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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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RACISMO OU OUTRA COISA?

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De São Paulo vêm notícias sobre dois casos curiosos, como se lê no G1 SP, do Globo.com:

Primeiro caso (26/08/2010):

Justiça condena SP a indenizar aluno por texto em que homem preto é vilão / 

No texto, pais são azul e vermelho, filhos são rosa e homem preto é ameaça. Garoto de sete anos teve problemas psicológicos e teve de ser transferido.

O governo de São Paulo foi condenado a pagar indenização de R$ 20,4 mil à família de um aluno negro que em 2002, aos sete anos de idade, apresentou problemas de relacionamento, queda na produtividade escolar e fobia em relação ao ambiente, tendo que ser transferido, após uma atividade escolar com conteúdo considerado racista em uma escola estadual. Cabe recurso.

Segundo caso (20/08/09): 

Cliente negro diz que foi confundido com ladrão e agredido em hipermercado

O segurança e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, foi agredido por seguranças do supermercado Carrefour, em Osasco, na Grande São Paulo. Ele foi confundido com ladrões e considerado suspeito de roubar seu próprio carro. O caso foi registrado no 5º Distrito Policial da cidade.

‘Pelo amor de Deus, o carro é meu’, disse homem confundido com criminoso / Homem negro afirma que foi agredido e humilhado em Osasco. Ele esperava a família que fazia compras em um supermercado”. 

 

As dores diminuíram, mas nesta quarta-feira (19) o segurança e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana recebeu uma má noticia do dentista: as agressões afetaram o maxilar. Ele conta que foi espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Osasco, na Grande São Paulo, ao ser confundido com um assaltante. Segundo ele, os agentes acharam que Santana queria roubar uma moto e o próprio carro onde estava.

Bem, isto em São Paulo… Só em São Paulo? Regra ou exceção?

 

 

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6 comenários to “RACISMO OU OUTRA COISA?”

  1. Eron disse:

    Ainda acho que estes fatos são regra em nossa sociedade que continua a perpetuar a mentalidade colonial, isto é, o negro por conta de sua cor continuar sendo visto como ser inferior.
    Lamentável que exemplos sitados no texto em que o Sr. postou continuem a acontecer nos dias atuais, mas enquanto a sociedade continuar a rebaixar o negro e este por sua vez não correr atrás dos seus direitos fatos como estes continuarão a acontecer, por isto a importância de blogs como este para debater este assunto tão delicado e tão presente em nossa sociedade.

  2. marcela fostes dos santos disse:

    Senhor Professor Jorge da Silva,
    Sou aluna do curso de Medicina da UERJ.
    Sou filha de pai e mãe negros. Ambos professores das redes Estadual e Municipal de Educação.
    Prestei vestibular para a NOSSA universidade, diga-se sem Cotas. Não tenho opinião formada sobre a questão COTAS, os MOTIVOS: Sou filha de funcionários públicos, e bem sei quanto ganha um professor de nível médio no caso da minha mãe, formada em Letras com doutorado em Língua Portuguesa e de meu pai, professor de Física e Química.
    As lutas árduas dos meus velhos fazem parte da minha revolta, quando leio alguns textos dos PENSADORES do nosso BRAZIL (com ‘Z’).
    Vale ressaltar que, não faço parte do MOVIMENTO DENEGRIR e/ou outras agremiações estudantis ou mesmo do DCE.
    Por ter recebido seu texto de uma amiga, li seu POST e resolvi colocar aqui minha opinião.
    SABE professor, a UERJ está “cheia de professores preconceituosos.”
    PRECONCEITO = RACISMO?

    Meu diploma de graduação.
    Meu diploma de mestrado.
    Meu diploma de doutorado 1
    Meu diploma de doutorado 2
    Meu título de Doutor Honoris Causa
    Meu rico conhecimento erudito

    Uma espúria e corporativa “reserva de mercado” que obriga às universidades a contratá-los, alijando os bons professores, os profissionais que trabalham diariamente sobre as matérias que lecionam, levando para a sala de aula a vivência da profissão, seus macetes e dificuldades, a discussão de problemas reais. Mestres e doutores se beneficiam de regimes de dedicação exclusiva ou 40 horas semanais, nenhum deles cumpridos e por vezes, até acumulam salários em instituições diversas.
    Dão ao luxo de criar um “clubinho”, de um inventado pós-doutorado inexistente que lhes afague o ego já inchado de vã e estulta vaidade.
    A Faculdade de Medicina ficou por três meses esperando “dois doutores mestres”, pois, as ‘belezocas’ estavam na Oceania participando dos “colóquios” pagos com o meu, o seu, o nosso imposto.
    Ao indagar do ilustre Professor Doutor sobre as aulas perdidas fui advertida e chamada aluna ‘insolente’.
    Ora, ora, ora, que posso fazer para explicar tais fatos de racismo no Brasil, se os mestres doutores professores são uma camada de imortais preconceituosos?
    Sem comentários!
    Abraços

  3. jorge disse:

    Cara Marcela,

    O seu sentimento, parece, é que se você fosse uma aluna branca e fizesse o mesmo questionamento, talvez o professor não reagisse como reagiu. Acho que sim. Na verdade, “insolente” é um dos adjetivos preferidos por pessoas racistas toda vez que um negro ou uma negra (que consideram de categoria inferior) se atreve a “sair do seu lugar”. Para esse professor, além de você estar no lugar errado (Medicina na Uerj), ainda tem a ousadia de perguntar-lhe sobre as aulas que não deu.

    Cara Marcela, acostume-se a ser taxada, às claras ou pelas costas, não só de insolente, mas também de “petulante”, “atrevida”, “presunçosa”, “abusada”, “complexada”, “metida” e por aí vai (eu me acostumei, sem problemas). Porém não esmoreça. Que atitudes como essa do professor sirvam para estimulá-la mais e mais a lutar por sua cidadania.

    Só faço um reparo no seu desabafo. Refiro-me ao pecadilho da generalização. Você equiparou todos os professores da Faculdade de Medicina (e da Uerj, e de toda a Academia) ao preconceituoso professor. Tenha certeza, ele pertence a um grupo minoritário, embora muito ativo. Mais: e quando você doutorar-se?

  4. marcela fostes dos santos disse:

    Senhor Professor Jorge da Silva,
    Estou no 9º período medicina. Graças a minha persistência fui a 3ª colocada para o referido curso no Medical Residency in Neuroscience no Massachusetts Medical School.
    Após minha coloção em dezembro do corrente ano, já em janeiro de 2010, estarei dando continuidade naquilo que coloquei como determinação em minha vida.

    Quanto a sua pergunta? Quando for eu doutora?
    Ai vai à resposta: Não vou sofrer da “piração do poder”. Além de aprimorar meus conhecimentos acadêmicos professor, resta-me um tempinho para cuidar da minha psique. Não tenho vergonha e, não terei de cuidar do meu interior mental, onde alguns… Sim, alguns que não se cuidaram e sofrem do grande mal que é SINDROME DA PIRAÇÃO DO PODER…

    Aos 24 anos não tenho vergonha de deitar no divã, ler Foucault, Lacan, Stephen Diamond e Sigmund Freud que abordou o tema: “cada um de nós tem um thanatic… e mais profunda compreensão, bem como, amor e PODER.”
    “Alguns eruditos doutores da FACULDADE DE MEDICINA já não têm mais cura para tais anomalias.
    Outrossim, retiro o pecadilho da generalização!!!
    Abraços

  5. jorge disse:

    Cara Marcela,
    Sucesso.
    Você tem razão.
    Abraço,
    Jorge

  6. luiz ribeiro da costa disse:

    Marcela escreveu tudo que eu tenho vontade de falar.

    Boa companheira.
    DE UM UERJIANO

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