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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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BRASIL, UM PAÍS SEM RACISMO

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Deu em O Globo.com (G1) / Extra desta terça-feira (29/03/2011):

“Bolsonaro diz na TV que seus filhos não ‘correm risco’ de namorar negras ou virar gays porque foram ‘muito bem educados’ ”

“RIO – O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter após uma polêmica entrevista ao programa CQC, da Band. Ao participar do quadro “Povo quer saber”, em que respondeu a curiosidades do público, o deputado disse que seus filhos não correm o risco de namorar uma mulher negra ou virarem gays, porque “foram muito bem educados”.

– Não vou discutir promiscuidade com [quem] quer que seja. Eu não corro esse risco. Os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu – disse Bolsonaro, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou ao deputado o que ele faria se filho dele se apaixonasse por uma negra.

[…] o parlamentar respondeu por que é contra as cotas raciais, adotadas em várias universidades brasileiras. – Todos nós somos iguais perante a lei. Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista, nem aceitaria ser operado por um médico cotista.

Entrei no site do jornal e deixei um comentário. O jornal o publicou. Agora na madrugada, ao resolver escrever esta postagem, tentei recuperar o que tinha escrito, mas, ao que parece, todos os comentários foram retirados do ar. Tinha escrito mais ou menos o seguinte:

O Deputado Bolsonaro é conhecido por suas afirmações “politicamente incorretas” (supostamente…). Acontece que sempre é eleito com expressivas votações. No fundo, ele tem clareza (sem trocadilho) de que é porta-voz de muitos que gostariam de dizer o que diz, mas não têm coragem, pelo menos em público. Esperemos as próximas eleições. Se ele obtiver mais votos ainda, ao menos contribuirá para derrubar de vez a balela da democracia racial brasileira; e acabar com essa história de que no Brasil não há negros nem brancos, inventada recentemente.

Acrescento agora: O que é isso, Bolsonaro?!

 

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7 comenários to “BRASIL, UM PAÍS SEM RACISMO”

  1. Paulo Xavier disse:

    Confesso que fiquei estupefato com as declarações do Dep Bolsonaro ao ler um noticiário on line no dia de ontem. Pus-me a refletir e pude ver que a prepotência e o preconceito estão enraizados no caráter desse legislador que teima em andar na contra-mão da história. Meu comentário também não foi publicado, mas eu disse que para uns o tempo não passa, estagnou exatamente em 1964.
    Paulo Xavier (Ex- PM)

  2. jorge disse:

    Caro Paulo,
    O pior é que, nos comentários no jornal, muitos leitores concordaram com ele.

  3. Luiz Gaoyso Lima disse:

    Qualquer um pode pensar. Entretanto, falar o quer, pode se dar com os burros nágua. Foi o fato que ocorreu.
    E ainda, só deu IBOPE, twitter, facebook, etc. Por ser Preta Gil membro de uma família rica e abastada.
    Se, fossem a filha de um humilde operário, de um humilde PM, ou das chamadas classes sociais E F G e H.? Sei não?
    A mãe da apresentadora Vera Gimenez, já foi acusada de racismo no programa fantástico por chamar dois PMS de macacos há seis anos?
    E ai? Foi presa e “cassada”? Não! Claro que não.
    “Certíssimo quando o blogueiro afirma que,”. No fundo, ele tem clareza (sem trocadilho) de que é porta-voz de muitos que gostariam de dizer o que diz, mas não têm coragem, pelo menos em público.”

    (No comments declarare VANUS)

  4. jorge disse:

    Prezado Luiz,
    O amigo tem razão. As elites brasileiras são de uma cara de pau incrível.

  5. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Foi com uma grande dose de perplexidade que li a entrevista do economista WALTER WILLIAMS, na revista VEJA, edição 2207-ano 44-nº 10 de 9 de março do corrente. Trata-se de um negro criado na periferia da Filadélfia, bem sucedido, professor da Universidade George Manson na Virgínia, o qual é contrário as ações afirmativas e as cotas raciais. Para os Estados Unidos afirma que: “os negros não precisam delas.” Para o Brasil esse é o seu pensamento: “Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, são um despropósito. Além disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira. Forçar classificações raciais é mau caminho. ” Afirma também que: “A melhor coisa que os brasileiros poderiam fazer é garantir educação de qualidade.” E segue nesse diapasão em uma entrevista de três páginas. Parece um texto de encomenda para o Kamel e o Magnoli. Será que ele foi pinçado para fortalecer essa grande orquestração contra as cotas? Ou é grande o percentual de negros americanos que como ele são contra as ações afirmativas?

  6. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Claro que ele foi pinçado. Aqui no Brasil, de vez em quando pinçam um ou outro negro para a quem oferecem aqueles 15 minutos de notoriedade. A orquestra da grande mídia brasileira (a Revista Veja é um caso extremo de extrema…) só toca o “Samba de uma nota só”. Ela é obsessiva. De que têm medo? Por que não dão deixam negros de iguais ou melhores credenciais do que a do professor da George Manson (Já pensou se ele fosse professor de Harvard?…) tocar a lira?. Por que ignoram intelectuais do porte de um Muniz Sodré, de um Joel Rufino, Joaquim Barbosa Gomes, Kabenguele Munanga e tantos outros? Resposta: por que estes dizem o que eles não querem ouvir. De qualquer forma, é compreensível a atitude dos donos e dirigentes da grande mídia. Eles sabem que têm um público cativo. Se apoiarem os negros, estarão ferrados; perderão assinantes.

  7. Rita Maria Nicola de Souza disse:

    Prezado Professor Jorge da Silva,

    A desvantagem do afro brasileiros em relação ao afro americanos são complexas, fincadas nas ineficiências de nossa democracia, de nosso sistema educacional e de nosso travado ambiente de negócios, que estanca a mobilidade social.
    O Brasil é mesmo um país desinstitucionalizado, nosso racismo, como nossa economia, é informal.
    Estou com o post do Luiz Gaoyso Lima onde o mesmo escreveu: “E ainda, só deu IBOPE, twitter, facebook, etc. Por ser Preta Gil membro de uma família rica e abastada.
    Se, fosse a filha de um humilde operário, de um humilde PM, ou das chamadas classes sociais E F G e H.? Sei não?”
    Temos que usar uma dialética para nossos filhos que a ELITE NEGRA também é preconceituosa. Quantos empregos deram o pai da Preta Gil aos negros com formação acadêmica quando o mesmo foi ministro?
    Quantos empregos foram gerados por Flora Gil esposa de Gilberto Gil com sua empresa de propaganda e eventos?
    Tenho a resposta: A Preta Gil dá empregos aos negros percussionistas em seu bloco de branquinhos elitizados da Zona Sul que levam 200 mil pessoas na orla do Leblon e Ipanema. Sabe Deus lá quem são os patrocinadores…
    Recordo-me de uma família de juristas NEGROS que pagavam aos seus serviçais míseros salários, enquanto outra família de brancos, porém brasileiros socialistas que pagavam aos seus, pelo mesmo serviço o dobro e ainda, ajudavam nas boas escolas para os filhos dos seus empregados.
    Esses pensaram, aprenderam a dividir o pão. Ou estou errada?
    A meu ver o ato do Capitão e deputado Bolsonaro, serviu como exemplo para uma parte dessa elite negra que na sua maioria, jamais atravessam o túnel Rebouças a não ser para irem ao Maracanã e/ou uma vez por ano visitam seus familiares que ainda estão nos conglomerados de pobres, onde na primeira fila moram negros e nordestinos massacrados por péssimos salários, com um modelo de educação arcaico, onde os salários dos professores mal dão para dia a dia.
    Nossos parlamentares negros usam os melhores ccdals para os brancos. Também tenho uma pergunta: Não existem NEGROS capacitados para exercerem cargos de confiança na esfera do poder?
    A elite NEGRA deve deitar em um divã, descobrirem seus fantasmas, medos e frustrações. Talvez assim, com muitas análises e psicanálises possam em 15 anos tentarem uma transformação de uma sociedade brasileira justa e igualitária.
    Que fique claro que não defendo ‘Bolsonaro e Cia’. DEFENDO SUA CASSSAÇÂO IMEDIATA para que sirva de exemplo aos parlamentares racistas e homofóbicos.
    Enquanto isso, teremos outras ‘Pretas Gil’. Que, provavelmente não trará mídia, pois, são filhas do baixo clero negro do BRASIL

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