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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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“NINGUÉM NASCE FERNANDINHO BEIRA-MAR”

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Grande contribuição aos estudos sobre a violência presta o jornal O Globo com a série de reportagens “O X da questão: rascunhos do futuro”, publicada esta semana, com foco nas dificuldades de se levar educação a comunidades dominadas por traficantes e milicianos no Rio de Janeiro. Trabalho jornalístico de fôlego dos repórteres Rubem Berta e Sérgio Ramalho, arrematado pelo do repórter Antônio Werneck na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias.

 Problemas: a interferência de pais traficantes na escola, a agressividade dos alunos, mormente de filhos dos mesmos, a evasão escolar, o uso de drogas, o trabalho infantil, inclusive no tráfico, em prejuízo das aulas etc. E a conclusão do jornal, conforme manchete deste domingo, 6 de junho: “Ninguém nasce Fernandinho Beira-Mar”, alusão ao fato levantado por Antônio Werneck de que nenhum dos colegas de turma do menino Luiz Fernando da Costa enveredou pela senda do crime, como ele.

 Bem, os dados estão na mesa. Dados jornalísticos importantes. Convite a especialistas e demais interessados no tema, em particular cientistas sociais e gestores públicos, a que aprofundem a análise, a fim de que não se simplifique a questão, como se para a mesma só houvesse uma resposta sobre o que fazer. Duas sugestões:

1ª – que se busque explicitar o significado, ou melhor, os significados da referida expressão, para o que a tentativa da construção de silogismos poderá ser útil. Mais ou menos assim, grosso modo: “Se ninguém nasce Fernandinho Beira-Mar, logo…”. Múltiplas conclusões e propostas de solução surgirão, em diferentes direções, algumas conflitantes.  Todas devem ser levadas em conta. 

 2ª – que se estenda o trabalho a escolas públicas e privadas em geral, pois, como se sabe, também nesses espaços a violência tem sido um sério problema, ainda que, às vezes, com conotações próprias, porém não menos grave. Tema proposto: VIOLÊNCIA NA ESCOLA.

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9 comenários to ““NINGUÉM NASCE FERNANDINHO BEIRA-MAR””

  1. Paulo Roberto disse:

    Foi realmente uma série de reportagens muito interessante. Esse tema me lembra o filósofo Spinoza que disse – se não me engano – que “cada um é o que é, mais as suas circunstâncias”. Sem dúvida as inclinações pessoais de cada um são extremamente relevantes quando se trata de analisar suas escolhas na vida. Acredito que algumas pessoas têm uma verdadeira vocação para o crime, não importa quantas oportunidades possam ter: sendo pobres serão traficantes, sendo ricos serão “colarinhos brancos”. Uma maior ou menor sofisticação nos métodos, uma maior ou menor ambição nos objetivos, mas sempre transgressores em prejuízo da comunidade. Outras pessoas, no entanto, são fortemente influenciadas pelo meio em que vivem e pelas opções de que dispõem. Penso que estas são a maioria, e é para elas que a educação de qualidade é uma verdadeira tábua de salvação. Evidentemente, criar cidadãos educados e conscientes de seus deveres e direitos irá gerar uma pressão enorme por mudanças: maior justiça social, melhores serviços públicos, punição para corruptos, voto mais responsável, etc, etc. Em outras palavras, menos violência cega, menos criminalidade talvez, porém, mais demandas sociais, mais tensão na relação entre os obscenamente ricos e os pobres (por espoliados, entenda-se). E aí não haverá carro blindado, helicóptero particular, condomínio de luxo, ou casa em Miami que dê jeito… Será que a nossa “boa sociedade” está preparada para isso?!

  2. Paulo Roberto disse:

    Aliás, só pra terminar, já ouvi de um policial civil que “a nossa sorte” é que “esses marginais são primários, ignorantes demais”. “Se der educação pra esse povo, ninguém segura!” concluia ele. Bom, me abstive de qualquer comentário na ocasião, mas, imagino que não seja um raciocínio tão peculiar a este policial…

  3. Eron disse:

    A educação é o caminho mais viável para que a criança e o jovem venha a largar as práticas erradas, entretanto com um sistema educacional falido fica difícil pôr em prática ações que visem contribuir para a melhoria das condições de vida dos mesmos.
    Fala-se muito que o meio em que o ser vive influencia em sua formação, este é um “belo” exemplo desta tese. Se o estado não entrar com a ações educacionais consistentes nas áreas carentes infelizmente o meio irá influenciar, negativamente, estes moradores. Ninguem nasce Fernandinho beira mar, mas pode vir a se tornar mais um, lamentavelmente, por culpa da falência do sistema público.

  4. Marco Aurélio disse:

    Meus amigos, vamos parar com esta hipocrisia de que o convívio social em comunidades inflluencia a criança e o adlolescente para o tráfico ou práticas erradas. O que falar então de um Dantas, “o Lalau”, Pedro Dom, Arruda e outros mais. Não nasceram em comunidades. Tiveram todas as oportunidades do mundo, vocês não acham?
    O coronel Jorge da Silva, atualmente professor da Uerj, sabe que a maioria da população que vive em comunidade é constituída de pessoas de bem, que trabalha, honra os seus compromissos, ou seja, são pessoas dignas. Infelizmente, uma ínfima parcela desta população escolhe o outro lado por falta de oportunidades e outros motivos estritamente pessoais ( violência no lar é um deles). Se o poder público, não de agora, desde a “Libertação dos escravos”, tivesse a preocupação de cuidar dos necessitados, com certeza, a nossa população menos favorecida não estaria desta forma, nem seria preciso a elite andar de carro blindado, helicóptero particular, condomínio de luxo parecendo bangu 1,2,3,4… e outras coisas mais! Sou fruto de uma comunidade e como muitos outros amigos que vivem lá, são pessoas íntegras, mas só que não tivemos escolha, “fomos livres do açoite da senzala, porém, preso na miséria da favela!

  5. Paulo Roberto disse:

    Marco Aurélio, não acredito que exista qualquer relação necessária entre pobreza e criminalidade. Tanto que acredito que existam, proporcionalmente, muito mais criminosos no Congresso Nacional do que no Complexo do Alemão. Sobretudo numa sociedade como a nossa, onde a elite tem a cultura do saque ao que é público. O que me parece, no entanto, inegável é que o engajamento no tráfico de drogas acaba sendo uma opção “profissional”. Evidentemente, para aqueles que tenham a mínima “vocação” – e não só para o crime, mas para suportar os riscos inerentes a qualquer atividade que envolva confrontos, mortos, etc.
    A verdadeira hipocrisia reside, na minha opinião, que nossa sociedade seja tão leniente e tolerante com os crimes de colarinho branco – sempre praticados por aqueles que tiveram mais educação, mais preparo, mais oportunidades – e pretenda ser tão rigorosa com os delitos praticados pelos mais pobres. Talvez por que esses crimes envolvam violência física ou ameaça e, normalmente, sejam praticados contra as classes média e alta, e não contra o erário.
    Um dia nossa boa sociedade vai entender o tráfico de drogas, o furto, o assalto, são os “esquemas fraudulentos”, as “licitações superfaturadas”, os “devios de verbas”, os “cargos comissionados”, de dispõem os mais pobres.

  6. kALLISON disse:

    ESSA MALANDRAGEM NÃO VAI ACABAR NUNCA. A JUSTIÇA É BANDIDA, É SUJA. ESSE FERNADINHO BEIRA MAR,JA ERA HA TEMPO PRA TA DEBAIXO DO CHÃO, MAS QUEM É LOUCO PRA O MENOS DIZER Q ELE É FEIO? QUEM? ATE A POLICIA FEDERAL TEM MEDO DELE. ELE MESMO DENTRO DA PRISÃO, MAS COMANDA UM GRANDE CRIME ORGANIZADOS POR AI A FORA.
    ESSE MARGINAL TA PRESO NEM SEI PRA Q? SE ELE TEM TDO Q QUER DENTRO DA CELA ESPECIAL DELE. VC SABIA Q NA CELA DELE TEM TV A CABO, FRIGOBAR, CENTRAL DE AR, SUITE, E MUITO MAIS CONFORTO. PRA Q MELHOR? É MUITA SUJEIRA NESSE BRASIL SUJO.

  7. kALLISON disse:

    OU EU TO ERRADO? ME DIS AI…

  8. jorge disse:

    Caro Kallison,
    Cada um com a sua certeza.

  9. Jackie disse:

    O Fernandinho Beira-Mar é um bandido. Ele foi considerado responsável pelos delitos atribuídos, que incluíam algumas mortes de desafetos. A justiça considerou que a sociedade deveria ser protegida e o criminoso segregado. Muito bem.
    Mas Fernandinho não é pior que outros bandidos, os que inclusive legislam, que corrompem; que desviam fundos públicos; que censuram a prensa e que destroem o futuro de gerações de brasileiros. Fernandinho deixou um par de cadáveres, mas a indústria do tabaco produz anualmente 250.000 cadáveres… E ninguém imagina uma montanha de 250.000 cadáveres nas portas dos tribunais porque o tabáco é legal e a justiça dirige sua proteção de acordo com a legislação, ou melhor: neste caso com o lobby tabagista que desvia a atenção social, criminalizando tudo o demais, menos o tabaco. E assim temos indivíduos “ficha-suja” mas lavada e uns 170 “excelências” com processos criminais decidindo o destino da nação de acordo com as conveniências da sua agenda pessoal. Um único político, num ato só, causa danos maiores e mais extensos no tempo que Fernandinho em toda sua carreira. A saúde pública sucateada não é obra dos Fernandinhos; a educação desfigurada não é culpa de traficantes e a miséria no Maranhão tem tudo que ver, e nada com Beira-Mar.
    O Fernandinho não poderá utilizar internet para estudar porque existe a possibilidade que utilizará o meio para fins ilícitos. Mas o maior traficante preso no Brasil, o “Chupeta” Abadía – autoridade na matéria – d

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