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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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ENQUETE (Para quem NÃO mora na AP2.1 (Zona Sul do Rio))

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SEM ENTRAR NO MÉRITO DAS CHAMADAS UPPs, MAS TENDO EM VISTA QUE HÁ DOMÍNIO DO TRÁFICO EM CENTENAS DE “COMUNIDADES” DA CIDADE DO RIO (E DE VÁRIAS CIDADES DO ESTADO), EM QUAIS AS REFERIDAS UPPs DEVERIAM SER INSTALADAS COM PRIORIDADE, SE FOSSE O CASO?  

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21 comenários to “ENQUETE (Para quem NÃO mora na AP2.1 (Zona Sul do Rio))”

  1. Paulo Roberto disse:

    Professor, imagino que a instalação das UPPs devam seguir um plano global de combate ao crime organizado no estado como um todo, e que, portanto, existam razões técnicas para a escolha da Zona Sul para receber primeiramente as Unidades “Pacificadoras”… Como de hábito em nosso país, não encontrei em lugar algum uma exposição técnica destes motivos, nem mesmo numa entrevista do Comandante Geral da PM que li no Globo Niterói. Aliás, na entrevista, o Coronel Mário Sérgio – reconhecidamente um dos homens mais capazes da PM fluminense – afirmou que não havia previsão para a instalação de UPPs fora da cidade do Rio de Janeiro. Também não encontrei qualquer esclarecimento sobre o que o governo do estado pretende fazer diante do óbvio “efeito colateral” da instalação das UPPs: a fuga dos criminosos para outras áreas da cidade do Rio ou para outras cidades próximas, como Niterói e São Gonçalo.
    Faço essas introdução toda para responder a enquete do Professor do seguinte modo: considerando dados objetivos e critérios racionais, imagino que as UPPs deveriam ser instaladas primeiramente nos locais em que os índices de crimes violentos relacionados ao tráfico ou a ausência de policiamento sejam mais elevados; CONTUDO, considerando os critérios que eu imagino que estejam sendo usados entendo que o primeiro lugar que deveria se instalada todas as UPPs é Niterói. Por que? Ora, por que moro em Niterói e, como já disse o Professor Jorge, o princípio que parece reger a segurança pública neste estado, especialmente neste momento, é “Farinha Pouca Meu Pirão Primeiro”!

  2. Ana Paula disse:

    Caro amigo Jorge,
    achei muito boa a proposta da enquete. Embora eu tenha muitas dúvidas sobre o real funcionamento dessas UPP, e tenha certeza de que o tráfico não acabou, como querem “fazer” acreditar, acho que qualquer decisão sobre expansão dessa estratégia, que está longe de ser uma política pública, deve ser precedida de duas coisas: um estudo sobre as áreas, levando em consideração os riscos reais das migrações, e um debate público com a população. Sei que nada disso vai acontecer, mas não custa continuar insistindo….
    O principal é que o problema não é o lugar, mas sim os critérios, que até hoje têm sido apenas eleitoreiros e midiáticos. Isso sim é lamentável….

  3. Cara Ana Paula,
    Com a enquete quis exatamente tocar no tema dos critérios. Quais têm sido?
    Jorge

  4. Luiz Monnerat disse:

    Reverenciado mestre Jorge,
    creio que qualquer resposta à enquete vai tocar obrigatoriamente no problema da distribuição dos recursos policiais existentes no espaço territorial fluminense. Fala-se em geoprocessamento como, talvez, a ferramenta mais avançada para isso. Mas, eu diria que lápis e borracha e os dados poucos que já dispomos seriam bastantes para a definição dos parâmetros a serem adotados, sempre com base na incidência dos eventos considerados significativos para receberem atenção do policiamento. Entretanto, até hoje, sempre prevaleceu, para o que tratamos aqui, o critério político para tudo o que acontece na área da segurança… até o Lula decide que o Rafale é o melhor equipamento para a FAB !!! Para finalizar, apesar da condição posta de não se entrar no mérito, julgo as UPPs somo sendo soluções cosméticas a serem abandonadas no futuro como uma “moda” que passou e, até, como algo pouco racional. Tomara que eu esteja completamente errado!

  5. Caro amigo Monnerat,
    Faço minhas as suas palavras, se me permite.
    Quando eu disse que não queria entrar no mérito, era justo o contrário.
    Não será um modismo, pelo menos até as Olimpíadas, se mantiverem o policiamento comunitário (ironia: os que agora o aplicam são os mesmos que ainda ontem o abominavam de forma ferrenha…) circunscrito às “comunidades” da Zona Sul (o verdadeiro objetivo, inconfessável, do establishment político e economico da Cidade). A polícia do Estado não tardará a ser a polícia do Município do Rio de Janeiro, ou melhor, das Zonas Sul e Centro do Rio. O resto…

  6. Carjan Camilo disse:

    Caro amigo Dr. Jorge da Silva:

    Gostei de todas as colocações acima, mas particularmente penso que o povo sempre tem que ter esperança… Neste momento, as UPPs é o que está em evidência e eu acredito até que surjam UMMs, UFFs, UZZs, etc… politicamente falando, não sei se a zona sul sempre é prioridade ou se serve apenas de cobaia, já que o resultado nem sempre é positivo….abraços….

  7. Caro mestre

    Depois de traçar gastar muitas linhas no meu blog para questionar as UPPs, reconheço que o Monerat esgotou o assunto. Nada demais, ele é também mestre.
    Abs

  8. Luiz Monnerat disse:

    Mestre Jorge,
    estava pensando aqui com os meus botões acerca de um aproveitamento desta enquete para se discutir, sob a sua orientação, com todos aqueles que se dispuserem, o problema da metodologia, da tática, da estratégia, da forma, do regime, da consistência, da efetividade, etc, etc, etc, da distribuição do policiamento ostensivo no Estado do Rio de Janeiro. Como leitmotiv teríamos as tais UPPs, as quais, como células integrantes do corpo maior poderiam merecer uma análise meticulosa e daí propiciar uma projeção macro para todo o organismo. Imagino como sendo o que mais a princípio desmoraliza o nosso policiamento tupi-goitacá é justamente a falta de critério a justificar o que, como e por que, ele é do jeito que se apresenta. Não é uma crítica ao que se faz nos dias de hoje, pois antigamente também era assim. Mas, pela exacerbação da questão da violência, nunca se exigiu tanta coerência, inteligência e competência das polícias como nestes ‘dias de ira’. Conte com o amigo aqui se alguma coisa prosperar neste sentido. Um abraço.

  9. De pleno acordo. Vamos marcar.

  10. Paulo Roberto disse:

    Sem querer me oferecer, mas já me oferecendo, gostaria de participar do debate proposto pelo Luiz Monnerat; não só por que tenho certeza que terei muito aprender, mas também por que como Promotor de Justiça de São Gonçalo estou sempre em contato com os Delegados da comarca e o comando do 7º Batalhão, e todos sempre afirmam que o principal obstáculo para uma melhora efetiva no serviço de Segurança Pública é a ausência crônica de policiais. Para se ter uma idéia, o efetivo do 7º é menos da metade do que seria o número mínimo necessário. Do mesmo modo ocorre com as delegacias. Eu e alguns colegas temos pensado em um modo de questionar o governo do estado – seja administrativamente, seja até judicialmente – mas, para isso precisariamos de noções e informações técnicas de pessoas qualificadas, como o é o Professor Jorge e como parece ser o Luiz Monnerat. Conto com a solidariedade de quem sabe mais!

    Forte Abraço, Paulo Roberto

  11. SAMUEL DIONIZIO disse:

    Prezado Mestre Jorge,
    a grande virtude dos mestres é perceber os filmes já vistos e reconhecer o descontrole da violência nos diversos cenários e enxergar o espelho distante.
    A ostensividade olvidada, citada pelo mestre Monnerat, sempre foi atividade de segunda classe na Polícia, visto que não cobre espaços na mídia e não cria os “heróis”. O melhor é atacar os mais pobres e ser “guerreiro” deixando pra lá a missão de prevenir. Vários pregaram a filosofia e agora estão em casa acuados pela exacerbação da criminalidade e da violência que ajudaram a construir. As vítimas são os seus filhos e netos.
    No entanto, quando chegamos próximo a renovação do mandato surgem idéias de modelos policiais já implantados e que são apenas políticas de governo e que serão liquidadas se mudarem os governantes.
    A grande diferença do modelo de hoje para os demais é a que parcela mais forte da mídia vem o enaltecendo como uma caixa de pandora capaz de resolver todos os problemas de segurança no Rio de Janeiro. Tudo para “unwary” ver.

  12. Caro Samuel,
    Bem lembrado o papel de setores da mídia na construção de mitos e “verdades”. É impressionante!…

  13. Caro amigo Monnerat,
    Faço minhas as suas palavras, se me permite.
    Quando eu disse que não queria entrar no mérito, era justo o contrário.
    Não será um modismo, pelo menos até as Olimpíadas, se mantiverem o policiamento comunitário (ironia: os que agora o aplicam são os mesmos que ainda ontem o abominavam de forma ferrenha…) circunscrito às “comunidades” da Zona Sul (o verdadeiro objetivo, inconfessável, do establishment político e economico da Cidade). A polícia do Estado não tardará a ser a polícia do Município do Rio de Janeiro, ou melhor, das Zonas Sul e Centro do Rio. O resto…

  14. OK.
    Já podemos começar a pensar. Vou ligar para você nos próximos dias.
    Abraço

  15. É isso, amigo Carjan.
    Eu não tinha pensado nessa de a Zona Sul ser cobaia. Acaba sendo.
    Abraço

  16. Luiz Monnerat disse:

    Amigo e Mestre Jorge,
    já podemos observar um desdobramento natural da matéria que se pretende discutir, com todos os participantes apresentando abordagens significativas para início de um trabalho que pode conseguir relevância, como contribuição verdadeiramente republicana, para mitigação do grave estado em que está imersa a segurança pública fluminense.
    Chamaria a atenção para propor a necessidade de utilizarmos dois focos: um, sobre a estrutura, organização e funcionamento da PMERJ e, o outro, sobre o ‘teatro de operações’ sobre o qual deve atuar a PMERJ. Poderíamos tratar desses dois pontos focais concomitantemente ou darmos conta primeiro de um, se houvesse importância nisso, para depois tratar do outro. Que tal? Abraços.

  17. Caro Monnerat,
    Acho bom o esquema. Poderíamos partir da discussão dos critérios utilizados para a distribuição dos efetivos no território do Estado. Se concordar, já poderíamos ir arrumando as idéias para nos encontrarmos logo após o Carnaval.
    Abraço

  18. Luiz Monnerat disse:

    Mestre Jorge da Silva,

    tudo OK! Vamos lá! A orientação está perfeita: arrumar as idéias! Precisamos disso, apesar de ficar parecendo com aquela instrução do técnico de várzea: “Atacar em bloco, recuar em ziguezague!…..” Bom Carnaval, ou seja, bom descanso para nós… mas, vou trabalhar o assunto! Abraços.

  19. Caro Monnerat,

    Você é demais! Também vou arrumando as idéias.
    A propósito, dizem que o técnico Feola dizia aos jogadores: “O esquema é o de sempre. Joguem o que vocês sabem”. E dormia em pleno jogo.
    Será verdade?
    JS

  20. Paulo Roberto disse:

    Bom Professor, com Didi, Vavá, Garrincha, Pelé, Nilton Santos, etc, etc, até a Gina Lollobrigida treinava aquele time! Forte Abraço, Bom Carnaval!

  21. Luiz Monnerat disse:

    Mestre Jorge Da Silva,

    sempre preferi pensar que futebol, ao contrário da maioria dos outros esportes, é pura intercorrência de acasos somada a uma incidência, um pouco menor, de habilidade dos jogadores para dar continuidade ao jogo. Quer dizer, acaso e habilidade seriam duas variáveis independentes, por isso que se explica, muitas vezes, que um time ‘fraco’ vença um ‘forte’, ou mais craque. Por isso, nunca entendi o que seja um técnico de futebol bom ou ruim. Todos, para mim, não têm nada a dizer para seus pupilos acerca de táticas ou estratégias, esquemas e que tais. Talvez eles se sobressaiam mais por suas qualidades, maiores ou menores, de LIDERANÇA. Daí, acreditar e até justificar a soneca que dizem que às vezes o Feola dava durante as pelejas que ‘assistia’ como técnico… não havia, como não há, o que fazer!

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