APs e UPPs. Zona Sul, Zona Norte e “periferia”
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Em “post” anterior (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=786), chamei a atenção para a contradição de decisão governamental em face do drama vivido pela população da Grande Tijuca e adjacências. Os frequentes assaltos, assassinatos, tiroteioos e o domínio do tráfico tinham chegado ao cúmulo da derrubada, em 17 out 09, de um helicóptero da polícia, com a morte de três policiais. Agora, vê-se que a situação permaneceu a mesma, não se compreendendo por que o assunto foi esquecido por quem NÃO não vive lá. Após a morte do “chefe” do Morro do Salgueiro nesta quarta feira, dia 3, o comércio de boa parte da Tijuca permaneceu fechado por ordem dos traficantes. Estava fechado até ontem à noite, como nos dão conta os jornais.
Deu, por exemplo, no Extra Online de ontem, dia 4.:
Tiros assustam moradores da Tijuca durante velório de chefe do tráfico do Morro do Salgueiro.
RIO – O comércio segue fechado na Tijuca, nesta quinta-feira, apenas na Rua General Roca, no quarteirão entre a Rua dos Araújos e a Rua Bom Pastor, por conta da morte do traficante Fabio Barbosa de Moura, o “Fabinho do Salgueiro”. Ao todo, sete lojas não abriram na área, que fica no pé da comunidade. Apenas duas lojas do quarteirão, uma oficina mecânica e um salão de beleza, abriram as portas. Em sinal de luto, dois panos pretos foram estendidos em lajes do Salgueiro.
A propósito, trancrevo a seguir trecho do “post” acima mencionado, no qual especifiquei exatamente a Tijuca:
[...] Há pouco mais de um mês, traficantes da área chegaram ao cúmulo da ousadia: abater um helicóptero da polícia, matando dois PMs. E continuam lá, impondo o terror inclusive no “asfalto”. Solução: instalar uma “Unidade Pacificadora” em Ipanema, no Morro Pavão-Pavãozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, também em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas últimas, o Sr. governador mandou um recado: “Já estou avisando para os traficantes irem embora para não haver mais problemas”. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alemão? Vão permanecer soltos?”
E agora José, diria Drummond?
Obs. Esclareço que não moro na Tijuca, nem próximo a ela.
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Apesar de não residir na Tijuca, fiquei sabendo – pela mídia e também por relato de amigos que frequentam o bairro – sobre as constantes ameaças do banditismo, expressas em ações violentas a nortearem a rotina dos tijucanos. Não sou conhecedora de políticas de segurança pública, mas acredito que efetivos programas governamentais possam, minimamente, amainar esse estado de coisas. Infelizmente, temos notícia, a todo momento, de furtos, roubos e crimes cada vez mais cruéis. Com certeza, advertir os criminosos, expulsando-os dos morros localizados no bairros mais nobres do Rio não constitui medida para “limpar” a cidade, redundando contrariamente em efeitos regionais glocalizados. E a Tijuca torna-se, mais uma vez, o alvo de uma criminalidade aterradora. Somente uma estratégia bem eleborada de Segurança Pública é capaz de melhorar a situação de pavor que toma conta dos cariocas. Para tal, creio, textos como estes – advindos do conhecimento de um dos maiores especialistas mundiais do âmbito, o Cel Jorge da Silva – podem ajudar a despertar uma conscientização coletiva, bem como despertar as autoridades governamentais para a iminente necessidade de efetivas ações.
Cara Sra. Raquel,
Em vários “posts” neste Blog (e há anos em outros textos) tenho manifestado preocupação com a necessidade de se promover a integração social do Rio de Janeiro, de vez que boa parte da violência que nos assola, dentre outros problemas urbanos, é conseqüência de políticas elitistas adotadas ao longo do tempo. Hoje, os recursos são captados em todo o Estado e concentrados, de forma desproporcional, nas áreas nobres da capital. Isto é um absurdo. Lamentavelmente, em particular após a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos, essa tendência segregacionista tem-se acentuado. Não bastasse a concentração de recursos e serviços na Zona Sul (nada contra, a não ser o exagero…), parece que as autoridades, em vez de buscar soluções, resolveram empurrar os problemas (traficantes, pedintes, “menores”, população de rua etc.) para a “periferia”.