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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em junho, 2016

‘MICROSOFT’ E MACONHA VIRTUAL

18 de junho, 2016    

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Lê-se em chamada de primeira página de O Globo (17/06/2016): “Microsoft entra no negócio da maconha.”  A matéria refere-se a notícia divulgada pelo New York Times, segundo a qual a multinacional resolveu “investir no negócio de maconha legal nos EUA”. […] “para oferecer um software para mapear o comércio de maconha, desde a origem até a venda”.  Lê-se ainda ali: “20 estados americanos já permitem algum tipo de uso de maconha”. E que, em caso de a maconha ser legalizada nacionalmente, “vai estar sujeita a vigilância e regulações estritas similares às do álcool e tabaco”.

Tudo isso depois que governantes daquele país, a começar por Nixon em finais da década de 1960, resolveram investir na chamada “guerra às drogas” global, com as consequências funestas conhecidas em países ditos “periféricos”, como Colômbia, México, Bolívia, Brasil. Nixon foi taxativo em 1971, ao convocar uma “ofensiva mundial, que lidará com os problemas das fontes de suprimento.”

Curioso que, enquanto nossos irmãos do Norte mudam de direção, nós continuamos em frente na “guerra”, resolutos, enriquecendo traficantes e a indústria de armas. E enterrando nossos mortos, seja em razão de confrontos (entre facções pelo domínio do promissor mercado ou entre elas e a polícia), seja por balas ditas “perdidas” atingindo pessoas “certas”. GUERRAAAA!

Como somos espertos!…

 

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OS TRÊS TIPOS DE REAÇÃO AOS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO

15 de junho, 2016    

(Torno a republicar, a propósito do atual momento, postagem de 17 /07/2015)

 

Dependendo da sociedade, é possível vislumbrar, grosso modo, três tipos de reação:

. Dos corruptos poderosos

Em certas sociedades, o poderoso flagrado com a mão na massa pede desculpas, sai de cena ou comete suicídio de vergonha; em outras, seus atos são considerados alta traição à pátria, o que o leva à morte por fuzilamento; já em outras, não há falar em vergonha, falha de caráter ou traição. O corrupto poderoso é que se apresenta em público indignado, falando em defesa da honra ultrajada e exigindo provas do provado.

. Dos cidadãos de bem

Curiosamente, a reação dos cidadãos também varia de uma sociedade para outra. Em algumas, a indignação popular é geral; em outras, nenhuma; e em outras, parcial, seletiva, não importando a corrupção em si nem o tamanho da roubalheira, e sim o alinhamento dos envolvidos a estes ou aqueles grupos ideológicos, partidários ou de interesse. Daí, toda luminosidade possível na corrupção “dos outros”, e toda fumaça possível para encobrir a corrupção “dos nossos”.

Como se desonestidade fosse só roubar dinheiro… Pergunte-se: e na sociedade brasileira?

 

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(Cont.) DROGAS. MEIA VOLTA, VOLVER! (II)

14 de junho, 2016    

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No último dia 11 de junho, repassei, via Facebook, link de matéria do jornal O Globo de título: “Comércio formal de maconha movimentaria R$ 5,7 bilhões no Brasil”. Só repassei, sem externar a minha posição. A polêmica se instalou, com posições radicais contra e a favor. Na verdade, dias antes, em 8 de junho, tinha publicado no blog postagem, que agora reproduzo abaixo, na qual deixava clara a minha posição. Dei àquela postagem um título propositadamente ambíguo, pois tenho notado que muitas pessoas consideram suficiente posicionar-se sobre diferentes temas a partir apenas da leitura dos títulos, dispensando-se de ler o conteúdo. Aí vai:

DROGAS. MEIA VOLTA, VOLVER! (8 de junho de 2016)

Lê-se em chamada de primeira página do Globo (7/6/16): “Ministro tenta endurecer política de drogas.” Trata-se do ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, para quem, segundo o jornal (p.24), “a legalização de drogas ilícitas, inclusive a maconha, levará a um consumo maior, que, por sua vez, aumentará o número de pessoas doentes, e também a pobreza no país”.  E ainda, taxativo: “Tem que ter algum tipo de punição, senão ele (o usuário) vai consumir mais. […] O Brasil nunca fez uma guerra às drogas de forma séria, com controle das fronteiras, leis mais duras para o tráfico e campanhas educativas”.

Médico e ex-secretário de Saúde (RS), é compreensível a sua preocupação com os usuários. Mas não se compreende o seu posicionamento ‘repressivista’ para conter o consumo. Nem a sua racionalização alarmista: a legalização levaria, no limite, ao aumento da pobreza no país. Como assim? A utilização do termo legalização, sem associação a controle governamental, pode passar a ideia do dito popular “liberou geral”, o que não é o caso. Importante frisar, a propósito, que a sua posição reverbera crenças de senso comum, na base do “mais do mesmo”, crenças que não se realizaram em qualquer lugar do mundo. Ora, o modelo ao qual o ministro se alinha está em prática há décadas, com o consumo, o tráfico e a matança da “guerra às drogas” (matança da periferia, claro…) sempre aumentando. Pergunto: Por que a racionalização da proibição e da “guerra” não se aplica à droga psicoativa que mais mata e desestrutura indivíduos e famílias no mundo, como um dia os norte-americanos imaginaram ser possível?

Sugiro aos interessados no tema a leitura do artigo do professor Julian Buchanan, “Dezesseis Grupos que se Beneficiam da Proibição”.

 

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DROGAS. MEIA VOLTA, VOLVER!

8 de junho, 2016    

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Lê-se em chamada de primeira página do Globo (7/6/16): “Ministro tenta endurecer política de drogas.” Trata-se do ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, para quem, segundo o jornal (p.24), “a legalização de drogas ilícitas, inclusive a maconha, levará a um consumo maior, que, por sua vez, aumentará o número de pessoas doentes, e também a pobreza no país”.  E ainda, taxativo: “Tem que ter algum tipo de punição, senão ele (o usuário) vai consumir mais. […] O Brasil nunca fez uma guerra às drogas de forma séria, com controle das fronteiras, leis mais duras para o tráfico e campanhas educativas”.

Médico e ex-secretário de Saúde (RS), é compreensível a sua preocupação com os usuários. Mas não se compreende o seu posicionamento ‘repressivista’ para conter o consumo. Nem a sua racionalização alarmista: a legalização levaria, no limite, ao aumento da pobreza no país. Como assim? A utilização do termo legalização, sem associação a controle governamental, pode passar a ideia do dito popular “liberou geral”, o que não é o caso. Importante frisar, a propósito, que a sua posição reverbera crenças de senso comum, na base do “mais do mesmo”, crenças que não se realizaram em qualquer lugar do mundo. Ora, o modelo ao qual o ministro se alinha está em prática há décadas, com o consumo, o tráfico e a matança da “guerra às drogas” (matança da periferia, claro…) sempre aumentando. Pergunto: Por que a racionalização da proibição e da “guerra” não se aplica à droga psicoativa que mais mata e desestrutura indivíduos e famílias no mundo, como um dia os norte-americanos imaginaram ser possível?

Sugiro aos interessados no tema a leitura do artigo do professor Julian Buchanan, “Dezesseis Grupos que se Beneficiam da Proibição”.

 

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A QUASE IMPLOSÃO DA LAVA JATO E A MORALIDADE SELETIVA

3 de junho, 2016    

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O que mobilizou a opinião pública para apoiar o impeachment foi a indignação com os escândalos de corrupção, na conta dos governos do PT. Diante do clima de indignação geral, a oposição não quis esperar que surgisse fato ligando diretamente a presidente Dilma a atos corruptos, ainda que sob a teoria do “domínio do fato”. Não. Havia pressa em apear a presidente, o que fez com que se recorresse às chamadas “pedaladas fiscais” (aliás, que nada tinham a ver com o motivo da revolta da população). Concluiu a oposição que bastava o deputado Eduardo Cunha acolher o pedido de abertura do processo de impeachment. Seguiu-se a admissibilidade por parte do Senado.

Paralelamente, a caneta do juiz Sérgio Moro continuava a deitar tinta forte. Opositores do governo, que até aquele ponto imaginavam que a caneta do magistrado era partidária (tinha atingido principalmente figurões do PT), começaram a entrar em pânico, pois as “delações premiadas” de empreiteiros, doleiros, executivos de empresas estatais e políticos caídos em desgraça começaram a atingir cabeças coroadas de outros partidos. O que fazer? Eminente senador, um dos articuladores do impeachment, e que viria a ser nomeado ministro do Planejamento no governo interino, foi taxativo em gravação sem o seu conhecimento: “Tem que mudar o governo para estancar essa sangria” […] Um acordo para delimitar onde está.” Traduzindo: mudar o governo para implodir a Lava Jato e escantear o juiz Moro.

E o povo iludido na sua boa fé, achando que o impeachment era contra a corrupção, pela moralidade pública, por patriotismo. Mais triste ainda é ver pessoas sérias, mesmo diante desse enredo vergonhoso, minimizando-o como algo sem maior importância. Como se desonestidade fosse apenas roubar dinheiro. Ao povo, enfim, só resta uma alternativa: com ou sem impeachment, unir-se na luta contra qualquer tentativa de implodir a Lava Jato ou mudar a caneta de mão.

 

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