foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em setembro, 2014

DECRETAÇÃO DE “ESTADO DE DEFESA” NO RIO?

29 de setembro, 2014    

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Há alguns anos, diante do crescimento do crime e da violência, importantes setores da sociedade carioca, por intermédio da mídia, clamavam por uma intervenção federal no RJ, com a decretação de “estado de defesa”, situação em que, como previsto no Art. 136 da CF, a gestão da segurança pública passa ao controle das Forças Armadas.

De uns tempos para cá, apesar do denodado empenho das polícias, inclusive com o sacrifício das vidas de muitos policiais e não policiais, constata-se que a criminalidade e o medo continuam a aumentar, e que áreas da cidade e da Região Metropolitana, mesmo com UPPs, encontram-se sitiadas pelo crime. Daí, em razão desse fato, e principalmente da crescente ousadia dos traficantes, por que pararam de pedir a adoção da medida?…

 

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O FUTURO DAS UPPs: “O SONHO EM AGONIA”

21 de setembro, 2014    

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Não me contive diante do artigo de Aydano Motta em O Globo, no qual faz lúcida e corajosa análise sobre as UPPs e a violência do Rio. Entendo ser leitura obrigatória para quem se ocupa sinceramente dos assuntos da segurança pública. (Íntegra do artigo no link adiante)

Sob o título “O sonho em agonia”, Aydano preocupa-se com o destino das UPPs. Lamenta que o ensaio para a escolha do samba-enredo da Mangueira tenha sido cancelado por causa da guerra entre facções pelo controle do tráfico naquela ‘comunidade’, mesmo com a presença da UPP. Fala da migração de marginais, “exportados das favelas cariocas”; do fato de a “espiral criminosa” não ter poupado nem o cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro; do envolvimento de policiais com a corrupção e milícias, e de outros fatos lamentáveis. Teme que as UPPs acabem no “mausoléu das boas iniciativas abandonadas à própria sorte”, como aconteceu com os Cieps.

Aydano tem razão. De minha parte, entendo que é preciso não deixar acontecer com as UPPs o que aconteceu com iniciativas anteriores em ‘comunidades’, como os DPOs (Destacamentos de Policiamento Ostensivo), os GEPAEs (Grupamentos de Policiamento em Áreas Especiais) e os CCDCs (Centros Comunitários de Defesa da Cidadania), iniciativas sempre desqualificadas por razões insondáveis (…) ou abandonadas por novos detentores do poder, marca registrada do nosso subdesenvolvimento político-administrativo. Mudam-se os rótulos, sem maior preocupação em mudar substancialmente os conteúdos.

Por fim, Aydano Motta lamenta que o trabalho não tenha sido terminado, e aparenta pessimismo ao dizer que “agora pode ser tarde”. Não, digo eu; não é tarde. Há consenso em que não basta ocupação policial-militar, como o próprio secretário de segurança admite. O que se impõe ao poder político e à sociedade civil é a necessidade de não tomar o projeto como panaceia, nem como marca político-eleitoral. O projeto deve ser levado adiante como parte do plano geral de segurança da cidade e do estado, em proveito de toda a população, com investimentos também em programas de prevenção primária.  Em suma: mais foco e luz no conteúdo e menos no rótulo.

Sem maiores comentários, melhor ler o artigo de Aydano na íntegra. É só clicar no link abaixo:

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/chopedoaydano/posts/2014/09/18/o-sonho-em-agonia-550146.asp

 

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ATÉ QUANDO?!… MATANÇA DE PMs E A “GUERRA ÀS DROGAS” NO RIO (II)

11 de setembro, 2014    

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Acabo de ler em O Dia Online nesta quinta feira, 11/09/14: “Comandante da UPP Nova Brasília morre após ser baleado no Alemão”.

A propósito de mais uma morte de PM, a do Capitão Uanderson, jovem e brilhante oficial, para dor de seus familiares, amigos e de toda a PM, remeto o leitor para postagem do blog de 28/08, em que proponho uma reflexão sobre o drama da violência entre nós. (Obs. Conferir duas postagens abaixo).

 

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A CORRUPÇÃO NÃO É PROBLEMA. OU INDIGNAÇÃO SELETIVA

11 de setembro, 2014    

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Não é de hoje. Em postagem de 2009 (24/06), falei de como via as reações à corrupção dos poderosos (políticos ou não) em diferentes culturas. Dependendo da sociedade, concluí que é possível vislumbrar, grosso modo, três tipos de reação, como então escrevi:

“Em certas culturas […] o corrupto poderoso, quando flagrado com a mão na massa, suicida-se de vergonha. Em outras, seus atos são considerados alta traição, o que o leva à morte por fuzilamento […]. Já em outras, como a brasileira, não há falar em vergonha nem em falha de caráter. O corrupto […] é que se apresenta em público indignado, exigindo cinicamente provas do provado.”

Curiosamente, a reação dos cidadãos também varia de uma sociedade para outra. No caso da brasileira, a indignação costuma ser seletiva. Não importa a corrupção em si, nem o tamanho da roubalheira. Importa, sim, a identidade social dos envolvidos, assim como o alinhamento dos mesmos a grupos de interesse, partidários ou ideológicos. Daí, toda luminosidade possível nos outros; e toda fumaça possível para encobrir os nossos. Fumaça até para fingir desconhecer fortunas-relâmpago em paraísos fiscais, e para nada ver de mal na ostentação sem pejo, na cara de todos, de riqueza inexplicável. Tudo normal, como se desonestidade fosse só roubar dinheiro…

Depois ainda dizem que o povo não sabe votar. Dizem isso enquanto se aplicam em confundi-lo…

 

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