foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em julho, 2016

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

21 de julho, 2016    

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Uma boa notícia. Compareci ontem, 20 de julho, à comemoração dos 119 anos de criação da Academia Brasileira de Letras (ABL), convidado pelo filólogo e professor Maximiano de Carvalho e Silva, um dos três homenageados na cerimônia. Foram entregues: o Prêmio Machado de Assis, ao romancista Ignácio de Loyola Brandão, e a Medalha João Ribeiro, ao educador Carlos Alberto Serpa de Oliveira, dirigente da Fundação Cesgranrio, e ao professor Maximiano.

Muita emoção e orgulho de ser brasileiro (para compensar a desilusão com a classe política). E lembranças de bons momentos: com o professor Maximiano, de quem fui aluno na UFF (História da Linguística); com o professor Carlos Alberto Serpa, que conheci quando o então secretário da Polícia Militar, coronel PM Cerqueira, incumbiu-me de ir à Cesgranrio tratar com ele e sua equipe da passagem para aquela instituição do concurso para a Academia da Polícia Militar (antes realizado pela própria PM). Mais: a oportunidade de rever outro grande professor da UFF, o atual presidente da ABL, Domício Proença Filho.

Solenidade tocante, aberta com a leitura, pelo presidente Domício, do memorável discurso de posse de Machado de Assis há 119 anos. Seguiram-se as palavras do orador do dia, acadêmico Cândido Mendes de Almeida, sobre a ABL e importantes momentos da instituição, e da acadêmica Nélida Piñon, em homenagem aos agraciados, a qual realçou a trajetória intelectual dos mesmos, justificando as láureas. E por fim, em nome dos agraciados, o discurso emocionante do escritor Ignácio de Loyola Brandão, uma verdadeira prosa poética.

Sem dúvida, a salvação da sociedade brasileira não está na economia (…), e sim na educação e na cultura.

 

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OLIMPÍADA. A FORÇA NACIONAL É PM. NÃO É FEDERAL…

14 de julho, 2016    

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Muitos não sabem que a Força Nacional de Segurança é PM, basicamente. Ocorre que a população tem sido induzida a acreditar que essa Força é um contingente das Forças Armadas, em particular do Exército, o que é insinuado até pelo uniforme. Não é. Trata-se da convocação de policiais militares dos estados (e bombeiros e policiais civis), para atuarem em determinadas situações. Daí, não surpreende o descaso com que esses profissionais estão sendo tratados neste momento olímpico. Aliás, registre-se que uma das formas utilizadas por autoridades e parte da mídia para desvalorizar os policiais estaduais é enaltecer as “forças federais”. Estas, consideradas infensas a vícios e bem preparadas, seriam a solução para a incapacidade, incompetência e/ou leniência da polícia estadual.

Não foi diferente desta feita. Quando o prefeito Eduardo Paes, em entrevista à rede de TV CNN (comentada em postagem adiante), desancou a política de segurança do Rio, estava, na verdade, reforçando essa ideia, de vez que deu como garantia da segurança dos Jogos o fato de que aqui estariam atuando forças federais.

Eis que os cariocas – e os brasileiros em geral – ficaram estarrecidos com a situação vexatória, como mostraram a TV e os jornais, em que foram colocados os integrantes da Força Nacional, num conjunto do “Minha casa, minha vida”, em área conflagrada, dominada por milícias. Em matéria do Extra.Globo.com, lê-se a manchete: “Milícia impõe regras à Força Nacional no Rio”. E na capa da edição impressa, em letras garrafais: “MILÍCIA ENQUADRA A FORÇA NACIONAL”. E em matéria da Folha (http://www1.folha.uol.com.br): “Agentes da Força Nacional ameaçam abandonar segurança da Olimpíada”.

As matérias dão conta das precárias condições das instalações em que os agentes teriam sido alojados; da proibição imposta pela milícia do lugar de andarem armados; do não recebimento das diárias devidas; e da impossibilidade de instalar internet (a milícia teria sua própria distribuição…).

Independentemente do surrealismo da situação (algo sabido, mas sempre negado pelas autoridades), há que perguntar: será que colocariam forças federais (federais mesmo) nessas condições?

Em suma: qual é o verdadeiro papel, recôndito, reservado pelo establishment às PPMM e aos PMs?

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SEGURANÇA PÚBLICA NA UFF. POR UM NOVO PARADIGMA

11 de julho, 2016    

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Aconteceu no último sábado, dia 09/07, a colação de grau da primeira turma do Curso de Bacharelado em Segurança Pública e Social da UFF, após quatro anos de intensos estudos e pesquisas. Trata-se de curso inovador numa universidade pública ― o primeiro do Brasil oferecido aos jovens no vestibular. Curso da Faculdade de Direito, é pensado na perspectiva das Ciências Humanas e Sociais, com aporte de conhecimentos científicos multidisciplinares, no marco democrático e da promoção da cidadania, de disciplinas como o Direito, a Antropologia, a Sociologia, a Ciência Política.  O curso tem como  objetivo,

 

(Foto: Professores e Formandos da primeira turma de Graduação em Segurança Pública da UFF.)

conforme se lê na proposta do mesmo, a formação de profissionais “capazes de interagir com o tema da Segurança Pública a partir do ponto de vista da sociedade”, de vez que as políticas dessa área têm sido elaboradas e executadas de forma unilateral, a partir do ponto de vista do Estado, com vezo autoritário e repressivista. Os novos graduados estão habilitados a produzir análises críticas sobre as políticas desenvolvidas, assim como conhecimentos sobre formas de mediação de conflitos, que auxiliem o poder público e os seus agentes a incorporar a visão da sociedade, sobretudo na gestão, nos níveis municipal, estadual e federal.

Estão de parabéns a UFF, a Faculdade de Direito e os novos graduados. (Obs. Sobre o curso, segue o link da UFF: http://www.uff.br/?q=curso/seguranca-publica/1166700/bacharelado/niteroi )

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A OLIMPÍADA, O PREFEITO E A POLÍCIA DO RIO  

6 de julho, 2016    

Anteontem (04/07), em entrevista à rede de TV norte-americana CNN, o prefeito Eduardo Paes desancou a política de segurança do estado. Textualmente: “O estado está fazendo um trabalho terrível, horrível. O governo está falhando completamente em seu trabalho de policiar e cuidar das pessoas”. […] “O Exército, a Marinha e todos estarão aqui. Ainda bem que o estado não vai ser o responsável pela segurança durante esse período”.

Ontem, replicando a entrevista, o jornal O Globo trazia na capa o título “PAES AFIRMA QUE SEGURANÇA NÃO SERÁ PROBLEMA NA OLIMPÍADA”.  E no subtítulo: “Prefeito diz que situação hoje é ‘terrível’, mas que tropas federais vão atuar nos Jogos”. No jornal Extra, também na capa: “PAES DESCE O MALHO NA SEGURANÇA”: ‘ESTÁ HORRÍVEL’”. […] Ele acrescentou que os Jogos serão seguros porque não dependerão da polícia do Rio.”

Dois pontos a destacar: (a) A entrevista foi em inglês. Se tivesse sido em português, certamente não teria usado os ‘falsos amigos’ linguísticos “terrible” e “horrible”, embora tenha razão quanto aos descaminhos da segurança do Rio nos últimos anos; e b) A desconsideração com os policiais do Rio de Janeiro: “Os Jogos serão seguros porque não dependerão da polícia do Rio”. Ora, o prefeito parece esquecer-se das dezenas de policiais mortos em defesa da sociedade, inclusive um dos seus seguranças, o tenente PM Denilson. Ainda: que a PM e a PC estarão com efetivos totais muito acima dos alocados pelo governo federal, com prejuízo de férias e folgas.

Os policiais do RJ agradecem a consideração do prefeito Eduardo Paes.

 

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PACIFICAÇÃO SEM UPPs E AS OLIMPÍADAS

4 de julho, 2016    

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Na última sexta feira, dia 1º/07, o jornal Extra trazia na capa, sob a rubrica “INSEGURANÇA PÚBLICA”, o seguinte título, em letras garrafais: “NUNCA SE ROUBOU TANTO NO RIO”. E em caixa baixa: “PF descobre esquema milionário envolvendo políticos do estado e empreiteira no mesmo dia em que índices revelam um recorde histórico de assaltos.”

No caso do roubo, a matéria se refere (pág.12) à ação da força-tarefa da Lava-Jato do Rio. Cita a empreiteira Delta Construções e seu ex-dono, Fernando Cavendish, e o empresário Carlinhos Cachoeira, presos na Operação Saqueador. Não fala dos agentes públicos que estariam sendo investigados. Porém, do nada, alude à amizade do ex-govenador Cabral com Cavendish, exibindo uma foto em que ambos aparecem em Paris.

Já no caso do “recorde histórico de assaltos”, leem-se à pág. 10, em matéria de Luã Marinatto, o título “INSEGURANÇA OLÍMPICA” e o subtítulo “Às vésperas dos Jogos, roubos a pedestres no Rio alcançam o recorde dos últimos 26 anos”. (Obs. dados divulgados no dia anterior pelo ISP). É estranha a relação que a matéria estabelece entre uma coisa e outra (‘roubar tanto’ e ‘recorde histórico de assaltos’), o que pode induzir o leitor a acreditar que o medo coletivo em que vive a população decorre simplesmente do tal esquema fraudulento entre políticos e empreiteiras, fato que teria deixado a segurança sem recursos.

Não é o caso. Na edição de ontem, domingo, 03/07, o jornal traz em destaque na capa: “Segurança com Beltrame teve verba recorde. Nos nove anos à frente da pasta, secretário arrecadou mais até do que Saúde e Educação”. E na página 12, outro título: “Choveu dinheiro com Beltrame na segurança”, informação ilustrada num gráfico estilizado, com a foto do secretário ao fundo, mostrando números oficiais, em evidência do elevado salto em recursos.

Logo, trata-se de uma simplificação atribuir o quadro calamitoso de insegurança a fraudes entre políticos e empreiteiras. Outros fatores hão de explicar o drama. Fraudes há que nada têm a ver com dinheiro…

Curioso, ninguém falou em UPP…

 

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