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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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Arquivados em dezembro, 2015

UM MERDA

31 de dezembro, 2015    

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UM MERDA. Ainda repercute o bate-boca entre um famoso jovem na sa√≠da de um restaurante no Leblon, Rio, e um obscuro senhor conhecido por Chico. O famoso jovem, com posi√ß√Ķes pol√≠ticas de que n√£o tem d√ļvida serem as certas, insurge-se contra as posi√ß√Ķes erradas do obscuro senhor. Revoltado, insiste em que o senhor reconhe√ßa o seu erro; e que, n√£o o reconhecendo, concorde em que √© ‚Äúum merda‚ÄĚ. O senhor Chico √© ent√£o instado a repetir: ‚ÄúEu sou um merda‚ÄĚ.¬†Bem, j√° descobri quem √© o obscuro senhor, mas continuo sem saber quem √© o famoso jovem.¬†N√£o resisto: A inveja √© uma merda!…

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CARAS DE PEDRA

28 de dezembro, 2015    

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Em certos pa√≠ses, o poderoso flagrado em atos de alta corrup√ß√£o se mata, com vergonha da fam√≠lia, dos amigos e da sociedade. Em outros, √© considerado traidor do povo e da na√ß√£o, e √© fuzilado. No Brasil, o poderoso pego com a m√£o na massa n√£o se envergonha (a fam√≠lia, √†s vezes, rouba com ele…) nem √© considerado traidor do povo. Mostra-se, ele sim, indignado, desafiando quem quer que seja a provar o provado. Negam, negam, negam, com a maior cara de pedra…

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LA VAI A ‚ÄúGENI‚ÄĚ, SEM SA√öDE, AJUDAR A SA√öDE

19 de dezembro, 2015    

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L√™-se em O Globo (18/12/15) que o governo do estado, diante da crise na sa√ļde do RJ, convocou pessoal de sa√ļde da PM e do CB para ‚Äúajudar no atendimento em hospitais‚ÄĚ, e determinou que a PM disponibilizasse refeit√≥rios de tr√™s batalh√Ķes para que m√©dicos e enfermeiros civis possam fazer as refei√ß√Ķes. Nas circunst√Ęncias, a medida √© compreens√≠vel, mas algu√©m poder√° imaginar que o sistema de sa√ļde da PM n√£o apresente graves car√™ncias, objeto de reiteradas reclama√ß√Ķes da tropa (sem contar os desvios que redundaram na recente pris√£o de v√°rios oficiais superiores…). De qualquer forma, n√£o h√° d√ļvida de que os PMs, da sa√ļde ou n√£o, se desdobrar√£o para ajudar; ali√°s, como sempre. Uma coincid√™ncia: no final do ano passado, publiquei postagem em que, uma vez mais, comparei a PM √† ‚ÄúGeni‚ÄĚ (perdoe-me Chico!), mas acrescentei que ela (a PM), √†s vezes, √© usada como ‚ÄúBombril‚ÄĚ, para o bem ou para o mal… ¬†Reproduzo, na √≠ntegra, a postagem de um ano atr√°s. A√≠ vai:

A PM E O R√ČVEILLON. A ‚ÄúGENI‚ÄĚ TAMB√ČM √Č BOMBRIL?

Em postagem de 1¬ļ/fev/14, referi cr√≠tica do prefeito de Porto Alegre √† PM (Brigada Militar/RS). Ele culpava a Corpora√ß√£o pelas depreda√ß√Ķes de √īnibus durante greve dos rodovi√°rios. Al√©m de cobrar mais seguran√ßa para a circula√ß√£o dos √īnibus, uma das solu√ß√Ķes aventadas por ele, segundo o jornal Zero Hora, foi que os PMs atuassem como motoristas dos coletivos. Amea√ßou, caso a PM n√£o resolvesse o impasse, recorrer √† For√ßa Nacional, talvez sem saber que a referida For√ßa √© um contingente de PMs, inclusive do seu estado. Se considerarmos que, h√° vinte e tantos anos, um jornalista do Rio deu a ideia de se deslocar PMs para guardar os postes a fim de conter a onda de furtos de fios de cobre, d√° para entender o devaneio do prefeito.

R√©veillon.¬†¬†L√™-se em chamada de capa de¬†O Globo¬†(30/12/14): ‚ÄúCopacabana: PM ter√° efetivo 33% maior na virada‚ÄĚ. Grande esfor√ßo da PM, do que muitos n√£o se d√£o conta ‚Äď assim como n√£o se d√£o conta do sacrif√≠cio dos PMs ‚Äď para que o evento transcorra em tranquilidade. Tudo somado ao esfor√ßo de n√£o descurar da seguran√ßa geral da cidade e do estado, o que, por √≥bvio, acaba reduzindo folgas. Mat√©ria do jornal¬†O Dia¬†(29/12/14) pode dar ideia deste ponto: um sargento do 32¬ļ BPM (Maca√©), ao ver a escala do¬†R√©veillon, algemou-se a uma pilastra da unidade em protesto (foto divulgada na m√≠dia). N√£o quero entrar no m√©rito, pois meu ponto √© outro; por√©m, militar que √©, foi preso.

Geni e Bombril. Em postagens anteriores, j√° comparei a PM √† Geni, aquela do Chico que, tendo salvado a cidade, voltou a apanhar e receber cusparadas; e j√° a comparei ao Bombril, o das ‚Äúmil e uma utilidades‚ÄĚ. Com efeito, apesar da desvaloriza√ß√£o, l√° est√£o a PM e os PMs de prontid√£o no¬†r√©veillon¬†(em diferentes cidades), nos dias de carnaval e nas elei√ß√Ķes. Presentes na seguran√ßa dos torcedores, dentro e fora dos est√°dios. Se a popula√ß√£o de rua e as cracol√Ęndias proliferam, chamam a PM; idem para lidar com ‚Äúsem terra‚ÄĚ e ‚Äúsem teto‚ÄĚ. Se √© para ‚Äúacabar‚ÄĚ com o tr√°fico de drogas da ponta, mande-se a PM. Idem no caso de rebeli√Ķes em pres√≠dios, nos arrast√Ķes nas praias, nas greves, nas manifesta√ß√Ķes e protestos contra o aumento de passagens etc. Se √© para garantir seguran√ßa nas escolas e universidades, h√° quem chame a PM. Enfim, antes de tudo isso, compete √† PM policiar, durante as 24 horas do dia, os 365 dias do ano, chova ou fa√ßa sol, os bairros, as ruas, pra√ßas, vias expressas e outros logradouros p√ļblicos. E por a√≠ vai. Em todo o Brasil.

PMs n√£o brotam da terra.¬†O devaneio do prefeito de POA e a sugest√£o do jornalista do furto de fios de cobre mostram que h√° quem acredite que PMs brotam da terra ou que seja poss√≠vel realizar algo como ‚Äúo milagre da multiplica√ß√£o dos PMs‚ÄĚ, o que √© refor√ßado pelo afirmado no par√°grafo acima. N√£o fosse isso, como entender que, por exemplo, quando os assaltos em √īnibus aumentam numa cidade com milh√Ķes de habitantes, haja quem proponha colocar PMs fardados nos √īnibus, viajando para cima e para baixo? E que, se o n√ļmero de roubos e homic√≠dios aumenta, pergunte: ‚Äúcad√™ a PM?‚ÄĚ E exclame: ‚ÄúDespreparados!‚ÄĚ E tome cuspe.

Como tem sido há anos, a virada de Copacabana vai ser um sucesso. São 33% de PMs a mais. De onde eles saíram? Quem sabe, desta vez, incluam os PMs nos agradecimentos. Não só pelo Réveillon, mas pelos serviços que prestam o ano inteiro. Ninguém discordará de que os PMs são os trabalhadores brasileiros com a maior carga horária de trabalho, menos direitos e que mais correm riscos, tanto no serviço quanto na folga (sic). (dezembro 30th, 2014)

 

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MATANÇA PROGRAMADA I

13 de dezembro, 2015    

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Primeira p√°gina de O Globo deste domingo (13/12/15): ‚ÄúBala perdida mata menino de 2 anos na Mangueira‚ÄĚ.¬†No interior da mat√©ria, √† pagina 15, l√™-se que a crian√ßa ‚Äē cuja foto em vida, num largo sorriso, ilustra a mat√©ria ‚Äē foi ‚Äúbaleada na barriga quando dormia dentro de casa‚ÄĚ.

Como geralmente acontece nessas ocasi√Ķes, buscam-se culpados. Os moradores culpam os PMs; e estes, os bandidos. E a popula√ß√£o se divide no marco do ‚Äúculpismo‚ÄĚ. ¬†Como se estiv√©ssemos falando de casos isolados. Ora, n√£o passa uma semana sem que balas perdidas vitimizem uma ou mais pessoas, como revelou levantamento da r√°dio BandNews Fluminense em 11 de agosto deste ano: ‚ÄúEm 2015, 95 pessoas foram v√≠timas de balas perdidas no RJ‚ÄĚ. Desconte-se o fato de que, √†s vezes, os meios de comunica√ß√£o amplificam os n√ļmeros, na inversa medida do que costumam fazer as autoridades. Em qualquer caso, √© preciso reconhecer que estamos diante de uma matan√ßa programada, com alvos certos: gente pobre da ‚Äúperiferia‚ÄĚ e policiais da ponta.

Ficar discutindo, caso a caso, se os ‚Äúculpados‚ÄĚ s√£o os traficantes ou os policiais faz parte de um jogo perverso e conveniente, pois desvia a aten√ß√£o do real problema: o exterm√≠nio em escala. Ali√°s, em coer√™ncia com o fato de a matan√ßa brasileira ser a maior do mundo (dados da OMS).

√Č chegada a hora de, mais que buscar culpados na ponta, indagar sobre os ‚Äúrespons√°veis‚ÄĚ, mas de cima para baixo (accountability). Quem sabe n√£o fosse o caso de desenterrar dispositivos da Lei n¬ļ 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade de autoridades, e que, no Cap√≠tulo ‚ÄúDos Governadores e Secret√°rios dos Estados‚ÄĚ, disp√Ķe na al√≠nea 5 do Art. 7¬ļ: ‚Äúservir-se das autoridades sob sua subordina√ß√£o imediata para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem repress√£o sua‚ÄĚ. Bom caminho para acabar com as “balas perdidas…”

 

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