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Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em julho, 2015

(REPETECO). TRÊS TIPOS DE REAÇÃO AOS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO

24 de julho, 2015    

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(Nota prévia. Como a novela da Lava-Jato continua, requento postagem de uma semana atrás).

Dependendo da sociedade, é possível vislumbrar, grosso modo, três tipos de reação. Em certas sociedades, o poderoso flagrado com a mão na massa pede desculpas, sai de cena ou comete suicídio de vergonha; em outras, seus atos são considerados alta traição à pátria, o que o leva à morte por fuzilamento; já em outras, não há falar em vergonha, falha de caráter ou traição. O poderoso é que se apresenta em público indignado, falando em defesa da honra ultrajada e exigindo provas do provado.

Curiosamente, a reação dos cidadãos também varia de uma sociedade para outra. Em algumas, a indignação popular é geral; em outras, nenhuma; e em outras, parcial, seletiva, não importando a corrupção em si nem o tamanho da roubalheira, e sim o alinhamento dos envolvidos a estes ou aqueles grupos de interesse, partidários ou ideológicos. Daí, toda luminosidade possível na corrupção dos “outros”, e toda fumaça possível para encobrir a corrupção dos “nossos”. Como se desonestidade fosse só roubar dinheiro… Pergunte-se: e a sociedade brasileira? Doente?

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SOBRE A PAUTA DA SOCIEDADE

19 de julho, 2015    

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Em pronunciamento pela TV, o deputado Eduardo Cunha declarou que as principais demandas da sociedade é que estão pautando o seu trabalho na Câmara, dando como um dos exemplos a redução da maioridade penal. Estranhei a afirmação, pois, no caso do financiamento de empresas a campanhas eleitorais, a população era notoriamente contra, em função, sobretudo, dos escândalos envolvendo políticos, partidos e empresas, do que é exemplo emblemático a Lava Jato. Pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pela OAB, confirmou o que era notório, como se lê em oglobo.com (06/07/2015), ao revelar que 74% dos brasileiros são contra o financiamento por empresas privadas. Mais: que 79% acreditam que esse tipo de relação estimula a corrupção. Nos dois casos, maioridade penal e financiamento, o presidente da Câmara empenhou-se pessoalmente pela aprovação. No segundo caso, portanto, a pauta não foi a da sociedade.

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TRÊS TIPOS DE REAÇÃO AOS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO

17 de julho, 2015    

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Dependendo da sociedade, é possível vislumbrar, grosso modo, três tipos de reação. Em certas sociedades, o poderoso flagrado com a mão na massa pede desculpas, sai de cena ou comete suicídio de vergonha; em outras, seus atos são considerados alta traição à pátria, o que o leva à morte por fuzilamento; já em outras, não há falar em vergonha, falha de caráter ou traição. O corrupto poderoso é que se apresenta em público indignado, falando em defesa da honra ultrajada e exigindo provas do provado.

Curiosamente, a reação dos cidadãos também varia de uma sociedade para outra. Em algumas, a indignação popular é geral; em outras, nenhuma; e em outras, parcial, seletiva, não importando a corrupção em si nem o tamanho da roubalheira, e sim o alinhamento dos envolvidos a estes ou aqueles grupos de interesse, partidários ou ideológicos. Daí, toda luminosidade possível na corrupção dos “outros”, e toda fumaça possível para encobrir a corrupção dos “nossos”. Como se desonestidade fosse só roubar dinheiro… Pergunte-se: e a sociedade brasileira?

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E AS “MAÇÃS BOAS”, O QUE FAZEM?

17 de julho, 2015    

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Abro o jornal. Os recorrentes (e aparentemente inesgotáveis) escândalos protagonizados por pessoas poderosas (maiores de idade…) me trazem à mente aquele samba do Bezerra da Silva:

“Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão / Se gritar pega ladrão, não fica um...”

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DITADURA E DEMOCRACIA NOSSA

11 de julho, 2015    

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Em chamada de primeira página para importante matéria à página 6 de O Globo de 11/07/2015, lê-se:

 “DITADURA

“Bailes black sob repressão / Documentos mostram que a ditadura militar perseguiu os bailes de música negra e as comunidades de favelas, afirmam FLÁVIA OLIVEIRA e MARIANA ALVIM”

De fato. A perseguição, com prisão de vários produtores culturais, sob pretexto de que pregavam a divisão racial, foi prática que, como fica claro na matéria, equipara-se a uma piada. A piada era o pretexto, e não a prática. Hoje, particularmente no Rio de Janeiro, temos outro tipo de ditadura, pois se observa prática semelhante, bastando substituir bailes black por bailes funk nas favelas. O pretexto antes, risível, era a ameaça do comunismo;  agora, o pretexto é a ameaça da  droga  (sempre haverá um pretexto…) tendo como corolário  a chamada “guerra às drogas”.

No fundo, temos aí exemplo acabado da verdadeira natureza da “democracia racial brasileira”.

Nota. Link da matéria, de imperdível leitura:

http://oglobo.globo.com/brasil/ditadura-perseguiu-ate-bailes-black-no-rio-de-janeiro-16733859?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar&fb_ref=Default

 

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