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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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ELEIÇÃO PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. APOIO CRÍTICO

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Com o presente “post”, descumpro promessa que fiz a mim mesmo: não utilizar o blog para fins político-eleitorais. Consegui conter-me durante a campanha no âmbito do Estado, embora os que me conhecem soubessem de minhas ligações políticas e, consequentemente, das preferências (o que também devo ter deixado transparecer nas postagens). E igualmente os mais chegados, a quem revelei quais eram os meus candidatos, em particular o candidato a governador, Fernando Peregrino, do PR.

Agora temos o 2º turno para a presidência. Dois candidatos, Dilma Rousseff e José Serra. Parecia fato consumado, pelas “certezas” dos institutos de pesquisa, que a candidata Dilma seria eleita no 1º turno, o que não aconteceu. Bom que tenha sido assim, como apregoava a candidata Marina Silva.

Ao aproximar-se o 2º turno, percebe-se que muitos eleitores estão ou ficaram indecisos, o que em parte decorre da enxurrada de desqualificações mútuas. Ora, se cada um usa o tempo disponível para apontar os defeitos do outro, os eleitores concluem: estamos diante de dois candidatos que se igualam em defeitos, e em menhuma virtude. Sem contar o repentino fundamentalismo religioso (ecumênico!…) que passaram a exibir.

Também estive indeciso, mas minha indecisão não decorria desse fato. Na corrente política de Dilma, dois pontos principais me incomodavam e incomodam: o exagerado aparelhamento partidário da máquina pública; e a tolerância com pessoas envolvidas em escândalos. Na de Serra, também dois pontos principais: a ortodoxia neoliberal pregada pelo grupo que representa, defendida por ele no íntimo, porém negada em público; e a associação com o velho conservadorismo, sobretudo de setores radicais do DEM, partido avesso às mudanças, às conquistas dos trabalhadores e ao movimento social; partido que, por exemplo, tem-se colocado como adversário obsessivo da luta de negros e indígenas por igualdade, e intolerante com os homossexuais.

Pensei muito e pesei os dois lados. Decidi votar em Dilma, pelas seguintes razões: primeiro, por minhas raízes, identidade social e ideologia; segundo, porque não vejo qualquer incompatibilidade – como muitos, de mesa farta e de cima, vêem – em se dar peixe a quem tem fome enquanto se lhe ensina a pescar; terceiro, porque temo a volta da “paulistanização” da República, com a reedição de um “paulistério”; quarto, porque, cidadão do Rio de Janeiro (bairrismo?), estimo que a propalada união entre os governos federal e estadual (e municipal) se mantenha na prática, a fim de que os investimentos federais em curso no Estado não sofram solução de continuidade, e sejam ampliados. Com Serra, não sei…

E espero que Dilma, se eleita, leve em consideração as críticas que fazem ao governo Lula, boa parte delas procedentes.

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19 comenários to “ELEIÇÃO PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. APOIO CRÍTICO”

  1. iara cruz disse:

    Caro mestre,
    Fiquei muito dividida na hora de votar para deputado estadual, considerando que duas pessoas da minha mais alta estima eram candidatos. Acabei optando pelo Cel. Ubiratan, que, infelizmente não foi eleito. Mas, em relação aa presidência da república, em nenhum momento tive qualquer dúvida exatamente pelos mesmos motivos expostos no seu artigo.
    Isso quer dizer: Concordo literalmente com v. e voto na DILMA.
    bjs

  2. Luiz Monnerat disse:

    Prezado mestre Jorge,
    temos que respeitar a tua escolha após a ‘pesagem’ que relatou, mas não houve nada a favor do Serra? O simples descontinuismo do que lamentavelmente temos assistido neste governo, que é uma caricatura do que temos de pior nesta pobre Am. Latina, já seria algo a considerar com algum peso a favor da DEMOCRACIA, conceito que o PT não gosta de considerar, vide PNDH3!
    A visão de democracia, infelizmente, quase sempre depende de circunstâncias totalmente alheias ao que pode influir na sua significância. Por isso, lamento o teu voto para a vanguarda do atraso e não sei se houve influência do manifesto dos “intelectuais e artistas” tupiniquins em apoio à guerrilheira ( cujo passado político é só este, somado à extemporânea indicação feita por um analfabeto ), tipo Leonardo Boff e o compositor cubano/brasileiro Chico Buarque e outros que estão dizendo agora que não aderiram a manifesto nenhum. Mas, considerando o nosso entorno… Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Equador, Cuba e outros mais, acho que de fato não poderíamos destoar…pois temos que continuar aqui mesmo. Um abraço. Monnerat

  3. ALEXANDRE SANT'ANA disse:

    PERFEITO!É POR ESSAS E OUTRAS QUE VOCÊ É TAMBÉM O MEU ÍDOLO!

  4. Fatima Silva disse:

    Pelos mesmos motivos apresentados vou votar na Dilma.

  5. josé antunes disse:

    Companheiro Jorge da Silva;
    Com todo respeito ao seu artigo.
    No meu caso voto em DILMA por um grande motivo;
    Ser bancário de um banco estatal nos idos dos anos 70, era a garantia certa de uma velhice certa aos 60 anos e com um salário que daria para VIVER.
    FHC e o PSDB simplesmente entregaram os bancos estatais aos bancos privados em um GRANDE NEGÓCIO DA CHINA”
    Aqui no Estado do Rio de Janeiro com a demissão sumária de 14 mil trabalhadores A “parte boa” foi vendida ao banco Itaú que arrematou o BANERJ por R$ 311.101.000,00, devendo ser ressaltado que 50% deste pagamento foram efetivados com as “moedas podres”.
    Foi um verdadeiro esquartejamento do Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A. A propósito desse período sombrio vivido pelos verdadeiros mártires trabalhadores é oportuno lembrar que o Senado Federal de FHC em uma noite de 17/06/1997 corriam contra o tempo já em plena madrugada. Lançando a própria sorte o maior patrimônio que é o ser humano- Fomos lançados ao limbo das ávidas geenas.
    A Dor, o desespero, indignação, perplexidade, abandono, a lenta justiça do trabalho e a desolação diante das incertezas quanto ao meu futuro tomou meu coração e mente de amargura.
    Fiz um concurso público, estudei um ano contabilidade, matemática financeira e datilografia. Não ingressei no BEG, por indicação ou apadrinhamento político.
    Meu voto é de DILMA!
    Desejo a FHC vida longo. Que chegue ele aos 100, em uma cadeirinha de rodas. Talvez assim com a sua genialidade de acadêmica, possa fazer uma autocrítica do mal que seu governo fez com 100 mil trabalhadores de bancos estatais e de outras também privatizadas e da sua história que ele abjurou…

  6. jorge disse:

    Caro Antunes,

    Você começou o seu comentário com a expressão “Com todo respeito ao seu artigo”, e afirmou que o seu motivo para votar em Dilma era outro: a privatização do Banerj. Ora, esse foi um dos motivos que mencionei para não votar em Serra. Só que utilizei a expressão “ortodoxia liberal”, política defendida pela corrente que o sustenta.

  7. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Prezado Jorge,

    As suas opiniões são sempre arrazoadas e resultado de reflexão sobre os temas abordados. Acrescente-se ainda a sua experiência de homem público com mais de quarenta anos, ocupando sempre altos cargos na administração pública, além de longa experiência no magistério. Por esses motivos é muito difícil não concordar com as suas opiniões. No entanto, excepcionalmente ousarei discordar de sua opinião em relação a Dilma. Na verdade nós somos refens de um “Sistema de Poder”. Tanto faz a Dilma ou o Serra o Sistema permanecerá inalterado. Se fosse possível algum dos dois assumirem e se ninguem soubesse quem era o Presidente niguém notaria nada.
    Os grupos políticos lutam para a conquista da gestão do Sistema. As questões que você coloca sobre políticas neo-liberais, diminuição das conquistas dos trabalhadores, direito de minorias etc. tudo isso não dependerá do Presidente, mas do Sistema. Tudo que interessa ao Sistema será alcançado, o que não interessa rejeitado. Quanto ao bolsa-família ou fábrica de votos, permanecerá porque interessa ao Sistema. Também em relação a sua preocupação dos investimentos federais no Rio de Janeiro, estes também estão garantidos: em primeiro lugar por interessar ao Sistema e em segundo lugar pela competência do nosso Governador que transita com desenvoltura em todos os escaninhos do Sistema. A nossa decisão então deve passar pela simpatia. Se tivermos simpatia pelos atuais gestores do Sistema devemos votar em Dilma. Em caso contrário, no Serra. Não fará diferença pois o Sistema continuará o mesmo. Essa é a forma de voto consciente.

  8. jorge disse:

    Caro Adilson

    Você tem razão. O meu ponto é que o “sistema” não tem só uma face. E aí é que está o problema: escolher a face menos feia do sistema, razão pela qual continuo a achar que a ação humana pode fazer a diferença. Caso contrário, é só tirar no cara-ou-coroa (sem trocadilho).

  9. Nei Lopes disse:

    Preciso, perfeito, como sempre, amigo Jorge da Silva!
    peço licença pra reproduzir o trecho final no Meu Lote.
    Forte abraço!

  10. jorge disse:

    Caro amigo,

    Uma honra ter algo que escrevi transcrito no seu blog.
    Obrigado,
    Jorge

  11. Letácio Jansen disse:

    Prezado amigo Jorge: Depois que nós dois aderimos à candidatura da DILMA ROUSSEF à presidência ela, logo, subiu nas pesquisas, tornando-se praticamente imbatível. Foi o nosso apoio, ou terá sido mera coincidência ? Abraços do Letácio

  12. jorge disse:

    Caro amigo Letácio,
    Pelas pesquisas, ela estaria eleita no primeiro turno. Precisamos de votos.
    Abraço

  13. Ana Tereza disse:

    Também votarei na Dilma. Tenho restrições à política desenvolvida pelo PT, nos termos ditos no post, e também pelo fato de não acreditar na sustentabilidade dela a longo prazo, em razão dos exorbitantes gastos públicos não custeados pelo retorno de investimentos. No entanto, são inegáveis as imensas conquistas sociais atingidas pelo governo Lula. O PSDB no poder representará um retrocesso, justamente com relação a essas conquistas, e como “preta” e “pobre” não posso compactuar com isso.

  14. Capitão Marinho disse:

    Prezado Guru,

    O senhor, como sempre, esbanjando sensatez! Vou aproveitar o ensejo para deixar aqui registrado o último paragrafo do meu texto que declaro apoio a Dilma.

    Como oficial do Exército, garantidor da lei e da ordem (Art 142 da Constituição Federal), ficarei feliz em ver os meus e as minhas compatriotas exercendo o direito do voto. Entretanto a minha felicidade será inenarrável com a vitória de Dilma, pois sei que verei o Exército perfilado, em posição de continência, para a passagem, em revista à tropa, de uma MULHER! Esta será a Presidenta do Brasil, Comandante Suprema das Forças Armadas, e trará com ela o legado e a garantia da continuidade do melhor governo que já existiu neste País, o governo do Presidente Lula! Por isso, eu voto em Dilma para Presidenta do Brasil!

    Com meu apreço,

    Marinho.

  15. Adilson da Costa Azevedo disse:

    Caro Mestre,

    No meu comentário não declarei o meu voto o que faço agora. Todas as manifestações do voto na Dilma tem sido dentro das ponderações tão bem colocadas por você. No entanto, eu votarei na Dilma também pelo imponderável. Na hipótese do Serra ter um impedimento compulsório, assumirá o Indio, jovem brilhante, porém sem a necessária experiência para administrar um gigante chamado Brasil. Penso que se isso acontecesse, poderia episodicamente, colocar em risco muitas conquistas sociais adquiridas nos governos Fernando Henrique e Lula. Não tenho preocupação em relação ao Michel Temer se acontecesse o mesmo com a Dilma por motivos óbvios. O Michel está familiarizado com os “intestinos” do Poder e a nau seguiria sem grandes problemas.

  16. jorge disse:

    Caro Adilson,
    Bem lembrado. Eu não tinha pensado nisso.

  17. Paulo Xavier disse:

    Perfeita sua explanação Cel. Após as eleições do primeiro turno, juntei-me ao grupo de indecisos entre Dilma e Serra, porém o que pesou mais contra o Serra foi o famigerado Fator Previdenciario de FHC (entendo PSDB) que me surrupia todo mês quase R$2.000,00 da minha aposentadoria, uma tremenda covardia, além dos demais fatos tão bem citados no seu artigo. Parabéns

  18. R.A. Muniz disse:

    Prezado Jorge

    Li com atenção sua argumentação,espero que vc esteja certo,da mesma maneira que desejo que ela acerte para o bem geral, e que saiba segurar o PT que a tudo atropela,não conhece limites. Como disse Garotinho é o partido da
    boquinha,protetor de toda e qualquer patifaria dos apaniguados.
    Continuo desejando o êxito,mas p/ acontecer,muita coisa terá que ser mudada, aí reside minha esperança de que esteja certo. SDS Muniz

  19. jorge disse:

    Caro amigo e eterno comandante Muniz,
    O senhor tem razão. Um dos motivos da minha dúvida era exatamente esse: a condescendência do governo Lula com pessoas envolvidas em escândalos (como escrevi). Ao apoiar a candidata Dilma, não apoiei uma pessoa, e sim uma vertente política, da qual, concordo, o PT não é o legítimo representante. Na outra vertente, uma linha política contrária às mudanças, como se a sociedade brasileira fosse toda arrumada, sem preconceitos, com cada “coisa” no seu lugar…

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