foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

Ver perfil

Os conteúdos dos textos deste Blog podem ser usados livremente. Pedimos, no caso, que sejam consignados os devidos créditos, com a citação do autor e da fonte.

 



 

 

Arquivados em agosto, 2014

MATAN√áA DE PMs NO RIO E A ‚ÄúGUERRA √ÄS DROGAS‚ÄĚ

28 de agosto, 2014    

.

(NOTA PR√ČVIA. Esta postagem complementa a anterior, abaixo, na qual falei do exterm√≠nio da juventude)

N√£o passa uma semana sem que a m√≠dia traga not√≠cias sobre PMs mortos ou feridos, seja em confronto com traficantes de drogas, seja pelo simples fato de serem PMs, mesmo de folga. O aumento dessas mortes √© explicado como rea√ß√£o das fac√ß√Ķes criminosas √† implanta√ß√£o das UPPs, o que leva √† conclus√£o de que, mantida a l√≥gica da ‚Äúguerra √†s drogas‚ÄĚ no Brasil, muito mais PMs ser√£o mortos, e a m√≠dia noticiar√° mais mortes, n√£o s√≥ de jovens PMs mas tamb√©m de traficantes, supostos traficantes e moradores inocentes de ‚Äúcomunidades‚ÄĚ (crian√ßas indo para a escola, ou na escola; senhoras, idosos), atingidos por balas perdidas sa√≠das de fuzis dos combatentes dos dois lados. Tudo naturalizado, sem que se vislumbre o fim da matan√ßa.

Aí vai pequena amostra da naturalização da matança de PMs: 

‚ÄúSubcomandante da UPP Vila Cruzeiro √© morto com tiro na cabe√ßa‚ÄĚ (O Estado de S√£o Paulo, 14/03/14);

‚ÄúFam√≠lia diz que PM da UPP morto estava apreensivo com morte de colegas‚ÄĚ (Jornal Extra, 15/03/14);

‚ÄúNo Rio, UPPs batem recorde de PMs feridos e mortos‚ÄĚ (Revista VEJA, 01/05/14);

– ‚ÄúPM √© executado na Pedreira e RJ tem mais de 70 policiais mortos em 2014‚ÄĚ (G1/O Globo, 19/08/14);

– ‚ÄúUm policial de UPP morre e outros seis ficam feridos em ataques de bandidos‚ÄĚ (Jornal Extra, 24/08/14);

‚ÄúMetade das mortes de PMs no Rio em 2014 foi em √°reas de UPPs‚ÄĚ (Jornal Extra, 26/08/14).

Curioso que, a cada sequ√™ncia de ataques a UPPs e/ou aos PMs, em vez de o governo incluir em sua resposta medidas de reformula√ß√£o do projeto e de maior prote√ß√£o aos PMs, responde com o que virou palavra de ordem: ‚ÄúN√£o vamos recuar!‚ÄĚ Ainda: anunciando mais UPPs nos mesmos moldes. E tome enterro de PMs (com honras f√ļnebres…).

Ainda bem que n√£o se repetiu estranha racionaliza√ß√£o de quando, em 1989, o governo do RJ foi questionado pelo repentino aumento do n√ļmero de mortes de policiais como resultado da pol√≠tica de confronto da √©poca (‚Äúacabar com a viol√™ncia em seis meses‚ÄĚ). O aumento foi explicado como evid√™ncia do maior empenho contra a viol√™ncia dos traficantes, ou seja. mais policiais estavam morrendo porque o governo estaria trabalhando mais, sendo mais eficiente, comparado aos governos anteriores. Tal racionaliza√ß√£o foi consignada em ve√≠culo da¬†Imprensa Oficial do RJ (Cf. Jornal Pronta Resposta: Informativo do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Niter√≥i, 15 de mar√ßo de 1989, p. 15). Requento observa√ß√£o que fiz em livro de 1998 a respeito desse absurdo, j√° naquela √©poca preocupado com a vitimiza√ß√£o sem sentido dos policiais: ‚ÄúN√£o a vitimiza√ß√£o por parte dos bandidos apenas, mas principalmente a vitimiza√ß√£o por parte das autoridades, que os empurram irresponsavelmente para a condi√ß√£o de algozes-v√≠timas.‚ÄĚ

Em suma: em 1989, o problema era acabar com o poderio dos traficantes. E as cobaias do experimento eram os PMs. 25 anos depois, o problema é acabar com o poderio dos traficantes, e as cobaias continuam as mesmas. Difícil entender o denodo com que jovens PMs se lançam à guerra como camicazes urbanos, acreditando que vão vencê-la.

Pergunto: ser√° que algu√©m acredita mesmo que se vai acabar com o tr√°fico de drogas acabando com os traficantes? Claro que n√£o; logo, o objetivo da “guerra” √© outro, inconfess√°vel…

 

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

O PAPEL DO “ESTABLISHMENT” NO EXTERM√ćNIO DA JUVENTUDE NEGRA

16 de agosto, 2014    

.

Participei nesta 4¬™ feira, 13/08, na OAB-RJ, do Semin√°rio ‚ÄúSeguran√ßa P√ļblica, Juventude Negra e Racismo‚ÄĚ, organizado pela sua Comiss√£o de Igualdade Racial e a Superintend√™ncia de Igualdade Racial (SUPPIR/RJ). Audit√≥rio lotado, tamb√©m participaram como expositores o defensor p√ļblico geral do Estado, Nilson Bruno, o delegado de pol√≠cia Orlando Zaccone, a presidente do Conselho Penitenci√°rio do RJ, Ma√≠ra Fernandes, o subsecret√°rio de Direitos Humanos /RJ, Rafael Viola, o presidente do Instituto Nelson Mandela, Jos√© Carlos Brasileiro, o desembargador do TJ-RJ Paulo Rangel, o presidente do Conselho Estadual de Juventude do Esp√≠rito Santo, Lula Rocha, e a pesquisadora do Departamento Geral de A√ß√Ķes Socioeducativas (DEGASE), Vivian de Oliveira. Todos un√Ęnimes em reconhecer o problema.

Na abertura, o presidente da Comiss√£o, Marcelo Dias, falou do exterm√≠nio da juventude negra, o que se vem acentuando nas √ļltimas d√©cadas. De fato, os dados gritam (Cf. Mapa da viol√™ncia 2014: os jovens do Brasil*, com base em dados do SIM, do Minist√©rio da Sa√ļde, relativos ao per√≠odo 2002 ‚Äď 2012). Vejamos. Em 2002 foram mortos 19.846 jovens brancos e 29.656 jovens negros (pretos + pardos do IBGE); em 2012, 14.928 jovens brancos (queda de 24,8%) e 41.127 negros (subida de 38,7%). Boa parte dessas mortes foi atribu√≠da √† forma como as for√ßas de seguran√ßa atuam.

Para os que sustentam que o racismo n√£o √© quest√£o importante em nossa sociedade, a iniciativa soaria como um desprop√≥sito; mais ainda a afirma√ß√£o de que convivemos de forma naturalizada com a matan√ßa da juventude. Afinal, o mito da ‚Äúdemocracia racial‚ÄĚ ainda habita a mente de muitos brasileiros que, de boa ou m√° f√©, teimam em duelar com fatos e n√ļmeros.

Percebi que, para a maioria, o problema se esgotava na pol√≠cia, a qual seria despreparada e preconceituosa, e teria uma voca√ß√£o irresist√≠vel para a trucul√™ncia. Da√≠, a solu√ß√£o estaria no melhor preparo dos policiais, no refor√ßo das corregedorias e no maior rigor do MP e do Judici√°rio em rela√ß√£o aos chamados ‚Äėautos de resist√™ncia‚Äô. Simples.

Sem discordar dessas representa√ß√Ķes, chamei a aten√ß√£o para o meu ponto, o qual tem passado ao largo das discuss√Ķes: a pol√≠cia n√£o existe no v√°cuo. Ora, como conseguir uma pol√≠cia democr√°tica e cidad√£ numa sociedade em que o establishment (conjunto dos poderes econ√īmico, midi√°tico, cultural, executivo, legislativo e judici√°rio) ainda guarda as marcas de um passado escravista de mais de 350 anos? A pol√≠cia tem sido empurrada para a trucul√™ncia por quem finge querer democratiz√°-la ou cont√™-la, ao mesmo tempo em que a erige como bode para desviar a aten√ß√£o e livrar a pr√≥pria pele. Pergunto: como os policiais decodificam mensagens como as seguintes:

(a) ‚ÄúAtira primeiro e pergunta depois‚ÄĚ, frase do secret√°rio de Seguran√ßa em 1995, no tempo das chamadas promo√ß√Ķes e gratifica√ß√Ķes ‚Äúfaroeste‚ÄĚ; (b) “Nosso bloco est√° na rua. Se tiver que ter conflito armado, que tenha. E se algu√©m tiver que morrer por isso, que morra. N√≥s vamos partir para dentro‚ÄĚ, palavras de outro secret√°rio de Seguran√ßa em 2003; (c) ‚ÄúMata quem tiver que matar‚ÄĚ, frase atribu√≠da ao prefeito do Rio, explicando como agiria se fosse governador quando de uma rebeli√£o em pres√≠dio no Rio (2004); (d) “N√£o se faz um omelete sem quebrar os ovos”, frase do secret√°rio de Seguran√ßa, justificando dezenove mortes pela pol√≠cia, de uma s√≥ tacada, na Favela da Vila Cruzeiro, as quais se somavam a 23 outras ocorridas nos dois meses anteriores no mesmo local (2007); (e) ‚ÄúUm tiro em Copacabana √© uma coisa, um tiro na Cor√©ia, um tiro no Complexo do Alem√£o, √© outra‚Äú, frase do mesmo secret√°rio (2007); (f) ‚ÄúVoc√™ pega o n√ļmero de filhos por m√£e na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, M√©ier e Copacabana, √© padr√£o sueco. Agora, pega na Rocinha. √Č padr√£o Z√Ęmbia, Gab√£o. Isso √© uma f√°brica de produzir marginal‚ÄĚ, governador do Estado, defendendo a legaliza√ß√£o do aborto como forma de reduzir a viol√™ncia (2007); (g) “√Č uma pol√≠tica correta, temos que partir para o confronto. Isso d√° um desconforto para os acad√™micos, mas faz parte do jogo democr√°tico‚Äú, ministro da Defesa, em apoio √† pol√≠tica de confronto do governo estadual (2007); (h) ‚ÄúA PM √© o melhor rem√©dio contra a dengue; n√£o fica um mosquito em p√©, √© o SBPM, o melhor inseticida social‚ÄĚ, comandante da Capital, ap√≥s opera√ß√£o no Complexo do Alem√£o, na qual nove homens tidos por bandidos, entre eles um menino de doze anos, foram mortos (o Rio vivia uma epidemia da dengue e a pol√≠cia era questionada pelo aumento do n√ļmero de ‚Äėautos de resist√™ncia‚Äô (2008)); (i) ‚ÄúSem esquecer a legalidade e a legitimidade, a hora √© de botar a m√£o no fuzil e cair pra dentro. A sociedade quer respostas‚ÄĚ, do mesmo comandante, ao falar para PMs num batalh√£o, antes de uma opera√ß√£o (2009); (j) “N√£o vamos mandar pol√≠cia apenas para bater. A pol√≠cia vai para l√° bater em quem tem que bater. Proteger quem tem que proteger”, presidente da Rep√ļblica, ao lado do governador, elogiando as UPPs (2010).

Tudo sem contar as mensagens subliminares de apresentadores de programas policiais da TV, insistentemente lamentando que n√£o exista pena de morte no Brasil (‚ÄúO que fazer com um sujeito desses?‚ÄĚ, perguntam, com semblante macabro).

Voltando ao meu ponto: N√£o basta questionar a pol√≠cia e o judici√°rio. √Č preciso tamb√©m, e principalmente, cobrar responsabilidade de quem, com bravatas militaristas, induz os policiais ao desrespeito √†s leis e √† trucul√™ncia contra os alvos tradicionais, na base do ‚ÄĚbandido bom √© bandido morto‚ÄĚ. Os que lutam contra a viol√™ncia policial e o exterm√≠nio da juventude precisam compreender que fixar o foco apenas na pol√≠cia √© fazer o jogo do establishment; que repetir o lugar comum de que a sa√≠da √© treinar os policiais √© reducionismo conveniente. Ora, onde o policial aprende que pode dar tapa na cara de um jovem negro da Coreia, mas que deve tratar com lhaneza um jovem branco de Ipanema? O que pode a sala de aula de uma academia de pol√≠cia fazer em contraposi√ß√£o a ‚Äúaulas‚ÄĚ difundidas pelos meios de comunica√ß√£o, ministradas por autoridades e personalidades, como vimos acima? Maquiavel n√£o seria t√£o astuto quanto o establishment do Rio de Janeiro.

Em tempo: pouco se falou na matança de policiais no Rio.

 agosto 16th, 2014

Link do Mapa da Violência 2-14:

* http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2014/Mapa2014_JovensBrasil_Preliminar.pdf

 

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

PESQUISAS ELEITORAIS NO RJ E OS INSTITUTOS DE PESQUISA

12 de agosto, 2014    

.

Outro dia (30/08), em pesquisa do IBOPE para o governo do RJ, Garotinho aparecia com 21% das inten√ß√Ķes de voto, Crivella com 16% e Pez√£o com 15%. Estranhei a forma como foi divulgada a not√≠cia, dando conta de que os tr√™s estivessem em ‚Äúempate t√©cnico‚ÄĚ (considerada uma margem de erro de tr√™s pontos para mais ou para meno…); estranheza que manifestei em postagem anterior, adiante, na qual me referi aos malabarismos matem√°ticos de Malba Tahan. Ou seja, tomaram para c√°lculo o m√≠nimo de Garotinho e o m√°ximo dos outros dois para declarar o empate. Hoje (12/08), em pesquisa do Instituto GPP, encomendada pelo PMDB, Garotinho aparece com 28,3%, Crivella com 16,4%, e Pez√£o com 15,7%. Pouco tempo para tamanha diferen√ßa. Ser√° que, nos dois casos, os dados est√£o corretos?

Imprimir este post Imprimir este post    |   

DROGAS. SENADO TEM AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE REGULAMENTAÇÃO DO USO DA MACONHA

12 de agosto, 2014    

.

Realizou-se ontem, dia 11 de agosto, a segunda audi√™ncia p√ļblica no Senado Federal/Comiss√£o de Direitos Humanos e Legisla√ß√£o Participativa, para discutir a Sugest√£o n¬ļ 8/2014, de iniciativa popular (20 mil assinaturas), que trata da ‚Äúregulamenta√ß√£o‚ÄĚ do uso da maconha no Pa√≠s. A audi√™ncia foi presidida pelo senador Cristovam Buarque, tendo √† mesa o Dr. N√≠veo Nascimento e o coronel PM e professor Jorge da Silva. Muita pol√™mica.

Notícia da audiência, em vídeo, foi publicada na página do Senado. Link:

http://www.senado.gov.br/noticias/tv/programaListaPadrao.asp?IND_ACESSO=S&IND_PROGRAMA=S&COD_PROGRAMA=51&COD_VIDEO=361606

√Č assunto que precisa realmente ser discutido por toda a sociedade.

Imprimir este post Imprimir este post    |   

E RODRIGO BETHLEM FICOU SOZINHO NA PRAIA

6 de agosto, 2014    

.

O poeta Augusto dos Anjos n√£o tinha d√ļvida: ‚ÄúA m√£o que afaga √© a mesma que apedreja‚ÄĚ. Onde est√£o aqueles que transformaram Rodrigo Bethlem em ‚ÄúXerife do Rio‚ÄĚ, pela imposi√ß√£o espetaculosa da ‚Äúordem‚ÄĚ nas praias da ‚ÄúOrla‚ÄĚ? Foram tra√≠dos? Tolinhos!… Ainda outro dia, ele estava no c√©u, cercado de amigos, correligion√°rios e anjos. De repente, no inferno, a s√≥s com o ‘coisa-ruim’.

Em postagem de 21/05/2013 (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=4338), aludi ao que percebia como um processo deliberado de elitiza√ß√£o de manifesta√ß√Ķes culturais at√© ent√£o decantadas como s√≠mbolos de integra√ß√£o social: o futebol, o carnaval e a praia, agora reduzidos a mercado, disputado por interesses de toda sorte, mas dependente da exclus√£o do populacho.

Atenho-me √† quest√£o da praia. Escrevi naquela postagem: ‚Äúademais do crescente loteamento da areia em praias de √°reas nobres (exclusividade de quiosques, com puxadinhos, barracas etc.), n√£o tardar√° que, em nome da ordem, algu√©m decida concretizar o sonho de cerc√°-las, cobrar ingressos e, finalmente, privatiz√°-las‚ÄĚ. [grifo]

Um ano depois do que escrevi, leio em √Čpoca (31/07/2014): ‚ÄúEm dezembro de 2009, o ent√£o secret√°rio municipal de Ordem P√ļblica do Rio de Janeiro, Rodrigo Bethlem, autorizou a Orla Rio Associados, empresa privada que controla quiosques no cal√ßad√£o das praias cariocas, a estender seus dom√≠nios tamb√©m √†s areias, com a instala√ß√£o de barracas para a venda de produtos‚ÄĚ.¬†¬†¬†

Coincidentemente, naquele mesmo final de ano, a prefeitura tentou proibir a venda de coco verde nas praias, em proveito da água de coco industrial, a ser vendida em caixinhas. Aí entendi a sofreguidão com que os agentes da ordem, liderados por Bethlem,  perseguiam os vendedores ambulantes, e implicavam com quem ia à praia com isopores levando lanches, refrigerantes e cerveja. Tudo normal para os que agora detratam Bethlem.

A elite carioca √© imposs√≠vel. Sempre com a Fran√ßa na cabe√ßa (Freud explicaria), √© como se tivesse incumbido a prefeitura de transformar a orla praiana, do Leme ao Pontal do Recreio, numa grande Saint Tropez tupiniquim, com a complica√ß√£o de que, para tal, os ‚Äėtupiniquins‚Äô teriam que ser afastados. Bethlem vestiu a camisa, e se empolgou a ponto de achar que estava acima do bem e do mal. E por que n√£o aproveitar para fazer o p√©-de-meia?

Em suma: foi nessa onda que Bethlem resolveu surfar. Só que entrou de cabeça, sem os cuidados de surfistas tradicionais mais espertos. E ainda foi brigar com a ex-mulher! Quem mandou?

Azarado. E s√≥…

 

Imprimir este post Imprimir este post    |