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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS BOMBEIROS

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(Nota prévia. Republico abaixo, a propósito dos protestos e da prisão dos bombeiros do Rio de Janeiro, postagem que publiquei em 18 de maio de 2009 (Direitos humanos e Cidadania dos PMs). Nos dois casos (PMs e BMs), a pergunta a fazer é a seguinte: o que esperar de profissionais aos quais, no Brasil inteiro, são vedados os direitos reconhecidos aos demais trabalhadores, e dos quais se exige que recebam salários de fome sem reclamar? Não pode dar certo. Obs: Onde se lê PMs, leia-se BMs.)

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS PMs

Este texto objetiva trazer à baila o problema da negação de direitos aos policiais-militares. A análise é confinada aos conceitos de direitos humanos e de cidadania, os quais, embora intimamente relacionados, não possuem o mesmo significado, como se sabe. Inobstante este fato, cumpre aclarar a distinção entre ambos, a fim de mostrar a forma diferenciada como afetam o dia-a-dia desses profissionais.

Os¬†direitos humanos s√£o inerentes a todos os seres enquanto tais, independentemente do lugar do mundo em que tenham nascido e de no√ß√Ķes como condi√ß√£o social, fen√≥tipo, origem etc. Assim, por exemplo, s√£o iguais, como humanos, o milion√°rio e o mendigo, o juiz e o ladr√£o, o general e o soldado. Nenhum deles pode ser submetido a tortura, f√≠sica ou mental, nem exposto ao esc√°rnio p√ļblico. S√£o direitos universais indispon√≠veis, pois pairam acima das id√©ias de soberania nacional, p√°tria etc., mesmo em regimes ditatoriais.

J√° a¬†cidadania refere-se √† condi√ß√£o em que os grupos humanos s√£o inseridos numa sociedade nacional espec√≠fica, √† luz do ordenamento jur√≠dico, resumido no brocardo ‚ÄúIgualdade perante a lei‚ÄĚ. Tem a ver com direitos e deveres e com a cultura local. Exemplificando. N√£o faz tanto tempo que a Constitui√ß√£o da Rep√ļblica vedava √†s pra√ßas de pr√©, √†s mulheres e aos analfabetos o direito de votar e ser votado. Ao brasileiro de 16 anos √© garantido hoje o direito ao voto, por√©m s√≥ os maiores de 18 s√£o considerados adultos pela lei penal. Ainda: em certos pa√≠ses, a¬†cidadania do homem inclui o direito de possuir duas ou mais esposas, o que, em outros, como o Brasil, √© crime.

V√™-se, portanto, que, num caso, estamos falando do ideal da igualdade absoluta, tendo como refer√™ncia a pr√≥pria condi√ß√£o humana; no outro, de igualdade ‚Äúregulada‚ÄĚ pelo Estado, referida ao aparato legislativo, do qual, n√£o raro, promanam disposi√ß√Ķes que afrontam os¬†direitos humanos.

No caso dos PMs, a distin√ß√£o praticamente se neutraliza, de vez que √© not√≥ria a indiferen√ßa da sociedade tanto para com a crescente quantidade de mortos, incapacitados e expostos a riscos desnecess√°rios (direitos humanos) quanto para com os seus aviltantes sal√°rios, condi√ß√Ķes de trabalho e parcos direitos sociais (cidadania).

No que tange aos seus¬†direitos humanos, tendo em vista que o Estado, em qualquer sociedade, √© o seu principal violador; e que os policiais (em especial os PMs) s√£o os agentes p√ļblicos mais vis√≠veis, resulta dif√≠cil chamar a aten√ß√£o da popula√ß√£o para o fato de que, na luta contra o crime, esses profissionais s√£o muito mais v√≠timas do que vitimizadores. V√≠timas n√£o s√≥ dos bandidos, mas, sobretudo, dos orquestradores p√ļblicos e privados da viol√™ncia estatal. Estes, depois de ati√ßarem os PMs de modo a que se lancem na ‚Äúguerra‚ÄĚ como camicases urbanos, voltam-lhes as costas quando, aos olhos da m√≠dia, algo sai errado. A√≠, para salvar a pr√≥pria pele, esgueiram-se ardilosamente pelos desv√£os da irresponsabilidade, sem se inibirem de engrossar o coro dos que execram publicamente os policiais azarados. Pior: n√£o se pejam de pegar carona nos enterros de PMs para, fingindo solidariedade √† fam√≠lia e ao falecido ‚Äď feito ‚Äúher√≥i-morto‚ÄĚ ‚Äď, aproveitar a ocasi√£o para refor√ßar o seu proselitismo.

Em se tratando especificamente da sua¬†cidadania, bastar√° um ligeiro exame da Constitui√ß√£o e da legisla√ß√£o espec√≠fica para situar a condi√ß√£o em que os PMs s√£o inseridos na estrutura da sociedade brasileira. Ver-se-√° que, sem sombra de d√ļvida, se trata dos trabalhadores com a maior carga de obriga√ß√Ķes e a menor parcela de direitos. Dos brasileiros com a maior carga hor√°ria de trabalho, comparados aos de qualquer outra atividade ou institui√ß√£o. Sen√£o vejamos.

Ao¬†trabalhador brasileiro em geral s√£o impostos deveres e reconhecidos direitos, tais como, dentre outros: jornada m√°xima de 44 horas semanais, hora extra, repouso semanal remunerado, f√©rias anuais, direito de greve etc.; ao¬†servidor p√ļblico em geral s√£o tamb√©m garantidos os mesmos direitos, mas seus deveres v√£o al√©m, como, por exemplo, a proibi√ß√£o de intermediar interesses, de participar de firmas que contratem com o governo, de manifestar-se publicamente sobre assuntos do servi√ßo sem autoriza√ß√£o etc.; ao¬†servidor p√ļblico policial civil s√£o impostas restri√ß√Ķes maiores, expressas em estatuto e em regulamento disciplinar pr√≥prios, tornando-o pass√≠vel at√© mesmo de pris√£o administrativa. No caso do¬†servidor p√ļblico ¬†PM, ademais de se somarem todos esses deveres e veda√ß√Ķes, paira sobre a sua cabe√ßa, na condi√ß√£o ‚Äúespecial‚ÄĚ de¬†militar, atribu√≠da a ele pela Constitui√ß√£o, a espada de D√Ęmocles do regulamento disciplinar e do C√≥digo Penal Militar, que o obrigam a estar √† disposi√ß√£o da Corpora√ß√£o, sem direito de reclamar, durante as 24 horas do dia, os 365 dias do ano, proibido inclusive de executar, mesmo nas horas de folga, alguma atividade para complementar a renda familiar. Hora extra? Repouso semanal? Direito de greve, de sindicato? Nem pensar‚Ķ Em suma, o PM √© submetido a uma esp√©cie de¬†capitis deminutio maxima (perda total da cidadania): n√£o desfruta os direitos do trabalhador comum, nem os do servidor p√ļblico em geral, nem os do policial civil.

Curiosamente, nada disso sensibiliza os detratores da PM, que s√≥ se interessam pelos erros e desvios de conduta. Em vez de o risco de morte e as limita√ß√Ķes de¬†cidadania assegurarem aos PMs compensa√ß√£o pecuni√°ria ou alguma prerrogativa ‚Äď como era de se esperar ‚Äď, acarretam-lhe, ao contr√°rio, menosprezo e as conhecidas desqualifica√ß√Ķes. De nada adianta falar nas centenas de milhares de a√ß√Ķes corretas e merit√≥rias. Ora, que tipo de seguran√ßa pode oferecer √† popula√ß√£o algu√©m que sai para trabalhar inseguro, e revoltado com a forma preconceituosa como √© tratado, sem saber se vai voltar para casa ao fim do dia? Algu√©m cuja retribui√ß√£o salarial √© insuficiente sequer para habitar com a fam√≠lia em condi√ß√Ķes condignas, e sem ver atendidas as necessidades b√°sicas dos filhos? Algu√©m sob permanente tens√£o que, em rela√ß√£o √† popula√ß√£o como um todo, √© muito mais vulner√°vel a doen√ßas ocupacionais como o estresse, a hipertens√£o, dist√ļrbios neurol√≥gicos, depress√£o etc., que podem lev√°-lo ao alcoolismo e, no limite, ao suic√≠dio, como frequentemente ocorre?

O que causa espanto √© como os PMs, inobstante tanta desvaloriza√ß√£o, n√£o esmorecem, parecendo n√£o se darem conta de que foram erigidos pelo pr√≥prio ‚Äúsistema‚ÄĚ a bodes expiat√≥rios da sociedade! E que assumam como unicamente sua uma ‚Äúguerra‚ÄĚ que n√£o foi inventada por eles! Guerra in√ļtil, insana (ou de prop√≥sitos inconfess√°veis‚Ķ). Como podem seguir iludidos, sem refletir sobre o fato de serem usados como pe√ßas descart√°veis de uma engrenagem que mal conhecem?

Em benefício de todos, é indeclinável a necessidade de que os policiais-militares tenham o seu status social elevado, o que dependerá tanto da determinação dos mesmos em repensar a Instituição (e de fugir ao papel subalterno a que se têm submetido de forma passiva) quanto da compreensão da sociedade de que isto é do seu próprio interesse. Numa democracia de fato, os policiais são a primeira linha de defesa dos direitos humanos (sic). De todos, incluídos os seus.

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19 comenários to “DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS BOMBEIROS”

  1. José Carlos B. Braga disse:

    Caro Jorge,
    Agradeço a distinção como destinatário.

    O texto aborda, com muita clareza e propriedade, como √© peculiar ao autor faz√™-lo, o “papel social” que Governos e Sociedade resolveram destinar √†s PMs: “Bombril “! T√™m “mil e uma utilidades”, custam muito barato, podem ser empregados como melhor se entender faz√™-lo, a qualquer tempo e por qualquer tempo, com a grande vantagem de serem seus integrantes totalmente “descart√°veis” sem maiores riscos “ao ambiente” sempre que se mostrem absolutamente gastos, in√≥cuos ou inconvenientes! E isto tamb√©m se aplica ao Corpo de Bombeiros que, no caso do Rio de Janeiro, √© uma corpora√ß√£o √† parte.

    Consolidei essa concepção quando no CSPM, em 1986, e tive oportunidade de mencioná-la em Trabalhos Técnicos e de manifestá-la durante questionamento a palestrante, no caso o então Secretário Estadual de Fazenda,Cesar Maia.

    Entendo que se um servidor √© submetido a regime especial de trabalho, que lhe imp√Ķe condi√ß√Ķes especiais e restri√ß√Ķes reivindicat√≥rias, a ele deve ser dado tratamento especial correspondente e absolutamente proporcional
    aos deveres e √†s atribui√ß√Ķes que lhe s√£o impostos.

    H√° muito o que se fazer nesse sentido!

    No caso atual, a reivindicação é justíssima! Absolutamente inquestionável!
    J√° a forma como foi conduzida a manifesta√ß√£o, sobremodo no seu final, mostrou-se-me equivocada, imatura, conden√°vel. Incompat√≠vel com o comportamento que se espera da categoria, tanto quanto o aviltante sal√°rio e as p√©ssimas condi√ß√Ķes de trabalho que lhes concede o Governo.

    Sauda√ß√Ķes,
    José Carlos.

  2. jorge disse:

    Caro José Carlos,
    Também achei condenável a invasão do quartel central.

  3. Luiz Fernando Medina disse:

    Caro Jorge:

    Realmente os meios utilizados pelos nossos amigos bombeiros n√£o justificam os fins. Tamb√©m n√£o √© justific√°vel a forma como est√£o sendo tratados. Se fossem bandidos n√£o passariam a noite presos dentro de um √īnibus, sem as m√≠nimas condi√ß√Ķes inerentes √† dignidade humana.
    Penso que seria oportuno indagarmos: qual a forma legal do militar reivindicar aumento salarial? Sabemos todos, que os comandantes das corpora√ß√Ķes militares, s√£o na pr√°tica representantes dos governos junto √†s corpora√ß√Ķes do que representantes das corpora√ß√Ķes junto aos governos.
    Possuem remuneração maior que seus pares, que na prática funciona como um anzol cravado na garganta.
    Deixe-me parar por aqui.
    Medina pequeno.
    Sabemos que os comandantes s√£o escolhidos pelo crit√©rio pol√≠tico e portanto n√£o s√£o leg√≠timos representantes das suas corpora√ß√Ķes

  4. Emir Larangeira disse:

    caro Cel Jorge

    Seu texto √© lapidar e deveria ser lido, compreendido e praticado pelos jovens que hoje comandam os destinos da PMERJ e do CBMERJ em vista dos del√≠rios de pol√≠ticos que, como t√£o bem exp√Ķe o estimado cel Jos√© Carlos Barbosa Braga, tratam os valorosos integrantes dessas institui√ß√Ķes como esponjas de a√ßo descart√°veis. Com a sua permiss√£o, vou postar seu artigo no meu blog, inserindo tamb√©m os l√ļcidos coment√°rios.

  5. geraldo josé piancó disse:

    Caro Jorge,
    Ontem tive a oportunidade de ouv√≠-lo na CBN.As suas coloca√ß√Ķes foram inquestion√°veis.Infelizmente acredito que o primeiro mandat√°rio do nosso Estado n√£o tenha tomado conhecimento.Como voce esclareceu a reinvindica√ß√£o √© justa, todavia a maneira de reinvindic√°-la n√£o ocorreu de maneira correta.Tamb√©m n√£o podemos critic√°-los no momento que os homens que salvam vidas vivem com um sal√°rio de fome,
    Parabens pelo esclarecedor texto.
    Um grande abraço de Piancó

  6. renatohottz disse:

    Caro amigo: quando possu√≠mos a oportunidade de vivenciar o poder, percebemos o quanto √© dif√≠cil conviver com ele e com as rela√ß√Ķes que nos s√£o impostas. Sinto-me envergonhado pelo governo que temos. O governador vem se notabilizando por ofensas proferidas contra profissionais de diversas categorias que, certamente, s√£o mais produtivas que ele vem demonstrando ser. √Č, absolutamente,inaceit√°vel a maneira como este cidad√£o se comporta diante das cr√≠ticas e dos questionamentos feitos ao seu desgoverno. Concordo com os companheiros que discordam da forma mas a ess√™ncia √© justificadora, diante de tanto cinismo. Ab√ßs. Hottz

  7. caio disse:

    Sua entrevista na CBN disse tudo.Será que os políticos absorveram e farão alguma coisa ? Vamos esperar.

  8. jorge disse:

    Caro Caio, o que eu disse na entrevista √© o que qualquer profissional diria. O problema √© que dificilmente perguntam a n√≥s, sobretudo depois da recente prolifera√ß√£o de ‚Äúespecialistas em seguran√ßa‚ÄĚ.

  9. Jorge Marcos disse:

    Prezado amigo.
    J√° n√£o tenho √Ęnimo para comentar sobre esta vergonha nacional chamada de GOVERNOS. Seja federal, Estadual ou Municipal, s√£o todos farinha do mesmo saco. Instalaram-se nos pal√°cios verdadeiras quadrilhas. Cada vez mais atual as palavras de Rui Barbosa; acho que foi mais ou menos assim: “De tanto ver triunfar as nulidades, prosperar a desonra, agigantarem-se os poderes nas m√£os dos maus, o homem chega a desanimar das virtudes, a rir da honra e a ter vergonha de ser honesto”. N√£o √© atual√≠ssimo o contexto? E o pior, o exemplo est√° sendo seguido por grupos cada vez maiores. Parab√©ns pelo texto…retrata plenamente a realidade. Um grande abra√ßo. Marcos

  10. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    O seu texto √© perfeito. Transcreve a realidade das rela√ß√Ķes do Estado com a Pol√≠cia Militar como Institui√ß√£o e com o uso dos policiais militares, como t√£o bem complementou o nosso companheiro Jos√© Carlos. Estou de acordo com todos os comentaristas que enfatizaram o motivo justo da reinvindica√ß√£o dos bombeiros, por√©m, com restri√ß√Ķes aos m√©todos. No entanto, aproveito a oportunidade para outro vi√©s do problema. N√£o sendo especialista em seguran√ßa p√ļblica, observo que os seus gestores todas as vezes que precisam dar resposta a fatos criminosos, principalmente os ressonantes na m√≠dia, respondem sempre com o aumento de efetivo da PM. Recordando antigas li√ß√Ķes de T√©cnica Policial observamos que o policiamento ostensivo √© a primeira forma de reprimir a criminalidade existindo outras. A presen√ßa de policiais nas ruas inibiria os potenciais criminosos, justificam os pol√≠ticos. Em virtude desse fato, o efetivo da PM vem crescendo rapidamente. Com essa filosofia de seguran√ßa p√ļblica, com os crit√©rios atuais em que os policiais militares passam para a reserva ainda jovens, com o aumento de expectativa de vida da popula√ß√£o, com a paridade constitucional entre ativos e inativos a situa√ß√£o tende a piorar. Atualmente se somarmos os ativos e inativos do Corpo de Bombeiros e da Pol√≠cia Militar, bem como as pensionistas apesar de n√£o ter o n√ļmero, sabemos que √© grandioso. √Č √≥bvio que quanto mais numerosa a classe, maior a dificuldade de conseguir melhora vencimental. Com efeito, se continuar aumentando o efetivo da PM dessa forma, as dificuldades aumentar√£o para conseguir uma remunera√ß√£o digna como acontece com os profesores. Ser√° que n√£o h√° possibilidade de incrementar uma gest√£o estrat√©gica na seguran√ßa p√ļblica obtendo um rendimento satisfat√≥rio no controle da criminalidade sem o aumento de efetivo? Ou ser√° uma fal√°cia esse argumento tendo o Estado condi√ß√Ķes or√ßament√°rias para aumentar o efetivo da PM e pagar sal√°rios compat√≠veis?

  11. jorge disse:

    Caro Adilson, voc√™ tem raz√£o. A l√≥gica que tem prevalecido h√° d√©cadas √© essa: aumentam-se os efetivos e o custo desse aumento √© rateado entre os integrantes das corpora√ß√Ķes, pois jamais se aumenta a fatia do or√ßamento para a seguran√ßa, ou melhor, para pagamento do pessoal. √Č uma conta simples: se com R$ 100 mil reais, pago R$ 2 mil a 50 policiais ou bombeiros, √© √≥bvio que s√≥ poderei pagar R$ 1 mil se dobrar o efetivo e n√£o dobrar os recursos or√ßament√°rios. O problema √© que os comandantes e delegados s√≥ vivem falando que √© preciso aumentar os efetivos. Jamais falam em aumentar o or√ßamento. Como pode?

  12. jorge disse:

    Caro Marcos,
    √Č preciso n√£o esmorecer. Ao comentar a postagem voc√™ mostra que continua com √Ęnimo.

  13. matha Carneiro Lontra disse:

    Caro Jorge da Silva,

    ETNIA DOMINANTE- No qual o autor revela um extremo grupo populacional que det√©m e monopoliza o poder econ√īmico, lutam para manter ag√™ncias discursivas (m√≠dia, academia, TV, novelas, cinemas, literatura etc.) ‚Äď
    Tais grupos também existem hoje NEGROS, principalmente esfera política- Esses detêm o poder, mesmo não sendo (ius sanguinis) Já pensam eles em suas mentes como os dominadores.

    ETNIA L√öMPEN. Segue o autor brilhantemente quando afirma que no outro extremo, um grupo populacional bem maio, suas identidades sociais s√£o marcadas pelo compartilhamento das prec√°rias condi√ß√Ķes s√≥cio- econ√īmicas e pala discrimina√ß√£o a que √© submetido. Segue ainda afirmando que os negros em geral e nordestinos s√£o v√≠timas do exterm√≠nio, etc. etc. e que, desse grupo tamb√©m saem os exterminadores.
    Afirmo novamente extremamente brilhantes tais escritos.
    ETNIA DE PASSAGEM. Continua o autor que, num movimento pendular uma massa populacional, que re√ļne contingentes de camadas m√©dias baixas, construindo uma etnia intermedi√°ria, etc. etc. etc.
    Pag. 12/123 120 Anos de Abolição Silva, Jorge-: 1888-2008

    Mudemos o tom da prosa!

    O senhor classificaria em quais etnias os soldados, cabos e sargentos. Isto é: A tropa?
    A m√≠dia brasileira em geral e a imprensa sindical e as associa√ß√Ķes de classe t√™m publicado enunciados sobre viol√™ncia moral no trabalho cujo significado coincide com os conceitos de ‚Äúgest√£o por inj√ļria‚ÄĚ ou ‚Äúgest√£o por estresse‚ÄĚ de Hirigoyen e com o conceito de ‚Äúsocial stressor‚ÄĚ de Zapf. A partir de categorias te√≥ricas do ‚ÄúC√≠rculo de Bakhtin‚ÄĚ e da concep√ß√£o de viol√™ncia moral de Leymann, Zapf, Einarsen e Hirigoyen, analisamos enunciados publicados num jornal sindical entre 1995 e 2007. O objetivo deste estudo n√£o foi investigar a viol√™ncia moral no trabalho como pr√°tica, mas como um ‚Äúenunciado concreto‚ÄĚ, cujo sentido √© constru√≠do pela rela√ß√£o dial√≥gica entre o locutor e os seus interlocutores, destinat√°rios e o seu contexto social.

    Nos pa√≠ses onde n√£o h√° legisla√ß√£o espec√≠fica sobre viol√™ncia moral, os perpetradores s√£o julgados por ferirem os chamados direitos da personalidade, o que constitui ‚Äúdano moral‚ÄĚ. Quanto ao dano moral trabalhista, este […] ocorrer√° sempre que uma das partes vinculadas ao contrato de trabalho levar a efeito atos que atinjam √† outra, tendo por consequ√™ncia a gera√ß√£o de sentimentos de afli√ß√£o, turba√ß√£o do √Ęnimo, desgosto, humilha√ß√£o, ang√ļstia, complexo, revolta, m√°goa, indigna√ß√£o, frustra√ß√£o, ou uma s√©rie de outros atinentes √† intimidade do ser humano.

    No seu caso coronel, sua vida foram de anos de ‚Äúcaserna‚ÄĚ , como professor e, hoje cientista pol√≠tico. Qual sua vis√£o em rela√ß√£o ao preconceito e a discrimina√ß√£o nas For√ßas Armadas? Em especial as PMS e Brigadas Militares e Bombeiros Militares?
    √Č algo interna corporis, partindo do maior (superior) para o menor (subordinado) trazendo em si o medo daqueles que n√£o conseguem se defender dos atos arbitr√°rios praticados pelos seus comandantes, chefes e diretores. Denunciar maus tratos, abusos de poder, tortura f√≠sica e psicol√≥gica, assedio moral e ass√©dio sexual envolvendo militar e militar, ou militar e dependente de militar, tornaram-se rotina na estrutura das For√ßas Armadas, e aqueles que resolvem lutar pelos seus direitos encontram na Justi√ßa Militar um obst√°culo no procedimento de fazer justi√ßa, por vez essa tal de ‚Äújusti√ßa‚ÄĚ castrense √© o baluarte na manuten√ß√£o dos privil√©gios daqueles que usurpam o poder? Aborde tais temas, pois assim acreditaremos que o nobre coronel e professor adjunto da nossa universidade, rompeu de fato e direito com tais barb√°ries ainda em voga no cen√°rio nacional.

  14. Cel Wilton disse:

    Ao DD. Cel Jorge da Silva

    Caro amigo,gostaria de registrar apenas alguns questionamentos:

    1.Quem é ou são o/os responsável/eis por:

    a. “Choque de Gest√£o’ que permitiu a subordina√ß√£o de uma institui√ß√£o sexquicenten√°ria (militar)
    à Secretaria de Saude. Qual a pérola estratégica que demandou tal decisão?

    b.”Choque de Gest√£o” que tirou a identidade militar do Bombeiro e o transformou em Apoio de Saude?

    c.”Choque de Gest√£o” que pensou que a identidade militar fosse obtida atrav√©s de” carimbo”, ou seja: a partir de hoje(e para sempre) voce √© um militar(subordinado a legisla√ß√£o castrense e outras normas), portanto, calado e disciplinado at√© morrer, n√£o precisando praticar nunca mais as lides das coortes ou centurias, mas sim pura e simplesmente atrav√©s das rotinas upanianas;

    d .”Choque de Gest√£o” que de repente descobriu(com a turba na rua) que para ser militar,necessita exercitar dia a dia tal mister, qui√ß√° toda uma vida;

    e.”Choque de Gest√£o” que providenciou que o efetivo do Bombeiro Militar Estadual chegasse a 18.000 homens e mulheres.
    Sob que capa técnica?

    f. “Choque de Gest√£o que permitiu que desses 18.000 homens e mulheres Bombeiros Militares, quase a metade nunca pisou ou r√†pidamente pisou em um Quartel Militar;

    Etc,etc,etc…..

    2. E quando vier um novo dirigente, o qual interprete ao seu modo o “Choque de Gest√£o ” criando um novo “Choque de Gest√£o” e decida fazer retornar , em obediencia ao preceitos constitucionais, os Bombeiros Militares aos seus Quart√©is, √°s suas miss√Ķes constitucionais,18.000 ou quem sabe at√© l√° 36.000 homens e mulheres?

    Haja fogo, rescaldo,afogado e abelhas assassinas.

    Pais nenhum no mundo possui 18.000 nem 36.000 Bombeiros Militares ,fardados ,em “armas”.

    Nem churchil na 2 Guerra Mundial , sob intenso, continuado e catastrófico bombardeio alemão posuia esse efetivo em sua Defesa Civil.

    3.Enfim , criou-se um monstro, e um monstro com fome(R900,00 n√£o d√° para aplacar a sua fome e de sua fam√≠lia), haja extintor…

    4. √Č lament√°vel, extrememente lament√°vel, e n√≥s, os antigos, que at√© 1975, fomos Bombeiros Militares tamb√©m( escola √ļnica),
    estamos também com nossas vísceras expostas e dilaceradas
    junto com nossos companheiros,os quais sabem que estão a merecer repressão e penalização sim, pois Militar não procede desta maneira.Mas fica o questionamento final: E aqueles que os colocaram nessa situação?
    E aqueles que criaram o caldo de cultura ideal para que a infecção se instalasse e se disseminasse por todo o corpo? Como irão se explicar?

    Finalmente uma singela mensagem a nossos companheiros do Heróico Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro:

    Voces companheiros, foram feridos, mas n√£o de morte. A historia do Corpo de bombeiros √© muito maior que este momento dif√≠cil pelo qual est√£o passando. O Corpo de Bombeiros tem alma e como disse Victor Hugo ” A alma tem sede do absoluto,e o absoluto n√£o √© deste mundo”, portanto, a Casa de D. Pedro II, continuar√° sendo guardada por ele,e a Institui√ß√£o ressurgir√° com toda aura de heroismo que todos n√≥s respeitamos.

    Um abraço Cel Wilton

  15. medin√£o disse:

    Caro cel Jorge,concordo plenamente com o ilustre colega.,gostaria tão sòmente pedir ao governador que autorizasse uma coletiva de PMs e BMs em resposta a sua. NADA MAIS.

  16. jorge disse:

    Caro Medina,
    O espa√ßo do meu blog, como o de outros, √© uma min√ļscula alternativa ao que Stuart Mill chamou de ditadura da opini√£o. Importante que nos manifestemos. Antes da internet, nem isso t√≠nhamos. Abra√ßo.

  17. jorge disse:

    Caro Wilton,
    Emocionei-me com o seu coment√°rio. √Č isso mesmo. Um Corpo de Bombeiros no RJ com efetivo maior do que o do Estado de S√£o Paulo s√≥ seria poss√≠vel ou com o aumento da fatia do or√ßamento ou com o achatamento dos sal√°rios dos seus integrates. A segunda hip√≥tese parece ser o caso. Tudo sem falar nos desvios de fun√ß√£o, como o amigo bem observa. Quando falam em dobrar o efetivo da PM, tremo na base.

  18. jorge disse:

    Cara Martha,
    Obrigado pela intera√ß√£o. Concordo plenamente com as suas podera√ß√Ķes. Parece que os seus coment√°rios t√™m como refer√™ncia um texto do meu “site” em que falo de viol√™ncia, favelas e discrimina√ß√£o, e n√£o da presente postagem (Direitos Humanos e Cidadania dos Bombeiros). Sua preocupa√ß√£o com o distanciamento entre oficiais e pra√ßas procede. Foi a isso que me referi no trecho da postagem utilizada pela senhora. Se voltar a ler com ais aten√ß√£o, perceber√° que concordamos.

  19. Meu caro companheiro Jorge da Silva;
    Os fatos s√£o completamente diferentes da minha luta de Ex Banc√°rio. Entretanto, tenho eu, bastante temor dos movimentos sindicais. Fa√ßo aqui um “mea culpa” do meu passado como membro ativo de tais movimentos reivindicat√≥rios salariais que, se transformam em movimentos pol√≠ticos.
    Vide, pois, nossa luta no BANERJ? Banco este que foi doado em um ‚Äúgrande neg√≥cio da china‚ÄĚ Aqui no Estado do Rio de Janeiro com a demiss√£o sum√°ria de 14 mil trabalhadores A ‚Äúparte boa‚ÄĚ foi vendida ao Banco Ita√ļ que arrematou o BANERJ por R$ 311.101.000,00, devendo ser ressaltado que 50% deste pagamento foram efetivados com as chamadas ‚Äúmoedas podres‚ÄĚ. Onde est√£o nossos “sindicalistas”? Com seus empregos preservados n√£o? A estabilidade provis√≥ria do dirigente sindical determinada pela Lei n¬ļ 7.543/86. N√£o tenho a menor d√ļvida que ser√° aplicada nos l√≠deres do movimento dos Bombeiros Militares, gra√ßas √†s manobras de ‚Äúbons‚ÄĚ advogados a mesma ser√° aplicada em dirigentes de associa√ß√Ķes.

    Quanto ao Ex- BANERJ? Outra massa de manobra j√° foi engendrada com o advento do PL N¬ļ 3213/2010. Simplesmente triste e lament√°vel. N√≥s concursados de fato e direito? Dan√ßamos… Forte abra√ßo.
    A meu ver melhor o di√°logo que o embate…

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