foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em novembro, 2014

DESCONFIANÇAS SOBRE O VOTO ELETRÔNICO BRASILEIRO

2 de novembro, 2014    

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Deu em O Globo (31/10/2014): “PSDB pede auditoria especial na eleição presidencial ao Tribunal Superior Eleitoral / Partido ressaltou que confia no sistema e só tomou a medida atendendo a dúvidas levantadas nas redes sociais”.

Será choro de perdedor? Pode ser, mas é fato que dúvidas a respeito já foram levantadas por especialistas em TI, como se pode conferir no link abaixo. E é fato igualmente que, nas redes sociais, a infalibilidade do sistema vem sendo posta em xeque, levando inclusive a protestos de rua com acusações de fraude, como aconteceu ontem em São Paulo, por exemplo.

Em nível estadual, não tem sido diferente. Na eleição do primeiro turno para governador do RJ, causou perplexidade a enorme discrepância entre o resultado da pesquisa de boca de urna do Ibope e o resultado anunciado oficialmente, fato demonstrado no blog em 12/10, quatro postagens abaixo. É certo que o Instituto já cometeu erros grosseiros em pesquisas periódicas de intenção de voto, mas não em pesquisas de boca de urna. Estas, como se sabe, sempre ficam próximas do resultado final.

Descartada a hipótese de fraude, a pergunta a fazer é a seguinte: por que, no caso do RJ, a discrepância foi atribuída exclusivamente a possível erro do Ibope? Ora, partir da premissa de que o nosso sistema de votação é infalível e impenetrável, e que, por isso, não há necessidade de validação complementar, é muito otimismo, para dizer o mínimo, pois errar é humano, e máquinas podem falhar. Mesmo nos raros lugares do mundo em que o voto eletrônico é adotado, ele é validado por impressão em papel ou outro meio, não só para visualização do eleitor como para posterior conferência, ainda que por amostragem, como explicado por especialistas em http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/08/29/especialistas-alertam-para-possibilidade-de-fraudes-na-urna-eletronica.htm.

Sem entrar no mérito do pedido do PSDB, uma auditoria, ainda que por amostragem, certamente contribuirá para dar maior confiabilidade ao sistema e acabar de vez com as dúvidas.

E nas próximas eleições?

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