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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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Arquivados em maio, 2016

MALDITA GENI, BENDITA GENI! (II)

22 de maio, 2016    

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Outro dia, colocaram culpa na PM pelo caos na seguran√ßa do Rio. Agora, em mat√©ria de oglobo.com (21/05/2016), l√™-se: ‚ÄúDefensoria P√ļblica critica a√ß√£o ‘desproporcional’ da pol√≠cia em desocupa√ß√£o da Secretaria de Educa√ß√£o‚ÄĚ. N√£o entro no m√©rito da cr√≠tica nem da forma como se deu a a√ß√£o, mas n√£o vi ningu√©m, nem mesmo a Defensoria ou o jornalista que assina a mat√©ria perguntar de onde partiu a ordem para que a PM usasse a for√ßa. Pergunto eu: quem deu a ordem, j√° que n√£o foi expedido mandado judicial para a reintegra√ß√£o de posse?… Republico, a prop√≥sito, postagem de dois anos e meio atr√°s:

MALDITA GENI, BENDITA GENI!

N√£o sei bem por que, estou pensando na Geni, a que era desprezada por todos, mas a quem a cidade recorreu para salv√°-la (a cidade), e que depois de salva tornou a desprez√°-la. Vivo balbuciando uns versos do nosso Chico Buarque:

“A cidade apavorada / Se quedou paralisada / Pronta pra virar geleia, /
Mas do zepelim gigante / Desceu o seu comandante / Dizendo: ‚ÄúMudei de ideia / Quando vi nesta cidade tanto horror e iniquidade, resolvi tudo explodir, / Mas posso evitar o drama se aquela formosa dama esta noite me servir‚ÄĚ.

[…]

‚ÄúVai com ele, vai Geni! Vai com ele, vai Geni! Voc√™ pode nos salvar! Voc√™ vai nos redimir! / Voc√™ d√° pra qualquer um! Bendita Geni!‚ÄĚ

[…]

“Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! / Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!

outubro 17th, 2013

 

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A MATANÇA DO RIO

11 de maio, 2016    

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Por um lado:

(1) ‚ÄúNo Rio, 35 policiais mortos neste ano: […] e 128 foram feridos √† bala no Estado do Rio‚ÄĚ (primeira p√°gina de O Globo de ontem ,10/05/2016); – (2)¬†‚ÄúNo primeiro trimestre do ano, 156¬† PMs¬† s√£o baleados no Rio‚ÄĚ. ( noticias.band.uol.com.br, 09 de Maio de 2016); – (3) “PMs do Rio morrem 35 vezes mais do que policiais americanos“. (oglobo.globo.com, 12/01/2015); – (4)¬†‚ÄúRio √© o estado onde mais PMs s√£o mortos no pa√≠s‚ÄĚ. (odia.ig.com.br, 14/10/2015).

Por outro lado:

(5)¬†“Rio de Janeiro tem a pol√≠cia mais letal do pa√≠s”. (noticias.uol.com.br, 01/12/2015); – (6) ‚ÄúPol√≠cia do Rio de Janeiro √© a que mais mata no mundo‚ÄĚ. (www.estadao.com.br, 09/07/2008); – (7) ‚ÄúPol√≠cia do Rio mata 39% a mais e segue impune, diz anistia‚ÄĚ. (www.bbc.com, em 03/08/2015, mostrando aumento entre 2013 e 2014 no estado). Refer√™ncia: Relat√≥rio da Anistia Internacional Brasil 2015, segundo o qual ‚Äúentre 2005 e 2014 foram registrados no estado 8.446 ‚Äėhomic√≠dios decorrentes de interven√ß√£o policial‚ÄĚ.

Ainda:

(8) ‚ÄúBrasil tem o maior n√ļmero absoluto de homic√≠dios do mundo, diz OMS‚ÄĚ. (globo.com/globo-news, em 10/12/2014). Refer√™ncia: relat√≥rio de 2014 da Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde (OMS), relativo a dados de 2012; – (9) ‚ÄúEm 2015, 95 pessoas foram v√≠timas de balas perdidas no RJ‚ÄĚ. (R√°dio¬†BandNews Fluminense¬†(11/08/2015).

Bem, s√£o dados que carecem de verifica√ß√£o mais acurada. Alguns me parecem exagerados. De qualquer forma, refletem uma triste realidade. Em resumo, temos: (a) – a maior matan√ßa do mundo (64 mil homic√≠dios em 2012, de acordo com o relat√≥rio da OMS, referido acima, n√ļmero superior ao da √ćndia (52 mil), pa√≠s com 1 bilh√£o e 200 milh√Ķes de habitantes); (b) – os policiais brasileiros, em particular os do Rio de Janeiro, seriam os que mais morrem e que mais matam; e (c) – possivelmente, temos o maior n√ļmero de v√≠timas de balas perdidas do planeta.

A pergunta a fazer √© a seguinte: como conseguimos isso? Preocupante √© a naturaliza√ß√£o desse flagelo, ouvindo-se, ami√ļde, o incitamento a mais viol√™ncia estatal para conter a viol√™ncia dos bandidos, legitimando a matan√ßa: ‚ÄúTem que matar mais!‚ÄĚ

√Č compreens√≠vel a revolta diante da aud√°cia dos bandidos, dos assaltos, latroc√≠nios, tiroteios, arrast√Ķes, mortes, e ¬†de tanta inseguran√ßa e medo, o que leva os cidad√£os a n√£o refletir sobre as causas do que est√° acontecendo entre n√≥s.

Uma coisa é certa: se o caminho um dia trilhado deu resultado, é evidente que hoje não dá mais. Os meios utilizados para conter a violência do crime só têm feito aumentá-la. Maquiavel justificava os meios sob a condição de que atingissem os fins.

No fundo, independentemente de medidas racionais de m√©dio prazo, √© como se o Brasil estivesse sofrendo para conciliar-se com o seu passado. Como p√īr fim √† matan√ßa? Matando?…

 

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O ATROPELAMENTO NO T√öNEL. ‚ÄúTAL FILHO, TAL PAI‚ÄĚ COM OS PMs (II)

4 de maio, 2016    

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(Republico postagem de 25 de janeiro de 2015. Embora meu ponto não fosse a prisão em si, imaginei, ingenuamente, que pai e filho seriam condenados a prisão por seus crimes. Após recursos, acabam de ser condenados a três anos de serviços comunitários. Vejam o que fizeram)

Deu no¬†Globo¬†deste s√°bado, 24/01/2015: ‚ÄúAtropelador e pai s√£o condenados‚Ä̬†/¬†Rafael Bussamra e seu pai foram condenados a 12 e 8 anos de pris√£o pela morte do filho de Cissa Guimar√£es. A maior parte da pena √© por corrup√ß√£o.

Trata-se do caso em que o jovem Rafael Bussamra, ao participar em 2010 de ‚Äúpega‚ÄĚ no T√ļnel Ac√ļstico, G√°vea (que estava interditado), atropelou e matou o tamb√©m jovem Rafael Mascarenhas, que ali praticava¬†skate. Em vez de socorrer a v√≠tima, procurou safar-se. Ele e o pai, empres√°rio Roberto Bussamra, em conluio com os dois PMs que interceptaram o atropelador em fuga, tramaram abafar o caso. Acertaram o valor da propina: R$ 10 mil, que seriam pagos pelo pai para livrar o filho de qualquer responsabilidade. Bussamra pai adiantou R$ 1 mil e faria a entrega do restante ap√≥s uma retirada no banco. Voltou atr√°s, segundo a m√≠dia, ao receber telefonema da mulher informando que o jovem atropelado e morto era filho da atriz Cissa Guimar√£es. Condenados agora, pai e filho foram encaminhados ao pres√≠dio, em Bangu. Cabe recurso. Os PMs foram expulsos j√° em 2010, e condenados em 2012 a cinco anos de pris√£o.

Tendo despertado muita pol√™mica, o epis√≥dio comporta an√°lises sob diferentes aspectos. Dois deles, cruciais, n√£o t√™m merecido maior aten√ß√£o. O primeiro, de natureza cultural, poderia ser abordado a partir de duas perguntas: o que estaria por tr√°s da certeza da m√£e e do pai do atropelador de que n√£o adiantava ir adiante com a trama depois que souberam quem era a m√£e da v√≠tima? E por tr√°s do fato de uma fam√≠lia inteira (pai, m√£e e filhos), constitu√≠da por pessoas instru√≠das e de alto padr√£o econ√īmico-social, resolver acobertar um adulto, que acabara de cometer um crime, como se ele fosse uma crian√ßa que tivesse praticado uma arte? O segundo aspecto tem a ver com a corrup√ß√£o policial. Tendo em vista que o crime de corrup√ß√£o, mais que o do atropelamento com morte, foi o que mais pesou na condena√ß√£o de pai e filho, pergunte-se: o que, antes dos fatos, os Bussamra pensavam da corrup√ß√£o policial, e o que achavam que deveria ser feito para combat√™-la? Quantos iguais aos Bussamra h√° por a√≠?

Bem, aos poucos a sociedade brasileira vai deixando à mostra as suas vísceras.

Obs. ‚Äď Inverti o ad√°gio popular no t√≠tulo de prop√≥sito (“Tal filho, tal pai”). Indago-me sobre qual seria a atitude do¬†pai do pai de Rafael Bussamra‚Ķ

janeiro 25th, 2015

 

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TR√äS TIPOS DE REA√á√ÉO AOS ESC√āNDALOS DE CORRUP√á√ÉO

3 de maio, 2016    

  (Republico, a propósito do atual momento, postagem de 17 de julho de 2015)

 

Dependendo da sociedade, é possível vislumbrar, grosso modo, três tipos de reação, tanto dos corruptos quanto dos cidadãos de bem:

. Dos corruptos poderosos

Em certas sociedades, o poderoso flagrado com a m√£o na massa pede desculpas, sai de cena ou comete suic√≠dio de vergonha; em outras, seus atos s√£o considerados alta trai√ß√£o √† p√°tria, o que o leva √† morte por fuzilamento; j√° em outras, n√£o h√° falar em vergonha, falha de car√°ter ou trai√ß√£o. O corrupto ¬†poderoso √© que se apresenta em p√ļblico indignado, falando em defesa da honra ultrajada e exigindo provas do provado.

. Dos cidad√£os de bem

Curiosamente, a rea√ß√£o dos cidad√£os tamb√©m varia de uma sociedade para outra. Em algumas, a indigna√ß√£o popular √© geral; em outras, nenhuma; e em outras, parcial, seletiva, n√£o importando a corrup√ß√£o em si nem o tamanho da roubalheira, e sim o alinhamento dos envolvidos a estes ou aqueles grupos de interesse, partid√°rios ou ideol√≥gicos. Da√≠, toda luminosidade poss√≠vel na corrup√ß√£o “dos outros‚ÄĚ, e toda fuma√ßa poss√≠vel para encobrir a corrup√ß√£o “dos nossos‚ÄĚ.

Como se desonestidade fosse só roubar dinheiro… Pergunte-se: e na sociedade brasileira?

 

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