foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

Ver perfil

Os conteúdos dos textos deste Blog podem ser usados livremente. Pedimos, no caso, que sejam consignados os devidos créditos, com a citação do autor e da fonte.

 



 

 

Arquivados em outubro, 2014

A IDEIA PARECE VINGAR: JORNALISTAS PREFEREM A EXPRESS√ÉO ‚ÄúCOMUNIDADE OCUPADA‚ÄĚ A ‚ÄúCOMUNIDADE PACIFICADA‚ÄĚ

28 de outubro, 2014    

.

Alvíssaras! Publico esta postagem em função do APELO que fiz aos jornalistas por causa da naturalização das frequentes mortes de PMs em comunidades com UPPs. Deve ser coincidência. (Conferir na postagem anterior, abaixo).

Reporto-me a comentário que ouvi hoje, 28,  na rádio Band FM, cerca das 10:30h.,no qual o jornalista Rodolfo Schneider e sua colega de bancada (foge-me o nome) se corrigem ao fazer referência aos acontecimentos de ontem, 27, no Morro do Turano (um homem ferido por bala perdida em tiroteio entre PMs e traficantes; ataque à UPP da comunidade com coquetel Molotov; apreensão de armas e munição; apreensão de um adolescente de 14 anos suspeito de arremessar o coquetel).

Schneider, ap√≥s reportar os acontecimentos, refere-se ao local como ‚Äúcomunidade pacificada‚ÄĚ. Sua colega, possivelmente pelo fato de tais epis√≥dios se terem tornado rotina em v√°rias comunidades com UPP (tiroteios, mortes e p√Ęnico quase di√°rios), sugeriu mudar a express√£o para ‚Äúcomunidade ocupada‚ÄĚ, com o que Schneider concordou.

A mudança abre a oportunidade de os jornalistas pensarem em sugerir novas medidas, não necessariamente policiais ou militares, para evitar os tiroteios e mortes, e proteger os PMs e moradores inocentes.

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

MORTE DE PMs. UM APELO AOS JORNALISTAS DO RIO

18 de outubro, 2014    

.

Car@s jornalistas,

Leio no G1 de O Globo de hoje: ‚ÄúPM morto na Mangueira, Rio, ser√° enterrado neste s√°bado: Tiroteios assustaram moradores de quatro comunidades com UPP. Na Ladeira dos Tabajaras, o T√ļnel Velho chegou a ser fechado.‚ÄĚ

Mais um PM morto, somado a dezenas de outros, algo que, lament√°vel e inexplicavelmente, virou rotina no Rio.

O apelo que lhes fa√ßo parte do seguinte pressuposto: “A melhor maneira de n√£o resolver um problema √© naturaliz√°-lo ou fingir que ele n√£o existe”. Embora, a bem da verdade, o aumento de assassinatos de PMs por traficantes em comunidades com UPPs venha sendo devidamente noticiado, percebe-se certa naturaliza√ß√£o por parte de amplos setores da sociedade. √Č como se os PMs fossem pe√ßas de reposi√ß√£o de uma m√°quina industrial (uma farda apenas), e n√£o trabalhadores brasileiros com fam√≠lia (filhos, espos@, pai, m√£e, irm√£os) e anseios. Um candidato a governador do RJ, em debate na TV, diante da pergunta sobre o que faria para diminuir o n√ļmero de policiais assassinados, respondeu que n√£o havia resposta simples para a pergunta. Demonstrou apre√ßo aos PMs, e declarou que, caso eleito, os valorizaria, mas pareceu naturalizar as mortes: ¬†‚ÄúPara cada soldado que eles [os bandidos] matarem, vamos formar mais dez, e mais dez, e mais dez‚ÄĚ. ¬†¬†

O APELO: Por favor, √© preciso refletir sobre a contradi√ß√£o em que incorrem ao falar em ‚Äúcomunidade pacificada” em meio ao tiroteio, como alguns dos senhores fazem. Falar em comunidade pacificada trajando coletes a prova de balas. Chamar de pacificadas ‚Äúcomunidades‚ÄĚ com a presen√ßa ostensiva de traficantes armados de fuzis e atacando as for√ßas da ordem, inclusive militares das For√ßas Armadas; comunidades com crian√ßas tendo que deitar no ch√£o da escola por causa dos tiroteios, ou ficando sem aulas durante semanas; comunidades com frequentes mortes de pessoas inocentes por balas perdidas; com PMs sendo mortos e feridos em escala.

Em suma: construir uma cidade pacificada de fato √© desejo de todos, mas passa pelo reconhecimento de que o que temos hoje no Rio √© o oposto disso; e que o caminho escolhido, na base da ocupa√ß√£o policial e militar apenas, ou seja, com mais do mesmo, tem tudo para que o problema se agrave. N√£o podemos incorrer no erro de naturalizar o absurdo. Vamos parar de reportar tiroteios e mortes em “comunidades” trajando coletes a prova de balas e chamando-as de “pacificadas”. A quem aproveita isso?

Sobre “Matan√ßa de PMs no Rio e a “Guerra √†s Drogas”, ver: http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=5731

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

A CORRUP√á√ÉO N√ÉO √Č PROBLEMA. OU INDIGNA√á√ÉO SELETIVA (II)

17 de outubro, 2014    

(Nota pr√©via. N√£o resisti. Quando li hoje que mais uma alta autoridade chinesa foi condenada √† pena de morte por corrup√ß√£o, lembrei-me de postagem que publiquei no blog. Descontada a desumanidade da senten√ßa, d√° para pensar no caso brasileiro. Triste!… Reproduzo a postagem).

.

A CORRUP√á√ÉO N√ÉO √Č PROBLEMA. ¬†OU ¬†INDIGNA√á√ÉO SELETIVA

11 de setembro de 2014

N√£o √© de hoje. Em postagem de 2009 (24/06), falei de como via as rea√ß√Ķes √† corrup√ß√£o dos poderosos (pol√≠ticos ou n√£o) em diferentes culturas. Dependendo da sociedade, conclu√≠ que √© poss√≠vel vislumbrar,grosso modo, tr√™s tipos de rea√ß√£o, como ent√£o escrevi:

‚ÄúEm certas culturas […] o corrupto poderoso, quando flagrado com a m√£o na massa, suicida-se de vergonha. Em outras, seus atos s√£o considerados alta trai√ß√£o, o que o leva √† morte por fuzilamento […]. J√° em outras, como a brasileira, n√£o h√° falar em vergonha nem em falha de car√°ter. O corrupto […] √© que se apresenta em p√ļblico indignado, exigindo cinicamente provas do provado.‚ÄĚ

Curiosamente, a rea√ß√£o dos cidad√£os tamb√©m varia de uma sociedade para outra. No caso da brasileira, a indigna√ß√£o costuma ser seletiva. N√£o importa a corrup√ß√£o em si, nem o tamanho da roubalheira. Importa, sim, a identidade social dos envolvidos, assim como o alinhamento dos mesmos a grupos de interesse, partid√°rios ou ideol√≥gicos. Da√≠, toda luminosidade poss√≠vel nos outros; e toda fuma√ßa poss√≠vel para encobrir os nossos. Fuma√ßa at√© para fingir desconhecer fortunas-rel√Ęmpago em para√≠sos fiscais, e para nada ver de mal na ostenta√ß√£o sem pejo, na cara de todos, de riqueza inexplic√°vel. Tudo normal, como se desonestidade fosse s√≥ roubar dinheiro‚Ķ

Depois ainda dizem que o povo não sabe votar. Dizem isso enquanto se aplicam em confundi-lo…

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

ELEIÇÃO NO RJ. PESQUISAS DE BOCA DE URNA X RESULTADO OFICIAL

12 de outubro, 2014    

.

No primeiro turno da elei√ß√£o no RJ, pesquisa de boca de urna do Ibope deu que a diferen√ßa entre Pez√£o e Garotinho ca√≠ra para seis pontos percentuais. Em r√°dios, TVs e publica√ß√Ķes online n√£o havia d√ļvida de que o segundo turno seria entre Pez√£o e Garotinho, j√° que Crivella aparecia 10 pontos abaixo de Garotinho. E veio o resultado oficial, na contram√£o. Incr√≠vel! Tento entender:

РBoca de urna Ibope: Pezão, 34,%; Garotinho, 28%; Crivella, 18%; Lindberg, 11%; Tarcísio, 7%.

РResultado oficial: Pezão, 40,57%; Crivella, 20,26%; Garotinho, 19,73%; Lindberg, 10%; Tarcísio, 8,92%.

Temos ent√£o:

(a) Tanto na pesquisa de boca de urna quanto no resultado oficial, os percentuais de Crivella (18% para 20,26%), Lindberg (11% para 10%) e Tarcísio (7% para 8,92%) permaneceram dentro da margem de erro.

(b) J√° os resultados de Pez√£o e Garotinho apresentaram enorme discrep√Ęncia. Pez√£o saiu de 34% e foi para 40,57%, ou seja, teve acrescentados mais 6,57 pontos; e Garotinho saiu de 28% para 19,73%, ou seja, perdeu 8,27 pontos. Da√≠, a diferen√ßa entre os dois, que na pesquisa de boca de urna, era de seis pontos, saltou para 20,84 pontos (14,84 pontos a mais). Tudo isso sem que os percentuais de Crivella, Lindberg e Tarc√≠sio sa√≠ssem da margem de erro da boca de urna.

Os analistas tentam explicar a disparidade. Interessante que partem, todos, da preliminar de que o problema est√° nos institutos. N√£o encontrei um analista sequer que levantasse a hip√≥tese, ainda que remota, de que possa ter havido alguma falha no sistema eletr√īnico. Esse sistema seria infal√≠vel. Ora, √© claro que os institutos erram, e t√™m errado bastante, mas o problema √© o tamanho da discrep√Ęncia ali verificada.

N√£o sou analista eleitoral, e talvez seja por isso que estranho. Em busca na internet, s√≥ encontrei uma mat√©ria que p√Ķe em d√ļvida a infalibilidade do sistema. Foi mat√©ria na p√°gina do UOL, de 29/08/2014, assinada por Bruna Borges, onde se l√™: ‚ÄúA urna eletr√īnica usada no Brasil n√£o √© totalmente confi√°vel, est√° sujeita a fraudes internas e externas e n√£o permite auditoria, segundo especialistas ouvidos pelo UOL. Isso significa que seu voto pode ir a outro candidato e n√£o necessariamente o crime ser√° descoberto. No √ļltimo teste p√ļblico do equipamento promovido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 2012, uma equipe de especialistas em computa√ß√£o da UnB (Universidade de Bras√≠lia) descobriu uma lacuna no sistema de seguran√ßa. O tribunal n√£o permitiu novos exames p√ļblicos e n√£o respondeu por que n√£o realizou mais avalia√ß√Ķes.‚Ä̬†¬†

Num mundo em que, quase todo dia, saem not√≠cias de invas√Ķes e tentativas a sistemas sofisticados, como os da NASA, da CIA, da Agencia Nacional de Seguran√ßa ‚Äď NSA, do Pent√°gono etc., n√£o parece razo√°vel que se considere o nosso sistema eleitoral infal√≠vel, impenetr√°vel.

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

MEUS VOTOS (Cont…)

9 de outubro, 2014    

.

                                                        (Nota: Esta postagem complementa a anterior, abaixo.)

Depois do que vi hoje na TV sobre a roubalheira na Petrobrás, considero que Dilma é vítima do PT. Meu problema é que votar nela é votar no PT. Não voto mais.

Imprimir este post Imprimir este post    |   

MEUS VOTOS (TRANCRIÇÃO DO FACEBOOK)

4 de outubro, 2014    

.

Amig@ do Face,

Respeito a prefer√™ncia de todos, mas respondo a pessoas que me perguntam em quem vou votar. Oriento‚Äďme por minha identidade social e pela preocupa√ß√£o com a seguran√ßa (em especial com a PM) e a educa√ß√£o. Minha chapa:

– PRESIDENTE. Estava em d√ļvida. Na elei√ß√£o passada, embora hesitante, votei em Dilma. Hesitante porque me incomodava o esc√Ęndalo do ‚ÄėMensal√£o‚Äô. Mas achei que ela, eleita, seria mais dura com os envolvidos. Errei. Eis que, no entanto, vejo na TV¬†agora que uma de suas prioridades √© ser radical com a corrup√ß√£o pol√≠tica e o aparelhamento do estado. Dou-lhe o voto mais uma vez. E espero n√£o me decepcionar. Dilma 13.

– GOVERNADOR. N√£o tive d√ļvida. Fui secret√°rio nos governos Garotinho e Rosinha. Nunca sofri interfer√™ncia para favorecer essa ou aquela pessoa, essa ou aquela empresa. E jamais vi ou soube que isso tenha acontecido com algum colega secret√°rio, inclusive com Pez√£o. Acompanhei o casal em viagem de trabalho √† Fran√ßa e √† It√°lia. Comitiva de meia d√ļzia. Hospedagem em hotel confort√°vel, mas n√£o luxuoso. √önica extravag√Ęncia: show de Caetano Veloso em pra√ßa p√ļblica (belo show), de gra√ßa. Conhe√ßo a casa onde o casal mora em Campos, heran√ßa do pai de Garotinho. Casa simples, de algu√©m que foi prefeito duas vezes do rico munic√≠pio de Campos, governador do RJ, e cuja esposa tamb√©m foi governadora e √© prefeita. No Rio, Garotinho pousa num apartamento alugado. Garotinho 22. Comparem com outros pol√≠ticos…

РSENADOR. Vinha hesitando. Como tenho preocupação com a violência contra a juventude, em particular os abusos contra a criança e o adolescente (marca da atuação da deputada federal Liliam Sá), identifico-me com a sua luta. Não bastasse isso, ela é indicada por Garotinho. Tem o meu voto e o meu apoio. Lílian Sá 901.

– DEPUTADO FEDERAL. Desde sempre ‚Äď refiro-me aos tempos de Leonel Brizola ‚Äď, Fernando Peregrino √© pessoa que admiro e respeito. √Č outro que, na pol√≠tica, s√≥ deu de si, nada auferindo em bens materiais. N√£o sei se temos no Congresso hoje uma d√ļzia de parlamentares com a honorabilidade e a seriedade de Peregrino. Mora de aluguel. Votar nele honra a quem votou. Fernando Peregrino 2258.

– DEPUTADO ESTADUAL. N√£o pude individualizar o voto, como fiz no que se refere a deputado federal, mesmo porque a PM depende muito mais da Assembleia Legislativa. Vou escolher um candidato da PM.

Obs. Sobre diferen√ßas, confira no link de ‚ÄúELEI√á√ēES NUMA SOCIEDADE INDECENTE‚ÄĚ: http://www.jorgedasilva.blog.br/

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

ELEI√á√ēES NUMA SOCIEDADE (IN)DECENTE

3 de outubro, 2014    

.

Do ponto de vista formal, uma sociedade pode considerar-se juridicamente justa, tendo como referência o princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei, mas não ser decente nas práticas sociais. A sociedade decente, como a concebe Avishai Margalit (The decent society) não adota práticas que humilhem os cidadãos, nem permite que eles sejam humilhados, discriminados e desrespeitados.

Possuindo ordenamento jur√≠dico amb√≠guo, igualit√°rio-desigualit√°rio, com pris√£o especial para cidad√£os ‚Äúespeciais‚ÄĚ, foro por privil√©gio de fun√ß√£o, imunidade parlamentar at√© para crime comum (ainda…) e estrutura social marcada pela hierarquia entre os cidad√£os (‚ÄúVoc√™ sabe com quem est√° falando?‚ÄĚ), a sociedade brasileira n√£o √© sequer uma sociedade juridicamente justa, o que √© coerente com a sua heran√ßa aristocr√°tico-olig√°rquica. Menos mal. Pior √© o d√©ficit de dec√™ncia observado na rela√ß√£o das institui√ß√Ķes com os cidad√£os, em fun√ß√£o n√£o do valor humano destes, mas da sua posi√ß√£o, origem, poder econ√īmico, pol√≠tico, relacional etc.

Como explicar que figuras p√ļblicas at√© outro dia pobres passem a ostentar riqueza conseguida de forma mete√≥rica, sem serem questionadas pelo¬†establishment¬†(conjunto dos poderes econ√īmico, midi√°tico, cultural, executivo, legislativo e judici√°rio), enquanto outros, n√£o alinhados, sejam execrados pelo mesmo establishment como ladr√Ķes? Algu√©m dir√°: ‚ÄúEst√£o escondendo!‚ÄĚ. ¬†S√≥ se for para ostentar depois da morte, como imaginavam os fara√≥s‚Ķ

No que tange √†s elei√ß√Ķes, parece que muitos cidad√£os ainda se orientam pela l√≥gica do “ele rouba mas faz”, ainda que n√£o fa√ßa.

Triste da sociedade em que honestidade significa idiotice.

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

PAZ

3 de outubro, 2014    

.

PAZ

Revólver pistola tiro
Tiro tiro tiroteio
Morreu n√£o morreu caiu
Levantou atirou correu
Matou n√£o matou fugiu
Ficou n√£o ficou morreu

Pistola tiro fuzil
Bala bomba bandido
Escola tiroteio escola
Polícia tiro pistola
Devaneio tiroteio n√£o viu
Enterro chorou sorriu
Revólver pistola tiro

Favela viela pistola
Fuzil tiro escola
Dem√īnios anjos arcanjos
Guerra na santa cidade
Mas paz no campo santo…

 

Imprimir este post Imprimir este post    |