- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO… (II)

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(Nota: Esta postagem complementa a anterior, abaixo: O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DOS BOMBEIROS (E DOS PMs)

Consideradas áreas essenciais do Estado liberal, Saúde, Educação e Segurança são aquelas que empregam os maiores contingentes de profissionais. Áreas que, além dos vultosos dispêndios com pessoal, sobrecarregam-se com a construção e manutenção de numerosos hospitais, escolas, quartéis, delegacias e prisões, e a aquisição de equipamentos, ambulâncias, aeronaves, embarcações, viaturas, armamento, combustível, uniformes, alimentação etc.

O caso dos Bombeiros é exemplar. Trata-se, sim, de grande quantidade de profissionais altamente qualificados e de equipamentos caríssimos. Daí, embora todos reconheçam a importância social desses servidores, como ninguém deixa de reconhecer a dos profissionais das demais “áreas essenciais”, os baixos salários são sempre justificados com base nesse fato. Como se tivesse que ser assim mesmo, necessariamente. Ao longo das décadas, ouve-se: “São muitos; qualquer aumento na base extrapola o orçamento”, racionalização igualmente utilizada quando se trata do pessoal da educação e da saúde. Sim, são muitos; e daí? Talvez seja em função desse raciocínio que, para categorias pouco numerosas, o céu é o limite… Em suma, o critério adotado no Brasil não é o da relevância social da função nem a qualificação.

Ora, se o orçamento não dá para pagar condignamente tantos profissionais, por que não seguir a lógica capitalista? Ou se aumentam os percentuais do orçamento para esse fim ou não se aumentam os efetivos. Quanto aos orçamentos, trata-se de escolher as prioridades. A desculpa de que não há dinheiro é falaciosa, uma pilhéria. De onde viria a dinheirama para a festa de obras faraônicas e desnecessárias, como as “pontes que ligam o nada a lugar nenhum”; para mensalões e mensalinhos; para sanguessugas da saúde; para renúncias fiscais bilionárias; para financiar superfaturamento de obras e serviços; para alimentar “caixas de campanha” etc. etc.? Faz sentido; nesse contexto, salários só atrapalham.

Inaceitável é insistir na esquizofrênica equação de aumentar, aumentar e aumentar o número desses servidores, enquanto, em termos reais, promove-se o achatamento dos seus salários. Pior: ver, dentro das corporações, a cúpula lutando pelo aumento, não dos salários, mas dos contingentes. Pior ainda: ouvir, de quem só fala em qualidade dos serviços, a afirmação de que esses profissionais não deveriam reclamar, pois quando entraram sabiam que o salário era baixo. Cínicos! Repito-me: um dia a corda arrebenta.

Em tempo. Lembro-me de quando aprendia regra de três simples: “Se, com R$ 20.000,00, um patrão paga R$ 1.000,00 por mês a vinte empregados, se aumentar o número de empregados para quarenta, quanto pagará a cada um com os mesmos R$ 20.000,00?