ENCOSTAS E “ENCOSTAS” (II)
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Leio em O Globo desta sexta-feira duas manchetes de primeira página. Uma: Rio vai remover 119 favelas de áreas de risco em 2 anos. A outra: Angra ignorou ordens do TCE para demolir imóveis.
Não quero me repetir. Convido o amigo blogueiro a ler o “post” que publiquei esta quarta-feira sobre os deslizamentos e as mortes em Angra/Ilha Grande e na Baixada, que vai abaixo. Pergunte-se: E as mansões que se vêem nas encostas ”verdes” ao longo da Orla do Rio de Janeiro?
Sem mais comentários.



Dr. Jorge da Silva;
O Rio de Janeiro é uma cidade de fortes contrastes econômicos e sociais, apresentando grandes disparidades entre ricos e pobres. Enquanto muitos bairros ostentam um Índice de Desenvolvimento Humano correspondente ao de países nórdicos (Gávea: 0.970; Leblon: 0.967; Jardim Guanabara: 0.963; Ipanema: 0.962; Barra da Tijuca: 0.959), em outros, observam-se níveis bem inferiores à média municipal, como é o caso do Complexo do Alemão (0.711) ou da Rocinha (0.732).[60]
Embora classificada como uma das principais metrópoles do mundo, uma porção significativa dos 6,1 milhões de habitantes da cidade vive em condições de pobreza. A maioria de seus numerosos subúrbios é composta por favelas, aglomerados urbanos normalmente construídos sobre morros, onde as condições de moradia, saúde, educação e segurança são extremamente precárias.
Um aspecto original das favelas do Rio é a proximidade aos distritos mais valorizados da cidade, simbolizando a forte desigualdade social, característica do Brasil. Alguns bairros de luxo, como São Conrado, onde se localiza a favela da Rocinha, encontram-se “espremidos” entre a praia e os morros. Nas favelas, ensino público e sistema de saúde deficitários ou inexistentes, aliados à saturação do sistema prisional, contribuem com a intensificação da injustiça social e da pobreza.
Com todo respeito Dr. Jorge da Silva,
O sr. acredita mesmo em mudanças?
Abraços!
Instituto de Ciências Humanas – IH Departamento de Geografia
Martha Goldberg
Professora
Obs. Sou carioca
Professor, como em várias outras situações no Brasil, termos como “posseiro”, “invasor”, “grileiro”, somente se aplicam – com todas as suas consequências – àqueles que não são “pessoas de bem”, “homens respeitáveis”; mas, sim, àqueles que ocupam certas áreas irregularmente pela mais pura necessidade – como diria Guimarães Rosa: “por precisão, não por querença”. Entre nós, o maior dos crimes, é, antes de qualquer outro, ser pobre, preto, e favelado. Moro na Região Oceânica de Niterói onde é público e notório que muitos condominios de luxo estão situados em terrenos públicos que foram simplesmente “invadidos”, com toda a sem-cerimônia que apenas a “cara-de-pau” da elite brasileira poderia permitir. Imagino estas mesmas pessoas, à noite, sentadas em suas salas-de-estar, vendo o Jornal Nacional, e se indignando todas as vezes que se noticia que, por exemplo, o MST promoveu mais uma ocupação em algum latifúndio. Posso imaginá-las perorando em veemente defesa “da lei e da ordem”… Basta esclarecer que lei e que ordem!
Forte Abraço, Paulo Roberto
Caro Paulo Roberto,
Esse jogo de dois pesos e duas medidas parece estar chegando no seu limite. Muitas vozes estão se levantando contra esse estados de coisas. Sou otimista, e sei que você também é. Vamos em frente, na luta.
Abraço,
Jorge
Cara professora Martha Goldberg,
Sua observação é perfeita. Assino embaixo, se me permite, o seu comentário. A senhora me pergunta se acredito em mudanças. Se não acreditasse, não dedicaria grande parte do meu tempo para compartilhar preocupações com quem também deseja a mudança, como, com certeza, é o seu caso. Quanto mais pessoas se dispuserem a externar a sua indignação, melhor será para todos.
Também sou carioca (acho que sou, pois sou nascido e criado no que hoje chamam de Complexo do Alemão…).
Meu respeito,
Jorge da Silva