foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em julho, 2014

PESQUISA TV GLOBO-IBOPE PARA GOVERNADOR/RJ E A MATEMÁTICA DE MALBA TAHAN

30 de julho, 2014    

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Ipsis litteris, transcrevo notícia do RJ TV 2ª EDIÇÃO de hoje, 30 de julho, dando conta de “empate técnico” em que um candidato com 15% das intenções de voto estaria empatado “tecnicamente” com outro que aparece com 21%, ou seja, diferença de seis pontos percentuais. Aí vai:

APRESENTADORA: “O ibope divulgou hoje pesquisa com a intenção de voto para governador […], sob encomenda da TV Globo, e o resultado mostra que Anthony Garotinho, Marcelo Crivella e Luiz Fernando Pezão estão tecnicamente empatados. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Anthony Garotinho, do PR, aparece com 21% das intenções de voto. Com a margem de erro, tem entre 24 e 18%. Marcelo Crivella, do PRB, 16%. Considerando a margem de erro, fica entre 19 e 13. Luiz Fernando Pezão, do PMDB, 15%, ou seja, entre 18 e 12%. Portanto, considerando a margem de erro, Garotinho, Crivella e Pezão estão tecnicamente empatados. Lindberg Farias, do PT, tem 11%. Com a margem de erro, vai de 14 a 8%. […]” 

Curiosa a reiteração na matéria da ideia de “empate”. Daí, vieram-me à mente os malabarismos matemáticos de Malba Tahan.

Coisa feia!…

 

 

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UPPs. SÃO GONÇALO NÃO É A ROCINHA

27 de julho, 2014    

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РROCINHA: popula̤̣o 71.085 (71 mil e 85 hab.); UPP Rocinha: 700 efetivos.

– SÃO GONÇALO: população: 1.025. 000 (1 milhão e 25 mil hab.); 7º BPM São Gonçalo: 650 efetivos.

Desde o início, o programa das UPPs foi amplamente apoiado pela sociedade, em especial pela grande mídia. Apesar dos percalços, como a esperada resistência dos traficantes e a desconfiança dos moradores, o apoio ao programa continuou. Estimulado pela forte luminosidade jogada nos aspectos positivos do programa, o governo resolveu, de forma açodada, multiplicar as UPPs. Promoveu a incorporação apressada de milhares de novos PMs para isso, como se a PM fosse corporação municipal. Em suma, o governo elevou um “programa” específico à condição de “política pública de segurança do estado”, desconsiderando o fato de que uma política pública de qualquer setor comporta vários “programas”, “projetos” e “ações”. Só que contou para consumar essa redução com a verve de ‘especialistas’ ad hoc em segurança pública (economistas, jornalistas, cineastas, ambientalistas, empresários etc.), muitos dos quais obrando em causa própria. Houve um, mais desinibido, que afirmou: “As UPPs são política de estado, e não de governo” (Ai !…). Ora, uma coisa é apoiar o programa no sentido de que seja mantido e aprimorado; outra é erigi-lo à condição de panaceia social.

Se toda essa concentração de recursos fosse a solução para um problema realmente crônico, ainda que com prejuízo da “periferia” e do policiamento do “asfalto”, teria valido a pena. Acontece que, depois de tudo isso, constata-se que os traficantes continuam com as suas atividades, armados até os dentes; pior: distribuídos por um número bem maior de “comunidades”. Na semana passada, no Complexo do Alemão, voltaram a atacar, como têm feito ali e em outras “comunidades”. Incendiaram uma viatura da PM, atacaram a UPP e feriram gravemente um PM (felizmente não morreu, como outros); o teleférico ficou fechado e cinco mil crianças sem aula durante três dias, fato que se tornou rotina. Bem, o que dirão os ‘especialistas’ ad hoc da mídia diante da desproporção entre os efetivos policiais da Rocinha e do Município de São Gonçalo? Terão coragem de tentar justificar?

São Gonçalo, município da Região Metropolitana do Rio, possui, segundo estimativa para 2013 do IBGE, 1.025.000 hab., com dezenas de “comunidades” dominadas por traficantes (Jardim Catarina, Complexo do Salgueiro, Morro do Castro, Chumbada, Novo México etc.). Pois bem, para essa população e esses problemas, como vimos acima, o governo do estado destina ao batalhão de São Gonçalo (7º BPM) 650 PMs. A Rocinha, “comunidade” contígua ao bairro nobre de São Conrado, na Zona Sul do Rio, possui, segundo estimativa para 2012 do Instituto Pereira Passos, 71.085, ou seja, 1/14 da população de São Gonçalo. Pois bem, o governo estadual destina mais de 700 PMs para a UPP Rocinha, sem contar que essa “comunidade” está contida na área do 23º BPM (Leblon). Pergunte-se: que critérios o governo utiliza para promover tamanha distorção na distribuição dos efetivos da PM, corporação estadual? Uma coisa é certa: não foi decisão da própria PM, cujo Estado Maior sempre possuiu critérios técnicos, objetivos, para distribuir o seu efetivo, razoavelmente resistentes a pressões particularistas de setores midiáticos, empresariais e políticos.

Em tempo: O esvaziamento verificado no batalhão de São Gonçalo também aconteceu em praticamente todos os BPM do estado, em particular os da periferia e do interior. Bem, faz sentido…

 

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FUTEBOL. RECEITA PARA SUBLIMAR A REALIDADE

18 de julho, 2014    

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No sábado, 12 jul, depois da derrota para a Alemanha de 7 a 1, o Brasil volta a perder de 3 a 0 para a Holanda. No dia seguinte, domingo 13, aconteceria a Final entre Alemanha e Argentina no Maracanã. Curiosamente, o jornal O Globo, em sua edição impressa desse dia, em vez do esperado foco no embate do qual sairia o campeão mundial, preferiu trazer na capa, em letras garrafais, grande manchete com o seguinte título: “FALTAM 754 DIAS PARA AS OLIMPÍADAS”. Sublimação da realidade?

Três dias depois, na quarta feira 16, a incômoda realidade reaparece, não em primeiras páginas, mas reaparece. Uma realidade que se quer sublimar e/ou naturalizar: a violência do Rio e a “guerra” nas “comunidades”. Tem-se notícia de que, em operação da PM no Complexo de ‘favelas’ do Alemão, 4 mil crianças ficam sem aula, ou seja, volta-se à rotina. Ainda bem que não morreu ninguém dessa vez.

Bem, e as Olimpíadas?…

 

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AS HISTÓRIAS DA CANNABIS – EM FILMES E DEBATES (INFORME)

17 de julho, 2014    

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INFORME:

De 22 a 27 de julho

Local: Centro Cultural da Justiça Federal – CCJF. – Cinelândia – Av. Rio Branco 241 Centro, RJ.

Sessões: – terça a sexta 16:00 h. e 18:30 h.; e sábado e domingo 15:00 h. e 17:15 h., com debates após as últimas sessões (Obs. Retirar senhas 1 hora antes. Classificação Livre)

Ingressos: R$ 5,00 e R$ 10,00.

PROGRAMAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA:

https://drive.google.com/file/d/0B3ZfjDoZhtm7UmtCMkhQN09UOHpOcjljbUozRTVJVkVJSzQw/edit?usp=sharing …

 

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A COPA E O ‘TRADUTOR’ DE SINAIS PARA SURDOS

12 de julho, 2014    

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Desconfiança. A gesticulação de Felipão dando instrução a algum jogador, ora trançando dois dedos em V e falando alguma coisa, ora acrescentando um dedo da outra mão no meio, como se esse dedo fosse um adversário (e com o nosso jogador balançando a cabeça, fingindo entender e concordar), me fez lembrar aquele falso “tradutor” de sinais para surdos na cerimônia fúnebre em homenagem a Mandela, “traduzindo” com gestos espalhafatosos o discurso de Barack Obama, e todo mundo achando que ele estava traduzindo mesmo. Só depois foi desmascarado. Lembram?

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O “CAPITÃO DO TRI” ALERTOU. NÃO LHE DERAM OUVIDOS

9 de julho, 2014    

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Em 2012, quando Scolari foi escolhido técnico no lugar de Mano Menezes, o “capitão do tri”, Carlos Alberto Torres, foi dos poucos a apontar a incoerência de terem escolhido alguém que tinha acabado de rebaixar o Palmeiras e que estava desempregado, preterindo técnicos com melhor desempenho naquele momento, como Abel Braga, Tite, Muricy, Luxemburgo. Além de citar o rebaixamento, Torres foi taxativo: “O técnico tem de ser o melhor agora, não o que foi melhor há 10 anos”. Ele não disse, mas poderia ter dito que o futebol evolui rapidamente e que, de 2002 (quando Felipão comandou a seleção campeã) para 2014 contam-se quatro copas. Daí, uma das hipóteses para a derrocada da seleção brasileira (desespero e choro na classificação para as quartas e uma enfiada de 7×1, com baile e tudo) foi a desatualização, para não dizer despreparo, da comissão técnica (Parreira incluído), em contraste com a qualidade técnica dos jogadores (jogam nas equipes mais competitivas do mundo). Fica provado mais uma vez que ‘argumento de experiência’ em área em constante evolução técnica é mera falácia. Torres tinha razão. Felipão parou no tempo.

Que o episódio nos sirva de exemplo. Vamos parar com a mania de sublimar a realidade em proveito da velha mistura da síndrome de avestruz com o oba-oba.

 

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COPA DO MUNDO NO BRASIL. HITLER NÃO GANHOU A GUERRA

6 de julho, 2014    

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Há exatos quatro anos, antes da Copa da África do Sul, publiquei, a pedido da revista Carta Fundamental: A Revista do Professor (Cf. nº 15, fev 2010), artigo sobre o país que sediaria a Copa de 2010. No blog, publiquei postagem sobre o mesmo tema. Ao escrever o artigo para a revista, dei-me conta de um aspecto que talvez fuja à percepção dos mais jovens: a importância do futebol para a união dos povos, o enfraquecimento do racismo e o fortalecimento da humanidade. O artigo pode ser encontrado seguindo o link: http://www.jorgedasilva.com.br/artigo/33. A postagem, de 17/06/2010, é transcrita abaixo. Continua atual.

“COPA DO MUNDO NA ÁFRICA. HITLER NÃO GANHOU A GUERRA”

Copa do Mundo no país autoproclamado “The Rainbow Nation” (Nação Arco-Íris). Povos de todas as partes do Planeta, de diferentes cores, origens e culturas, reúnem-se num espetáculo humano maravilhoso, assistido ao vivo por quase dois bilhões de almas. Dentro de cada país, a seleção nacional aglutina os patrícios em torno do mesmo objetivo, independentemente de diferenças de qualquer natureza: vencer. Mais importante do que isto: a Copa aglutina nações e povos, independentemente de ideologias e regimes políticos, numa eloquente vitória da civilização.

Domingo, 13 de junho. A equipe alemã vence a da Austrália por 4 a 0. Bom para os germânicos. O jogador alemão Claudemir Jerônimo Barretto, o Cacau (negro nascido num país não europeu, o Brasil) marca o gol que sela a goleada. Bom para o mundo. Hitler deve estar contorcendo-se todo nas trevas, da mesma forma que muitos dos seus “filhos” contorcem-se em vida. O “führer” morreu convencido da superioridade mental, física e moral dos “brancos arianos”, e tudo fez para preservar a sua (deles) pureza. E pensar que não faz tanto tempo que a barbárie quase venceu a civilização!

 Para não esquecer!…

junho 17th, 2010”

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