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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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FALSO CORONEL NA SEGURANÇA DO RJ

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A descoberta de um falso tenente-coronel do Exército em atuação na cúpula da Secretaria de Segurança do Rio surpreende as próprias autoridades. Ele foi desmascarado porque, depois de algum tempo fazendo-se de esquecido, teve que apresentar a identidade para que lhe confeccionassem um crachá. Solução: apresentou uma carteira falsa de tenente-coronel do Exército, com farda e tudo. Suspeitaram.

O episódio é explicado por falhas no processo de admissão, o que levou o secretário de Segurança a ordenar o recadastramento de todo o pessoal da Secretaria. Correto. Acontece que o falsário enganou muita gente que conviveu com ele no dia-a-dia durante bastante tempo, tanto gente da Secretaria quanto da PM e da PC. Ora, ainda que fosse realmente oficial do Exército, há que perguntar, já que foi encarregado de coordenar atividades da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional (das duas polícias, e destas com outros órgãos): onde teria aprendido os princípios doutrinários da segurança pública? E as estratégias, táticas e técnicas da atividade policial (polícia ostensiva, polícia de investigação e judiciária, inteligência policial, polícia de ordem, operações especiais, choque, abordagem etc.)? Onde teria adquirido o conhecimento sobre os constrangimentos constitucionais, legais e de ordem vária, impostos à Administração, à polícia e aos policiais no contato com a população? E na luta contra a delinqüência de rua e o crime organizado? Este me parece ser o principal ponto a discutir.

Os oficiais da PM e os delegados de polícia levam anos para se formarem e, em princípio, se especializarem nesses misteres. Ocorre que o falso coronel nem pelo Exército passou, o que também não faria muita diferença, de vez que a missão da Força Terrestre é outra, e suas estratégias, táticas, técnicas, armamento, equipamentos e valores também são outros. Então, a pergunta a fazer é a seguinte: como os verdadeiros profissionais de polícia e de segurança pública, da PC e da PM (e da PF) não notaram que se tratava de um farsante, tendo inclusive participado de palestras proferidas por ele sobre o serviço policial? Basta imaginar um falso médico (alguém que jamais tenha passado perto de uma faculdade de medicina ou de área afim), reunido com médicos de verdade, dialogando com eles durante dias sobre como fazer uma operação cirúrgica, e estes não notarem que se trata de um embusteiro. Pior, apreciarem-lhe as bravatas e a auto-atribuída capacidade profissional, como, ao que parece, aconteceu no caso em foco.

Na verdade, estamos diante de um dilema: ou o nosso personagem é um gênio (ainda que doentio, a merecer tratamento), ou a formação superior dos profissionais da segurança pública no Brasil carece de profundo redirecionamento (a formação pode ser ótima, mas estar mal direcionada). Pior: uma das razões para que acreditassem que o referido cidadão era coronel é a sua “fala firme”, como saiu na mídia… Se assim for, é fácil parecer um coronel, do Exército ou da PM: fala firme e pose. E uma última pergunta: nas lides do setor, onde residiria a diferença entre um falso coronel e um verdadeiro? Na cédula de identidade? Ora, esse não pode ser o critério para que alguém venha a ocupar cargos em área tão crítica, de tamanha responsabilidade pública, nem o fato de pertencer a esta ou àquela instituição. É isso?

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7 comenários to “FALSO CORONEL NA SEGURANÇA DO RJ”

  1. Rita Maria disse:

    Frank William Abagnale, Jr.

    Fraudes bancárias
    Seu primeiro golpe foi fazendo cheques sem fundo, que descobriu que era possível quando foi forçado a fazer cheques com quantias superiores ao que tinha guardado. Isso, entretanto, funcionou até a hora que o banco parou de emitir mais cheques, o que fez com que abrisse mais contas em bancos diferentes, eventualmente criando novas identidades para isso. Durante esse período ele experimentou e desenvolveu diferentes técnicas de fraude, como imprimir seus próprios cheques, cópias quase perfeitas dos originais, usando-os e persuadindo os bancos a liberar dinheiro que nunca se materializou, visto que todos os cheques eram devolvidos.

    Como advogado
    Abagnale também forjou um diploma da Universidade de Harvard, passou no exame para avaliação do Estado da Louisiana e conseguiu um emprego no escritório de advocacia da Louisiana

    Como médico
    Mais tarde, Abagnale personificou um pediatra em um hospital do estado da Geórgia com o nome de “Frank Conners”. Depois de fazer amizade com um médico de verdade, tornou-se supervisor residente como um favor para o amigo até que achassem alguém que pudesse pegar o emprego. Entretanto, sendo uma farsa como médico, Abagnale foi quase mandado embora após quase ter deixado um bebê morrer por inanição de oxigênio (não fazia ideia do que a enfermeira quis dizer com a expressão “blue baby”). Abagnale fazia com que a maioria das tarefas complicadas que deveriam ser feitas por ele ficassem na mão de outros colegas, como por exemplo, colocar ossos de uma fratura exposta no lugar. Após 11 meses, o hospital achou outro substituto para o seu lugar, e então saiu.

    Como professor
    Abagnale também diz ter forjado um diploma da Universidade da Columbia e ensinou sociologia na Brigham Young University por um semestre, apesar de a universidade declarar que não houve registro de tal emprego.

    Em 1974, o governo federal dos Estados Unidos o libertou sob a condição de que Abagnale deveria ajudar as autoridades federais contra fraudes monetárias. Após sua soltura, Abagnale tentou diversos empregos, mas achando-os insatisfatórios, resolveu fazer uma oferta a um banco. Explicou ao banco o que fez, e se ofereceu para palestrar ao pessoal do banco e mostrar vários truques que os fraudadores usam para enganar os bancos.
    Abagnale fez a seguinte oferta: se o banco não achasse que o que ele dissesse fosse útil, não precisariam pagar nada; caso contrário, eles lhe deveriam 50 dólares e deveriam divulgar seu nome e seu trabalho a outros bancos. Naturalmente, eles se impressionaram, e assim Abagnale começou sua vida como consultor legítimo.
    Mais tarde fundou a Abagnale & Associates, onde adverte o mundo dos negócios sobre fraudes, e organiza palestras e aulas pelo mundo. Abagnale é agora um multimilionário através de sua empresa de consultoria de fraudes e prevenção situada em Tulsa, Oklahoma.

    Leonardo Di Caprio retratou Abagnale em 2002, no filme de Steven Spielberg “Catch Me If You Can”

    A mente do referido “Coronel” é criminosa. Porém que o “cara” é BOM isso é! (risos)

    E agora?
    Quem sabe a ‘ABIN’ poderá contratá-lo…

    Fonte:
    No Mundo do Cinema.com.br
    Wikipedia.org

  2. renatohottz disse:

    Caro Jorge: respeitosamente, gostaria incluir mais um em seus questionamentos – quem o indicou para tal função? Nós sabemos que para tal função há necessidade de indicação. Abçs

  3. jorge disse:

    Caro Hottz,
    Esse é um ponto muito importante. Mas eu queria chamar a atenção para o fato de alguém passar-se por coronel do Exército por tanto tempo e ninguém (em especial os coronéis…) não notar. Como se forma um coronel?

  4. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Jorge,

    Este episódio nos faz lembrar de outro caso emblemático. Esse ocorreu em pleno Regime Militar. O chefe da Censura Federal, Órgão poderoso e temido na ocasião, chamava-se ROMERO LAGO. O seu nome constava em centenas de filmes que tinham sido liberados pela censura e era de exibição obrigatória no início do filme. Esse Órgão, naquela oportunidade, tinha ligações estreitas com o Serviço Nacional de Iinformações, que dentre outras atribuições vasculhava a vida dos artistas. Posteriormente, esse cidadão foi desmascarado, pois chamava-se HERMELINDO RAMIREZ GODOY e tinha sido condenado como mandante de um homicídio no Rio Grande do Sul. O SNI demorou ONZE ANOS(grifei) para descobrir isso. A nossa Secretaria de Segurança levou três meses para descobrir o falso coronel. Creio que não está muito ruim.

  5. Capitão Marinho disse:

    Meu nobre Guru,

    É impressão minha ou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Rio não tem ninguém que entenda de segurança pública para poder ver que esse “coronel” não entendia do “riscado”? Ou será que os funcionários da SSP acharam que esse “coronel” estava empregando novas doutrinas de segurança pública criadas pelo Exército? E o pior, eles nem podem alegar que tomaram uma carteirada do “coronel”, pois esse foi indicado por alguém da cúpula da SSP ou da cúpula do governo do estado do Rio! Até quando pessoas vão morrer frente ao AMADORISMO dos nossos gestores de segurança pública? Autoridades governamentais! Quando estas vão entender que segurança pública não se faz com firmeza na voz e militares do Exército, sem nenhum preparo para desenvolver atividades de segurança pública, à frente das operações ? Triste realidade na segurança pública fluminense! MUITO ESTARRECEDOR!!!
    Com meus pêsames,

    Marinho.

  6. Luiz Monnerat disse:

    Prezado mestre Jorge,

    imagino que este caso não tem importância como a mídia tentou explorar. É simples crime de falsidade ideológica, para o qual, no Brasil, não se dá a mínima. Tiririca é analfabeto e declara de ‘próprio’ punho que sabe ler e escrever. Uma candidata à Presidência declara em seu currículo que tem Mestrado e a universidade declara que ela não tem… e fica por isso mesmo. É Brasil! Um abração. Monnerat

  7. Paulo Xavier disse:

    Para chegar à graduação de terceiro sargento e se tornar apto a comandar uma guarnição de Patamo por exemplo, o cidadão tem que prestar concurso para a PM e uma vez aprovado passar por uma rigorosa investigação social, concluir o Curso de Formação de Soldados, depois prestar concurso para Cabo e concluir o Curso de Fomação de Cabos e ser aprovado em ambos, depois encarar uma seleção para Sargentos e se aprovado, concluir o CFSgt. Não terminou, é que para comandar um Patamo o Sargento tem que ter liderança e disposição de ir na frente, senão perde o respeito dos comandados. Citei esse fato para se ter uma noção de como a coisa é complexa, aí de repente me aparece um falso coronel do EB mandando e desmandando, é brincadeira , não!!!!.

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