- Jorge Da Silva - http://www.jorgedasilva.blog.br -

CHUVAS, ÁREAS DE RISCO E REMOÇÕES

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Em “post” anterior (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=1314 [1]), disse que os “removistas” (grupos que sonham ver o Rio de Janeiro livre de suas favelas a qualquer custo) tinham capitulado ante a inviabilidade de materialização do seu sonho. Afirmei isso antes da tragédia que se abateu sobre a cidade e o estado. Errei, pois não capitularam coisa alguma. No fundo, fingiam apoiar as políticas de urbanização, à espera de um lance favorável ao seu “jogo”. Não poderia imaginar que a obsessão desses pregoeiros da apartação os levasse ao ponto de se aproveitar da tragédia para retomar o velho projeto. Foram ágeis em criar uma perversa racionalização, valendo-se da comoção social com o drama de centenas de famílias. Não perderam tempo em pôr a culpa pelas mortes nos mortos. Alegando compungida preocupação com os que moram em “áreas de risco” (expressão bem a calhar…), pregam políticas de remoção no atacado, alargando ao máximo o conceito de “área de risco”. Fingem adorar pobres e ter pena deles. Daí, concluem que encontraram uma equação infalível: áreas de risco + pena de pobre = remoções em escala

É óbvio que, em alguns casos, a retirada de pessoas de determinados locais é absolutamente necessária. Ocorre que falam e falam em remoções, mas não dizem para onde. Claro: isso não interessa. Qualquer “abrigo” improvisado para amontoar as pessoas como gado servirá. Depois… Bem, depois é depois. Os removidos que corram atrás de outra novidade a calhar, o “aluguel social”.  

Que os governantes não sucumbam às pressões desses grupos, mesmo porque isto só serve para provocar mais dissensões na sociedade. E violência…