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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS PMs (II)

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PMERJ TEM NOVO COMANDANTE

 

Em postagem anterior (18 de maio, abaixo), falei de um tipo especial de vitimização no RJ. Referi-me à vitimização sofrida pelos policiais, em especial os PMs. Porém procurei mostrar que, mais do que vítimas de bandidos (o que vem num crescendo assustador), os PMs são vítimas dos próprios dirigentes, não só por este fato, mas principalmente pela atitude dos mesmos quando as coisas, aos olhos da mídia, não vão bem. Aí, resolve-se buscar culpados na ponta da linha. E os policiais azarados (os que, trabalhando com a pedagogia do confronto armado na cabeça, cometem erros elementares e vitimizam inocentes) são execrados publicamente pelas autoridades. Bodes expiatórios de desacertos gerenciais. E de bravatas.

 

O coronel Mário Sérgio Duarte acaba de assumir o comando da PMERJ, em substituição ao coronel Gilson Pitta Lopes, o qual, por sua vez, substituiu em janeiro do ano passado o coronel Ubiratan Ângelo. Duas crises na segurança pública e três comandantes em dois anos e meio; e duas posses a portas fechadas. Inédita estatística. Os três comandantes citados freqüentaram a mesma academia de polícia, mal saídos da adolescência, fizeram os mesmos cursos e galgaram os mesmos postos na carreira, o que significa dizer que têm mais coisas em comum do que diferenças. Pergunto: o que estaria errado na área da segurança pública do Rio de Janeiro?

 

Que o inteligente e ínclito coronel Mário Sérgio não seja o próximo bode expiatório.

 

Caro Mário Sérgio, que Deus o oriente e proteja!

 

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10 comenários to “DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA DOS PMs (II)”

  1. Michel Misse disse:

    Caro Jorge,
    Tive o prazer de visitar hoje o seu blog e ler os seus textos. Meus parab̩ns, o Brasil precisa muito de inteligencias como a sua e ̩ preciso divulgar toda essa experi̻ncia pois temos visto tantos erros repetidos ao longo dos anos que parece at̩ que ṇo aprendemos com a vida e com os verdadeiros mestres Рaqueles que sabem o que esṭo dizendo. , como voc̻. Hoje, que voc̻ ṇo ocupa mais nenhum cargo p̼blico, sinto-me muito mais a vontade para dizer tudo isso em p̼blico.

    Um grande abraço,

    Michel Missse
    Coordenador do NECVU-UFRJ

  2. Piancó disse:

    Caro companheiro,

    É importante o que voce faz com muita capacidade.Esses administradores que ai estão não merecem nehuma credibilidade.Não sei até quando teremos de conviver com isso.Espero que não dure tanto tempo.As eleições estão próximas .Vamos usá-las.

    Com o meu respeito e admiração.
    Piancó

  3. rita maria nicola disse:

    “Um rio mansamente, com a serenidade dos JUSTOS. Um barco singrou as águas qual cisne de asas brancas, sem perturbar com sua passagem o espelho luminoso dos brilhos e reflexos. Rápido como veio, logo se distanciou”. Em seguida, na margem oposta, conduzido por uma criança, um elefante mergulhou para banhar-se. Seus menores movimentos levantavam ondas, espalharam lamas e lodo. As águas do rio, agitadas, escurecidas, logo deixaram de refletir o ouro do sol “. Eis dois ângulos da vida…“ Poucos os seres passam como o barco que vai além, e deixam atrás de si uma esteira de paz. Por entre ódios, seguem sem odiar…Em meio à lama, desliza sem mácula…Entre os ambiciosos, passam sem ambições…E diante do erro, mantém sua verdade ”

    Parabéns por ser um desses poucos seres !

    Axé

  4. Cara Rita,

    Muito obrigado,
    Faço o que posso.
    Abraço,
    Jorge

  5. Caro Michel,
    Vindo de você, é um prêmio ao meu esforço.
    Aprendi muito (e aprendo) com você.
    Jorge

  6. O blog é um meio de dizer as coisas que muitos não querem ouvir.
    Abraço,
    Jorge

  7. Iara Cruz disse:

    Caro coronel Jorge,
    Mesmo não sendo uma “especialista” em segurança, fico pensando: será que são essas mudanças na PM – três comandantes em dois anos e meio -, na polícia civil e em programas que tinham tudo para dar certo, como o GPAE, e mudar o nome das AISP, por exemplo, vão resolver os problemas da segurança no nosso estado? Não serão outras as mudanças necessárias para garantir a paz? Será que não está na hora de repensar as políticas públicas para essa área? Até quando o governo do estado acreditará que segurança pública é só um caso de polícia? Basta ler os jornais de hoje para perceber que não é mais policial na rua que vai resolver o problema. Principalmente se não forem muito bem treinados para isso.
    Também rogo para que o cel. Mario Sergio não seja mais um bode expiatorio nessa guerra.

  8. Você tem razão. Certa feita resolveu-se que era preciso mudar a imagem da PM. E aí pensaram que a solução seria mudar o uniforme e diostribuir rosas no dia das mães. Nada contra, mas o que uma coisa tem a ver com a outra?

  9. Ana Tereza Machado disse:

    Ultimamente tenho me utilizado bastante do seguinte dito popular: “Errar é humano. Repetir o erro …”. Nos últimos anos a solução apresentada para a problemática da (in)segurança pública no Rio de Janeiro tem sido troca de dirigentes, discursos enérgicos para a mídia, confrontos sangrentos. Enquanto isso, todos os dias aumenta surpreendentemente (ou não) o número de vítimas, e a paz se torna um ideal cada vez mais longínquo. Se a fórmula não deu certo, até quando continuar a repeti-la?

  10. Rachel Trautman disse:

    Caro professor J.da Silva;

    Li atentamente sua cartilha INTOLERÂCIA. Tomo a liberdade para colocar minha opinião no referido tema postado no seu site:

    Ai vai !

    Na linguagem e tradição da filosofia moral, a tolerância não é exatamente considerada uma “grande virtude” ou “virtude cardinal”, tal como é a justiça, a coragem, a prudência e a temperança ou moderação. Contudo, ela não deve ser posta do lado das chamadas “pequenas virtudes”, como é o caso da polidez. A tolerância deve ser vista numa posição especial, de entremeio das virtudes, sendo mais que respeito, polidez ou piedade. Rouanet, a vê “como passagem para um estágio mais civilizado e menos mecânico de convívio das diferenças”. Sinaliza, no entanto, que “as diferenças não devem ser apenas toleradas, porque do contrário elas se reduziriam a um sistema de guetos estanques, que se comunicariam no espaço público; deve ser uma virtude que cause interpenetração entre os diferentes”
    “Ou seja, a tolerância deve ser um ato constante de prevenção e educação.”
    Alain, pensador sempre citado nos estudos sobre as virtudes, diz que a tolerância “é uma espécie de sabedoria que supera o fanatismo, esse terrível amor à verdade” Comte-Sponville (Pequeno tratado das grandes virtudes. SP: M. Fontes, 1995). No fundo, sinalizamos acima, ela é uma espécie de prevenção contra o dogmatismo, para que este não vire fanatismo (na dimensão pessoal), fundamentalismo (na dimensão religiosa) e totalitarismo (na dimensão de Estado ou de Governo).

    Vale a pena saber se somos realmente tolerantes com nossa psique, orgulhos, vaidades. E/ou nossas verdades ficam simplesmente nos escritos?

    Recordo-me de uma passagem na França onde meu pai e minha estavam asilados. Em uma noite fria de uma primavera, alguns intelectuais se reuniram na casa de uma amigo brasileiro também asilado.
    Entre as conversações referentes ao projeto de anistia ampla e irrestrita, os convidados ficaram surpresos com uma atitude intolerante do nobre anfitrião.
    Por um motivo banal, a mulher e a filha do “anfitrião” foram tremendamente humilhadas na presença de todos. Olha que as pobres mulheres que estava na cozinha preparando o jantar para cerca de 20 “companheiros”. Pasmem! Em nenhum momento o “cara” se deu a luxo de sequer abrir uma garrafa de vinho, tarefa essa que seria simplesmente dele. Não tal qual um “pacha” lá estava ele discutindo Lênin, maiacovisck, Sartre e a revolução cubana e outros ideólogos “comunas”.

    Tatiana Memória e Darcy Ribeiro logo passaram uma descompostura no falso tolerante.
    Era eu uma moça de 17 anos. O triste episódio serviu-me como um laboratório até hoje- Sempre pergunto a mim mesma? Onde mora minha tolerância, ou minha intolerância?

    Abraços

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