichas funcionais várias transgressões.
    Quanto aos bons policiais, que tenho por certo ser 99% da corporação, não acredito que fosse temida por eles, porque sabiam que a juíza fazia justiça sempre.
    E ainda, pergunto ao Sr. Freire: o que é domínio público? […] Quer dizer que a vida particular da juíza é de domínio público? Quer dizer que ela foi condenada a morte por conta de um ‘relacionamento pessoal’? Quer dizer que ela foi assassinada por frequentar lugares que uma juíza não poderia frequentar? Que lugares são esses ‘proibidos’, que o senhor frequentava também, pois, pra’ ter certeza que ela frequentava, teria que estar lá!?!? Bares, restaurantes, clubes? Isto é um absurdo!
    Não está em julgamento o que uma cidadã (seja ela juíza ou não) faz de sua vida privada. O que interessa é o que ela foi como profissional, sempre correta e coerente em toda sua carreira jurídica e, até antes de ser juíza.
    Detalhe: como sou advogada, acompanho a carreira da mesma há muitos anos e nunca me preocupei em acompanhar sua vida privada e sim, suas sentenças…
    Parabéns, prof. Jorge, por trazer a baila o tema em questão e ainda, pela sua coragem de postar todos os comentários.

  22. Humberto Nascimento Lourival disse:

    Sr. Freire, que parcialidade existe na decretação da prisão de dezenas de PMs que se desviaram de suas funções? Talvez o senhor devesse ler alguns inquéritos policiais da 72 DP, sobre a ação de grupos de extermínio e autos de reristências forjados em São gonçalo. O assassinato da catadora de lixo Valdira Godinho é um exemplo clássico, objeto do IP 260/0072/10. Ela foi morta com um tiro de fuzil no olho, numa operação “clandestina” do GAT do 7ºBPM, em 08/05/2010, na Favela do Rato Molhado, no bairro Fazenda dos Mineiros. Valdira estava no lugar errado, na hora errada. Na pág 3 do referido inquérito, se vê uma citação a uma prática que até pouco tempo era muito comum nas unidades “operacionais” do referido batalhão: “‘a guarnição entrou na comunidade atirando e gritando -NÃO TEM ARREGO ENTÃO TEM BALA “. O arrego já tinha sido pago horas antes para outra guarnição… Sobrou para a pobre, literalmente, da Valdira, que apenas caminhava pela favela. Tentaram forjar um auto de resistência, mais um entre tantos… 2 dos 7 PMs dessa “operação” estão entre os presos pelo assassinato da Juíza Patrícia Acioli, minha prima. Mesma parcialidade ao decretar a prisão de todo o GAT do tenente Benitez, que matou um garoto deficiente mental e tentou forjar um auto de resistência, plantando drogas e uma arma junto ao corpo da vítima? Quantos Diegos e Valdiras seriam necessários para não caracterizar a parcialidade que o sr se refere? Afirmar que o que matou a juíza foi sua andança por lugares incompatíveis com sua posição social é um argumento repugnante e preconceituoso. Mesma repulsa dedico a todas as suas opiniões, desprovidas de fundamentos. O que matou a juíza foi sua coragem, coisa que anda faltando a outros magistrados, especialmente da capital, que costumam fazer vista grossa para abusos e atrocidades cometidas pela PM.

  23. olga valle disse:

    Sr freire, reli várias vezes seu discurso… como é preconceituoso! Espero, sinceramente, que a família da juíza Patricia chame o senhor em juizo para provar o que declarou. Sou professora pública, trabalhei em são gonçalo, no CIEP que atendia crianças e adolescentes da comunidade do Rato Molhado, ouvi inúmeros relatos de alunos da maneira como a PM atuava naquela comunidade… não tive a coragem da magistrada e me exonerei.
    Espero que os mandantes e executores desse crime covarde, bárbaro apodreçam na cadeia, para eles pediria pena de morte… corruptos, covardes…mas o Estado não deveria sair impune dessa ação… por que o TJ não garantiu a segurança da juíza?

  24. Wanderby disse:

    Sr Cel
    Ouso carrear o presente para apresentar minha modesta concordância com o que escreveu.
    Ressalto que cerca de uma semana antes do lastimável episódio, a Juíza Patricia Acioli esteve na Corregedoria da PM conversando durante uma tarde inteira sobre possibilidades de redução da letalidade em São Gonçalo e no RJ como um todo. Foi agendado com o Corregedor, Cel Menezes, um novo encontro.
    Já nutria admiração pela Juíza desde 2005, quando, na condição de Subcomandante do Batalhão de São Gonçalo, encontramos nela (eu e o Comandante, então Tenente-Coronel Menezes), veemente apoio para a lavratura do termo circunstanciado de ocorrência.
    Acreditávamos que poderíamos mudar o ethos da tropa, focando sua atuação na mediação de conflitos e profissionalizando de fato suas ações.

  25. Licia Souza disse:

    Prof. Jorge da Silva,
    As suas postagens são muito pertinentes e, acima de tudo, constituem verdadeiras aulas. Ressalto, ainda, a sua coragem de expor as mensagens que nem sempre são “simpáticas” aos seus seguidores.

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