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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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TRÁFICO SAI DA ZONA SUL…

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… E VAI PARA A ZONA NORTE, NITERÓI E BAIXADA

 

Deu na primeira página de O Globo de ontem, 24 jan.:

“Relatórios da polícia revelam que traficantes de favelas com UPPs estão se refugiando em comunidades da Zona Norte, de Niterói e da Baixada, controladas pela mesma facção. Apesar da acolhida, não podem concorrer com a venda de drogas, e, por isso, passaram a atuar em assaltos a bancos e até seqüestros”.

 

Ora, os “relatórios da polícia” apenas confirmam o que qualquer cidadão atento sabia que ia acontecer. No dia 5 de dezembro passado, dando seqüência a uma série de “posts” em que chamo a atenção para a necessidade de se aproveitar as Olimpíadas e promover a integração do Rio de Janeiro (e não para aprofundar a apartação social), escrevi:

“Tijuca e Vila Isabel se transformaram em região conflagrada pela ação de facções criminosas. Tiroteios diários e mortes à luz do dia colocam os moradores em pânico. Há pouco mais de um mês, traficantes da área chegaram ao cúmulo da ousadia: abater um helicóptero da polícia, matando dois PMs. E continuam lá, impondo o terror inclusive no “asfalto”. Solução: instalar uma “Unidade Pacificadora” em Ipanema, no Morro Pavão-Pavãozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, também em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas últimas, o Sr. governador mandou um recado: “Já estou avisando para os traficantes irem embora para não haver mais problemas”. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alemão? Vão permanecer soltos?” (www.jorgedasilva.blog.br/?p=786)

Num dos “posts” anteriores, cheguei a sugerir, mais como um alerta, que o sr. governador, o prefeito e o presidente do COB se mudassem por uns tempos para os subúrbios, com o que a integração social da cidade estaria garantida. Agora, trata-se de um apelo.      

 

A matéria do jornal não deixa dúvida de que o velho vezo de se empurrar os problemas (no caso, a violência e o crime) para a periferia continua vivo. Tem-se a impressão de que os moradores da AP2.1 (Zona Sul)  acreditam sinceramente na fórmula: o que é bom para a nossa área é bom para  toda a cidade (e para todo o Grande Rio…). Se assim for, a alternativa que resta – a quem puder – é mudar-se da Zona Norte, Niterói e Baixada para a AP2.1. Vou me embora pra Pasárgada, diria Drummond.

 

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8 comenários to “TRÁFICO SAI DA ZONA SUL…”

  1. Paulo Roberto disse:

    Professor, tenho a impressão que este é o primeiro “benefício” que eventos como a Copa do Mundo e as Olímpidas trarão para o povo fluminense… E disseram que iria ocorrer uma “revitalização” do Rio de Janeiro como aconteceu com Barcelona no começo dos anos 90… Como turistas, dirigentes e atletas não irão à Zona Norte, ou à Niterói ou à Baixada – a menos que seja de passagem e a jato de preferência – o governo do estado decidiu criar um paraíso artificial na Zona Sul e na Barra da Tijuca. E dane-se o resto da cidade e do estado… O mais revoltante neste episódio – apenas mais um, como o senhor relembrou – é que conta com o apoio entusiástico da mídia, que veícula matérias idílicas mostrando como “a paz” foi “conquistada” no Rio! Não há – ou pelo menos eu não encontrei – uma única análise crítica deste método porco de “resolver” os problemas. É impressinante como a elite política e econômica deste estado, a despeito da evidente decadência que nos aflige há muitos anos, ainda não tenha se dado conta de que o Rio de Janeiro não é só praia, e que nem todos os cariocas que existem estão na Zona Sul ou na Barra. E ainda tem gente que acha que a cidade do Rio é que foi prejudicada com a Fusão em 1974… Não temos um governador do estado: temos um Governador Municipal! Onde será que isso vai parar?? E não vamos nem mencionar as obras faraônicas necessárias aos eventos em questão e os muitos milhões que serão gastos licita e/ou ilicitamente… Realmente, “tira o tubo”!

    Forte Abraço, Paulo Roberto

  2. Caro professor Jorge da Silva

    Não por acaso, venho desde muito tempo abordando o tema na mesma linha do mestre. Inclusive me opus a uma entrevista do ilustre comandante-geral publicada no Jornal O Globo, Caderno de Niterói, no domingo retrasado. Não sou contra as UPP. Questiono, porém, o critério de escolha para a sua instalação: ou é aleatório ou oculta objetivos inconfessáveis. Claro que não incluo a Administração da PMERJ nesta insinuação. Sei que a ordem vem de cima (duplamente!). Sobre a migração, não deixei o assunto passar sem comentários, seguindo esta mesma linha de raciocínio que o prezado professor e amigo explora com uma categoria mui distanciada da minha em se tratando de melhor qualidade. Sinto-me honrado por estar afinado com o mestre nesta questão das UPP.
    Parabéns pelo artigo!
    Saudações.
    Emir

  3. Piancó disse:

    Caro companheiro,
    Faço minhas as suas palavras.Eu não tenho dúvida de que as UPPs têm cunho meramente política. Espero que na próxima eleição o povo do Rio de Janeiro saiba votar.
    Abrs Piancó

  4. Prezado amigo.
    Nas entrelinhas das poucas palavras, vejo as claras idéias e posições há muito assumidas. As elites são poderosas, enganam, mistificam, criam soluções mirabolantes mas, com isso, mudam o foco da raiz do problema que você aborda já há alguns anos. A farsa da abolição continua e as vozes que deveriam ser ouvidas ainda soam fracas aos ouvidos do povo, infelizmente ainda por ação deles, despreparado. O Piancó alertou para saber votar mas, votar em quem?
    De qualquer forma, continue a luta das idéias e, quem sabe, daqui a alguns séculos, elas sejam ouvidas.
    abs . M. Pereira

  5. Caro Marcos,
    O seu comentáriio mostra que você também está na luta por uma sociedade menos preconceituosa e elitista. Você me anima a continuar.
    Abraço,
    Jorge

  6. Renato Hottz disse:

    Mestre e amigo das horas difíceis: feliz pela posição assumida. Quando poderemos decidir sobre as questões aflitivas de uma forma absolutamente técnica? Até quando a “politicagem” barata vai continuar interferindo nas idéias e na vontade de quem deseja mudar?

  7. Caro Hottz,
    A “internet” tem proporcionado a muitas pessoas a oportunidade de oferecer um contraponto aos “donos da verdade” tradicionais. A sua mensagem contribui para responder a sua própria pergunta.
    Grande abraço,
    Jorge

  8. Caro Hottz,
    A “internet” tem proporcionado a muitas pessoas a oportunidade de oferecer um contraponto aos “donos da verdade” tradicionais. A sua mensagem contribui para responder a sua própria pergunta.
    Grande abraço,
    Jorge

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