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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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“HOW TO LIE WITH STATISTICS”

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COMO MENTIR COM AS ESTATÍSTICAS

 

Estamos nas “Cinzas”, tempo de purgação de pecados e de busca da verdade. A propósito, convido os preocupados com a violência à reflexão sobre os descuidos com a verdade, e refiro o livro How to lie with statistics (Port. Como mentir com as estatísticas) que trata dos descaminhos a que pode levar a forma como os números são “lidos” e divulgados. Exemplo gritante deste fato foi a manchete de primeira página do jornal O Globo do último dia 9 do corrente:

 

“Taxa de homicídio no Rio em 2009 foi a menor da década”

 

Era a repetição de outra manchete de primeira página, publicada em 18 de outubro passado, no mesmo tom, com igual vício:

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“Números da violência caem no Rio”

 

É compreensível que a mídia não seja mais um fator a contribuir para o medo das pessoas, porém um ensinamento do autor do citado livro adverte para as possibilidades de utilização dos números com outros objetivos: ‘The secret language of statistics […] is employed to sensationalize, inflate, confuse, and oversimplify’ ((Tradução livre: A linguagem secreta da estatística […] é utilizada para produzir sensação, aumentar, confundir e simplificar demais).

 

Pergunto: qual o objetivo de “descuidos” tão evidentes? Poupo-me de tentar responder, mas reitero o convite à reflexão, em momento tão propício, o das “Cinzas”.

A acurada análise de Marcus Miranda, que encontrei no Observatório da Imprensa sob o título “Dados manipulados sobre violência” (edição 577, de 16/02/2010) em que refere matérias do jornal O Globo, pode ajudar. Aí vai o “link”. É só clicar:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=577IMQ004

 Obs. Referência do livro, se for de interesse: HUFF, Darrell. How to Lie with Statistics. New York: Norton, 1954. (Pode ser comprado pela Internet). Não sei se foi traduzido para o português. 

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6 comenários to ““HOW TO LIE WITH STATISTICS””

  1. Arlete Maria Rosenberg disse:

    Como comentar tais post se leis dúbias como instaladas aqui nessas plagas são violadas contra a sociedade;
    “A decisão da Justiça de colocar em liberdade e sob proteção do governo federal um dos assassinos do menino João Hélio revoltou parentes e a defesa do menino. Segundo o advogado que representa a família de João Hélio, Gilberto Pereira da Fonseca, os pais do menino que morreu aos Seis anos de idade estão inconformados. “Não há nada que possa ser feito. A decisão não é passível de recurso. ”

    Sem comentário não professor?
    Mãe, professora, brasileira,carioca e revoltada!

  2. Paulo Roberto disse:

    Sem dúvida lamentável, Professor… A manipulação dos números foi tão evidente que na mesma notícia que informa que o número absoluto de homicídios está crescendo acima dos cinco mil mortos por ano se estampa em letras garrafais que o número de homicídios é “o menor da década”! Isso, com a canhestra explicação que o ISP usa números populacionais próprios e diversos do IBGE e do instituto estadual que trata dessa matéria. Faltou explicar que critérios o ISP se utiliza para auferir o aumento da população do estado e por que diferem dos demais…
    O mais grave dessa situação, entretanto, me parece o fato de que estamos discutindo as notícias dadas POR UM ÚNICO JORNAL, ou seja, o estado do Rio possui apenas um único meio de comunicação impressa. Pior, este meio de comunicação já deu diversas mostras que se coloca incondicionalmente ao lado do governo do estado, serve como verdadeiro instrumento auxiliar no combate puramente midiático da criminalidade. É impressionante: o governo do estado diz que o “enfrentamento” é bom, então o “enfrentamento” é bom; o governo muda tudo e agora o negócio é ocupar e pacificar, então ocupar e pacificar é que é bom. Não há nenhuma análise crítica do que se faz. Não há debate. É o simples “faremos todos o que seu mestre mandar”. Acho que foi Goebbels quem disse que “uma mentira repetida mil vezes acaba se tornando uma verdade”, pois então, no “país das maravilhas” das UPPs, em que a paz e a tranqulidade resplandecem, os índices de criminalidade só podem cair e cair continuamente… O azar dos adeptos desse método (?) de fazer segurança pública é que as balas de pistola ou fuzil, a fumaça dos ônibus incendiados, o sangue dos mortos, são coisas bem reais – extremamente reais – e mais cedo ou mais tarde “arrombam a festa” das nossas “Alices”…

  3. Cara Sra. Arlete,

    Também estou perplexo, por uma razão especial.
    Durante o tempo em que fui secretário de Direitos Humanos do RJ (2003-2006), tivemos o Programa de Proteção a Testemunhas e Vítimas Ameaçadas – PROVITA, programa do próprio Estado, ligado à Secretaria. Em três anos, acolhemos e mandamos para outros estados, a cada ano, dezenas de testemunhas e pessoas efetivamente ameaçadas. Era (não sei se o Estado o desativou) um programa para adultos. Jamais aceitamos alguém envolvido com a bandidagem, requisito número 1.
    Não sou daqueles que entendem que a solução para a dilinquência juvenil seja prisão, prisão, prisão e porrete. Porém, no caso do tratamento dispensado a um dos algozes do menino João Hélio, trata-se, sem sobra de dúvidas, de gritante inversão de valores, ainda porque, mesmo “internado”, o agora “maior” liderou duas rebeliões.

  4. Eron disse:

    A população deveria ter acesso aos dados reais que são obtidos, assim teríamos ciência da eficiência dos setores chamados essenciais. Manipular os dados é decretar a falência destes.

  5. Caro Eron,
    Os dados estão disponíveis. O problema é a manipulação dos mesmos. Exemplo: se cinco tipos de crime sobem e um cai, um jornal pode decidir colocar ênfase no que caiu e generalizar, dizendo que tudo caiu. Ou o contrário. Fazem isso a todo instante, descaradamente. Depende de quem está no poder.

  6. Eron disse:

    Concordo plenamente Prof. Jorge da Silva.

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